Artigos sobre nudez natural, não erótica.

Os meus artigos, ilustrados com fotografias, em favor da nudez natural e pelo fim do pudor:

Nudez e vergonha do corpo: aqui. (É o campeão de acessos.).

A favor da nudez: aqui.

Nu na rua. Código Penal arcaico: aqui. (Em que demonstro que, no Brasil, NÃO É PROIBIDO ANDAR NU NA RUA.).

As mamas as vento (“topless”) em público NÃO constituem crime de ato obsceno. Onde o homem pode expor o tórax, a mulher pode fazer o mesmo, decidiu o TJ de SP: aqui.

Abricó, praia nudista: aqui.

Mamas ao vento e pênis à mostra: aqui.

A nudez é inocente: aqui.

Chispada: aqui.

                        Nudez perante crianças: Nudez perante crianças. PDF.

Teologia da nudez (em que examino a nudez, o “pecado original”, a nudez de 3 profetas e a atitude de Cristo em relação à nudez,  simpaticamente à nudez). (A minha condição de ateu e de jamais cristão não é contraditória com a minha teologia da nudez, que não pressupõe nem ser cristão nem crente em Jeová. Ela demonstra o quão parcial o cristianismo ortodoxo é, quanto à nudez e ao corpo e que é possível hermenêutica alternativa). Em 3 partes, ilustradas:

Primeira parte, na edição 175. Definição de nudismo; deus quis a nudez; o pecado original não foi erótico: aqui.

Segunda parte, na edição 176. O pecado original foi de desobediência; pecado é recusar a obra divina; Isaías, Miquéias e Saul nus; a nudez em Cristo; opiniões de autoridades cristãs em prol da nudez: aqui.

Terceira parte, na edição 177. Origem histórica, persa e cristã, da gimnofobia e do pudor: aqui.

Envergonhar-se do corpo é obrigatório? Divertido sermão nudista. aqui.

Homens que, nos vestiários de academias, entram no chuveiro de cueca e deles se restiram de cueca. Pudor ridículo (parece convento) de curitibanos e não só: aqui.

Minha carta à ministra dos Direitos Humanos, em prol do nudismo, do monoquini e da revogação do artigo 233 do Código Penal: carta-a-ministra-dos-direitos-humanos.

Os fotógrafos e as fotografias de nus em público. Trecho de epístola ao comandante da PM de SP:aqui.

No Jornal Olho Nu há artigos meus nos números 159, 165, 166,168,169, 175, 170 (duas vezes), 175, 176, 177, 178, 180, 182.

Ética do corpo livre: aqui.

Jornal Olho Nu, 178, de setembro de 2015: análise do livro “O nu ao ar livre” aqui.

A arte, no Brasil, ainda é gimnofóbica. O brasileiro não representa o nu, notadamente masculino, ao passo que na Grécia e em Roma antigas, nos E.U.A. e na Europa atuais, o nu masculino é comuníssimo. Vide aqui coleção abundantíssima de nus masculinos, demonstração do quanto o brasileiro ainda é preconceituoso e caretíssimo. Vide aqui outro sítio de pintura de nus na arte (masculinos e femininos). O art. 233 do Código Penal pune fazer, ter, adquirir desenho, pintura, estampa obsceno. A arte com nu é obscena ? Está na hora de revogarem-se os artigos 233 e 234 do Código Penal.

Vide aqui repertório de lindíssimas fotografias de  nus masculinos.

                Nudismo na Alemanha, nos anos 1920, com escola nudista e não só. Relato de R. Salardenne, no seu livro “Um mês entre os nudistas”: Um mês entre os nudistas.

O Cristo, nu, de chocolate: O Cristo nu, de chocolate.O cristo nu, de chocolate.

Filmagem de nu no metrô de Berlim aqui.

Por que, nas piscinas, os nadadores devem usar tanguinhas minúsculas? Nos E.U.A. , antes da caretização religiosa, nadavam nus. Veja aqui.

Fotografias de  nudez natural, em público, na Europa, aqui.

Sítio de fotografias de pinturas, desenhos e esculturas de nudez frontal masculina aqui.

Cinema nudista: aqui.

Vídeo. Visita do casal aos amigos nudistas. Para “melhorar o seu inglês”: aqui.

Pudor nos EE. UU. AA. e liberdade de nudez na Europa. Curtíssima metragem: aqui.

Resenha de “Pureza”, de Nelci Pereira de Sousa, livro adamita (nudismo cristão), de conteúdo altamente humanista e ótimo: aqui.

Projeto fotográfico brasileiro, de Hugo Godinho aqui.

Desenhos brasileiros de nus, de Fábio Lopes aqui.

Projeto fotográfico de Hugo Carmesin. Adesões à publicação do livro “Nu Cenário” aqui.

Snaps fanzine, revista de nudez masculina natural: aqui.

Viva Calígula, repertório de fotografias de nudez não erótica: aqui.

Reportagem sobre revistas de nudez natural, brasileiras: aqui.

“Eu escolhi você”, de Clarice Falcão, com imagens de nudez natural (no Vímeo): aqui.   Minha análise do clipe :eu-escolhi-voce-de-clarice-falcao-pdf

Testemunho de Adriano Facioli, acerca da sua experiência nudista: adriano-facioli-testemunho.

Filme de Antonio da Silva, “Poesia no pênis”: aqui.

“Le banquet d`Auteil”: dramaturgia com nudez. Vide a partir do quadragésimo nono minuto: aqui.

          Quatro desenhos nudistas, de Henrique de Macedo Airoso da Silva, publicados pelo jornal Olho Nu (edição de número 200, de julho de 2017): aqui.

Genealogia da obscenidade (vídeo de Diego Fernandes), no Youtube: aqui.

Há fotografias de nudez natural na Europa e EE.UU.AA, inclusivamente das escolas nudistas.

Se gostou da idéia, divulgue-a. A idéia é a de erradicar a vergonha do corpo, a de que há partes inerentemente obscenas (pênis, mamas, nádegas) no corpo, que devem ser ocultadas. A idéia é a de que todas as partes do corpo são dignas e apresentáveis e que não faz sentido o pudor como vergonha do corpo. A idéia é a de que a nudez natural é diferente de nudez sexual e de que a malícia está no pensamento do malicioso.

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Curitibanos-curitibocas.

Neste blogue, abaixo, “O curitibóca” (descrição e julgamento do próprio); “Cura-curitibóca” (terapia em sete lições) e “Bestiário do curitibóca ou exemplos da babaquice”.

Leia “O curitibóca” aqui.

Leia o Cura-curitibóca em oito lições aqui. Se você é curitibano, sugiro-lhe que leia, por primeiro, a oitava lição.

Leia o “Bestiário do curitibóca ou exemplos da babaquice” aqui.

Leia análises de outros autores, de Curitiba e forasteiros, sobre o etos e o patos do curitibano: O curitiboca. Alguns testemunhos.

 

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“A gente”.

“A GENTE”.
“A gente” é locução equívoca, pois exige a compreensão da frase ou do contexto para perceber-se se ela equivale a eu, a tu, a nós, a vós, a eles, ao passo que os pronomes retos (eu, tu, ele, nós, vós, eles) são inequívocos: identificam imediatamente a quem se refere o discurso (a mim, a tu, a eles, a nós, a vós, a eles.).
A gente ora indica eu, ora indica tu, ora indica nós, ora indica eles, ora indica pessoas indeterminadas, ora indica a instituição a que se pertence. Ela empobrece o idioma porque apaga a identificação exata e precisa do sujeito do discurso e dificulta que se entenda, desde logo, a quem a frase se refere. Eu vim, ele veio, nós viemos, eles vieram; tudo isto se empobrece com “a gente veio”: a gente quem ?
Atenção agora:
A expressão a gente sempre enseja a pergunta e a dúvida: a gente, quem ?
Os pronomes retos nunca ensejam a dúvida e a pergunta sobre quem é o sujeito da frase.
A expressão a gente sempre depende, para ser compreendida, do contexto da frase; jamais é imediatamente compreensível e inequívoca.
Os pronomes retos jamais dependem do contexto da frase para serem compreendidos; sempre são imediatamente compreensíveis e inequívocos.

A gente é expressão equívoca e pobre e, por isto, lingüisticamente inferior; os pronomes retos são precisos e, por isto, lingüisticamente superiores à “a gente”. Percebeu a desvantagem de “a gente” para a eficácia da comunicação ?
“A gente” ou “a gênhtchi” é expressão coloquial, tempos atrás empregada pela gente desinstruída, de escolaridade primária ou por jovens descuidadosos do vernáculo (jovens, por exemplo, ignaros das palavras ignaro e vernáculo).
Quem tinha estudos sabia distinguir as pessoas do discurso e empregar os pronomes, segundo as circunstâncias: eu, tu, ele, nós, vós, eles, e dizia eu sou, nós somos, eles são. Agora, até as classes A e B empregam a gente ao invés de eu, de nós, de eles.
Enunciada a locução “a gente”, muitas vezes não se entende a quem o falante se refere: a gente quem? Sou eu? É você? São os outros? São pessoas indeterminadas ? Qual gente? Tal expressão subtrai exatidão do discurso e mal acostuma as pesssoas a não usarem as conjugações dos verbos: quem se vicia em a gente desaprende a dizer eu vou, nós vamos, eu seria, nós seremos, eles venderão, eles estariam.
É mais fácil usar a gente, em lugar dos pronomes retos ? Sim – e também medíocre.
Que o iletrado fale assim, é próprio de quem não teve escola, de quem é carente de leitura, de quem não zela pelo rigor da comunicação, porém que pessoas estudadas falem assim, considero evidente rebaixamento da qualidade do idioma, que se nivela por baixo.
Evoluímos ou involuímos? Nivelamos por baixo ou por cima ? O povão aprendeu ou as classes “estudadas” desaprenderam? O culto propagou-se ou propagou-se o coloquial ?
Não leva a nada alegar que com esta locução “todo o mundo” se entende, que o importante é comunicar-se, que o idioma evolui e modifica-se. Todos entender-se-ão melhor, comunicar-se-ão com mais eficácia, se a evolução mantiver-lhe a precisão e a qualidade, virtudes ausentes da expressão em causa. Evoluir e modificar-se é diferente de melhorar.

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Ateísmo cristão.

Se ateu é quem recusa a existência de deus ou deuses, então, o cristianismo é relativamente ateu, porquanto rejeita a existência de todas as divindades, exceto a sua. Assim, a diferença quantitativa entre os ateus e os cristãos, é de um só deus, o que, aliás, determina cosmovisões distintas entre uns e outros.

O Positivismo substitui a idéia sobrenatural do deus sempre imaginado e jamais averiguado, pela idéia natural da Humanidade.

Leia mais aqui:  Ateísmo cristão

 

 

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Vícios de comunicação. Educação idiomática.

            VÍCIOS DE COMUNICAÇÃO. EDUCAÇÃO IDIOMÁTICA.

Arthur Virmond de Lacerda Neto. 29.7.2018.

 

ADVÉRBIO DE MODO é a palavra que indica o modo, a maneira, o como algo se dá. Por exemplo: veio de modo rápido = veio rapidamente; encontrou de maneira fácil = encontrou facilmente; fala de modo errado = fala erradamente; fala de maneira correta = fala corretamente.

Dizer-se “veio rápido” é diferente de dizer-se “veio rapidamente”, pois em “veio rápido”, o que veio, foi o “rápido”, ao passo que em “veio rapidamente”, algo ou alguém veio, o que fez com rapidez. Note a diferença, total, entre usar-se corretamente os advérbios de modo e não os usar; neles, usa-se a desinência “mente”: rapidamente, urgentemente, facilmente.

Se tu usas os adjetivos como se fossem advérbios de modo (por exemplo: “rápido” em vez de “rapidamente”), então escreves mal, na forma e no fundo.

“-Todo mundo fala assim”: se muitos falam assim, muitos falam mal. Você prefere o errado ao certo ?
“-Mas dá para entender.”: se dá para entender assim, também dá para entender se usar o idioma de modo melhor.

A negligência dos advérbios de modo (….mente) é mais um sintoma do empobrecimento do idioma, no Brasil.

O idioma faz sentido; nele, há certo e errado; a teminação “mente” nos advérbios é relevante, desempenha papel na eficácia da comunicação. Se tu usas o “mente”, dizes uma coisa; se o negligencias, dizes outra.

 

MANIAS BURRAS.

Mania burra de “está?”.

“Obrigado, [es]tá ?”.

“Desculpe, [es]tá ?”.

“Custa cinco, [es]tá?”.

Em primeiro, está errado pronunciar-se “tá”: a palavra diz-se “está”. Em segundo, é inútil perguntar “está?”: está o quê?

“Obrigado, está?”. Está o quê?

“Desculpe, está?”. Está o quê?

Mania burra do pronome:

“Brasília, ela é quente”.

“As pessoas, elas são simpáticas”.

“O coletivo, ele é importante”.

Os pronomes ele, ela, eles, elas, substituem o nome, o sujeito. Assim:

“Brasília, ela é quente” = Brasília, Brasília é quente.

“AS pessoas, elas são simpáticas” = As pessoas, as pessoas são simpáticas.

“O coletivo, ele é importante” = O coletivo, o coletivo é importante.

Diga:

“Brasília é quente”; “As pessoas são simpáticas”, “O coletivo é importante”.

É óbvio que o pronome, aí, está a mais, é inteiramente desnecessário e o seu uso é burro.

Dizer-se que o idioma muda, como se toda mudança fosse bem-vinda; que nem sempre o seu uso coloquial é racional, como se as irracionalidades fizessem sentido; que a linguagem popular vale tanto quanto a culta, redundam em criar-se mentalidade de deseducação lingüística e em coonestarem-se cacoetes, vícios, erros, como os que apontei.

Em idioma, há certo e errado; a norma culta deve servir-nos de inspiração, modelo e regra. A pessoa torna-se zelosa com as palavras quando lhes percebe o valor de comunicação, quando atenta em que uma preposição correta, uma vírgula bem colocada, um verbo corretamente conjugado, são vantajosos para ela comunicar com clareza e precisão o que pretende.

“ATENTE-SE” É ERRO ESTÚPIDO.

“Atentar em” e jamais o estapafúrdio “atente-se”: “eu me atentei”, “ele se atentou”, “atentem-se ao dia da festa” são ignorâncias.

Atentar-se é reflexivo: o sujeito exerce a ação sobre si próprio, atenta em si. Dizer “atente-se no dia da prova” equivale a dizer: “atente a si próprio no dia da prova”, quando se quer dizer: “tenha atenção relativamente ao dia da prova”, ou seja, a atenção não se volta ao próprio sujeito e sim a algo fora dele. Por isto, é absurdo dizer-se “atente-se no que ocorreu”.

O correto é e só pode ser “atente em” algo externo ao sujeito: “Eu atentei em que havia algo errado” ; “ele atentou no problema”, “atentaremos no dia da festa”.

O idioma faz sentido; nele, há certo e errado. O errado é errado ainda que muitos o cometam (e muitos cometem erros, em país em que a instrução do idioma é fraquíssima).

 

O VALOR DE SABER BEM O IDIOMA.

“Ligue na central de atendimento” significa o cliente ir à central e nela telefonar.

Quer-se dizer “Ligue para a central”. A preposição errada altera o sentido da frase.

Outra: “Obrigado por comprar conosco”. Errado: comprar “conosco” significa o comprador comprar com o vendedor e com mais alguém, ou seja, há três compradores, e não o comprador comprar do vendedor e o vendedor vender-lhe.

É óbvio que o comprador compra do vendedor e o vendedor vende para o comprador, o que se exprime de forma que enuncia tal obviedade: “Obrigado por comprar de nós” ou “Obrigado por comprar da Casa XYZ”.

Dizer “conosco” em lugar de “de mim” altera radicalmente o sentido da frase. É infantilidade objetar-se que “dá para entender”: não, não dá para entender; dá para adivinhar apesar da confusão a que induz o que se mal disse.

A eficácia da comunicação decorre, também, do emprego correto do idioma, da sua forma culta, que é valiosa, importante e bonita.

Saber bem o idioma e bem usá-lo faz diferença. Sabê-lo mal e usá-lo erradamente custa equívocos e confusões.

Em país em que a maioria sabe mal, quando sabe, os erros grassam como epidemia. Em idioma, há, sim, certo e errado; é justificável que a forma culta seja considerada a correta e padrão, no sentido de modelar, que serve de modelo por usar e como critério por que se avalie a correção e a incorreção das “variantes”.

“VAI QUERER ?”. ATENTAR E NÃO “ATENTAR-SE”.

O estado do idioma no Brasil é de achatamento crescente, em que, nas últimas décadas, as pessoas foram se tornando cada vez mais vulgares na sua expressão, ao mesmo tempo em que deixaram de aprender os recursos do idioma e de usá-los.

Há 3 ou 4 anos, o brasileiro médio já não sabe diferenciar, no uso, os tempos presente e futuro: as pessoas dizem, por exemplo, no comércio: “Não vai ter”, para significarem “Não tem”; “Vai querer ?” para exprimirem “Quer ?”, ou seja, usam o futuro para expressar o presente.

Como fariam para exprimir o futuro ?

Não leva a nada o lero-lero conformista, populista e sociolingüísta de que o idioma muda, de que as alterações são inevitáveis, de que isto é português brasileiro etc. É discurso fatalista, redutor, empobrecedor e pobre.

O idioma muda: pode mudar para melhor ou para pior. Quando quem deveria saber os tempos verbais não os sabe, então, mudou para pior, o que não é evolução: é retrocesso que não se pode aceitar e que urge contrariar, pelo ensino, a sério, do idioma, e pela sua valorização.

Saber bem o seu idioma é vantajoso na comunicação: quem o sabe bem, comunica-se melhor.

O vulgo confunde o presente com o futuro; desusa o pronome “se” onde ele é obrigatório (casar-se, divorciar-se, apaixonar-se, aposentar-se, arrepender-se, assustar-se); mete-o onde ele não existe: é o diabo do “atentar-se”, como “atente-se ao dia correto”.

Atente-se, qual o quê ! Atente no dia, sem o raio do “se” !

PAGAR POR E NÃO PAGAR EM.

“Paguei X na calça”; “pagamos X no livro”: ERRADO.

Ninguém paga “no” livro, “na calça”: ninguém entra no livro e, dentro dele, paga; ninguém entra na calça e, dentro dela, paga.

Paguei pela calça; pagamos pelo livro.

O idioma faz sentido; as preposições têm a sua razão de ser, como instrumentos de clareza e de precisão: é importante usar as preposições corretas.

O uso popular muitas vezes não faz sentido e é irracional. O errado é errado ainda que muitos o usem.

Use o certo, orgulhosamente.

Mais, no tópico “Vícios de linguagem”, neste blogue (procure na coluna, à direita, embaixo.).

 

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Idioma achatado.

  Idioma achatado.

                                                                           Arthur Virmond de Lacerda Neto. 29.7.2018.

 

Há muitos anos noto a crescente degradação do idioma, no Brasil. Trinta anos atrás, a minha geração falava mal, porém sabia a flexão de número (singular e plural), os tempos verbais, os pronomes, coisas que já se perderam, em parte.

Piorou muito. Dá vergonha ouvir como certas pessoas falam; dá vergonha a mentalidade de desleixo com o idioma; dá vergonha as pessoas não saberem mais usar corretamente os tempos verbais, os pronomes, os verbos, as palavras, a mesóclise, os pronomes contraídos.

Há simplificações (com a transformação de verbos transitivos indiretos em diretos) que denotam não que “português é difícil” (não, não o é) porém sim que as pessoas não o aprenderam ou, se o aprenderam, usam-no com o menor esforço (critério da preguiça e da mediocridade).

Também não se trata, apenas, de riqueza de vocabulário: está em causa a sintaxe e a construção das frases: cometem-se solecismos inaceitáveis vinte ou trinta anos atrás; a construção frasal é primária. As crianças em Portugal falam melhor do que muitos adultos brasileiros, o que inclui o pessoal acadêmico que, supostamente sendo ou devendo ser letrado, amiúde exprime-se e escreve mal.

Chegamos a tal ponto graças, também, aos teóricos populistas segundo quem toda mudança é bem-vinda e segundo quem a gramática normativa é elitista e anacrônica; também graças aos professores de português que ensinaram aos seus alunos a sobrevalorizar a oralidade e a desdenhar da correção gramatical, como se a eficácia, a destreza, até a beleza da comunicação independesse da forma como se usa o idioma.

O resultado destes ideário e pedagogia é o de o brasileiro haver se tornado em povo relativamente emburrecido, e a incapacidade de incontáveis estudantes de inteligirem textos. O efeito funesto também se nota no pessoal acadêmico, em que mestres, doutores com doutorado e pós-doutores escrevem mal, praticam solecismos, manifestam carência de familiaridade com as formas elevadas de expressão no seu idioma. Escrevem por obrigação de ofício: vezes muitas, é quando revelam o seu despreparo, a sua carência de traquejo com o vernáculo, a ocorrência e até a recorrência dos vícios e defeitos em voga no momento.

Outro resultado consiste na epidemia de cacoetes, vícios e defeitos, como o estúpido vício da duplicidade, com exclusão dos pronomes cabíveis (“Aristóteles redigiu livros; são importantes os do grego”, em lugar de “Aristótoles redigiu livros; são eles importantes” ou “são importantes os seus livros”); o uso de palavras-ônibus (a exemplo do verbo ganhar: “Curitiba ganhou mais um restaurante”); o gerundismo (“Vamos estar escrevendo”); o apagamento da mesóclise (“Poder-se-á”, “Dí-lo-ei”); a supressão do pronome reflexo “se” (“Fulano apaixonou, separou, aposentou” em lugar de “apaixonou-se, separou-se, aposentou-se”); o emprego errado das preposições (“Ligue na central” em lugar de “Ligue para a central”); o desconhecimento da segunda pessoa do plural (“Vós sois”, “Fizestes”); o emprego errôneo dos tempos (“Vai querer ?” em lugar de “Quer ?”; “Aristóteles vai dizer” em lugar de “Aristóteles disse”, vezo corriqueiro no mal estilo acadêmico); a conjugação errada da segunda pessoa do singular (“Tu veio”, “Tu fez”); o primarismo das construções (“Os primeiros dias choveu.” em vez de “Nos primeiros dias choveu.”).

Ainda outro: a má qualidade da maioria das traduções brasileiras, dos últimos cerca de 40 anos. As portuguesas sempre são melhores: em Portugal valoriza-se saber bem o idioma, falá-lo com escorreição, escrever com clareza e propriedade, traduzir com esmero e vernaculidade.

Vide, a propósito, as observações de Otávio Pinheiro, na Folha de São Paulo, de 16.6.2018 (“Nunca se escreveu tanto, tão errado e se interpretou tão mal”) a que acederá por: https://www1.folha.uol.com.br/empreendedorsocial/2018/07/nunca-se-escreveu-tanto-tao-errado-e-se-interpretou-tao-mal.shtml?utm_source=facebook&utm_medium=social&utm_campaign=compfb

 

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Agradecer à Humanidade.

 

            Agradecer à Humanidade.

Arthur Virmond de Lacerda Neto. 29.7.2018.

PASSA EM PROVA, EM CONCURSO, NA OAB E, PRIMEIRAMENTE, AGRADECE AO SEU DEUS.

A pessoa passa em prova, concurso, exame da OAB, seja o que for: agradece, “em primeiro lugar, a deus”; depois, aos seus professores, pais, irmãos, etc.

No etos teológico, está “deus no comando”. O indivíduo julga que os seus êxitos são determinados pela vontade divina, que cria as condições do êxito, porém é facilmente perceptível que elas são constituídas pelas pessoas, pela sociedade, pela forma como o homem organiza os seus interesses.

Por exemplo: o estudante conclui o seu curso, forma-se, passa na OAB, graças aos homens, que criaram o curso e o exame, que lhe propiciaram condições de estudar, que lhe incutiram conhecimentos (os seus professores) e graças, obviamente, ao próprio aluno, que se esforçou. Em tudo isto, toda a ação e agência foram humanas.

O aluno forma-se graças a si próprio e aos seus professores; ao êxito no curso, deus é totalmente alheio; ele é o grande ausente e nada tem a ver com os resultados que o aluno obteve. Contudo, para a mente religiosa, tem tudo a ver.

O doente recupera-se: agradece, antes de tudo, ao seu deus, porém sarou graças aos médicos, aos enfermeiros, aos medicamentos, aos aparelhos, aos exames e até a si próprio, se foi pontual no tratamento, que o seu deus assistiu impassivelmente e inerte.

Com isto, o religioso ilude-se (se não vivesse iludido, não seria religioso) e é injusto, na escala da sua gratidão.

Não é “graças a deus”; nada é graças a deus nenhum. Tudo é graças à Humanidade: é aos homens e ao lento, contínuo e acumulado esforço de gerações, ao longo dos tempos, que se criam as condições do êxito individual e os resultados coletivos. Por exemplo: alguém inventou o papel, a imprensa, a tinta; alguém criou a escola em que o aluno estudou, alguém instruiu o seu professor, o seu professor o instruiu; alguém criou a lâmpada debaixo de cuja luz ele estudou, alguém fabricou o ônibus que o transportou à faculdade, alguém inventou o agasalho que o vestiu nos dias frios, alguém inventou o giz com que o professor escreveu, vários alguéns lhe ensinaram as matérias, o próprio aluno estudou.

Cada pequena invenção ou criação decorreu de alguém, cujo êxito foi preparado pela agência de outros indivíduos; a somatória da contribuição de incontáveis, dezenas, centenas, milhares de pessoas resultou na providência humana que propiciou as condições para que o estudante pudesse estudar. Por fim, o estudante dedicou-se e, como desfecho da combinação de um sem-número de contribuições parciais de infinito número de humanos, ele passou na banca do T.C.C, no concurso, formou-se, obteve emprego etc..

É o ser humano em sociedade, mais o esforço individual, que cria as situações de cada um e não deus, nenhum deus.

Tudo quanto existe, tudo quanto você é e virá a ser, deve-o e devê-lo-á à Humanidade; a própria idéia de deus é criação da Humanidade, é produto artificial de pessoas.

O Positivismo, doutrina criada por Augusto Comte, reconhece, explicitamente, a existência da Humanidade, como conjunto contínuo, ao longo dos tempos, das pessoas convergentes, ou seja, que, em alguma medida, contribuíram para com o bem-estar alheio (conceito em que se incluem os animais). A Humanidade é real, compõe-se de pessoas realmente existentes; salvo os perniciosos, os parasitas, os maléficos, todos estamos nela inseridos e a integramos; é por ela e graças a ela que existimos e podemos realizar desejos, aspirações, obter alegrias e felicidade. Agradeçamos-lhe !

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Acessar, disponibilizar: porcarias.

ACESSAR, DISPONIBILIZAR: PORCARIAS.
ACEDER A, DISPOR: VERBOS CORRETOS.

A ignorância do idioma no Brasil é fato típico da maioria dos brasileiros, nos últimos cerca de quarenta anos. Ensina-se mal, sabe-se mal, usa-se mal o idioma. Entre nós, não é desprestigiante falar-se mal, com solecismos: ao contrário, alguns teóricos, com as suas falsas e perniciosas doutrinas de que a) inexiste certo e errado, porém b) variantes lingüísticas, acabam por legitimar todo erro e todo primarismo.

O brasileiro médio fala muito mal o seu idioma. Há, aqui, professores e até doutores com doutorado cuja habilidade de comunicação é inferior ao das crianças portuguesas: a diferença está em que, em Portugal, valoriza-se o idioma, que lá se ensina a sério. O português médio, o homem comum português, sabe mais os recursos do nosso idioma e usa-os, diferentemente do que se passa no Brasil, em que não se aprende e se negligencia o que se aprende, o que reputo duplamente vergonhoso. Aqui, também se aprovam automaticamente as crianças até a quarta ou a sétima série: criam-se burros.

Um consectário da ignorância idiomática radica na circulação de estrangeirismos: o indivíduo ignora os termos do seu idioma, porém estuda inglês; algum ignorante, que sabe inglês e não sabe português, por imitação, inventa uma palavra; usa-a; os demais, igualmente desconhecedores do que deveriam saber, adotam a novidade. É o caso dos estúpidos verbos “acessar” e “disponibilizar”.

Há séculos existe o verbo (transitivo indireto) ACEDER A: significa “ter acesso a” e “aceitar”. Por exemplo: acedo ao recinto; acedi ao Facebook; aceda à página do banco.

O Brasil é o único país da Terra em que se usa esta porcaria: em Portugal, na Espanha, na Argentina, na França, na Itália, no Uruguai, no Chile, no México e nos mais países de línguas novilatinas, usa-se “aceder a”.

Alguém leu “to access” e fabricou “acessar”. Soubesse o seu idioma e conheceria “aceder a”.

É o mesmo caso do estrambótico “disponibilizar”. Em português, é DISPOR: dispus o material para os alunos; o governo disporá vacinas; as mercadorias estão dispostas para os fregueses.

Agora, que tu conheces o certo, podes (e deves) usá-lo. É correto elegante.
“-Mas se eu usar, ninguém vai entender”. Ninguém ? Quando introduziram as porcarias destes estrangeirismos, as pessoas não as entenderam ? Entenderam. E não entenderão os vocábulos vernaculares ? Entenderão.

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Costumes, gerações e liberdade.

COSTUMES. GERAÇÕES. LIBERDADE.

“‘Cada um pode ser o quiser, mas não precisa se ridicularizar’ disse meu pai [o pai dele] em discurso démodé ao ver a foto que eu [o meu amigo] postei de um aplicativo que me faz parecer de batom e maquiagem… Entendamos o seguinte: batom e maquiagem não faz homem parecer ridículo, a não ser que o cara não saiba se maquiar. O meu criador fez algumas estrelas afeminadas, e elas tem que brilhar… ”

Comentei: Há resistências culturais (psicológicas) às inovações de costumes, notadamente da parte dos velhos, dos integrantes de gerações em que correto era manifestar-se de outra forma ou não se manifestar de dada maneira. Ele exprimiu o seu (dele) condicionamento de época e ainda não está preparado para o novo e o atual. A sua (dele) impregnação evangélica agrava-lhe o despreparo para aceitar o que lhe divirja dos seus “rigorosos padrões éticos e morais”.

Mais comento: as pessoas devem ser livres para se exprimirem ao seu modo, para serem o que são e o que aspiram a ser, para sentirem-se bem com a forma como se exprimem, com liberdade, cujo único limite deve ser o do real prejuízo que, porventura, causem a outrem.
Se o exercício da liberdade individual é inofensivo, a forma como cada um se exprime é da conta de cada um e ninguém deve fiscalizar nem julgar o uso que o outro faz do respectivo rosto (masculino maquiado), cabelo (pintado), cu (que usa para ser sodomizado) ou corpo (prefere ser nudista).

Homem pode costurar e bordar ? Pode. Pode usar saias ? Pode. Mulher pode jogar sinuca ? Pode. Mulher pode usar calças e cabelos curtos ? Pode. Tais permissões (à guisa, apenas, de exemplos) constituem manifestações da liberdade; suponho que repugnem aos “conservadores” que, por sua vez, detém liberdade para repugnarem-se delas. Liberdade que não podem deter, é a de impor as suas prescrições e proibições aos demais, e vice-versa. Liberdade é isto: cada um na sua e todos em frente.

Não há pior do que invocar os tais “rígidos princípios éticos e morais” que, normalmente, equivalem a pretender-se plasmar o comportamento alheio ao modo de quem os invoca, de proibir a liberdade alheia e, finalmente, de impor caretices.

O público evangélico é, costumeiramente, adeso a proibições e descompreende o valor da liberdade individual: é obediente aos ditames do respectivo credo, caretas, muitos deles.

 

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