Artigos sobre nudez natural, não erótica.

Os meus artigos, ilustrados com fotografias, em favor da nudez natural e pelo fim do pudor:

Nudez e vergonha do corpo: aqui. (É o campeão de acessos.).

A favor da nudez: aqui.

Nu na rua. Código Penal arcaico: aqui. (Em que demonstro que, no Brasil, NÃO É PROIBIDO ANDAR NU NA RUA.).

As mamas as vento (“topless”) em público NÃO constituem crime de ato obsceno. Onde o homem pode expor o tórax, a mulher pode fazer o mesmo, decidiu o TJ de SP: aqui.

Abricó, praia nudista: aqui.

Mamas ao vento e pênis à mostra: aqui.

A nudez é inocente: aqui.

Chispada: aqui.

                        Nudez perante crianças: Nudez perante crianças. PDF.

Teologia da nudez (em que examino a nudez, o “pecado original”, a nudez de 3 profetas e a atitude de Cristo em relação à nudez,  simpaticamente à nudez). (A minha condição de ateu e de jamais cristão não é contraditória com a minha teologia da nudez, que não pressupõe nem ser cristão nem crente em Jeová. Ela demonstra o quão parcial o cristianismo ortodoxo é, quanto à nudez e ao corpo e que é possível hermenêutica alternativa). Em 3 partes, ilustradas:

Primeira parte, na edição 175. Definição de nudismo; deus quis a nudez; o pecado original não foi erótico: aqui.

Segunda parte, na edição 176. O pecado original foi de desobediência; pecado é recusar a obra divina; Isaías, Miquéias e Saul nus; a nudez em Cristo; opiniões de autoridades cristãs em prol da nudez: aqui.

Terceira parte, na edição 177. Origem histórica, persa e cristã, da gimnofobia e do pudor: aqui.

Envergonhar-se do corpo é obrigatório? Divertido sermão nudista. aqui.

Homens que, nos vestiários de academias, entram no chuveiro de cueca e deles se restiram de cueca. Pudor ridículo (parece convento) de curitibanos e não só: aqui.

Minha carta à ministra dos Direitos Humanos, em prol do nudismo, do monoquini e da revogação do artigo 233 do Código Penal: carta-a-ministra-dos-direitos-humanos.

Os fotógrafos e as fotografias de nus em público. Trecho de epístola ao comandante da PM de SP:aqui.

No Jornal Olho Nu há artigos meus nos números 159, 165, 166,168,169, 175, 170 (duas vezes), 175, 176, 177, 178, 180, 182.

Ética do corpo livre: aqui.

Jornal Olho Nu, 178, de setembro de 2015: análise do livro “O nu ao ar livre” aqui.

A arte, no Brasil, ainda é gimnofóbica. O brasileiro não representa o nu, notadamente masculino, ao passo que na Grécia e em Roma antigas, nos E.U.A. e na Europa atuais, o nu masculino é comuníssimo. Vide aqui coleção abundantíssima de nus masculinos, demonstração do quanto o brasileiro ainda é preconceituoso e caretíssimo. Vide aqui outro sítio de pintura de nus na arte (masculinos e femininos). O art. 233 do Código Penal pune fazer, ter, adquirir desenho, pintura, estampa obsceno. A arte com nu é obscena ? Está na hora de revogarem-se os artigos 233 e 234 do Código Penal.

Vide aqui repertório de lindíssimas fotografias de  nus masculinos.

                Nudismo na Alemanha, nos anos 1920, com escola nudista e não só. Relato de R. Salardenne, no seu livro “Um mês entre os nudistas”: Um mês entre os nudistas.

Filmagem de nu no metrô de Berlim aqui.

Por que, nas piscinas, os nadadores devem usar tanguinhas minúsculas? Nos E.U.A. , antes da caretização religiosa, nadavam nus. Veja aqui.

Fotografias de  nudez natural, em público, na Europa, aqui.

Sítio de fotografias de pinturas, desenhos e esculturas de nudez frontal masculina aqui.

Cinema nudista: aqui.

Vídeo. Visita do casal aos amigos nudistas. Para “melhorar o seu inglês”: aqui.

Pudor nos EE. UU. AA. e liberdade de nudez na Europa. Curtíssima metragem: aqui.

Resenha de “Pureza”, de Nelci Pereira de Sousa, livro adamita (nudismo cristão), de conteúdo altamente humanista e ótimo: aqui.

Projeto fotográfico brasileiro, de Hugo Godinho aqui.

Desenhos brasileiros de nus, de Fábio Lopes aqui.

Projeto fotográfico de Hugo Carmesin. Adesões à publicação do livro “Nu Cenário” aqui.

Snaps fanzine, revista de nudez masculina natural: aqui.

Viva Calígula, repertório de fotografias de nudez não erótica: aqui.

Reportagem sobre revistas de nudez natural, brasileiras: aqui.

“Eu escolhi você”, de Clarice Falcão, com imagens de nudez natural (no Vímeo): aqui.   Minha análise do clipe :eu-escolhi-voce-de-clarice-falcao-pdf

Testemunho de Adriano Facioli, acerca da sua experiência nudista: adriano-facioli-testemunho.

Filme de Antonio da Silva, “Poesia no pênis”: aqui.

“Le banquet d`Auteil”: dramaturgia com nudez. Vide a partir do quadragésimo nono minuto: aqui.

          Quatro desenhos nudistas, de Henrique de Macedo Airoso da Silva, publicados pelo jornal Olho Nu (edição de número 200, de julho de 2017): aqui.

Genealogia da obscenidade (vídeo de Diego Fernandes), no Youtube: aqui.

Há fotografias de nudez natural na Europa e EE.UU.AA, inclusivamente das escolas nudistas.

Se gostou da idéia, divulgue-a. A idéia é a de erradicar a vergonha do corpo, a de que há partes inerentemente obscenas (pênis, mamas, nádegas) no corpo, que devem ser ocultadas. A idéia é a de que todas as partes do corpo são dignas e apresentáveis e que não faz sentido o pudor como vergonha do corpo. A idéia é a de que a nudez natural é diferente de nudez sexual e de que a malícia está no pensamento do malicioso.

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Curitibanos-curitibocas.

Neste blogue, abaixo, “O curitibóca” (descrição e julgamento do próprio); “Cura-curitibóca” (terapia em sete lições) e “Bestiário do curitibóca ou exemplos da babaquice”.

Leia “O curitibóca” aqui.

Leia o Cura-curitibóca em oito lições aqui. Se você é curitibano, sugiro-lhe que leia, por primeiro, a oitava lição.

Leia o “Bestiário do curitibóca ou exemplos da babaquice” aqui.

Leia análises de outros autores, de Curitiba e forasteiros, sobre o etos e o patos do curitibano: O curitiboca. Alguns testemunhos.

 

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Contos infanto-juvenis de Antonio Chalbaud Biscaia.

Antonio Chalbaud Biscaia (1909 -1982) foi homem público paranaense e escritor. Ocupou cargos de Promotor Público, Procurador-Geral do Estado, deputado federal, Secretário de Estado; lecionou Direito Comercial. Em jovem, traduziu contos, redigiu poesias, contos, uma opereta; adolescente, produziu quatro contos infanto-juvenis, que reproduzi em PDF.

Desejara vê-los publicados em edição para crianças, com ilustrações.

Aceda-lhes por aqui: Antonio Chalbaud Biscaia. Contos.

 

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Encadernação de livros.

Até o século IV, aproximadamente, os livros eram enrolados. Os rolos chamavam-se de volumen.

Depois, passaram a ser formados de folhas que, dobradas uma ou mais vezes, originavam livros de formato proporcional ao número de dobras, motivo por que eram chamados de in-4º se dobrados 4 vezes; in-8º, se 8; in-16º, se 16; in-32º, se 32 vezes.

As folhas dobradas chamavam-se de cadernos; sobrepunham-se os cadernos e costuravam-se-lhes a margem esquerda. Punham-se capas rígidas nos cadernos costurados, operação denominada de encadernação (chama-se de encapamento o ato de colocarem-se capas plásticas flexíveis, presas por espiral plástica. Por extensão e por deturpação, chamam-se, mal, a isto, de encadernar e de encadernação.).

Posto que as folhas eram dobradas, apresentavam dobraduras na sua face superior e, em algumas, na lateral direita, que se abriam por meio de espátula.

Os livros encadernados chamavam-se de códigos, termo que, no meio jurídico, nomina a forma de organização do direito, em textos que o contém metodicamente disposto, com alterações, relativamente ao direito que lhe antecede.

Veja a imagem da costura  aqui.

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Monarquia no Brasil ?

MONARQUIA NO BRASIL ?

Arthur Virmond de Lacerda Neto.

Novembro de 2017.

Há monarquistas no Brasil, cidadãos que exercem legitimamente as suas preferências políticas e aspiram ao regime monárquico, bem intencionados no anseio por remédios ao quadro atual da política brasileira. Tanto quanto escassamente percebo, dentre eles há olavinhos (adeptos do escritor Olavo de Carvalho); filiam-se à direita, certamente aderem ao neo-liberalismo. Ouso presumir: também são católicos, possivelmente integrantes da Opus Dei.

O descalabro moral e financeiro dos governos mais recentes e a corrupção perceptível nos quadros da política federal animam o grupo monarquico a devanear com a re-instauração no trono entre nós. Alguns esclarecimentos são oportunos:

1) Na monarquia, há patrimonialismo do cargo de chefe de Estado, ou seja, ele é apropriado pela família dinasta; o público torna-se privado e hereditário. No Paraná, costuma-se apontar a “hereditariedade” na política. A monarquia é precisamente hereditária.

2) A experiência do segundo reinado (Pedro II) foi o da permanência do imperador e de intensa instabilidade política: os gabinetes eram efêmeros, muito mais do que os presidentes da república. Pedro II confessou: “Levei 50 a carregar maus governos”. Os gabinetes duravam de três meses a, se tanto, cerca de dois anos.

A permanência do imperador em meio a contínuas substituições de gabinetes demonstra a aparência, de todo enganosa, de continuidade política. Havia continuidade do imperante e descontinuidade de governos.

3) A dinastia de Bragança adveio de golpe (d. João IV) em Portugal e no Brasil (Pedro I foi golpista em relação ao seu pai). A república adveio de golpe, que antecipou o que ocorreria por óbito, cedo ou tarde, do então imperador e a que ninguém se opôs: pessoal governamental, supostos monarquistas, exército, marinha, políticos, povo, todos aquiesceram ao novo regime, sem protestos, sem revoltas, sem indignação, porém com o consentimento tácito ou explícito da maioria dos brasileiros.

4) Não há família dotada de direitos inatos à suposta coroa; os Orleans e Bragança foram depostos e os seus representantes atuais são ilegítimos pretendentes, ao revés de herdeiros naturais e óbvios de coroa, aliás, inexistente.

As dinastias encerram-se e substituem-se: a própria dinastia de Bragança sucedeu à de Habsburgo, que sucedeu à de Avis, sucessora da de Borgonha.
A dinastia de Bragança foi destronada, com o que inexistem direitos inatos nos atuais Luis e Bertrand de Bragança a um virtual trono.
O trono acha-se vacante; aliás, não há trono. A reposição da monarquia, no Brasil, deve resolver, previamente, o problema, em aberto, da escolha da nova família reinante.

5) Uma vez entronizado um rei, ele (em tese) mantém-se vitaliciamente no cargo, o que pode ser duradouramente benéfico ou duradouramente maléfico, a menos que abdique ou seja deposto, ao passo que os bons presidentes podem merecer reeleição e os maus não a merecerem, ao passo que os reis, bons ou maus, lá permanecem a despeito da sua bondade ou ruindade.

6) Os ricos E.U.A. jamais foram monárquicos; inúmeros países europeus, em décadas pretéritas, depuseram os seus reis (Portugal, França, Itália, Alemanha, Romênia, Bulgária, Dinamarca, Noruega, Espanha, Rússia; há outros.). Mantêm-se monárquicos a Grã-Bretanha, a Espanha, a Holanda e a Suécia (se não estou em erro); também o Japão. A experiência de outros países é significativa: as monarquias não são necessariamente bemquistas. Salvo o caso da Espanha, é inviso qualquer caso de reposição monárquica em país republicano. Nenhum país preferiu a monarquia, em desfavor da república. Ao reverso, a experiência dos povos é, consensualmente (salvo o caso espanhol), a de que preferiram a república em substituição da monarquia.
(A monarquia espanhola provém de decisão do ditador Franco, que previu e proveu a entronização de João Carlos de Bourbón, ou seja, a monarquia espanhola decorre da política despótica do antigo déspota.).

7) Nas monarquias atuais, o rei ou imperador reina porém não governa; impera sem governar: eles não exercem a governança. Quem a exerce é o primeiro-ministro. O rei ou imperador simboliza a nação, ostenta continuidade, não governa.

8) Nas monarquias, as atenções públicas voltam-se à família imperante e à sua vida privada, o que é suscetível de efeito altamente deseducador, de ensinar os súditos a atentar à vida alheia e a mexericar da vida de certa família. É má lição. Cuide cada um da sua vida e não, também, da alheia.

9) Na monarquia brasileira, eram príncipes os filhos e os netos dos imperadores. Já não vive nenhum filho nem neto do ex-Pedro II. Logo, não há príncipes nem princesas no Brasil. De conseqüência, Luis e Bertrand de Bragança e os supostos herdeiros da coroa, não são príncipes, não devem ser tratados por príncipes nem por alteza.
Há que se manter a república, cuja inspiração é e sempre foi a da virtude republicana: dedicação da politica e dos políticos ao bem comum. A tal não correspondente, não necessariamente, o espírito das monarquias.
Há que se reaver o espírito republicano de sentido público dos governantes e probidade pessoal, valores desusados pela camarilha política que se apoderou dos altos escalões governamentais.
O povo, que vota e elege, vote e não eleja quem não o merece. Os media [“mídia”] cumpram o seu papel de fiscais da ação governamental. A oposição política cumpra o seu papel de propor alternativas válidas aos possíveis desacertos do governo. Os governantes, sejam estadistas e zelem pelo bem estar da nação, no presente e no futuro.

 

 

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Degredados no Brasil. O ouro do Brasil. Extermínio de índios do Brasil.

Arthur Virmond de Lacerda Neto. Novembro de 2017.

O OURO DO BRASIL E PORTUGAL COLONIZADOR.

Do ouro, prata e diamantes prospectado em solo brasileiro, a totalidade pertencia à coroa, ao Estado, que abandonava 80% ao pesquisador e cobrava-lhe 20%, os quintos reais.

Os pesquisadores sonegaram 2/3, ou seja, 14%; entregaram, de fato, 7%. Portugal recebeu 7% do ouro do Brasil, de que metade apenas ingressou em Portugal; a outra metade foi embolsada pela Inglaterra.

Portugal embolsou, de fato, 3,5% do ouro do Brasil, que não lhe pertencia, e sim a Portugal, pois o Brasil era território português, ultramarino, era Portugal, e não país independente.

Atendendo a reivindicações populares, em 1730, o rei baixou, temporariamente, os 20%, para 12%.

Para mais da cobrança dos quintos, havia impostos. Para ater-me a Minas Gerais, de 1700 a 1800, nenhum imposto foi cobrado sem prévia discussão e aceitação das câmaras.

No mesmo período, na França, o Estado embolsava 50% da renda do burguês, do operário e do camponês; apesar do volume do embolso, a coroa portuguesa aplicava no Brasil mais do que a coroa francesa aplicava no seu próprio território.

O “ouro do Brasil” não pertencia ao Brasil e sim a Portugal. O Brasil era Portugal; não era país autônomo e soberano.

 

          MITO DA COLONIZAÇÃO DO BRASIL POR DEGREDADOS.

Há o mito de que o Brasil foi colonizado por bandidos e pela escória social de Portugal. Ele origina-se, aparentemente, de 4 fontes:
1- da interpretação errada de carta do governador do Brasil, Diogo Botelho, de meados do séc. 16, em que pede a el-rei que não lhe mande mais degredados.
2- da leitura errrônea do documentário da expedição de Tomé de Souza, de 1549, em que se leu 400 degredados, em 600 homens. A leitura correta é de 40 homens.
3- do alvará de homízio de 1585, em que ficavam isentos de pena os criminosos que emigrassem. Embora baixado o alvará, não se demonstrou que de fato houvessem vindo criminosos.
4- da leitura da parte penal das Ordenações Filipinas, em que se previa degredo para o Brasil, para inúmeros crimes.
A existência de previsão de degredo para o Brasil não implica, necessariamente, que esta pena se aplicasse nem que viessem somente ou majoritariamente condenados.
Vieram alguns degregados, em número reduzido e nunca o suficiente para formar o etos das populações residentes. Em meio a alguns deles, havia todo o restante da população de bem.
Demais, aplicava-se a lei: havia ouvidor-geral (“ministro” da Justiça) e nas vilas, havia câmara e cadeia, que se edificavam em geral no mesmo prédio, ou seja, puniam-se os criminosos. Aqui não era terra de impunidade nem de bandidagem.
Punia-se com degredo gente de qualidade, como Camões, degredado em Goa; Bocage, degredado na India.
Ainda que hajam vindo degredados, a proporção entre eles e os imigrantes inocentes, que vieram aos milhares, não justifica a generalização de que o Brasil foi colonizado por degredados.
Alguns desmentidos:
Oliveira Lima (“O movimento da independência”): “A COLONIZAÇÃO BRASILEIRA LEVADA A CABO POR DEGREDADOS É UMA LENDA JÁ DESFEITA. Nem ser degredado equivalia então forçosamente a ser criminoso, no sentido das idéias modernas. Punia-se com a deportação delitos não infamantes e até simples ofensas cometidas por gente boa.”

                Manoel Bomfim: “A proposito do valor effectivo dos primeiros colonos […] há um preconceito que merece attenção, e deve ser rectificado: que eram gentes de má qualidade, degredados, condemnados… Em primeiro lugar, restabeleça-se a verdade: essa cópia [grande quantidade] de degredados é pura lenda; vinham para cá alguns desses desgraçados, mas em numero muito inferior ao que se admitte geralmente”. (O Brazil na America, livraria Francisco Alves, 1929, p. 79).

Carlos Lisboa Mendonça: “[…] o Brasil foi colonizado por material humano de boa qualidade; o melhor que naquela época existia em Portugal. Os líderes eram homens que já haviam demonstrado seu valor na India e pertenciam à camada mais representativa da vida política e social portuguesa […]. Os colonos eram pessoas cuidadosamente escolhidas, com quem os Capitães pudessem contar nos momentos de dificuldade […].” (500 anos do descobrimento).

MORTICÍNIO DE INDIOS ??

Manoel Bomfim, no seu O Brazil na América, afirma que os colonos portugueses não exterminaram os indigenas […] si estes desapareceram é que logo foram absorvidos na sociedade colonial. (Livraria Francisco Alves, 1929, p. 112). Que o extermínio dos íncolas é mito, explicita-o e aponta-lhe a origem: os jesuítas, que concorreram muito para o preconceito corrente – de que o gentio, além de cruelmente perseguido, foi deshumanamente exterminado (idem, p. 163).

O mito do genocídio indígena foi desmentido por Leandro Narloch no seu Guia politicamente incorreto da história do Brasil (editora Leya, São Paulo, segunda edição de 2011), cujas averiguações concordam com a afirmação de Manoel Bomfim: os íncolas integraram-se na sociedade colonial, entranharam-se nas vilas e cidades luso-brasileiras, adotaram nomes e sobrenomes portugueses. Mais: ferozes e violentas, as tribos guerreavam-se entre si e se entre-destruíam; tupinambás e tupiniquins eram inimigos mútuos e reputavam o homicídio do oponente meritório e condição para a obtenção de vida póstuma. Também matavam os brancos, aspecto no qual a violência letal dos índios contra eles existiu e foi determinante no malogro de alguns capitães-donatários.
No mesmo sentido, já antes Sílvio Romero se pronunciara: Este povo [português] que não exterminou o indígena encontrado por ele nesta terra, e ao qual se associou, ensinando-lhe a sua civilização […] (O Elemento Português no Brasil, livraria Chardon, Porto, 1904, in A Colonização Portuguesa no Brasil, de José Verdasca e Antonio Netto Guerreiro, Ordem Nacional dos Escritores, São Paulo, 2015).
Também Carlos Lisboa Mendoça: […] está errado dizermos que na época do Descobrimento existiam milhões de índios e nos nossos dias existem apenas poucos milhares, pois os outros foram dizimados. O que aconteceu, na realidade, foi que eles na maior quantidade foram absorvidos pela civilização, através do cruzamento racial e do cruzamento cultural. (500 anos do descobrimento, editora Destaque, 1999, p. 300).

Escreveu Koebel: “A certos aspectos, talvez, nenhuma nação haja colonisado com tanto enthusiasmo como Portugal. Uma vez estabelecidos no paiz, os seus pioneiros nunca encaravam a nova conquista como um lugar para residencia transitoria” (apud Manoel Bomfim, O Brazil na America, 1929, p. 406).

Bomfim, acrescenta, contudo, ressalva: De facto, era assim, nos primeiros tempos do Brazil, até que aqui se constituiu, pela lavoura, uma riqueza propria, capaz de ser explorada pelos mercantis. Depois, no tempo de Fr. Vicente, já os reinóes eram mais transitorios do que definitivos. Pouco importa: a necessidade de cultivar a terra para ter riqueza fez o essencial, e deu à colonização primeira do Brazil o caracter que mais lhe convinha; e é isto o essencial na verificação que nos interessa. (idem, p. 406). Prossegue, linhas adiante: […] os colonos portuguezes iniciaram uma sociedade estavel, agricola, vinculada ao sólo, orientada immediatamente a fazer do paiz uma patria […] (idem, p. 407).

“O português foi por toda a parte, mas sobretudo no Brasil, esplendidamente criador nos seus esforços de colonização”. (Gilberto Freyre, O mundo que o português criou, É realizações, 2010, p. 25.).

Carlos Lisboa Mendonça: Acrescentemos, ainda, ao contrário do que muitas vezes ouvimos dizer, que o Brasil foi colonizado por material humano de boa qualidade; o melhor que naquela época existia em Portugal. Os líderes eram homens que já haviam demonstrado seu valor na India e pertenciam à camada mais representativa da vida política e social portuguesa […]. Os colonos eram pessoas cuidadosamente escolhidas, com quem os Capitães pudessem contar nos momentos de dificuldade […]. (500 anos do descobrimento, editora Destaque, 2000, p. 242).

Sérgio Buarque de Holanda: “O trato das terras e coisas estranhas [ou seja, o convívio com povos e culturas orientais], se não uma natural aquiescência e, por isso,uma quase indiferença ao que discrepa do usual, parecem ter provocado certa apatia da imaginação, de sorte que para eles [portugueses dos quinhentos] até o incomum parece fazer-se prontamente familiar, e os monstros exóticos logo entram na rotina diária. Não estaria aqui o segredo da facilidade extrema com que se adaptam a climas, países e raças diferentes?” (Visão do paraíso, Folha de São Paulo, 2000, p. 121.). A adaptabilidade do português constituiu-lhe fator de superioridade, pelo entrosamento que lograva com climas, povos, culturas diversos do europeu e com que aceitava a diversidade cultural. Afeito a observar o diverso, aceitava a diversidade: no horizonte humano do português cabiam todos os humanos.

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Casamento homo.

Novembro de 2017.

O professor de Direito expunha a analogia e tomou, como exemplo, o casamento homo em relação ao casamento hetero.
Um aluno pediu-lhe a palavra:
– O senhor tem que tomar cuidado com o que diz. Eu não levo jeito nem ninguém na minha família !! Eu sou totalmente contra !! Eu tenho um filho de sete anos; que é que eu vou dizer p`ra ele se ele ver (sic) dois homens se beijando ?!

-Eu […] sou totalmente a favor. Que é que você diria para os seus filhos, não sei; não sou o pai deles. Sei o que eu diria para os meus: que há homens que gostam de homens e homens que gostam de mulheres. Você, como jurista ou futuro jurista, tem de aprender a ver as coisas à luz do direito, independentemente da sua religião; não sei se a tem nem quero saber.

Olhares para o docente e para o aluno, com sorrisos.
Silêncio.

O professor adiu:
– A homossexualidade existe em todos os povos da Terra, em todas as classes sociais, em todos os períodos da história. Também existe em 1500 espécies animais, notadamente nos animais superiores. Se há uma coisa que é natural, é a homossexualidade.

Olhares arregalados.
Silêncio.

Ninguém é obrigado a casar-se, seja lá com quem for; porém alguns querem impedir os outros de se casarem. A liberdade de um termina onde principia a dos demais. Alguns, porque não gostam e não usam, querem que os outros, que querem, sejam proibidos de usar.

É contra ? Então, não se case com nenhum homem.

Intolerância. Este tipo de intolerância representa mentalidade arcaica e já intolerável. Costuma ter matriz cristã, notadamente neo-pentecostal. Muitos religiosos, neste particular, não contribuem em nada para melhorar a vida do seu semelhante; ao contrário, porém pregam (?) o amor ao próximo e, nisto, não o praticam.

Alguns sabem contrariar a felicidade alheia e pretendem imiscuir-se na vida privada alheia; não sabem ensinar aos seus filhos a respeitar o próximo. Quanto a “amar o próximo”, lá isto (para alguns) são apenas discursos…

(Digo nada sobre se ele alcançou entender o que é a analogia e como, juridicamente, ela se aplica em prol do casamento homo, malgrado o docente dissertasse a respeito [invocou o casamento homo à guisa de exemplo], à luz da analogia e da eqüidade [conceitos jurídicos; instrumento da vida judicial o primeiro e princípio, aliás constitucional, o segundo.]. O professor explica, demonstra, expõe racionalmente, porém… é mais fácil desfazer um átomo do que certos preconceitos, ponderava Alberto Einstein. É o caso.).

É pecado… pecado… ora, se me importo com isto…

Perseveremos, os adesos à liberdade para todos, ao respeito para com todos, ao amor para todos.

Aconteceu comigo, em aula minha, de Teoria do Direito.

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História do Direito.

Ligeiros apontamentos relativos à História do Direito, útil para estudantes e para leitores em geral.

Ordenações portuguesas.

Conspecto das ordenações afonsinas, manoelinas e filipinas.

Em vermelho, destaquei o desmentido atinente à alegada colonização do Brasil por degredados e à alegada exploração do ouro do Brasil, por Portugal.

Leia aqui: Ordenações portuguesas

Extrato do desmentido da colonização do Brasil por degredados: O Brasil não foi colonizado por bandidos: O Brasil não foi colonizado por bandidos.

Direitos canônico e comercial.

Conspecto do direito canônico; notinha sobre o direito comercial:Direito canônico e comercial.

Jusnaturalismo.

Apontamentos relativos ao direito natural ou jusnaturalismo: Jusnaturalismo.

 

 

 

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Religião, arte e censura.

RELIGIÃO, ARTE E CENSURA.
Primeiramente, censuram-se os artistas; a seguir, os jornalistas, os blogueiros e quem manifeste opinião independente e virtualmente incômoda, com argumentos mais variados e especiosos (pretextos), que se fabrica para cada caso.

No momento, o argumento genérico é o da “defesa da família tradicional” e, já agora, da religião – de certa religião, da mesma de que algumas vertentes atacam as outras e que no passado foi exemplarmente intolerante. No caso da religião, o cristianismo estabeleceu, no pretérito, controle da arte e até censura da arte originária da antigüidade greco-romana.

Não há nem deve haver “preservação” da religião em relação à arte (seja o que for que se entenda por arte), ou seja, a aquela não pode estar imune à reflexão e às suas expressões.

Em países de liberdades, há liberdade de crítica religiosa: assim como se pode atacar intelectualmente a religião, também pode-se, na arte, representá-la, exaltá-la, deprimi-la ou nada disto. Quem não gosta, é livre para criticar as representações e para abster-se de comparecer-lhes.

Religião, a política, a filosofia, a história, nada disto constitui domínio privilegiado, no sentido de imune à crítica. Ao contrário, é o exame racional destes domínios que constitui uma das características do humano; também a religião constitui (ainda, máxime no Brasil) característica de certa parcela da brasileira humanidade, o que não impede nem pode impedir que os crentes e os incréus ocupem-se dela, em que sentido for, o que inclui a sua presença na arte, independentemente de esta poder ocupar-se dos mais variados temas e independentemente de haver adeptos da religião virtualmente representada na arte. Isto é liberdade.

Para alguns a liberdade que os incomoda coincide com libertinagem; para os mesmos (ou não) o limite da arte (e da ação humana, em geral) é o do respeito e respeito, neste caso (notadamente para os fiéis), equivale à abstenção de crítica, à concordância fingida, à complacência obsequiosa e (por fim porém não por derradeiro) à abstenção da representação artística fora do cânone estabelecido pela própria religião, ou seja, condicionamento da liberdade de criação pela religião.

Há que haver limite no prejuízo real e verdadeiro que se cause a outrem. Representações divergentes do cânone são apenas isto mesmo e não prejuízo. Penso eu.

 

Em 6.11.2017, o Ministério Público Federal, por meio da Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão, emitiu ponderada e bem fundamentada Nota Técnica, em que esclarece, por miúdo, o enquadramento da nudez natural e da liberdade artística perante menores e adolescentes.

Dentre outras observações, expendeu ela que:

“A nudez não erótica NÃO torna o conteúdo impróprio para crianças, mesmo as menores de 10 anos;”.
“Em princípio, todas as formas não violentas de manifestação estão inseridas no âmbito da proteção da liberdade, inclusive manifestações desagradáveis, atrevidas, insuportáveis, chocantes, audaciosas ou impopulares.”.
“A classificação etária é meramente indicativa, seja efetuada pelo Poder Público ou promotores do evento, não podendo haver impedimento de acesso de crianças ou adolescentes, especialmente quando estejam acompanhadas por seus pais ou responsáveis.”.
“A nudez de uma pessoa adulta, desde que não envolva a prática de
nenhum ato público voltado à satisfação da lascívia própria ou alheia (finalidade sexual do ato), NÃO constitui crime no direito brasileiro.”.

Quanto à inocência da nudez natural, confirma-se, por ilação,  a minha tese de que andar nu em público é permitido no Brasil: se a nudez de adulto não constitui crime (asserção da nota) nem é proibida (asserção minha), então, é permitida. Destarte, a Polícia Militar não pode deter quem anda nu em público.

A íntegra da  nota aqui.

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