Quem é “VIRMOND, A.”, nos livros de Gustavo Biscaia de Lacerda.

Quem é “VIRMOND, A.” nos livros de Gustavo Biscaia de Lacerda.

Arthur Virmond de Lacerda Neto.

Acha-se, disponível na rede, desde 2011, uma tese de doutoramento aprovada na Universidade Federal de Santa Catarina, intitulada (com mau gosto) “Momento comtiano”, relativa ao pensamento do Positivismo de Augusto Comte, em que o autor, Gustavo Biscaia de Lacerda,  menciona, no texto e na bibliografia, “VIRMOND, A.”.

A. Virmond sou eu, de nome completo Arthur Virmond de Lacerda Neto, que deveria haver sido mencionado da forma academicamente correta, ou seja, “LACERDA NETO, A. V. de”.

O já agora professor pós-doutor Gustavo é meu irmão germano (somos filhos dos mesmos pai e mãe) e, obviamente, conhece-me o nome completo e as regras acadêmicas de citação de autores, que seguiu corretamente em relação a todos os que cita, exceto no que me concerne. Sou o único autor cujo nome ele elidiu, parcialmente, para ocultar o meu segundo sobrenome, Lacerda, e evitar, com isto, que o leitor perceba o parentesco existente entre nós.

Escrevi dois livros que tratam especificamente do Positivismo e outro em que há capítulos sobre ele, a saber: “A república positivista. Teoria e ação no pensamento político de Augusto Comte”, que o autor menciona na sua tese e no seu livro “Laicidade”; “A desinformação anti-Positivista no Brasil”, que Gustavo menciona no seu livro “Laicidade”; “Provocações”, com capítulos acerca do Positivismo, que Gustavo não menciona na sua tese nem em “Laicidade”.

A bibliografia da sua tese omite “A desinformação anti-Positivista no Brasil” e “Provocações”, que ele deveria haver, no mínimo, consultado; se não o fez, deixou de recorrer a livros de que dispunha, quanto mais não fosse porque lhe dei, pessoalmente, um exemplar de “A desinformação anti-positivista no Brasil” que publiquei no mesmo volume em que publiquei a “Pequena história da desinformação”, de Vladimir Volkoff: trata-se de dois livros em um só tomo, de que ele menciona o segundo, na bibliografia.  A quem consultou o de Volkoff é materialmente impossível ignorar a existência de “A desinformação anti-positivista no Brasil”. Na sua tese, ele o ignorou adrede: fingiu desconhecê-lo.

A menção errada do meu nome e a omissão de dois dos meus livros constituem falhas imperdoáveis. Não foram casuais; ao contrário, foram intencionais, no intuito de ocultar o meu nome e parte da minha obra. A atitude do autor da tese constitui falha acadêmica, pelo que ela não poderia, jamais, haver sido aprovada com louvor, como o foi: ao contrário, sem louvor, e com censura pela atitude mesquinha de que ela serviu de instrumento, como veículo de ódio de família que, no seu autor, sobrepujou e ainda sobrepuja a correção acadêmica.

Após a disposição da tese, na rede de computadores, dirigi-me, privadamente e por escrito, a Gustavo. Protestei contra a mutilação do meu nome; em resposta, recebi subterfúgios cínicos. Quando lhe esfreguei na cara a regra da Abnt, concernente à citação dos nomes dos autores, ele calou-se.

Em 2016, Gustavo publicou  “Laicidade na I República Brasileira” (Curitiba, Appris Editora), em cuja página 162 insiste na aleivosia de identificar-me com o meu nome mutilado, a saber, “VIRMOND, A.”.

O professor pós-doutor Gustavo Biscaia de Lacerda odeia-me ferozmente há, pelo menos, dez anos; recusava-me, com ódio velado, há cerca de vinte, suspeito de que por homofobia internada (“internalizada”).

Em 2016, ele persiste, se não no seu ódio, certamente sim no procedimento soez de ocultar-me a identificação por nome completo e o nosso parentesco, com evidente infração da correção acadêmica (porquanto “Laicidade” foi-lhe texto de pós-doutorado) e da probidade com que menciona as suas fontes, ao menos em relação ao que me toca.

No seu blogue “Filosofia social e Positivismo”, o pós-doutor Gustavo mantém as ligações de vários sítios eletrônicos de interesse positivista, porém não o do meu “Positivismo de Augusto Comte” (https://positivismodeacomte.wordpress.com/).

Cada um julgue do valor moral e da lisura acadêmica com que o professor pós-doutor Gustavo Biscaia de Lacerda me vota ódio e com que elide ao público, nas suas obras, a minha identificação. Ele sonega aos seus leitores informação que lhe era acadêmica e intelectualmente obrigatório propiciar-lhes; ele desinforma-os.

Cada um julgue se ele procedeu com probidade acadêmica e lisura intelectual ou se atuou com inegável desonestidade acadêmica e intelectual.

Pergunto: há probidade ou improbidade em sonegar, deliberadamente, em parte, o nome de autor que cita em nota de rodapé e na bibliografia, em tese de doutorado e em texto de pós-doutorado, acessíveis ao público, nome que ele obviamente conhece, por inteiro? ? Representa reincidência de improbidade persistir na mutilação do meu nome (em livro de 2016), a despeito do meu protesto, em 2011, e ainda que eu não houvesse protestado ? ? Ou ele foi probo, honesto, correto, moral acadêmica e intelectualmente, ao mutilar o meu nome, cujo enunciado obviamente conhece e cuja enunciação como “LACERDA NETO. A. V. de” era-lhe imperiosa, academicamente  e por lisura intelectual ? ?

Não se trata, da minha parte, de mera vaidade ferida por descuido do pós-doutor. Academicamente, a menção correta dos autores é forçosa: o pós-doutor jamais incorreria em tal desatenção de boa-fé.

Não se trata de questão de somenos, de meros sobrenomes, de picuinha de autor enfatuado: trata-se do intencional, deliberado, consciente obscurecimento da minha pessoa, da vinculação dela aos meus livros e do parentesco existente entre mim e Gustavo. Como “VIRMOND, A.”, não sou eu; não sou o autor dos meus livros e não sou irmão de Gustavo. Eu sou eu, bibliograficamente, como “LACERDA NETO, A. V. de”: desta forma, academicamente correta, o meu nome corresponde-me à pessoa; somente ela identifica-me, realmente, como autor dos meus livros; por ela, nota-se a coincidência de sobrenomes entre mim e o pós-doutor, o que, por sua vez, suscita, no mínimo, suspeita de parentesco entre ambos.

Identificado pela forma como o pós-doutor o fez, é como se eu não fosse eu: “VIRMOND, A.” não é ninguém.  Para o leitor desavisado,  “LACERDA NETO, A. V.  de” e “VIRMOND, A.” são duas pessoas, de que a segunda nenhum parentesco guarda com ele; no meio acadêmico, é indesculpável tal infração das regras da Abnt.

É evidente que qualquer leitor, ao se lhe deparar o nome Arthur Virmond de Lacerda Neto, percebe a coincidência com o Lacerda de Gustavo Biscaia de Lacerda: é esta percepção que o pós-doutor elide, capciosamente. Ele almeja evitar que os seus leitores percebam haver outro Lacerda, autor de livros sobre o Positivismo, e anteriores aos dele; deseja evitar a pergunta, no espírito do leitor: “Qual é o parentesco entre ambos?” e a resposta: “São irmãos germanos”.

Ele, que pontifica graças ao Positivismo, talvez insuporte, intimamente, dever-me a mim havê-lo conhecido. Talvez também me inveje, do que suspeito há cerca de vinte anos. Creio que me odeia por homofobia internada (“internalizada”).

Em 2018, o doutor Gustavo ejaculou novo livro, intitulado Comtianas brasileiras, em que persiste na desonestidade em causa (p. 288). Redigido em estilo amiúde canhestro, com vício do duplo sujeito, galicismos e outros defeitos, disse (p. 275): Ter diploma universitário, doutorado e ser professor não são garantias de conhecimento nem de integridade intelectual”. Confirmo-lhe as palavras, em relação a si próprio, na parte da “integridade intelectual” e de “VIRMOND, A.”. Melhor do que disse o doutor Gustavo, não o diria eu.

 

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Artigos sobre nudez natural, não erótica.

Os meus artigos, ilustrados com fotografias, em favor da nudez natural e pelo fim do pudor:

Nudez e vergonha do corpo: aqui. (É o campeão de acessos.).

A favor da nudez: aqui.

Nu na rua. Código Penal arcaico: aqui. (Em que demonstro que, no Brasil, NÃO É PROIBIDO ANDAR NU NA RUA.).

As mamas as vento (“topless”) em público NÃO constituem crime de ato obsceno. Onde o homem pode expor o tórax, a mulher pode fazer o mesmo, decidiu o TJ de SP: aqui.

O  nudismo é filosofia de vida, dotado de ética e de valores: Etica do corpo livre PDF

Abricó, praia nudista: aqui.

Mamas ao vento e pênis à mostra: aqui.

A nudez é inocente: aqui.

Chispada: aqui.

                        Nudez perante crianças: Nudez perante crianças. PDF.

Teologia da nudez (em que examino a nudez, o “pecado original”, a nudez de 3 profetas e a atitude de Cristo em relação à nudez,  simpaticamente à nudez). (A minha condição de ateu e de jamais cristão não é contraditória com a minha teologia da nudez, que não pressupõe nem ser cristão nem crente em Jeová. Ela demonstra o quão parcial o cristianismo ortodoxo é, quanto à nudez e ao corpo e que é possível hermenêutica alternativa). Em 3 partes, ilustradas:

Primeira parte, na edição 175. Definição de nudismo; deus quis a nudez; o pecado original não foi erótico: aqui.

Segunda parte, na edição 176. O pecado original foi de desobediência; pecado é recusar a obra divina; Isaías, Miquéias e Saul nus; a nudez em Cristo; opiniões de autoridades cristãs em prol da nudez: aqui.

Terceira parte, na edição 177. Origem histórica, persa e cristã, da gimnofobia e do pudor: aqui.

Envergonhar-se do corpo é obrigatório? Divertido sermão nudista. aqui.

Homens que, nos vestiários de academias, entram no chuveiro de cueca e deles se restiram de cueca. Pudor ridículo (parece convento) de curitibanos e não só: aqui.

Minha carta à ministra dos Direitos Humanos, em prol do nudismo, do monoquini e da revogação do artigo 233 do Código Penal: carta-a-ministra-dos-direitos-humanos.

Os fotógrafos e as fotografias de nus em público. Trecho de epístola ao comandante da PM de SP:aqui.

No Jornal Olho Nu há artigos meus nos números 159, 165, 166,168,169, 175, 170 (duas vezes), 175, 176, 177, 178, 180, 182.

Ética do corpo livre: aqui.

Jornal Olho Nu, 178, de setembro de 2015: análise do livro “O nu ao ar livre” aqui.

 João Ramalho, o primeiro nudista do Brasil, no século 15, no jornal Olho Nu, de fevereiro de 2019: aqui; o mesmo texto, acompanhado das fontes, em PDF: João Ramalho.

A arte, no Brasil, ainda é gimnofóbica. O brasileiro não representa o nu, notadamente masculino, ao passo que na Grécia e em Roma antigas, nos E.U.A. e na Europa atuais, o nu masculino é comuníssimo. Vide aqui coleção abundantíssima de nus masculinos, demonstração do quanto o brasileiro ainda é preconceituoso e caretíssimo. Vide aqui outro sítio de pintura de nus na arte (masculinos e femininos). O art. 233 do Código Penal pune fazer, ter, adquirir desenho, pintura, estampa obsceno. A arte com nu é obscena ? Está na hora de revogarem-se os artigos 233 e 234 do Código Penal.

                 Minha página no Tumblr: mostruário de nudez natural e artística:aqui. (https://arthurvirmonddelacerdaneto.tumblr.com/).

Vide aqui repertório de lindíssimas fotografias de  nus masculinos.

                Nudismo na Alemanha, nos anos 1920, com escola nudista e não só. Relato de R. Salardenne, no seu livro “Um mês entre os nudistas”: Um mês entre os nudistas.

O Cristo, nu, de chocolate: O Cristo nu, de chocolate.O cristo nu, de chocolate.

Filmagem de nu no metrô de Berlim aqui.

Por que, nas piscinas, os nadadores devem usar tanguinhas minúsculas? Nos E.U.A. , antes da caretização religiosa, nadavam nus. Veja aqui.

Fotografias de  nudez natural, em público, na Europa, aqui.

Em décadas transactas, foi preciso os homem baterem-se pela exposição dos seus mamilos: Campanha pelos mamilos à mostra.

Sítio de fotografias de pinturas, desenhos e esculturas de nudez frontal masculina aqui.

Cinema nudista: aqui.

Vídeo. Visita do casal aos amigos nudistas. Para “melhorar o seu inglês”: aqui.

Pudor nos EE. UU. AA. e liberdade de nudez na Europa. Curtíssima metragem: aqui.

Resenha de “Pureza”, de Nelci Pereira de Sousa, livro adamita (nudismo cristão), de conteúdo altamente humanista e ótimo: aqui.

Projeto fotográfico brasileiro, de Hugo Godinho aqui.

Desenhos brasileiros de nus, de Fábio Lopes aqui.

Projeto fotográfico de Hugo Carmesin. Adesões à publicação do livro “Nu Cenário” aqui.

Snaps fanzine, revista de nudez masculina natural: aqui.

Viva Calígula, repertório de fotografias de nudez não erótica: aqui.

Reportagem sobre revistas de nudez natural, brasileiras: aqui.

“Eu escolhi você”, de Clarice Falcão, com imagens de nudez natural (no Vímeo):   https://vimeo.com/196792830.  Minha análise do clipe :eu-escolhi-voce-de-clarice-falcao-pdf

Testemunho de Adriano Facioli, acerca da sua experiência nudista: adriano-facioli-testemunho.

Filme de Antonio da Silva, “Poesia no pênis”: aqui.

“Le banquet d`Auteil”: dramaturgia com nudez. Vide a partir do quadragésimo nono minuto: aqui.

          Quatro desenhos nudistas, de Henrique de Macedo Airoso da Silva, publicados pelo jornal Olho Nu (edição de número 200, de julho de 2017): aqui.

Genealogia da obscenidade (vídeo de Diego Fernandes), no Youtube: aqui.

Há fotografias de nudez natural na Europa e EE.UU.AA, inclusivamente das escolas nudistas.

Se gostou da idéia, divulgue-a. A idéia é a de erradicar a vergonha do corpo, a de que há partes inerentemente obscenas (pênis, mamas, nádegas) no corpo, que devem ser ocultadas. A idéia é a de que todas as partes do corpo são dignas e apresentáveis e que não faz sentido o pudor como vergonha do corpo. A idéia é a de que a nudez natural é diferente de nudez sexual e de que a malícia está no pensamento do malicioso.

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Curitibanos-curitibocas.

Neste blogue, abaixo, “O curitibóca” (descrição e julgamento do próprio); “Cura-curitibóca” (terapia em sete lições) e “Bestiário do curitibóca ou exemplos da babaquice”.

Leia descrição do comportamento dos curitibanos-curitibocas: O curitibóca

Leia o Cura-curitibóca em oito lições aqui: Cura-curitiboca. Se você é curitibano, sugiro-lhe que leia, por primeiro, a oitava lição.

Leia o “Bestiário do curitibócaou exemplos da babaquice”: Bestiário do curitiboca ou Exemplos da babaquice

Leia análises de outros autores, de Curitiba e forasteiros, sobre o etos e o patos do curitibano: O curitiboca. Alguns testemunhos.

 

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Vulgaridades da fala. Belezas do idioma.

LUGARES-COMUNS, VULGARIDADES DA FALA.

São lugares-comuns, chavões, chapas, as formas de expressão que as pessoas repetem quase maquinalmente e que predominam na comunicação: sem-número de pessoas usa-as e seu uso exclui o de outras palavras. Elas empobrecem a comunicação, não por serem usadas, porém porque seus usuários servem-se delas como muletas verbais.
Em si, elas são corretas; o mal está na sua repetição; melhor: na sua repetição que lhes exclui alternativas. Os lugares-comuns são prisões lingüísticas.
Por exemplos:

Aí, beleza, de boa ? [linguajar juvenil]
Quero deixar bem claro [está ja cansou],
neste primeiro momento [por ora, por enquanto, ainda],
como um todo [anglicismo],
o fato de que [anglicismo]
é sobre [diz respeito, relaciona-se com, entende-com, é relativo a]
todo o mundo [galicismo por toda a gente]:
basicamente [não sabe outra palavra ?]
a gente é [português de quinta categoria. Não sabe dizer nós ?]
incrível [também pode ser notável, extraordinário, estupendo, magnífico, impressionante, admirável]
e pessoas maravilhosas.
Até aí, tudo bem.
Mas o tóxico [nocivo, daninho, maléfico, pernicioso];
deixa baixo [deixe estar; não é preciso; dispenso; não careço; não, obrigado; é melhor não; prefiro que não].

Organizei duas frases mediante a combinação de lugares-comuns. Quem habitualmente assim, fala com vulgaridade.

Uma atitude de quem aspira a transcender a vulgaridade em sua expressão, é a de prestar atenção em como fala o vulgo: seus colegas, amigos, vizinhos. Repare em palavras e dizeres que ele repetem, sobretudo os menos letrados, toscos, sem instrução e desleixados na sua fala.

Uma vez que houver identificado o que eles repetem, evite precisamente isto e comunique-se com alternativas.

Procedo assim desde meus 18 anos de idade, quando me chocou a vulgaridade com que falava a maioria de meus eqüévos, o nível rasteiro de comunicação da juventude de classe média dos anos 1980. E inúmeras vezes disseram-me:
-Puxa, Arthur, como você fala direitinho.
-Você fala tão certinho.

Respondia-lhes:
-Sempre li muito e uso o que aprendi na escola.

O interlocutor fazia a tradicional cara-de-bunda ou a outra, cara-de-cu ritibano.

Transactos 30 anos, em 2020, dizem-me:
-O senhor fala muito correto (sic: corretamente).

Respondo:
-Sempre li muito e uso o que aprendi na escola.

Uns inquirem-me:
-O senhor é professor?
Respondo que sim, com a reserva mental de haver professores que falam mal e são incapazes de praticar a mesóclise (sequer sabem que é).

Outros aludem-me:
-Ele é português.

Fica o encômio para os portugueses, que leem e usam o quanto aprenderam na escola.

Vamos erradicar as doutrinas de Marcos Bagno (“bânho”) e da sociolingüística. Elas só conduzem a mais achatamento, vulgaridade e ignorância.

Cultive o hábito da leitura dos cânones brasileiro e português; antes de ser “fluente em inglês”, procure ser perfeito em português. Leia Machado de Assis e Saramago >>por inteiro<<.

 

BELEZAS DO IDIOMA.
Há estrangeirismos, dentre os quais, galicismos, palavras de origem francesa que se imiscuiram no português, como vocábulos bastardos e para que há equivalentes vernaculares. Por outra: em vez de usar palavras de origem alienígena, por que não usar as castiças, próprias do português ?

– Mas tudo mundo usa, já está incorporado etc.

Por que, então, não usar também o que é castiço, o que é legitimamente português ?

Comitê, do francês “comité”, diz-se COMISSÃO, JUNTA, CONSELHO.
Gravata, do francês “gravate” diz-se GONILHA.
“Soutien”, “sutiã”, diz-se ESTRÓFIO.
Matinê, do francês “matinée”, espetáculo de dia, diz-se MATINADA ou VESPERAL.
Massacre, do francê “massacre”, diz-se CARNIFICINA , TRUCIDAÇÃO.
Todo o mundo, do francês “tout le monde”, em que “monde” significa gente, pessoas, diz-se TODA A GENTE.
Imãn diz-se magnéto ou ferro magnético.
Garantir, do francês “garantir” diz-se AFIANÇAR.
Isolado, do francês “isolé”, diz-se INSULADO.

Oóóóóóhhhh !!!!

Os nomes com desinência em “on”, em francês e inglês dizem-se com desinência “ão”: Catão, Estrabão, Dião, Platão, garção e não: Cáton, Éstrabon, Díon, Pláton, garçon (ou garçom). Da mesma forma, Filão, eletrão, protão, bozão, neutrão.

Use o idioma com qualidade.

Oóóóóóhhhhh !!!! , novamente.

Asneiras lingüísticas:

“painel” de professores, de entendidos. Do inglês “panel”, os de mente tenebrosa inventaram isto de “painel”. Diga MESA-REDONDA.

“força-tarefa”, do inglês. Não seja burro, rapaz ! Este lixo não tem pé nem cabeça. Diga GRUPO DE TRABALHO.

Fulano capturou a imagem: tradução ignorantíssima do inglês. “To capture” não é captar. Diga CAPTOU a imagem. Capturam-se fugitivos.

PROCURAR POR, CAÇAR POR, BUSCAR POR: são construções do inglês traduzidas porcamente, ao pé da letra. Isto não é português. Nos documentários e filmes traduzidos do inglês, as dobragens mal-feitas, feitas às pressas, descuidadas, desleixadas, usam estas formas erradas. O cara (tradutor) ouve ou lê “search for” e traduz palavra por palavra, o burro. Traduzir não é imitar: é obter o equivalente do idioma original no para que se traduz (leia novamente, com atenção).
Em português correto, legítimo, dizemos: procurar algo, estar à procura de algo, caçar tal bicho, buscar tal coisa.

 

 

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Viagem de Vasco da Gama.

“POR MARES NUNCA DANTES NAVEGADOS”, de Ronaldo (Ronald) Watkins, é ótimo livro: trata da viagem de Vasco da Gama, cujas peripécias e aventuras descreve.

Suas introdução, primeiro capítulo e epílogo contêm esclarecimentos fundamentais, para se compreender as motivações dos portugueses, suas virtudes que resultaram no êxito de suas navegações, e os efeitos da viagem de Gama.
Antes da viagem de Gama, ignorava-se o que era o mundo, para além da Europa: portugueses e Gama determinaram, exatamente, como era parte importante da Terra.

Motivaram os portugueses: a religião, o ardor cristão de subtrair o comércio das especiarias, dos muçulmanos; o afã de enfraquecê-los; o de disseminar o cristianismo. Também o intuito de amealhar ouro e riquezas pelo comércio das especiarias, até então monopolizado pelos muçulmanos (na Ásia) e, na Europa, por Veneza, Gênova e Nápoles.

A viagem de Vasco, “o maior português de todos os tempos” (p. 28), compara-se, não à viagem à Lua, porém a uma missão a Marte (p. 32). Realização da “mais pobre e uma das menores nações da Europa”, foi feito “espantoso” (p. 33).

O êxito de Vasco decorreu, dentre outras causas, de “longa sucessão de reis eficientes” (p. 41); também “do caráter dos próprios portugueses” (p. 41), em que o combate aos mouros deu-lhes senso de destino coletivo (equivalente ao que animou os romanos da Antigüidade), como “senso de missão” (p. 41). Também a inclinação deles a “serem mais tolerantes e receptivos a diferenças e até mesmo interessados” nelas (p. 42); também “o desejo de conhecer o que ficava mais além e a coragem de ir até lá” (p. 43).

Como resultado da viagem de Vasco, uniram-se, como jamais desde Alexandre, o Oriente e o Oriente; cessou o monopólio muçulmano das especiarias; Lisboa tornou-se a mais próspera cidade européia.

O tema de “Os Lusíadas” é a viagem de Gama.
“As expedições e subseqüentes descobrimentos feitos pelos portugueses no século XV são com certeza o maior feito isolado da história européia, se não mundial. […] A tenacidade da pequena nação portuguesa, a coragem do povo, o empenho de seus soberanos ao longo de décadas são nada menos que espantosos.” (p. 357).

Vasco da Gama foi merecidamente contemplado no Calendário Positivista, de Augusto Comte: é o epônimo do dia 3 do mês de Gutenberg, destinado a memorar a indústria moderna, ou seja, a ação tecnólogica da Humanidade. A primeira semana deste mês evoca navegadores: Gama, Cook, Colón; um viajor: Marco Polo, e outros.

TRADUÇÃO BRASILEIRA RUIM, COMO JÁ É TRADICIONAL NO BRASIL.
A tradução, de Eduardo Francisco Alves, é típica das que se fazem no Brasil: o tradutor IMITA o inglês, nas suas expressões típicas e nas suas preposições.

O inglês usa a preposição “for” em verbos como procurar (por), caçar (por), o que não se usa em português (“procuro algo, alguém e não: “procuro por algo”; caça à baleia, caça de focas e não: “caça por baleia”, “caça por focas”). O tradutor usou “por” indevidamente 99% das vezes.

O inglês usa a preposição “to” (para) em várias situações em ela é ERRADA em português, como, por exemplos: “portão para o fluxo de mercadorias”, “fulano tem autoridade para questões religiosas”. O tradutor usou “para” erradamente em 99% das vezes.

O idioma inglês tem a expressão “in the process”, que literalmente corresponde a “no processo” e que NÃO significa “no processo” e sim “em simultâneo” (!). O tradutor usou “no processo” erradamente em 100% das vezes.

O idioma inglês usa, obrigatoriamente, artigos indefinidos “a”, “an”, que em português não se deve usar: “servir como um portal”, “Perguntou-lhes se o seu soberano era um rei ou um papa”. O tradutor usou, erradamente, os artigos “um”, “uns”, em 99% dos casos.

O tradutor não sabe usar advérbios de modo, como na ignóbil construção: “Mas a questão dos presentes não seria posta de lado tão fácil.” Advérbio de modo: “facilmente”. “Facilmente” é a maneira como a ação ocorre; “fácil” é adjetivo, a qualidade da ação. O tradutor não soube usar advérbios de modo em 100% dos casos.

O tradutor traduziu Duarte (nome de rei português) por Eduardo, de “Edward”; traduziu “d´além e d´aquém mar” (parte do título, em português, d´el-rei D. Manuel) por “deste lado do mar e do outro lado”. São dois erros inaceitáveis.

Traduzir não é imitar; é obter o equivalente com qualidade, no idioma de destino.

A imagem pode conter: texto e ar livre

 

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Os solecismos de Weintraub.

Os solecismos de Weintraub.

Arthur Virmond de Lacerda Neto. 25.I.2020.

O Ministro da Educação Abraham Weintraub comete cacografias primárias, exprime-se mal, constrói suas frases bisonhamente e é jovem. Sua qualidade idiomática foi merecidamente increpada em redes sociais, máxime pelos oponentes à administração que integra. Seu desempenho serve como amostra da progressiva degradação da qualidade com que o brasileiro médio (nas últimas décadas) exprime-se, redata e traduz (o que inclui abundantes de quantos, por dever de ofício, deveriam ser exímios no trato com o vernáculo), epifenômenos, por sua vez, da incúria com que se ministra a língua portuguesa nas escolas e do desdém que se lhe vota.

Até cerca de 1980, o brasileiro estudado aprendia a sério o vernáculo, assimilava-lhe as regras, usava-as, lia bons autores com que, já nas escolas, se deparava também por meio de antologias escolares. Por conseqüência, rareavam solecismos e havia riqueza léxica e escorreição, até na coloquialidade.

Em meados dos anos 1980, já se notavam deslizes nas traduções, mormente do inglês; de então a esta parte, eles acumularam-se e diversificaram-se.

Adotou-se o princípio de que se deve redigir bem; falar, que se falasse com liberdade, sem regra nem critério. Ao mesmo tempo, o predomínio (até a hegemonia) do dogma de que a gramática provém das classes superiores e opressoras e constitui forma de opressão, conduziu diretamente a menoscabá-la, em prol do popularesco. Sobre isto, as doutrinas da sociolingüística rebaixaram a norma culta a forma culta e, de modelo, a variante, parificada com as expressões incultas. Vai se difundindo a convicção de que a pedagogia anti-opressora provocou o rebaixamento duradouro dos estudantes brasileiros para os mais ínfimos níveis no concerto mundial.

Tudo isto convergiu para desvalorizar a norma culta, menoscabar o idioma como valor de civilização; também para que alunos aprendessem mal e ainda pior aplicassem o quanto houvessem aprendido (se é que aprendiam). De mais em mais, nota-se a simplificação, nas classes médias e letradas, do uso do português, com o desuso da mesóclise, dos pronomes contraídos, dos tempos verbais apropriados, de preposições nos verbos transitivos indiretos, bem como o apoucamento do vocabulário circulante, simultaneamente à invasão de americanismos; as traduções do inglês tornaram-se literais (e erradas) nas preposições e não somente nelas. Tende-se a saber menos o idioma e a usar o mais fácil, duplo critério da mediocridade, ao ponto em que nota típica do brasileiro passou a ser a de saber mal o vernáculo, escrevê-lo mal e fala-lo mal, características perceptíveis no cotejo entre a geração jovem e as já maduras e, máxime, ao se comparar o brasileiro letrado com o português letrado ou sub-instruído: à parte as naturais discrepâncias de entonação e alguns localismos, a diferença essencial acha-se no rigor com que portugueses sabem seu idioma e com que usam o que sabem.

Década após década de repugnância pela gramática, das doutrinas de Marcos Bagno, da pedagogia de Paulo Freire, de alguma lusofobia, mais a tolerância à mediocridade, resultaram em que, finalmente, o Brasil tem ministro mal instruído no vernáculo, o que lhe é pessoalmente vexatório, porém, infelizmente, sua desinstrução não é mais grave do que a da maioria dos jovens seus conterrâneos, inclusivamente doutores.

O alarido que se levantou em razão da cacografia de Weintraub e de suas falhas idiomáticas terá servido, pelo menos, para perceber-se quão feio e deselegante é estar abaixo do mínimo exigível de pessoa estudada, quer se trate de dignitário ou de popular. Se a dignidade do cargo exige de seu ocupante especial decoro, a escorreição idiomática representa forma de decoro que se deve esperar de qualquer pessoa, pertença a que lado pertencer na disputa política e ideológica. Ironicamente, é de supor que muitos de quantos lhe denunciaram os solecismos comunguem do desprezo pela norma culta.

A exposição das deficiências de língua portuguesa de quem deveria exibi-la corretamente suscitou certo sentimento de repúdio pelo despreparo nela e serviu para sensibilizar alguma seção do público em prol de justo cuidado com o idioma.

Graças ao advento dos novos conservadores, parte da mentalidade brasileira acha-se em rápida modificação em sentido divergente, até antagonista, ao da em que se deterioraram conhecimento do vernáculo e seu uso. Possivelmente alterar-se-á, em alguma medida, pró-vernáculo: mais decisivas do que as políticas governamentais, são as vigências sociais ou crenças (na expressão de Ortega y Gasset), as idéias consensuais. Faz-nos falta erradicarem-se as crenças de que a língua portuguesa é difícil e de que a gramática é opressora e contém ranço lusitano, e instalarem-se as de que nosso vernáculo contém beleza e riqueza, permite comunicação com qualidade superior, representa fator de qualificação pessoal e valor de civilização de que todo brasileiro pode comungar. Mais: o domínio pleno do idioma é veículo de acesso ao cânone do vernáculo, à compreensão e fruição da obra ímpar de superioridades como Machado de Assis, Aluísio de Azevedo, Euclides da Cunha, Graciliano Ramos, Eça de Queiroz, Camilo Castelo Branco, José Saramago e tantos outros. Sua leitura assídua é insubstituível como aprendizado que, por sua vez, facilita o de outro idioma, contribui na prevenção de más traduções, educa o gosto, amplia o léxico, a destreza escrita e falada do leitor, bem assim seu horizonte mental.

 

 

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Anglicismos e tolices.

 

ANGLICISMOS & TOLICES DE QUEM SABE MAL O VERNÁCULO.

Chama-se de anglicismo a palavra ou locução originária do inglês, mal traduzida ou traduzida literalmente para o português, ou a sintaxe do inglês em português, em que representam elementos exóticos e censuráveis.

Por exemplos:
1) a construção “procurar por” em lugar do correto “procurar”. Procuro o livro e não: procuro pelo livro.

2) a construção “portão para o terreno” em lugar do correto “portão do”. Portão do terreno e não: portão para o terreno.

3) a construção “motivo para” em lugar do correto “motivo por”. Tive motivo por que fiz e não: tive motivo para fazer.

4) Disruptivo: procure em dicionário inglês-português.

Pior é observar a tradução LITERAL de expressão do inglês, que não comporta tradução literal, como em:

1) “To admit” que NÃO é “admitir” e sim: confessar, reconhecer, assumir que, concordar com, aceitar que.

2) “In the process” que NÃO é o ridículo e burro “no processo”; é: em simultâneo !

3) “As a whole”, que originou a redundante macaquice “como um todo”: “Na sociedade como um todo”, “Vamos resolver o problema, como um todo.” (é cacoete de brasileiros mal formados em idioma).

4) “the fact of”, de que os miméticos mau tradutores e maus estetas pariram as tolas expressões “devido ao fato de”, “por causa do fato de”. Basta dizer: “devido a”, “por causa de”.

5) “I liked to think”, que se transmutou em “Gosto de pensar que”. Esta não é errada e é coerente; seu defeito está em ser imitação literal; ela jamais se me deparou, exceto em inglês e em gente que lê mais em inglês do que em bom vernáculo. “Apraz-me pensar que”, “Folgo em pensar que”, “Agrada-me pensar que” são castiças.

6) “It is something good”: “Isto é algo bom”, em que “algo” é excrescente. Basta dizer: “Isto é bom” (é outro cacoete em voga).

7) O mal uso de “auto”: autoevidente, autorepresentado (é correto o uso do afixo “auto”; é errado usá-lo, em português, como se usa em inglês).

8) “To realize” que não é “realizar”, mas: perceber.

Se o livro é traduzido do inglês para o português, desconfie da preposição PARA: quase sempre ela está errada. Se, de súbito, aparecer-lhe “no processo”, saiba que o tradutor é assim assim.
Se sabe inglês, sua segunda língua, saiba, antes, o português, sua primeira língua, e JAMAIS transporte para esta a sintaxe e as palavras daquela.

Livros traduzidos no Brasil, do inglês, de cerca de 1985 a esta parte, mormente são ruins, muito ruins ou péssimos. Como sóem dizer os cu ritibanos: há (raras) exceções.

Jamais transporte as palavras, antes de certificar-se de 1) inexiste equivalente em português. Geralmente, há-o. 2) É impossível traduzir. Amiúde, é-o. 3) É impossível aportuguesar: sempre é-o. Logo, jamais introduza anglicismos.
Há termos que todos usam em inglês e ainda não aportuguesados; usam-no em inglês precisamente por não estarem aportuguesados.
Exemplos de aportuguesamento: “skate” > esqueite. “Pizza” > pitsa.

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O Positivismo e a transição para o conservadorismo olavista e não só.

 

O POSITIVISMO E A TRANSIÇÃO PARA O CONSERVADORISMO OLAVISTA E NÃO SÓ.
“O conjunto da situação ocidental não tende, então, somente a fazer por toda parte prevalecer, doravante, o movimento filosófico sobre a agitação política. Além disto, ele provoca especialmente o advento decisivo da autoridade espiritual; somente ela pode conduzir esta livre renovação sistemática das opiniões e dos costumes com toda a grandeza e a uniformidade convenientes.” Augusto Comte, Política, I, 82.

Esta passagem aplica-se ao Brasil, na sua atual fase de transição da já extinta hegemonia esquerdista para a co-presença, em aumento, do etos conservador. Desde meados dos anos 1970 até fins dos anos 1990 (com a publicação, em 1996) de “O imbecil coletivo”, de O. de Carvalho, o espírito predominante na academia e no senso comum brasileiros eram caracteristicamente esquerdistas e marxistas. Nomes como dialética, luta de classes, proletariado, opressão e os respectivos conceitos eram lugares-comuns nas universidades e no ensino médio. Pensar correspondia geralmente a pensar nos padrões do materialismo dialético.

Não é mais assim. Tal predominância findou, com o surto lento, gradual e aumentativo da percepção conservadora.
Por conservadora, entenda-se: diretamente anti-socialista, anti-marxista, anti-petista. Mais relevante do que seu caráter de oposição de impugnação, de combate às correntes mentais vigentes, o conservadorismo compõe-se de estado de espírito muito menos transformador e idealista do que (tendencialmente) estacionário e conformista.

Seja como for, o advento do conservadorismo vem se operando, corretamente, por via espiritual, ou seja, por divulgação e convencimento, por adesão intelectual (e também política). As idéias influentes são as a que aderem setores gradualmente mais numerosos da sociedade; são as que se enuncia, afirma, repete, propagandeia, em agitação mental, de ideário.
Uma vez que se obtenha adesão de público suficientemente numeroso ou que as camadas mandantes adiram-lhes, elas tendem a exprimir-se nos costumes e nas instituições.
A fonte das idéias é o que o Positivismo nomeia de poder espiritual: espiritual pois diz com idéias e sentimentos; poder, pois determina, forma, influencia.

Presentemente, mingúa o poder espiritual esquerdista; ascende o do conservadorismo. É enriquecedor que o público ansioso por alternativas e soluções saiba que o Positivismo é ideário republicano e humanista.
Por republicano entenda-se: regime governamental baseado na virtude pessoal e na dedicação à comunidade, sem reis. Por humanista entenda-se: voltado aos interesses humanos, sem critérios religiosos na vida pública e na política governamental.

Para os conservadores “ilustrados”, é oportuno frisar a natureza conservadora do Positivismo, como afirmador das qualidades da cultura ocidental e do legado milenar de que o presente é herdeiro.

Teixeira Mendes, Miguel Lemos, Nilo Cairo, Rondon, Júlio de Castilhos, Borges de Medeiros, David Carneiro eram positivistas.Os militares de 1964 não o eram nem o Exército brasileiro o é “por definição” (ao contrário da asnice proferida por Flávio Morgestern, no Brasil Paralelo. Não sabe o que disse).

Para a esquerda esclarecida, é oportuno realçar a ênfase do Positivismo na incorporação social da massa humana, ou seja, da elevação da sua qualidade de vida, bem como a proclamação dos deveres dos ricos em relação à restante sociedade: o capital é social na sua origem e deve sê-lo nas suas aplicações.
No Brasil, o abolicionismo, a legislaçaõ do trabalho, a criaçaõ do Ministério do Trabalho, foram causas dos Positivistas.

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O Ministro da Educação e o vernáculo.

 

O ministro da Educação fala pessimamente, com pobreza léxica e construção primária; comete cacografias. Muitos o criticam, justamente, por isto. Espero que as críticas sejam sinceras e o escândalo que elas contêm sirvam para que criticadores e público em geral notem o quão feio é saber mal o português.
Seja olavinho, evangélico, marxista, esquerdista, ateu, saber bem o idioma é engrandecedor para qualquer um.

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Miguel Ângelo e não “Michelangelo”.

MIGUEL ÂNGELO e não “Michelangelo”.
A forma correta, em português, é , há séculos: Miguel Ângelo. “Michelangelo” (“michelangélo”) é forma espúria, introduzida indevidamente pelos maus tradutores de livros do inglês, que se limitam a imitar, a macaquear o que leem e não sabem ou não querem traduzir. Ainda que em italiano se grafe Michelangelo, estamos no Brasil, em que traduzimos Louis XVI para Luís XVI; Aristóteles, do grego, para o vernáculo; Yoshua para Jesus. A tradição dos países ocidentais é ou era, há séculos, de traduzirem-se os prenomes; é recente a idéia, questionável, de que se deve usar a forma do registro da pessoa. Pode-se, como sempre se pode, traduzir os prenomes.

Luís Beethoven.
Carlos Marx.
Frederico Engels.
Luís Althusser.
João Kennedy.
Donaldo Trump.
Ronaldo Reagan.
Margarida Tatcher.
João Paulo Sartre.Katherine (Catarina), duquesa de York (Iorque).
Wilhem (Guilherme) Tell.
Príncipe Carlos.
Rainha Isabel (Elizabeth).
Diana (pronuncie “diâna”, que, em inglês, diz-se “dáiâna”).
Napoleão.
César.
Jesus.
Bento XVI.
Platão.
Aristóteles.
Carlos Magno.
Maiamônides.
Averróis.
Erasmo de Roterdão.
Joana do Arco.

São formas naturais, compreensíveis e bonitas. Prefere ser “conservador” da inovação ? Pode usar assim, por exemplo:

Carl (Karl) Marx.

Ronaldo (Ronald) Reagan.

João Paulo (Jean Paul) Sartre.

Não se “deve” ser o mais fiel possível ao endômino (nome original). Não estamos corrigindo o “erro” de usar exônimos (nomes traduzidos). Não é errado empregarem-se exônimos; não é por acaso que eles existem.

Escrevemos Napoleon, Yoshua, Carolus Magnus ou Napoleão, Jesus, Carlos Magno ? Aristóteles como se escreveria, o mais fielmente possível ? Com caracteres gregos, certamente. Como se escreveria Mafamade (erradamente chamado de Maomé e de Mohamed) ? Com caracteres árabes, certamente. Virgílio escreveria “uirgilius”; Ovídio escreveria “ouidius” (com pronúncia vulgar ou eclesiástica ?). Em todos estes casos, ter-se-ia de ensinar às crianças e aos adultos como pronunciar, com a máxima fidelidade, em alemão, russo, grego, latim, árabe, o que somente redundaria em muita cacofonia, pedantismo e até ridículo.
Por outro lado, empregarem-se os exantropônimos e exotopônimos e natural.

Exantropônimos: prenomes traduzidos.

Exotopônimos: nomes de cidades traduzidos (Munique e não “München”; Londres e não “London”; Bordéus e não “Bordeaux”; Nova Iorque e não “New Iork”; Bayonne em lugar de Baiona).

É mais difícil desfazer um preconceito do que um átomo, disse Alberto Einstein, ou certas idéias instaladas, porém lá se chega.

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