Artigos sobre nudez natural, não erótica.

Os meus artigos, ilustrados com fotografias, em favor da nudez natural e pelo fim do pudor:

Nudez e vergonha do corpo: aqui. (É o campeão de acessos.).

A favor da nudez: aqui.

Nu na rua. Código Penal arcaico: aqui. (Em que demonstro que, no Brasil, NÃO É PROIBIDO ANDAR NU NA RUA.).

As mamas as vento (“topless”) em público NÃO constituem crime de ato obsceno. Onde o homem pode expor o tórax, a mulher pode fazer o mesmo, decidiu o TJ de SP: aqui.

Abricó, praia nudista: aqui.

Mamas ao vento e pênis à mostra: aqui.

A nudez é inocente: aqui.

Chispada: aqui.

Teologia da nudez (em que examino a nudez, o “pecado original”, a nudez de 3 profetas e a atitude de Cristo em relação à nudez,  simpaticamente à nudez). (A minha condição de ateu e de jamais cristão não é contraditória com a minha teologia da nudez, que não pressupõe nem ser cristão nem crente em Jeová. Ela demonstra o quão parcial o cristianismo ortodoxo é, quanto à nudez e ao corpo e que é possível hermenêutica alternativa). Em 3 partes, ilustradas:

Primeira parte, na edição 175. Definição de nudismo; deus quis a nudez; o pecado original não foi erótico: aqui.

Segunda parte, na edição 176. O pecado original foi de desobediência; pecado é recusar a obra divina; Isaías, Miquéias e Saul nus; a nudez em Cristo; opiniões de autoridades cristãs em prol da nudez: aqui.

Terceira parte, na edição 177. Origem histórica, persa e cristã, da gimnofobia e do pudor: aqui.

Envergonhar-se do corpo é obrigatório? Divertido sermão nudista. aqui.

Homens que, nos vestiários de academias, entram no chuveiro de cueca e deles se restiram de cueca. Pudor ridículo (parece convento) de curitibanos e não só: aqui.

Minha carta à ministra dos Direitos Humanos, em prol do nudismo, do monoquini e da revogação do artigo 233 do Código Penal: carta-a-ministra-dos-direitos-humanos.

Os fotógrafos e as fotografias de nus em público. Trecho de epístola ao comandante da PM de SP:aqui.

No Jornal Olho Nu há artigos meus nos números 159, 165, 166,168,169, 175, 170 (duas vezes), 175, 176, 177, 178, 180, 182.

Ética do corpo livre: aqui.

Jornal Olho Nu, 178, de setembro de 2015: análise do livro “O nu ao ar livre” aqui.

A arte, no Brasil, ainda é gimnofóbica. O brasileiro não representa o nu, notadamente masculino, ao passo que na Grécia e em Roma antigas, nos E.U.A. e na Europa atuais, o nu masculino é comuníssimo. Vide aqui coleção abundantíssima de nus masculinos, demonstração do quanto o brasileiro ainda é preconceituoso e caretíssimo. Vide aqui outro sítio de pintura de nus na arte (masculinos e femininos). O art. 233 do Código Penal pune fazer, ter, adquirir desenho, pintura, estampa obsceno. A arte com nu é obscena ? Está na hora de revogarem-se os artigos 233 e 234 do Código Penal.

Vide aqui repertório de lindíssimas fotografias de  nus masculinos.

Filmagem de nu no metrô de Berlim aqui.

Por que, nas piscinas, os nadadores devem usar tanguinhas minúsculas? Nos E.U.A. , antes da caretização religiosa, nadavam nus. Veja aqui.

Fotografias de  nudez natural, em público, na Europa, aqui.

Sítio de fotografias de pinturas, desenhos e esculturas de nudez frontal masculina aqui.

Cinema nudista: aqui.

Vídeo. Visita do casal aos amigos nudistas. Para “melhorar o seu inglês”: aqui.

Pudor nos EE. UU. AA. e liberdade de nudez na Europa. Curtíssima metragem: aqui.

Resenha de “Pureza”, de Nelci Pereira de Sousa, livro adamita (nudismo cristão), de conteúdo altamente humanista e ótimo: aqui.

Projeto fotográfico brasileiro, de Hugo Godinho aqui.

Desenhos brasileiros de nus, de Fábio Lopes aqui.

Projeto fotográfico de Hugo Carmesin. Adesões à publicação do livro “Nu Cenário” aqui.

Snaps fanzine, revista de nudez masculina natural: aqui.

Viva Calígula, repertório de fotografias de nudez não erótica:  aqui.

Reportagem sobre revistas de nudez natural, brasileiras: aqui.

“Eu escolhi você”, de Clarice Falcão, com imagens de nudez natural (no Vímeo): aqui.   Minha análise do clipe :eu-escolhi-voce-de-clarice-falcao-pdf

Testemunho de Adriano Facioli, acerca da sua experiência nudista: adriano-facioli-testemunho.

Filme de Antonio da Silva, “Poesia no pênis”: aqui.

“Le banquet d`Auteil”: dramaturgia com nudez. Vide a partir do quadragésimo nono minuto: aqui.

Há fotografias de nudez natural na Europa e EE.UU.AA, inclusivamente das escolas nudistas.

Se gostou da idéia, divulgue-a. A idéia é a de erradicar a vergonha do corpo, a de que há partes inerentemente obscenas (pênis, mamas, nádegas) no corpo, que devem ser ocultadas. A idéia é a de que todas as partes do corpo são dignas e apresentáveis e que não faz sentido o pudor como vergonha do corpo. A idéia é a de que a nudez natural é diferente de nudez sexual e de que a malícia está no pensamento do malicioso.

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Curitibanos-curitibocas.

Neste blogue, abaixo, “O curitibóca” (descrição e julgamento do próprio); “Cura-curitibóca” (terapia em sete lições) e “Bestiário do curitibóca ou exemplos da babaquice”.

Leia “O curitibóca” aqui.

Leia o Cura-curitibóca em oito lições aqui. Se você é curitibano, sugiro-lhe que leia, por primeiro, a oitava lição.

Leia o “Bestiário do curitibóca ou exemplos da babaquice” aqui.

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Poemas (alguma da minha poesia.).

Seleta de poesia homo-afetiva: Poesia homoafetiva seleção.

“Calças coloridas”, poema: calcas-coloridas.

 

Quatro dos meus poemas: “Nós, os ossos que aqui estamos, pelos vossos esperamos.” (Capela dos Ossos, de Évora.); “Pássaro morto”, “Coração disparado”, “Ausente da aula” Em PDF:  QUATRO POEMAS.

 

Outros poemas: “Hetero ou Homo”, “Poeta”, “Flechas de Cupido”, “Um anjinho”, “Pica dura ou picadura?”, “Doutor”, Vários anjinhos”.

Em PDF, Poesia seleção 2.

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Virtudes da colonização do Brasil.

É mito correntio no Brasil, o dos pretendidos malefícios que lhe teria impingido a colonização portuguesa; ele é correlato aos mitos das supostas vantagens das colonizações britânica (se acontecera) e da holandesa (se perdurara).

Nem de longe é consensual a denúncia das maldades da herança colonial portuguesa. Coligi aqui breve mostruário de diversos escritores, em prol da colonização portuguesa e em detrimento das alegadas qualidades das colonizações inglesa e holandesa. Trata-se de miniatura de texto maior, que postarei em breve.

Virtudes da colonização do Brasil

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deus com minúscula.

É correto grafar-se deus e jamais Deus: 1- “Deus” não é nome próprio, como o são Artur, Miguel, Portugal, Casas Pernambucanas; é substantivo, como casa, céu, livro. O plural de deus é deuses e não Deuses.

2- Os nomes de alguns deuses são Hermes, Diana, Apolo, Alá, Eloim, Javé. Eloim e Javé são os nomes dos dois deuses do Velho Testamento. Dois: há dois deuses no Velho Testamento, que o cristianismo “louva”, juntamente com o deus Jesus e com o deus Espírito Santo, pelo que o cristianismo não é monoteico e sim tetrateico. Entenda quem puder como diabos é que o Pai, o Filho e o Espírito Santo, sendo três, é um. É o que o cristianismo apelida de “mistério” e que qualifico de estupidez.

3- Os judeus, autores do Velho Testamento, eram politeicos: cultuavam inúmeros deuses. Na narrativa original do Gênesis, o mundo foi criado por “nós” e não por “mim”, ou seja, por vários deuses, malgrado as traduções deliberadamente erradas hajam transformado o plural em singular. Com o transcorrer dos séculos, os deturpadores dos textos vetero-testamentários elidiram as referências ao politeísmo judeu de que, contudo, há vestígios.

O monoteismo judeu (que originou o cristão) foi construído por obra humana (vide “A evolução de deus”, de R. Wright).

Outro vezo é o do pessoal jurídico, que redige Autor, Réu, Requerente, Apelante, Embargado. Nada disto são nomes próprios, pelo que nenhum destes apelativos deve ser escrito com maiúsculas, porém com minúsculas. A maioria dos redatores de textos jurídicos comete este erro, escreve assim por imitação, sem a menor idéia de que erra.

A evolução de deus.Trindade.

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Manifesto dos homossexuais conservadores.

Grupo anônimo de homossexuais conservadores e cristãos emitiu manifesto, que analiso aqui: Manifesto dos homo conservadores. Lado A.

 

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“Príncipes” do Brasil, Orleans e Bragança. Mistificação.

PRINCIPES DO BRASIL, ORLEANS E BRAGANÇA, ALTEZAS REAIS DO BRASIL. MISTIFICAÇÃO.

Não há linha de sucessão no trono. A monarquia brasileira foi deposta, a dinastia foi extinta, assim como, em outros países, as dinastias terminaram. A dinastia de Orleans e Bragança acabou. Não há direito nato ao trono brasileiro, da parte dos “ilustres” “príncipes”, que são iguais a todos os 180 milhões de brasileiros. Não são príncipes, não são herdeiros de nada, não há coroa real, não há pretendentes.

Na França, por exemplo, houve Valois, Orleans, Bourbons, Bonapartes, dinastias que terminaram. Braganças terminaram. Não há ridículo pior do que se falar em linha sucessória do trono brasileiro, não há títulos de suas altezas reais e imperiais. E se os houvesse, quem garante que seriam melhores, capazes, aptos, dedicados, morais ? Ninguém. Ninguém é melhor por ser trineto, tetraneto, pentaneto do ex-imperador.

Eles não foram abençoados por deus nem portam no seu sangue superioridades morais, intelectuais nem políticas que os tornem naturalmente destinados a reger este país;não são seres naturalmente superiores aos demais nem especialmente dotados de qualidades para tal.

A dinastia acabou. Não há direito natural, inato, em favor de nenhum descendente do ex-imperador , de ser novo imperador, caso se restaure a monarquia no Brasil. Família real= privilégio de família, badalação, vaidade, despesismo.

É próprio da monarquia certo endeusamento dos “príncipes” , como se fossem indivíduos especialmente superiores. E quantos reis estúdidos, ineptos, incapazes, negligentes, despreparados houve ao longo da história…

Países como a Noruega, Suécia, Dinamarca (monárquicos), atualmente ricos, foram pobres, de população miserável por séculos, como o foi a França monarquica, a Alemanha monarquica. E que dizer da monarquica Arábia Saudita, do monarquico Iêmen? Qual é a vantagem verdadeira da monarquia? A de criar uma casta de privilegiados, em que o cargo de chefe de Estado é propriedade de família, a de criar badalação fútil à volta de suas altezas reais e imperiais, a de criar camarilha de apaniguados, a de iludir as pessoas com a propaganda da prosperidade de países europeus que prosperaram graças às políticas que adotaram apesar das suas seculares monarquias ? A de ter Orleans e Bragança membros da Opus Dei (suas altezas reais e imperiais dom Luiz e dom Bertrand) ?

E que tolice jurídica , a de considerar constituição revogada, de 1824, como válida. Não há inépcia pior. Se é este o “argumento” dos monarquistas em favor da “linha de sucessão” da “família real” Orleans e Bragança, mais me convenço de que eles são muito, muito despreparados e que, definitivamente, carentes de qualquer justificativa plausível em favor do seu deles “direito” ao “trono”.

E que outra tolice, a de se tratar os descendentes do ex-imperador de “sua alteza real” e “dom”. Coisa frívola de vaidosos e badalação boba de revista social fútil.

Eram príncipes os filhos e netos do imperador: os atuais descendentes do ex-Pedro II são-lhe trinetos, tetranetos, pentanetos. Logo, nenhum deles é “dom”, nem “príncipe”, nem “alteza real”. Chega de palhaçada.

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História breve das codificações jurídicas. Dilema em Braga.

“História breve das codificações jurídicas”: como surgiram os códigos modernos. A polêmica entre Thibaut e Savigny. Teixeira de Freitas e a sua Consolidação.

“Dilema em Braga”: narrativa auto-biográfica de peripécias porque passei em Braga, Portugal. Testemunho de vida.

História das codificações.Dilema em Braga.

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“Theus”, romance homoafetivo.

 

 

                                          “Theus”[1].

Arthur Virmond de Lacerda Neto

Fevereiro de 2017.

Intitula-se “Theus” o romance de Fabrício Viana, ficção relacionada com vivências e experiências  do seu herói, prenominado Prometheus  (o que originou, por aférese, o título do livro e o alcunho do personagem), que passa por inúmeras situações peculiares ao meio homoafetivo brasileiro contemporâneo.

Trata-se de narrativa realista, com descrição de aspectos da vida de incontáveis indivíduos no Brasil, jovens (porém não somente eles), dos quais muitos filhos de famílias evangélicas ou de pais refratários à sua condição homoafetiva.

“Theus” vale como testemunho de parte dos costumes nossos coevos, volátil na medida em que, dada a transmutação incessante do etos e do patos de toda população, os comportamentos cambiam e, com eles varia o tipo de experiências e de vicissitudes porque passam as pessoas e os jovens de que Theus representa exemplar. Malgrado a sua relativa circunscrição ao nosso presente (termos em que “Theus”, em parte, é livro “datado”) é meritório pela sua fidelidade como retrato de época.

O entrecho detém-se em várias particularidades típicas do público homoafetivo, com que Fabrício Viana havém-se com serenidade, até com instinto edificante e, ocasionalmente, à guisa de (bom) conselheiro, por meio dos personagens. Toca em pontos como a intolerância dos pais evangélicos; o pai evangélico que elicia o seu filho de casa, ao sabê-lo homossexual (drama tão freqüente, máxime em anos anteriores, e causa, direta ou indireta, do número avultado de suicídios na juventude homossexual vítima da prepotência paterna); a estigmatização do sexo pelos setores mais extremistas do cristianismo; os casamentos de aparência, os relacionamentos abertos, o poliamor, o consumo de drogas em baladas, o malogro da famigerada “cura-gay”, os centros religiosos de “cura-gay”, a homofobia internada, a transfobia, a hipocrisia de religiosos moralistas; a vida dupla de muitos homossexuais, em condições de homofobia ambiente; o contágio pelo vírus IVH. Vai tudo tratado sem tabu, com verdade e bom senso.

Em cada aspecto, quer a palavra do narrador, quer os diálogos, expõem fatos ou formulam reflexões que descortinam aspectos da vida potencialmente menos conhecidos do público estranho ao meio homoafetivo e com que, em contrapartida, o público homoafetivo tende a se achar familiarizado. Para aqueles, “Theus” provavelmente é revelador; para estes, exprime sentimentos, experiências e avaliações partilhadas (em diferentes medidas) entre leitor e personagens.  Daí as impressões por vezes intensas que ele é suscetível de infundir em quem atravessou situações similares às do herói, conhece-as em terceiros ou acompanha a narrativa com empatia pelo protagonista, nas situações que este vive, similares ou iguais às de muitas pessoas.

Escusa de o leitor integrar o grupo homoafetivo para experimentar empatia ou simpatia: independentemente da condição afetiva do leitor, todas as pessoas somos igualmente humanas e é graças à condição humana do protagonista que o livro transcende o público exclusivamente homo, notadamente nos tempos atuais, em que minguam preconceitos e as pessoas abrem-se para a diversidade, ao menos dentre a gente esclarecida, já preponderante na classe média e nas gerações jovens.

A imaginação do autor atuou engenhosamente na aparente monomania da personagem Gabriel, que criptografava numericamente o seu diário, cujo conteúdo se revela (em parte) nos lances finais da história, tragicamente encerrada com a sua morte. Final feliz ou, ao menos, destituído do seu passamento, permitiria ao leitor findar a leitura com impressão amável ao invés de amarga.

A sobrevivência de Gabriel e, conceptivelmente, a sua união (amorosa e ou conjugal) com o protagonista exprimiria a forma de realização de incontáveis casais que se felicitam na companhia, no amor e na amizade amorosa. Vivesse Gabriel e o autor teria podido acrescentar desenvolvimentos e reflexões, sem que o “final feliz” constituísse vulgaridade literária.

O realismo do livro manifesta-se também por meio da loqüela dos personagens, que  se comunicam em coloquial: os diálogos testemunham o estado da língua tal como é vulgarmente falada no presente: documento lingüístico por um lado e, a contrapelo, texto parcialmente desatualizável a curto ou médio prazo, na medida em que a redação adotada pelo autor nos diálogos e pelo comum das pessoas nas suas dicções, no Brasil, altera-se com alguma rapidez. Em alguns anos ele terá deixado de reproduzir, como o faz agora, os falares de muitos leitores que, possivelmente, identificam-se com ele também graças à coincidência entre o que leram e como falam. Eis porque maior adesão do narrador (não necessariamente dos personagens) ao clássico em vernáculo tenderia a assegurar perenidade ao texto e acrescentar-lhe graça e elegância.

O capítulo quarto narra libidinagens executadas à socapa e descritas com crueza nas expressões dispensavelmente chulas com que dialogam os personagens. Todo o contexto da cena poderia ser outro, expungido de algum excesso chocante em atitudes e verbalidade. Ainda que ela seja verossímil e realista, a verossimilhança e o realismo não constituem necessariamente virtudes nem se alinham, necessariamente, com o bom gosto: é o caso. Reputo-a a única parte do livro merecedora de revisão.

Romances outros centram-se na temática homossexual: incidentalmente, o clássico Satiricon, de Petrônio, do século I (com recomendável tradução brasileira de Marcos Santarrita); diretamente, o brasileiro O Ateneu (brilhantemente executado por Raul Pompéia) e, ainda mais abertamente, O bom crioulo (de Adolfo Caminha). Theus alinha-se com eles quanto ao assunto e inova em relação a eles pela sua atualidade.

É previsível a animadversão com que o recusem os grupos religiosos, máxime os militantes da malfadada “reorientação” sexual e os adeptos intransigentes da “família tradicional”. Ambos constituem a parcela mais arcaica e primária da sociedade brasileira.  É compreensível o interesse com que o lê o pessoal homoafetivo, que nele (em alguma medida) se reencontra; é instrutivo que o leia quem deseje conhecer parte do ambiente que é o do Brasil coevo ou apenas acompanhar a ficção brasileira hodierna, nos seus livros marcantes.

Theus ocupa lugar interessante na ficção voltada ao público principal porém não exclusivamente homoafetivo, sentido em que se me afigura (a) oportuno em tempos em que a homoafetividade afirma-se com liberdade crescente; (b) útil, pelo teor construtivo de várias das suas observações; (c) bem-vindo, porquanto sem tabus reflete acerca de temas que, de perto ou de longe, entendem com a vida e com os costumes de milhares de brasileiros. Na fidedignidade com que o faz reconheço-lhe quarta virtude, que o torna (já agora, quinta qualidade) exitoso romance de costumes.

[1] Editora Bons Livros, São Paulo, 2016, quarta edição,162 páginas.

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