Artigos sobre nudez natural, não erótica.

Os meus artigos, ilustrados com fotografias, em favor da nudez natural e pelo fim do pudor:

Nudez e vergonha do corpo: aqui. (É o campeão de acessos.).

A favor da nudez: aqui.

Nu na rua. Código Penal arcaico: aqui. (Em que demonstro que, no Brasil, NÃO É PROIBIDO ANDAR NU NA RUA.).

As mamas as vento (“topless”) em público NÃO constituem crime de ato obsceno. Onde o homem pode expor o tórax, a mulher pode fazer o mesmo, decidiu o TJ de SP: aqui.

Abricó, praia nudista: aqui.

Mamas ao vento e pênis à mostra: aqui.

A nudez é inocente: aqui.

Chispada: aqui.

Teologia da nudez (em que examino a nudez, o “pecado original”, a nudez de 3 profetas e a atitude de Cristo em relação à nudez,  simpaticamente à nudez). (A minha condição de ateu e de jamais cristão não é contraditória com a minha teologia da nudez, que não pressupõe nem ser cristão nem crente em Jeová. Ela demonstra o quão parcial o cristianismo ortodoxo é, quanto à nudez e ao corpo e que é possível hermenêutica alternativa). Em 3 partes, ilustradas:

Primeira parte, na edição 175. Definição de nudismo; deus quis a nudez; o pecado original não foi erótico: aqui.

Segunda parte, na edição 176. O pecado original foi de desobediência; pecado é recusar a obra divina; Isaías, Miquéias e Saul nus; a nudez em Cristo; opiniões de autoridades cristãs em prol da nudez: aqui.

Terceira parte, na edição 177. Origem histórica, persa e cristã, da gimnofobia e do pudor: aqui.

Envergonhar-se do corpo é obrigatório? Divertido sermão nudista. aqui.

Homens que, nos vestiários de academias, entram no chuveiro de cueca e deles se restiram de cueca. Pudor ridículo (parece convento) de curitibanos e não só: aqui.

Minha carta à ministra dos Direitos Humanos, em prol do nudismo, do monoquini e da revogação do artigo 233 do Código Penal: carta-a-ministra-dos-direitos-humanos.

Os fotógrafos e as fotografias de nus em público. Trecho de epístola ao comandante da PM de SP:aqui.

No Jornal Olho Nu há artigos meus nos números 159, 165, 166,168,169, 175, 170 (duas vezes), 175, 176, 177, 178, 180, 182.

Ética do corpo livre: aqui.

Jornal Olho Nu, 178, de setembro de 2015: análise do livro “O nu ao ar livre” aqui.

A arte, no Brasil, ainda é gimnofóbica. O brasileiro não representa o nu, notadamente masculino, ao passo que na Grécia e em Roma antigas, nos E.U.A. e na Europa atuais, o nu masculino é comuníssimo. Vide aqui coleção abundantíssima de nus masculinos, demonstração do quanto o brasileiro ainda é preconceituoso e caretíssimo. Vide aqui outro sítio de pintura de nus na arte (masculinos e femininos). O art. 233 do Código Penal pune fazer, ter, adquirir desenho, pintura, estampa obsceno. A arte com nu é obscena ? Está na hora de revogarem-se os artigos 233 e 234 do Código Penal.

Vide aqui repertório de lindíssimas fotografias de  nus masculinos.

                Nudismo na Alemanha, nos anos 1920, com escola nudista e não só. Relato de R. Salardenne, no seu livro “Um mês entre os nudistas”: Um mês entre os nudistas.

Filmagem de nu no metrô de Berlim aqui.

Por que, nas piscinas, os nadadores devem usar tanguinhas minúsculas? Nos E.U.A. , antes da caretização religiosa, nadavam nus. Veja aqui.

Fotografias de  nudez natural, em público, na Europa, aqui.

Sítio de fotografias de pinturas, desenhos e esculturas de nudez frontal masculina aqui.

Cinema nudista: aqui.

Vídeo. Visita do casal aos amigos nudistas. Para “melhorar o seu inglês”: aqui.

Pudor nos EE. UU. AA. e liberdade de nudez na Europa. Curtíssima metragem: aqui.

Resenha de “Pureza”, de Nelci Pereira de Sousa, livro adamita (nudismo cristão), de conteúdo altamente humanista e ótimo: aqui.

Projeto fotográfico brasileiro, de Hugo Godinho aqui.

Desenhos brasileiros de nus, de Fábio Lopes aqui.

Projeto fotográfico de Hugo Carmesin. Adesões à publicação do livro “Nu Cenário” aqui.

Snaps fanzine, revista de nudez masculina natural: aqui.

Viva Calígula, repertório de fotografias de nudez não erótica: aqui.

Reportagem sobre revistas de nudez natural, brasileiras: aqui.

“Eu escolhi você”, de Clarice Falcão, com imagens de nudez natural (no Vímeo): aqui.   Minha análise do clipe :eu-escolhi-voce-de-clarice-falcao-pdf

Testemunho de Adriano Facioli, acerca da sua experiência nudista: adriano-facioli-testemunho.

Filme de Antonio da Silva, “Poesia no pênis”: aqui.

“Le banquet d`Auteil”: dramaturgia com nudez. Vide a partir do quadragésimo nono minuto: aqui.

          Quatro desenhos nudistas, de Henrique de Macedo Airoso da Silva, publicados pelo jornal Olho Nu (edição de número 200, de julho de 2017): aqui.

Genealogia da obscenidade (vídeo de Diego Fernandes), no Youtube: aqui.

Há fotografias de nudez natural na Europa e EE.UU.AA, inclusivamente das escolas nudistas.

Se gostou da idéia, divulgue-a. A idéia é a de erradicar a vergonha do corpo, a de que há partes inerentemente obscenas (pênis, mamas, nádegas) no corpo, que devem ser ocultadas. A idéia é a de que todas as partes do corpo são dignas e apresentáveis e que não faz sentido o pudor como vergonha do corpo. A idéia é a de que a nudez natural é diferente de nudez sexual e de que a malícia está no pensamento do malicioso.

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Curitibanos-curitibocas.

Neste blogue, abaixo, “O curitibóca” (descrição e julgamento do próprio); “Cura-curitibóca” (terapia em sete lições) e “Bestiário do curitibóca ou exemplos da babaquice”.

Leia “O curitibóca” aqui.

Leia o Cura-curitibóca em oito lições aqui. Se você é curitibano, sugiro-lhe que leia, por primeiro, a oitava lição.

Leia o “Bestiário do curitibóca ou exemplos da babaquice” aqui.

Leia análises de outros autores, de Curitiba e forasteiros, sobre o etos e o patos do curitibano: O curitiboca. Alguns testemunhos.

 

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“Olavette”. Olavinho.

                                                  “OLAVETTE”. OLAVINHO.

Arthur Virmond de Lacerda Neto. Outubro de 2017.

Existe a palavra “olavette” (discípulo do escritor Olavo de Carvalho), grafada com duplo “t”, forma “oficial” do vocábulo, presente, por exemplo, no título da página do Facebook , “Olavettes”.

A desinência “ette” é própria do francês e indica diminutivo feminino: “garçon”, “garçonette”.

Etimologicamente: olavette = olavinhA.

Assim, “olavette” é galicismo feio e desnecessário. A rigor, “olavette” = olavinhA.

Em bom português: olavinho.

Talvez a palavra se origine da aglutinação de Olavo com  tiete, em que se lhe duplicou a consoante “t” (Tiete, antigo hipocorístico de uma admiradora de Ney Matogrosso e que se trivializou como sinônimo, coloquial, de admirador entusiasta de algum cantor ou celebridade.). Assim, olavete = Olavo + tiete.  Se a etimologia for esta, não se compreende o porquê da duplicação da letra “t”. Bastaria escrever-se olavete.

O vocábulo, todavia, redige-se com duplo “t”, o que o caracteriza como galicismo brasileiro, pelo que é, de todo, preferível a forma olavinho. Se se cuidasse de brasileirismo (Olavo + tiete) seria, de todo, admissível a forma (praticada por muitos, aliás) olavete (com um só “t”).

A putativa origem afrancesada torna olavette equipolente de olavinho e galicismo desnecessário; a forma olavete torná-la-ia brasileirismo, livre da pecha de galicismo (se proviesse da aglutinação que expus).

Alguém concebeu a má idéia de criar galicismo desnecessário, que afeia o vernáculo e me parece ridículo, lingüisticamente (abstenho-me de ajuizar da adesão às idéias do escritor epônimo e de os seus seqüazes intiularem-se com o neologismo em causa).

Também há olavismo (na locução “olavismo cultural”), que subentende o substantivo olavis

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Perna fálica.

A gravura destinava-se a promover, comercialmente, certa bota.

Obviamente, as pessoas têm duas pernas e, destarte, usam par de botas (exceto os pernetas). Surpreendente e estranhamente, a personagem da gravura usa três botas e têm três pernas. Duas bastariam: duas pernas é o que todo homem têm. A terceira perna seria teratológica, se real. Não o é: cuida-se de artifício, cujo conteúdo subliminar consiste em associar o produto (a bota) à condição masculina, por sua vez caracterizada (anatomicamente) pelo pênis.

A “terceira perna” situa-se entre as pernas naturais, no exato lugar do falo, que representa. Subliminarmente, exalta-se o pênis longüilíneo e extenso (e flácido), visível a ponto de equivaler a uma perna e de comportar uma bota.

Ora, pênis nestas condições é monstruoso e, se existente, seria incômodo fisicamente, impossibilitaria a cópula, dificultaria a masturbação e motivaria, de certo, constrangimento no seu portador, senões que a propaganda elide.

O sobredimensionamento fálico, ainda que metafórico, não vexa o homem da propaganda nem ele o oculta; ao contrário, exibe-o e serve de meio de divulgação de produto.

A perna fálica, nesta imagem, desperta a atenção do observador para o insólito da terceira, cuja posição perceptivelmente pubiana torna inevitável associá-la ao pênis.

Nos Estados Unidos, talvez a imagem haja passado apenas por excêntrica. No Brasil atual, teria, possivelmente, suscitado a indignação de certo setor mental da sociedade, pela acusação (puritana e mormente de fundo neopentecostal) de afronta aos famigerados moral e bons costumes. Ou, ao contrário, teria confortado parte ao menos do público masculino machista, aderente ao adágio (que me parece tolo e tosco) expresso pela frase feita de que “tamanho é documento”.

Seja como for, fica o registro do etos presente em 1977, em que, ao menos neste caso, o falo serviu como instrumento de promoção comercial.A imagem pode conter: 1 pessoa, sorrindo, sapatos

 

 

Anedota fálica e o chafariz-pênis de Curitiba (decepado por influência da igreja católica; artigo deste blogue): aqui.

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“Kilt” ou melhor, saias escocesas.

Kilt”, em inglês. Em português, saias escocesas ou saias da Escócia.

Os escoceses vestem saias que, no idioma deles, chama-se de “kilt”. “Kilt”, saias masculinas, em inglês da Escócia.

Em português, dizemos saia, independentemente de se quem as usa é homem ou mulher.

Se quiser nominar, especificamente, o que o escocês chama de “kilt”, pode chamá-las de saias escocesas ou de saias da Escócia.

Os demais tipos de saias usadas na Escócia são saias comuns, saias sem adjetivos; logo, são…saias, saias quaisquer, saias em geral.

É admissível e louvável que, quando o brasileiro fale em saias, refira-se a saias quaisquer; quando aluda a saias escocesas ou saias da Escócia, refira-se especificamente ao tipo de saia usada pelos homens na Escócia.

A locução saias escocesas é correta, é em Português, é prestigiante da nossa cultura e do nosso idioma, é bonita e torna desnecessário e dispisciendo o anglicismo “kilt”.

Não se cuida de traduzir, literalmente, “kilt” por “saia escocesa”; cuida-se de nominar em bom vernáculo o que se pode nominar em bom vernáculo e de elidir-se a circulação de estrangeirismo supérfluo porque exprimível em vernáculo.

Interessam (-me) menos as sutilezas semânticas relativas à maior ou menor propriedade com que a palavra “saia” equivale ao termo “kilt” (ou seja, se “kilt” designa roupa, alguma roupa, saia, dado tipo de saia); interessa (-me) o equipolente vernacular do que o brasileiro médio, o brasileiro em geral, o brasileiro na sua generalidade, associa ao indumento que conhece por “kilt”.

As locuções (sinônimas) “saias escocesas” e “saias da Escócia” coadunam-se com outras, típicas da língua portuguesa, a exemplo de “mal francês”, “folha de Flandres”, “cravo da India”, “dança flamenca”. Há outros males na França, outras folhas em Flandres, outros cravos na India, outras danças na Andaluzia, porém usam-se tais expressões para designar não todo e qualquer mal da França, não toda e qualquer folha de Flandres, não todo e qualquer cravo da India, não toda e qualquer dança da Andaluzia, porém certo mal, certa folha, certo cravo, certa dança. O mesmo em relação a tigre de Bengala, pastéis de Belém, castanha do Pará, pimenta do reino, figos turcos, torta suíça, cigarro da India (assim nominados, antanho, os de maconha, no Brasil); em Portugal, bolas de Berlim (sinônimo da guloseima nominada, no Brasil, de sonho).

Analogamente, saia escocesa ou saia da Escócia são locuções legítimas com que se nomine não toda e qualquer saia em voga na Escócia, porém a que lhe é típica e que o brasileiro conhece por “kilt”.

Publicado em "Kilt"., Saias masculinas., Vício de linguagem, Vestimentas., Vestuário. | Deixe um comentário

Adulteração, no Brasil, de livro português. A Ilíada, de Frederico Lourenço.

            

Adulteração, no Brasil, de livro português.  A Ilíada, para jovens, de Frederico Lourenço.

Arthur Virmond de Lacerda Neto.

12.X.2017.

O português Frederico Lourenço traduziu a Ilíada e a Odisséia, e as adaptou para jovens em prosa, versão legível, contudo, por gente de quaisquer idades.[1]

O texto publicado no Brasil (pela editora Claro Enigma; São Paulo, 2016) sofreu intervenções que descaracterizaram a tradução, tal como Frederico Lourenço a produziu. Substituiram-se as segundas pessoas (tu e vós) por você e vocês; inocorre qualquer mesóclise (presente no original); há substituições lexicais (como planear por planejar, escusado por desnecessário), alterações de pontuação e de construção frasal, para mais de certa loqüela típica do brasileiro, porém desusada pelos portugueses.

O que se lê no Brasil não corresponde, fielmente, à redação de Frederico Lourenço, aliás alheio às modificações, por que a editora é a responsável exclusiva.

As segundas pessoas, a mesóclise, os vocábulos, os advérbios de modo, existem para serem usados. São usáveis e corretos; pertencem à língua portuguesa e não exclusivamente a Portugal; é legítimo qualquer brasileiro servir-se deles.

Adaptou-se o texto ao público brasileiro, a fim de torná-lo (mais) compreensível por ele, máxime (supostamente) pelos jovens[2]; pretende-se que as pessoas leiam; almeja-se atrair o leitor, ao invés de o repelir; acomodou-se texto redigido para público português, ao leitor brasileiro, em face das peculiaridades idiomáticas deste em relação àquele; importam resultados financeiros positivos, na venda dos exemplare. Compreendo tudo isto. Não compreendo que se suprimam as segundas pessoas e a mesóclise; alterem-se frases, palavras e pontuação; ainda menos compreendo que a tal se proceda clandestinamente (em face do leitor), sem informação, no próprio livro, de se haver adulterado a versão original.

É mediante a leitura que se aprende o que se lê e o idioma; é pela leitura de textos como o original de Frederico Lourenço que os jovens e o mais público brasileiro encontrariam recursos do idioma de que andam deslembrados e que lhes seria enriquecedor deparar na literatura. Aliás, lê-se literatura de qualidade também como forma por excelência (porque altamente pedagógica) de se freqüentar a norma culta do idioma, de familiarizar-se com o seu uso e, por conseguinte, de elevar-se, o leitor, do seu conhecimento medíocre (se o for) ou corriqueiro, para as formas superiores do idioma e para as diferentes plásticas da expressão, em que consiste o estilo de cada autor.

Mesóclise, segundas pessoas, advérbios de modo, certa fraseologia, certos vocábulos e certo estilo, não constituem lusitanismos, porém recursos do idioma, que é enriquecedor encontrar em uso, conhecer e aprender (se o leitor os ignorava) ou deles relembrar-se (caso deles o leitor andasse desmemoriado).

Se circulam mais em Portugal, é porque lá ensina-se melhor o idioma, usa-se o que se aprendeu e zela-se pela qualidade do emprego do vernáculo, comparativamente mais do que no Brasil.

Não há “idioma brasileiro”; há o idioma português, com peculiaridades de uso em Portugal e no Brasil (para ater-me a estes países lusófonos), que não chegam a distingui-los nem a tornar necessárias nem recomendáveis adaptações como as que se praticou.

As peculiaridades do português redigido em Portugal e as diferenças do seu uso, lá, são compreensíveis pelos brasileiros: prova-o o êxito, no Brasil, das obras de Saramago (no presente) e (desde o passado) das de Eça de Queiroz; prova-o a imigração de brasileiros para Portugal, nos últimos vinte anos; provam-no os oitenta mil imigrantes brasileiros em Portugal, presentes lá, em 2017.

Lamento as modificações que a editora Claro Enigma perpetrou. Publicasse, no Brasil, o texto original: no máximo, o leitor estranharia (estranhar difere de tresler) o “tu”, o “vós”, a mesóclise, porventura alguma colocação pronomial, estranhamento que rapidamente desvanecer-se-ia; os lusitanismos seriam facilmente esclarecíveis por notas de rodapé, cuja função consiste (também) precisamente em dilucidar o significado de termos virtualmente problemáticos. Qualquer edição de livro, nacional ou estrangeiro, em vernáculo ou vertido, minimamente séria, intelectualmente rigorosa e lingüisticamente zelosa, mantém o texto original e lhe glosa, quando necessário, os termos obscuros para o leitor.

Era imperioso que a editora Claro Enigma mantivesse o texto na sua versão original e lhe adisse, para o público brasileiro, notas de rodapé, relativas aos lusitanismos. Quanto a vocábulos que o leitor (qualquer leitor) desconhece (em qualquer livro), consultasse um dicionário, obviamente.

Alguns leitores, possivelmente, ao invés de lhes causar espécie as segundas pessoas, a mesóclise, os advérbios de modo, a fraseologia portuguesa e o estilo de Frederico Lourenço, deleitar-se-iam com a descoberta deles e ou com a experiência do contacto com eles, que virtualmente concorreria para lhes aprimorar a destreza no idioma e aguçar-lhes a percepção dos seus recursos. Nisto, também, radica a virtude da leitura: em transcender-se, mercê de diferentes autores e estilos, o vocabulário, a fraseologia, o emprego dos recursos de expressão, em suma, a loqüela a que se acha circunscrito o leitor.

As adaptações privaram os brasileiros da experiência da transcendência; ao contrário, elas mantêm-nos no padrão idiomático brasileiro que eles, assim, não transcendem: a “nacionalização” propiciou ao leitor brasileiro mais do mesmo (para valer-me de lugar-comum português, já com algum curso no Brasil), ao invés do diverso e instigante (evidentemente, refiro-me às partes afetadas e não à totalidade do texto).
As adulterações constituem desserviço, em relação à parcela do público que se comprazeria com o texto original e aos leitores, em geral: elas privaram os brasileiros de contactar com formas e recursos existentes no seu idioma, usáveis (e usadas em Portugal), que todo brasileiro deveria conhecer e de que pode servir-se. Livro esmeradamente redatado ou traduzido é instrumento de educação: a edição abrasileirada subtraiu-se desta egrégia função, na medida em que mediocrizou o texto, sobre haver desfigurado (em parte) a estética literária de Frederico Lourenço, ou seja, o componente idiossincrático que lhe individualiza o estilo. Em dadas passagens, o que se lê não corresponde ao texto e á plástica de Frederico Lourenço, porém ao texto dele deturpado.

Seria objetável alegar-se atenderem, as modificações, à realidade do (jovem) brasileiro, já desafeito a formulações “arcaicas”, “passadistas”, “lusitanas”, como “Tu fazes”, “Vós sois”, “Dar-lhe-ei”: porque desusadas, foram suprimidas, o que redunda em círculo vicioso: não se usaram porque não se usa; não se usa também porque não as usam os autores. Usassem-nas os autores: ainda que, por leitura dos seus livros, os leitores não as usem, pelo menos capacitar-se-ão, por hábito, a compreender melhor os que as usem e as usam.

Ainda que o brasileiro as desuse ou as use escassamente, elas existem no vernáculo, constituem ponto de ensino nas escolas e Frederico Lourenço utilizou-as: é o quanto basta para deverem ser conservadas intactas, bem assim a fraseologia dele. Eis porque a versão original serve, ótima e pedagogicamente, como leitura, nas disciplinas de Língua Portuguesa e ou de Literatura, no ensino médio.

A presença, no texto, das segundas pessoas, da mesóclise, de certa forma, lusitana, de construir e do estilo de Frederico Lourenço, não constituem óbices à sua leitura e compreensão por leitores brasileiros. Intrinsecamente, nada no texto justificava-lhe as intervenções; justifica-a, porém, certo ideário, de fundo marxista (e nacionalista-lusófobo ?): suspeito de que o abastardamento da tradução de Frederico Lourenço filie-se ao entendimento propagado pelo já célebre (e, quanto a mim, funesto) livro “Preconceito Lingüístico” (de Marcos Bagno), de (a) haver pronunciadíssima diversidade entre os modos português e brasileiro de empregar o idioma e (b) de deverem, os brasileiros, proclamar a sua independência lingüística em relação a Portugal e à gramática tradicional.

Êxito de vendagem, nas suas mais de 50 edições; adotado, debatido e lido nos cursos superiores e não só, há três lustros, “Preconceito Lingüístico” terá sido o inspirador da malsinada adaptação, como afirmação de brasilidade lingüística, como realização de independência idiomática, como recusa da gramática tradicional, presente na plástica literária de Frederico Lourenço que, assim, representava, por excelência, o objeto do nacionalismo lingüístico.

Se assim não foi, se inexiste relação de causa e efeito entre as doutrinas de Marcos Bagno e a adaptação, se esta não constitui produto daquelas, mesmo assim foi escusada (para servir-me de voz que a adaptação expurgou e que substituiu pelo termo desnecessário) como iniciativa e desastrada como execução, pois desfigurou o estilo de Frederico Lourenço, empobreceu-lhe a forma, subtraiu dos leitores a possibilidade de toparem com certas riquezas do idioma.

Com que legitimidade, com que direito, com que autoridade uma editora manipula o estilo de um autor, rebaixa o uso dos recursos do vernáculo e priva o leitor de contactar com a plástica genuína do primeiro e com a riqueza do segundo ?
Trata-se (sei-o), de adaptação de Homero para o português e não de criação original de Frederico Lourenço. Pode-se traduzir à portuguesa, à brasileira, à francesa, em coloquial, em culto: essencial é a fidelidade da versão ao original (no caso, Homero), ressalva até com que as adulterações não se legitimam. Foram dispensáveis e são censuráveis. Adaptação de Homero por Frederico Lourenço, é texto de Frederico Lourenço que importa respeitar.

Ao grande público, interessado em ler o livro, provavelmente pouco se lhe dão as deturpações no texto: interessa-lhe aceder à narrativa de Homero ao invés de apoquentar-se com variantes lingüísticas ou com o desdém por certas riquezas do idioma. Se o leitor brasileiro lê e compreende, a edição cumpre a sua finalidade; cumpriria melhor se mantivesse o nível de qualidade peculiar do texto original e, intacta, a loqüela de Frederico Lourenço. Cumpri-la-ia cabalmente se mantivesse, intocado, o original, a que adicionasse, em nota, esclarecimento da acepção dos ocasionais lusitanismos: é como deveria ter procedido e é o que ruputo óbvio.

É moralmente expectável e exigível constasse, na página de informações editoriais, cuidar-se do texto de Frederico Lourenço modificado ou adaptado ao público brasileiro ou de versão abrasileirada do original e não, genuinamente, do próprio: seria manifestação de respeito pelo leitor e de honestidade editorial. Do respeito, ela se isentou; da honestidade, desdenhou.

Ela atuou com desonestidade editorial, por sonegar informação decisiva em relação ao que o comprador do livro adquire e ao que o seu leitor lê. Tal sonegação também induz em erro o leitor que, inadvertido, toma por lídima literatura portuguesa e obra de Frederico Lourenço o que não o é nas passagens espúrias.

Por descuido, a edição brasileira poupou do expurgo o lusitanismo “contributo” (sinônimo de contribuição).

A reproduzir-se a iniciativa, temo por que sobrevenham versões abrasileiradas de Camões, Fernando Pessoa, Eça de Queiroz, Camilo Castello Branco. Afinal, a lógica é a mesma. Se, a contrapelo, em Portugal, se lusitanizassem autores brasileiros, a exemplo de José de Alencar, Joaquim Manoel de Macedo, Machado de Assis, Euclides da Cunha, Lima Barreto, Carlos Drummond de Andrade, Caetano Veloso, Tom Jobim, Paulo Leminski, Paulo Freire, Márcia Tilburi, Olavo de Carvalho, etc., o erro seria o mesmo, o caráter espúrio do texto seria equivalente, o ludíbrio seria análogo, com a diferença da nacionalidade dos autores deturpados.

Assim se rebaixa a cultura de um povo (o brasileiro); assim se convém com o seu estado rebaixado de domínio idiomático. Assim se priva a juventude brasileira (destinatária nominal do livro) de aceder, genuinamente, à literatura de plástica portuguesa e ao verdadeiro estilo de um autor; de transcender o seu nível mormente raso de conhecimento e de uso idiomáticos, já tristemente típico das gerações brasileiras juvenis; de se deparar com o uso duplamente exemplar de certos recursos do vernáculo, no sentido de modelarmente correto e no de servir como estímulo para o seu uso.

Admito, como alterações legítimas, as de acentuação e de ortografia, à luz da reforma ortográfica, que introduziu discrepâncias em escassos vocábulos, entre Portugal e Brasil.

Oxalá não se perpetre atentado quejando nas obras de Antonio M. Hespanha (historiador do Direito), José Rodrigues dos Santos, Miguel Esteves Cardoso, Valter Hugo Mãe e outros, se é que já não se perpetrou (suspeito de que sim). Descreio que, em Portugal, se praticasse com autores brasileiros o que certos brasileiros praticaram com a Ilíada, de Frederico Lourenço.

Corrija, a editora Claro Enigma, o mal que praticou: suste a publicação da versão espúria e introduza a original; ao menos, publique também esta. Remende, a editora Claro Enigma, a desonestidade (por omissão) que pratica: introduza (na página 6) a informação de ser abrasileirada a versão que o é. Evite, a editora Claro Enigma, a repetição desta violência. Adotem, todas as editoras brasileiras, por princípio editorial o de reproduzir, intocados, os textos portugueses e inserir-lhes, em nota de rodapé, glosa de acepção: somente assim concebo que se publique, honestamente, literatura portuguesa no Brasil.

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Na imagem, a capa da edição brasileira.

Em tempo: o livro S.P.Q.R. (história de Roma), de Mary Beard foi publicado em Portugal e no Brasil, em traduções distintas.

[1] Também as traduziu em verso.

[2] As versões “juvenis” são legíveis por jovens e por leitores de idades quaisquer, bem como as versões (do próprio Frederico Lourenço) em verso. Inexiste relação entre jovens e prosa, entre não jovens e verso; existe relação entre quem prefere o texto em prosa ou por ele se interessa e o lê, e entre quem se interessa pelo texto em verso ou o prefere e o lê, independentemente de idade. Por isto, melhor seria qualificar a versão “para jovens” de versão em prosa. Se se curou de estratagema publicitário, voltado a cooptar leitores juvenis, ele talvez haja atuado contrapoducentemente em relação aos demais que, se não afugentou, absteve-se de atrair, ao mesmo tempo em que não é de se supor que o público pós-juvenil opte pela versão poética; ao contrário. Se o complemento “para jovens” deveu-se ao sincero intuito do autor, que terá feito questão de externizá-lo (como também ocorre na versão portuguesa), queda ele registrado nas capas da versão em prosa da Ilíada e da Odisséia, com a desvantagem de captação de interessados, como apontei na frase precedente.

Ilíada. Frederico Lourenço.

Publicado em Frederico Lourenço., Ilíada., Língua portuguesa, Língua portuguesa., Literatura., Mesóclise., Preconceito lingüístico, Segunda pessoa do plural., Tradução. | Deixe um comentário

“El olimpo victoriano”. “Jesús. El galileo armado”.

Vendo, por R$35,00, com remessa postal, “El olimpo victoriano”, de W. Gaunt, edição do Fondo de Cultura Economica, México, 2004, 296 páginas, em ótimo estado.

Trata dos pintores que nos anos de 1860 a 1880 dedicaram-se à arte que retratava a Grécia antiga.DSCN5920Galileo armado

Vendo, por R$100,00 “Jesús. El galileo armado”, de José Montserrat Torrents, em espanhol, novo em folha. Com base nos evangelhos canônicos e à luz do direito romano, demonstra que Jesus foi insurgente armado contra Roma; foi julgado e condenado por Pôncio Pilatos por crime de sedição. É muito interessante. Vendo-o porque dele possuo duplicata.

 

Contactos por arthurlacerda@onda.com.br.

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As crianças, a “pedofilia” e os interesses eleitorais.

A EXIBIÇÃO DO ARTISTA NU E AS CRIANÇAS.

 Notinhas esparsas…

75% da população brasileira, pelo que consta, é analfabeta funcional.
Rara gente, no Brasil, lê livros. (Quantos livros você leu neste ano ?).
Rara gente, no Brasil, assiste a exposições de arte.
Abundante gente, no Brasil, é evangélica.
Abudante gente, no Brasil, é mal informada.
Abundante gente, no Brasil, tem “opiniões” de senso comum.
Abundante gente, no Brasil, é manipulável e influenciável.
Abundante gente, no Brasil, é odienta.
Abundante gente, no Brasil, é incapaz de entender o que se passa e o que se passou, em política, economia, relações internacionais. Porém aludo aos costumes e aos mais recentes sucessos.

 

OS VEADOS E AS CRIANÇAS (veado não me é palavrão).

O alvo dos retrógrados (em geral, religiosos) e de certos manipuladores de massas era, até muito recentemente, a homossexualidade, que já lhos deixou de ser, quase de todo. Perceberam, certamente, a tendência crescente do público esclarecido e do público, em geral, de aceitação e de incorporação do casamento homo, nos costumes.
Agora, o alvo é a “proteção das crianças”, bem mais aliciante.
O alvo antigo suscitava-lhes repugnância; o atual, suscita-lhes benevolência de que, tendencialmente, toda a gente compartilha.
Repare: salvo a ação judicial pró-“reorientação sexual”, cessou a grita anti-homossexual, em cujo lugar instaurou-se a histeria pedofília e puerfílica.
Certamente homofobia é diferente de puerfilia; o primeiro constitui preconceito odiento; o segundo, sincera preocupação com as crianças, que certos grupos e pessoas vem usando como álibi político, estratégia de captação de simpatias e de cooptação eleitoral.
Em ambos casos, o elemento comum radica na suposta “defesa da família” em face de alegadas ameaças. Já presente o casamento homo, as famílias “tradicionais” prosseguem, incólumes: ele não as prejudicou em nada; ao mesmo tempo, a pedofilia existe nas próprias famílias “tradicionais”, com gente vestida.
Nos anos de 1970, malgrado a oposição dos conservadores e da igreja católica, aprovou-se o divórcio, com a gritaria de que ele era inaceitável, contrário aos costumes do povo brasileiro, atentatório dos valores da família brasileira.
Divórcio, casamento homo, homoafetividade, infância: mais do mesmo, quero dizer, o “valor da família” como valor político de resultado, ao fim e ao cabo eleitoral.
Pergunto-me por que o brasileiro é tão sensível à família; por que ele teme (se é que teme) tanto (se é que é tanto) a suposta destruição da família tradicional (notadamente os evangélicos, mais suscetíveis a tal tipo de alarme e de enorme importância eleitoral. Escandalizá-los é valioso para os mentores eleitorais; eles constituem volume de votantes assaz significativo, como massa de manobra.                            Dispenso-me de avaliar o nível dos parlamentares da bancada teocrática: reles. Obviamente os seus eleitores antagonizam-me, neste capítulo.).
NÃO USURAM (AINDA O POLIAMOR): USARAM AS CRIANÇAS.

Postei isto há um ano [em 6 de outubro de 2017; sobre poliamor, abaixo].                   Prognostiquei que o discurso religioso-catastrofista atacaria o POLIAMOR.

Neste comenos, não se confirmou, porém explorou-se a QueerExposição e a exibição do MAM, em relação à (suposta e falsa) incitação à pedofilia, com resultados excelentes, para os interessados: João Dória obteve 82% de aprovação; Kim Kataguiri lança-se como candidato a deputado federal. Ambos repudiaram a exposição e a exibição.

Moralidade 1: usar a suposta defesa das crianças é politicamente muito eficaz.

Moralidade 2: a turba, desinformada e emocional, é manipulável. Ela compôs-se, nestas duas ocorrências, de homens de direita, com 40% de evangélicos.

Moralidade 3: aos manipuladores, pouco se lhes dão arte e crianças. Interessa-lhes posturarem de guardiões da moral e dos bons costumes, e serem eleitos.

Moralidade 4: a deturpação de fatos, a parcialidade, o exagero, o sensacionalismo, o alarme injustificado, a histeria coletiva são instrumentos valiosos no uso político de valores morais (“defesa das crianças e da família brasileira” e culturais.

O que postei em 6 de outubro de 2016:

PALPITE. POLIAMOR, NOVA AMEAÇA À “FAMÍLIA TRADICIONAL”.

            1) É crescente a liberdade de costumes em relação à homo e à bissexualidade.
            2) É visível a liberdade de costumes em relação à homossexualidade.
            3) É irrefreável, na parcela esclarecida e jovem da população, a receptividade à condição homossexual (menos homofobia, mais indiferença).
            4) É importante, para muitas igrejas, o discurso catastrofista: do anúncio do apocalipse, a infusão do medo, da infusão do medo, a cobrança mais eficaz do dízimo.
            5) As igrejas prosseguirão insistindo no seu já cediço lema da “defesa da família tradicional”.
            6) Porém mudarão de objeto: ele será menos o casamento homo e passará a ser o poliamor.

            O poliamor será brandido como a nova ameaça à família tradicional.
            Fica o palpite. Correto ou errôneo, como previsão, o futuro dirá.
            De que lado estou, escusa de dizer mais do mesmo: do lado da liberdade.
            Cuide da sua vida que, da alheia, cuidam eles. Cuide do seu casamento, que do alheio cuidam eles.

            Em tempo: os mórmons, que são cristãos, são poliamoristas há cerca de 160 anos, com base na Bíblia, em nome do senhor Jesus.

 

A associação entre nudez e sexo (nudez = sexo) é artificial, decorre da religião (cristianismo) e é desmentida pela nudez de muitas famílias e pelo nudismo praticado no Brasil e, máxime, na Europa, há gerações e décadas. Conotar nudez com sexualidade é atitude típica de brasileiros, formados no etos cristão-pudico e gimnofóbico (que recusa a nudez, como escandalosa).

Na Alemanha, 7 milhões de pessoas são nudistas; a pequena Croácia recebe, por ano, milhão e meio de turistas nudistas, em que há também crianças; os gregos antigos praticavam a nudez e ninguém se horrorizava com isto nem tachava a nudez de libertina nem de depravada, adjetivos que os escandalizados do momento vociferaram contra o artista e a exibição do MAM, o que me revela a sua deles ignorância da cultura do corpo livre, tal como ela existe na Europa e também (conquanto menos) no Brasil, e a sua deles alta erotização da nudez, e, presumo, o seu deles (de alguns ? de vários ? de muitos ?) desejo pedófilo: julgaram a exibição por si próprios ao invés de a julgarem pelo intuito dela e pelo que realmente nela se exibiu.

DECLARAÇÃO DA ASSOCIAÇÃO MÉDICA BRASILEIRA:
“Com relação à La Bête, recentemente encenada no Museu de Arte Moderna de São Paulo, a Associação Médica Brasileira (AMB) vem a público fazer um alerta:

– Não consideramos a performance adequada, pois expõe nudez de um adulto frente a crianças, cuja intimidade com o corpo humano adulto, de um estranho, pode não ser suficiente para absorver de forma positiva ou neutra essa experiência.

– Evidências científicas comprovam que situações de nudez, contato físico e intimidade com o corpo são próprias do desenvolvimento humano, mas positivas , desde que ocorram entre pessoas com perfis equivalentes, quanto à idade, maturidade e cultura. Ou entre adultos e crianças cujo vínculo e convivência cotidiana definem esta experiência, de forma natural e sem caráter exploratório previamente determinado.

– Do ponto de vista do adulto (que se apresenta nu e disponível para contatos físicos com crianças) não se consegue alcançar o mérito dessa proposta e/ou sentido artístico, educativo desse roteiro teatral.

Recomendamos que pais e educadores se disponham a trabalhar a sexualidade de seus filhos e alunos, para lhes oferecer a melhor educação sexual, e os prevenir de situações inadequadas, as quais podem ter repercussões imprevisíveis, dependendo da vulnerabilidade emocional de cada criança ou púbere, mais até do que da intensidade da experiência.
Associação Médica Brasileira.”.

Considero que tal declaração exprime, também ela, o etos típico do brasileiro, nos seus segundo e penúltimo parágrafos, em que ela não o transcende ou, por outra, os seus autores, conquanto médicos, acham-se submetidos ao etos típico dos brasileiros, especialmente no penúltimo (desentendimento do que é ou pode ser arte).
A declaração contém as virtudes da moderação de linguagem e do tom sereno. Considero úteis e valiosas as observações e a recomendação final da declaração.
A segunda frase do terceiro parágrafo da declaração admite, expressamente, o caráter positivo da nudez entre adultos e crianças, “cujo vínculo e convivência cotidiana definem esta experiência de forma natural”, ou seja, a Associação Médica Brasileira atesta que “evidências científicas” afirmam o caráter inocente e até positivo do nudismo familiar, presente no etos dos europeus há décadas.
Há “evidências científicas” no sentido de que a nudez dessexualizada entre adultos e crianças é inócua (tentarei encontrar as matérias respectivas para postar-lhes as ligações). Na Europa, é tradicional a cultura do corpo livre (F.K.K.), em que se pratica o nudismo social, que inclui crianças (entre adultos), há décadas e gerações, na Alemanha, Austria, Inglaterra, E.U.A., França, Espanha, Dinamarca, Croácia etc.

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Moralismo e pedofilia.

MORALISMO PUDICO. ORIGEM CATÓLICA.
O moralismo pudico foi obra direta dos jesuítas, que para cá vieram desde os primórdios do Brasil. O moralismo pudico é fruto direto do concílio de Trento e instalou-se na área católica e não necessariamente na área portuguesa. Herança católica e não propriamente portuguesa. Nos governos de Getúlio Vargas, a igreja católica recuperou as mentes da classe média: recatolicizou-se o Brasil. Presentemente, as igrejas evangélicas corroboram a pudicícia, suponho que com exploração do alarme e do escândalo: a exploração das calamidades terrenas rende-lhes (mais) dízimo.

ALARMISMO PUDICO. PEDOFILIA. COISA DE CERTOS BRASILEIROS.
Nem todos os brasileiros são mal informados sobre o que se passa, nem todos são açodados nas suas reações, nem todos são alarmistas, nem todos confundem coisas, porém há os mal informados, os precipitados nas suas reações, os que reagem com indignação alarmada acerca do que, a rigor, desconhecem. O tópico em causa é a moral e, notadamente, a proteção das crianças, em face das perversidades ambientes.
Parece-me que a ampliação desmesurada e irracional de fato pequeno serve como índice do quão pouco informadas muitas pessoas se acham, do quão emocionalmente reagem (ainda que com excelsas intenções), do quão sensível é certa camada dos brasileiros a certas questões.
Bem observado, esta camada presta-se otimamente a manipulações dos media (media e não mídia) e, direta ou indiretamente, a favorecer os próceres de certo moralismo, notadamente gente da política e os pastores evangélicos (que, por sua vez, são gente da política).
Serve, também, para instaurar a confusão, em que as pessoas (certas pessoas) malsinam certos fatos sem razão e passam a enxergar malícia e segundas, terceiras e mais intenções onde elas inexistem, e aqui não me limito à exibição do MAM, porém às atitudes, em geral, das pessoas em relação às crianças. Vai se instaurando clima de susceptibilidade, de extremismos (já existentes, na política), de censura direta ou indireta, de intimidação.

Pergunto-me: por que os moralistas enxergam sexo e pedofilia, como enxergaram, escandalizadamente, onde eles inexistem ? Será porque projetam, nos outros, os seus próprios sentimentos e inclinações, em parte, ao menos ? Por se deixarem influenciar ? Por serem sexualmente frustrados ? Para se integrarem em grupos, com espírito de rebanho ? Imoral é o que excita o moralista – será o caso ?

As crianças são trunfo atual dos moralistas. É discurso dos evangélicos, antigo de anos. (Não que não tenham [parte de] razão; têm parte, presumo, de exagero e desrazão. Evidentemente, as crianças devem ser resguardadas de pedofilia – do que realmente o seja.).

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