REVISÃO DE TEXTOS ACADÊMICOS.

REVISO MONOGRAFIAS, TRABALHOS DE CONCLUSÃO DE CURSO, DISSERTAÇÕES DE MESTRADO, TESES DOUTORAIS E TEXTOS EM GERAL, CONSOANTE À FORMA CULTA DO IDIOMA.

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Agenteísmo, voceísmo, aísmo: vícios de linguagem.

Agenteísmo, voceísmo, aísmo: vícios de linguagem.

Arthur Virmond de Lacerda Neto. 6.VII.2020.

Chama-se agenteísmo o vício de linguagem consistente no uso repetitivo e quase exclusivo da locução “a gente”.

“A gente” significa as pessoas, indeterminadamente. Por exemplo: a gente moça = as pessoas moças; a gente curitibana = os curitibanos; a gente ledora = as pessoas que leem, os leitores.

Coloquialmente, tal expressão equivale a “eu”, amiúde a “nós”: “A gente viajou” = “Eu viajei”; “A gente passa frio” = “Nós passamos frio”. Ela é lingüísticamente inferior, por ambigüidade: ela NÃO indica INEQUIVOCAMENTE o sujeito do discurso: ora trata-se de “eu”, ora de “nós”, reconhecíveis  indiretamente não pela própria locução e sim pelo contexto, de cujo entendimento o ouvinte ou leitor depende para discernir a quem ela se refere, sentido em que ela é inferior aos pronomes retos (eu, nós), lingüísticamente superiores, pois SEMPRE indicam DIRETA E INEQUIVOCAMENTE o sujeito do discurso, que se reconhece pronta e independentemente do contexto. Diante de “a gente”, não se sabe, desde logo, quem é; diante de “eu”, “nós” (e dos demais pronomes) sabe-se, desde logo, quem é.

“A gente”: quem ? Eu ? Tu ? Ele ? Nós ? Vós ? Eles ? Todos ? Alguém hipotético ? A humanidade ?

Modo de dizer sempre ambíguo é defeituoso; modo de dizer jamais ambíguo é virtuoso. Os pronomes retos jamais são ambíguos; a expressão “a gente” sempre o é: aqueles são virtuosos, esta é defeituosa.

O emprego desta locução compreende males:

1) Ela suprime os pronomes retos “eu” e “nós”; menos comumente, suprime “tu”, “eles”, “vós”, “eles”, e as respectivas conjugações. Rudimentar, ela é “fácil” às custas da qualidade intrínseca e estética da comunicação, de que subtrai rigor, clareza e beleza.

2) Ela é usada egocentricamente: referir as ações e ocorrências a “a gente”, resulta em tomá-la por agente e centro dos fatos, ainda que realmente não o seja; tal emprego muitas vezes falseia a realidade: “No passado a gente tinha faraós que construíram pirâmides no Egito em que a gente tinha o rio Nilo, a gente tinha enchentes e colheitas”. Nem “eu” nem “nós” temos nem tínhamos.

Em outras situações, ainda que alguém contemporâneo se relacione por alguma forma com situações atuais, o emprego desta locução é vago: “Na Terra a gente tem atmosfera, a gente tem mares, a gente quer preservar o ambiente em que a gente vive para a gente deixar o mundo melhor para os filhos da gente”.

3) Ela suprime os verbos ter e haver (e outros) quando aplicada na sub-forma “a gente + ter”. Por exemplo: “A gente tem epidemia” por “Há epidemia”, “Existe epidemia”, “Verifica-se epidemia”; “A gente tem gripe” por “Estou gripado”, “Estamos gripados”, “Gripei-me”, “Peguei gripe”, “Apanhei gripe”, “Está-se gripado”, “Tenho gripe”, “Contraí gripe”, “Padeço de gripe”, “Enfermo de gripe”.

4) Ela ocorre duas, três, quatro, cinco vezes na frase ou no discurso. Sua reiteração é fastidiosa, impertinente, monótona. Ela é bordão e cacoete.

5) Ela constitui vício: muitos já não se sabem expressar sem referir as ações e ocorrências a “a gente” e sem a reiterar. Desaprenderam a comunicar-se de outra forma; são incapazes de empregar os pronomes retos e as respetivas conjugações, e outros verbos cabíveis, no caso do item anterior.

Em suma: seu uso vicioso limita a capacidade de expressão e empobrece drasticamente o rigor da comunicação e suas variedade e beleza. Ela é dispensável, desnecessária, pobre e empobrecedora; é a pior vulgaridade em voga.

Décadas atrás, seu emprego era raro, juvenil e soava mal; falava-se, então, em geral com mais rigor e propriedade. Nos últimos meses, ela disseminou-se depressa, como sempre, por imitação do ruim.

Compare:

I) No passado, a gente tinha faraós que construíram pirâmides no Egito em que a gente tinha o rio Nilo e a gente tinha enchentes e a gente tinha colheitas. No passado, havia faraós que construíram pirâmides no Egito, em que havia o rio Nilo, que produzia enchentes e gerava colheitas. No passado, os faraós construíram pirâmides no Egito, onde corria o rio Nilo; havia enchentes dele e, a seguir, colheitas.

II) Na Terra a gente tem atmosfera, a gente tem mares, a gente tem responsabilidade para com o ambiente em que a gente vive. A Terra tem atmosfera e mares; todos temos responsabilidade para com o ambiente em que vivemos. Há atmosfera e mares na Terra; somos responsáveis pelo ambiente em que vivemos.

III) A gente quer. Eu quero.

IV) A gente quer. Nós queremos.

V) A gente quer. Quer-se.

VI) A gente existe há milênios. A humanidade existe há milênios. O homem existe há milênios. A espécie humana existe há milênios. O homo sapiens existe há milênios.

 

Outro vício é o voceísmo: referir-se a si próprio ou a sujeito fictício por “você” e imputar-lhe ações próprias ou hipotéticas:

I) Quando você namora, você se arruma melhor para dizer “Quando eu namoro, arrumo-me melhor”. O locutor refere-se a si, diz de si, mas imputa suas ações ao inexistente “você” e expõe seu ouvinte a pensar que o locutor fala do ouvinte e não de si próprio. João diz a Miguel: “Quando você namora, você se arruma melhor”; João diz de João, mas Miguel talvez pense que diz de Miguel. Este uso do apelativo é especialmente confuso e irracional.

II) Em 1500, você tinha Cabral chegando, você viu os navios na costa, depois você teve escravidão; em outros países, quando você quer baixar uma lei, você precisa do parlamento. Aqui, nenhuma das ações refere-se nem ao locutor nem ao interlocutor ou leitor e sim a terceiros supostos no transactos ou indeterminados. Este uso, desnecessário, do apelativo é especialmente prolixo.

Compare:

I) Quando você namora, você se arruma melhor. Quando namoro, arrumo-me melhor.

II) Em 1500, você tinha Cabral chegando, você viu os navios na costa, depois você teve escravidão; em outros países, quando você quer baixar uma lei, você precisa do parlamento. Em 1500, Cabral chegou, os índios viram os navios na costa, depois houve escravidão; em outros países, para baixarem-se leis, é preciso o parlamento. Em 1500, Cabral chegou, de terra viram-se navios na costa, depois praticou-se a escravidão; em outros países, o parlamento é necessário para baixarem-se leis. Em 1500, Cabral chegou, navios foram avistados da costa; posteriormente, houve escravidão; em outros países, quando se quer baixar uma lei, precisa-se do parlamento.

Outro vício atualmente em expansão em certos meios telejornalísticos é o de aplicar-se o advérbio de lugar “aí” a despropósito, sem aludir a local, situação, contexto: “Obrigada aí”; “Meus pais aí fazem bodas de prata”; “Irei aí para lá”. Como todo vício, grassa por mimese: bastou que alguém o empregasse, para que os ouvintes nele reparassem e o repetissem mecanicamente, embora inútil e prolixo. Chamemos a este vício de aísmo; dos três, é apenas grotesco.

Quer o voceísmo, quer o agenteísmo, simplificam a expressão e o raciocínio, que com eles tornam-se rudimentares, ambíguos, primários e anti-estéticos, motivos por que são perniciosos. É condição de comunicarmo-nos com qualidade e eficiência empregarmos os recursos idiomáticos que nos permitam fazê-lo. A língua portuguesa permite-nos que o façamos cabalmente, com incomparável exatidão, por meio de dezesseis formas pronominais (eu, nós, me, mim, se, nos, comigo, conosco, mo, ma, mos, mas, no-la, no-las, no-lo, no-los) e as respectivas conjugações.

Dispomos de dezesseis exatíssimas possibilidades de expressão escrita e oral, que o voceísmo e o agenteísmo reduzem para duas (além dos pronomes tu, ele, vós, eles e os respectivos pronomes oblíquos).

Por algum modo os vícios desfiguram a comunicação, o que se confirma exemplarmente nos casos do voceísmo e do agenteísmo. Aquele existe há cerca de três décadas e abundou antanho; este grassa nos meios jornalísticos, políticos e não só. Com eles as pessoas fazem-se entender, comunicam-se, mas há modos e modos de fazê-lo: piores e melhores, primários e sofisticados, vagos e rigorosos, singulares ou plurais. O uso do conhecimento, do discernimento e do senso estético pertence à expressão cultivada e bela do idioma; os vícios sempre lhe correspondem às formas inferiores e indesejáveis, até ao espírito de rebanho. Para valer-me de bela expressão portuguesa, eles são mais do mesmo, do mesmo ruim.

(Foi publicado pela Gazeta do Povo, de Curitiba, em 11 de julho de 2020).

Em PDF: Agenteísmo pdf..

 

 

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Quem é “VIRMOND, A.”, nos livros de Gustavo Biscaia de Lacerda.

Quem é “VIRMOND, A.” nos livros de Gustavo Biscaia de Lacerda.

Arthur Virmond de Lacerda Neto.

Acha-se, disponível na rede, desde 2011, uma tese de doutoramento aprovada na Universidade Federal de Santa Catarina, intitulada (com mau gosto) “Momento comtiano”, relativa ao pensamento do Positivismo de Augusto Comte, em que o autor, Gustavo Biscaia de Lacerda,  menciona, no texto e na bibliografia, “VIRMOND, A.”.

A. Virmond sou eu, de nome completo Arthur Virmond de Lacerda Neto, que deveria haver sido mencionado da forma academicamente correta, ou seja, “LACERDA NETO, A. V. de”.

O já agora professor pós-doutor Gustavo é meu irmão germano (somos filhos dos mesmos pai e mãe) e, obviamente, conhece-me o nome completo e as regras acadêmicas de citação de autores, que seguiu corretamente em relação a todos os que cita, exceto no que me concerne. Sou o único autor cujo nome ele elidiu, parcialmente, para ocultar o meu segundo sobrenome, Lacerda, e evitar, com isto, que o leitor perceba o parentesco existente entre nós.

Escrevi dois livros que tratam especificamente do Positivismo e outro em que há capítulos sobre ele, a saber: “A república positivista. Teoria e ação no pensamento político de Augusto Comte”, que o autor menciona na sua tese e no seu livro “Laicidade”; “A desinformação anti-Positivista no Brasil”, que Gustavo menciona no seu livro “Laicidade”; “Provocações”, com capítulos acerca do Positivismo, que Gustavo não menciona na sua tese nem em “Laicidade”.

A bibliografia da sua tese omite “A desinformação anti-Positivista no Brasil” e “Provocações”, que ele deveria haver, no mínimo, consultado; se não o fez, deixou de recorrer a livros de que dispunha, quanto mais não fosse porque lhe dei, pessoalmente, um exemplar de “A desinformação anti-positivista no Brasil” que publiquei no mesmo volume em que publiquei a “Pequena história da desinformação”, de Vladimir Volkoff: trata-se de dois livros em um só tomo, de que ele menciona o segundo, na bibliografia.  A quem consultou o de Volkoff é materialmente impossível ignorar a existência de “A desinformação anti-positivista no Brasil”. Na sua tese, ele o ignorou adrede: fingiu desconhecê-lo.

A menção errada do meu nome e a omissão de dois dos meus livros constituem falhas imperdoáveis. Não foram casuais; ao contrário, foram intencionais, no intuito de ocultar o meu nome e parte da minha obra. A atitude do autor da tese constitui falha acadêmica, pelo que ela não poderia, jamais, haver sido aprovada com louvor, como o foi: ao contrário, sem louvor, e com censura pela atitude mesquinha de que ela serviu de instrumento, como veículo de ódio de família que, no seu autor, sobrepujou e ainda sobrepuja a correção acadêmica.

Após a disposição da tese, na rede de computadores, dirigi-me, privadamente e por escrito, a Gustavo. Protestei contra a mutilação do meu nome; em resposta, recebi subterfúgios cínicos. Quando lhe esfreguei na cara a regra da Abnt, concernente à citação dos nomes dos autores, ele calou-se.

Em 2016, Gustavo publicou  “Laicidade na I República Brasileira” (Curitiba, Appris Editora), em cuja página 162 insiste na aleivosia de identificar-me com o meu nome mutilado, a saber, “VIRMOND, A.”.

O professor pós-doutor Gustavo Biscaia de Lacerda odeia-me ferozmente há, pelo menos, dez anos; recusava-me, com ódio velado, há cerca de vinte, suspeito de que por homofobia internada (“internalizada”).

Em 2016, ele persiste, se não no seu ódio, certamente sim no procedimento soez de ocultar-me a identificação por nome completo e o nosso parentesco, com evidente infração da correção acadêmica (porquanto “Laicidade” foi-lhe texto de pós-doutorado) e da probidade com que menciona as suas fontes, ao menos em relação ao que me toca.

No seu blogue “Filosofia social e Positivismo”, o pós-doutor Gustavo mantém as ligações de vários sítios eletrônicos de interesse positivista, porém não o do meu “Positivismo de Augusto Comte” (https://positivismodeacomte.wordpress.com/).

Cada um julgue do valor moral e da lisura acadêmica com que o professor pós-doutor Gustavo Biscaia de Lacerda me vota ódio e com que elide ao público, nas suas obras, a minha identificação. Ele sonega aos seus leitores informação que lhe era acadêmica e intelectualmente obrigatório propiciar-lhes; ele desinforma-os.

Cada um julgue se ele procedeu com probidade acadêmica e lisura intelectual ou se atuou com inegável desonestidade acadêmica e intelectual.

Pergunto: há probidade ou improbidade em sonegar, deliberadamente, em parte, o nome de autor que cita em nota de rodapé e na bibliografia, em tese de doutorado e em texto de pós-doutorado, acessíveis ao público, nome que ele obviamente conhece, por inteiro? ? Representa reincidência de improbidade persistir na mutilação do meu nome (em livro de 2016), a despeito do meu protesto, em 2011, e ainda que eu não houvesse protestado ? ? Ou ele foi probo, honesto, correto, moral acadêmica e intelectualmente, ao mutilar o meu nome, cujo enunciado obviamente conhece e cuja enunciação como “LACERDA NETO. A. V. de” era-lhe imperiosa, academicamente  e por lisura intelectual ? ?

Não se trata, da minha parte, de mera vaidade ferida por descuido do pós-doutor. Academicamente, a menção correta dos autores é forçosa: o pós-doutor jamais incorreria em tal desatenção de boa-fé.

Não se trata de questão de somenos, de meros sobrenomes, de picuinha de autor enfatuado: trata-se do intencional, deliberado, consciente obscurecimento da minha pessoa, da vinculação dela aos meus livros e do parentesco existente entre mim e Gustavo. Como “VIRMOND, A.”, não sou eu; não sou o autor dos meus livros e não sou irmão de Gustavo. Eu sou eu, bibliograficamente, como “LACERDA NETO, A. V. de”: desta forma, academicamente correta, o meu nome corresponde-me à pessoa; somente ela identifica-me, realmente, como autor dos meus livros; por ela, nota-se a coincidência de sobrenomes entre mim e o pós-doutor, o que, por sua vez, suscita, no mínimo, suspeita de parentesco entre ambos.

Identificado pela forma como o pós-doutor o fez, é como se eu não fosse eu: “VIRMOND, A.” não é ninguém.  Para o leitor desavisado,  “LACERDA NETO, A. V.  de” e “VIRMOND, A.” são duas pessoas, de que a segunda nenhum parentesco guarda com ele; no meio acadêmico, é indesculpável tal infração das regras da Abnt.

É evidente que qualquer leitor, ao se lhe deparar o nome Arthur Virmond de Lacerda Neto, percebe a coincidência com o Lacerda de Gustavo Biscaia de Lacerda: é esta percepção que o pós-doutor elide, capciosamente. Ele almeja evitar que os seus leitores percebam haver outro Lacerda, autor de livros sobre o Positivismo, e anteriores aos dele; deseja evitar a pergunta, no espírito do leitor: “Qual é o parentesco entre ambos?” e a resposta: “São irmãos germanos”.

Ele, que pontifica graças ao Positivismo, talvez insuporte, intimamente, dever-me a mim havê-lo conhecido. Talvez também me inveje, do que suspeito há cerca de vinte anos. Creio que me odeia por homofobia internada (“internalizada”).

Em 2018, o doutor Gustavo ejaculou novo livro, intitulado Comtianas brasileiras, em que persiste na desonestidade em causa (p. 288). Redigido em estilo amiúde prolixo, com vício do duplo sujeito, galicismos e outros defeitos, disse (p. 275): Ter diploma universitário, doutorado e ser professor não são garantias de conhecimento nem de integridade intelectual”. Confirmo-lhe as palavras, em relação a si próprio, na parte da “integridade intelectual” e de “VIRMOND, A.”. Melhor do que disse o doutor Gustavo, não o diria eu.

 

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Artigos sobre nudez natural, não erótica.

Os meus artigos, ilustrados com fotografias, em favor da nudez natural e pelo fim do pudor:

Nudez e vergonha do corpo: aqui. (É o campeão de acessos.).

A favor da nudez: aqui.

Nu na rua. Código Penal arcaico: aqui. (Em que demonstro que, no Brasil, NÃO É PROIBIDO ANDAR NU NA RUA.).

       Minha carta ao comandante da Brigada Militar do RS, em 2015: Carta Brigada Militar.

As mamas as vento (“topless”) em público NÃO constituem crime de ato obsceno. Onde o homem pode expor o tórax, a mulher pode fazer o mesmo, decidiu o TJ de SP: aqui.

O  nudismo é filosofia de vida, dotado de ética e de valores: Etica do corpo livre PDF

Abricó, praia nudista: aqui.

Mamas ao vento e pênis à mostra: aqui.

A nudez é inocente: aqui.

Chispada: aqui.

                        Nudez perante crianças: Nudez perante crianças. PDF.

Teologia da nudez (em que examino a nudez, o “pecado original”, a nudez de 3 profetas e a atitude de Cristo em relação à nudez,  simpaticamente à nudez). (A minha condição de ateu e de jamais cristão não é contraditória com a minha teologia da nudez, que não pressupõe nem ser cristão nem crente em Jeová. Ela demonstra o quão parcial o cristianismo ortodoxo é, quanto à nudez e ao corpo e que é possível hermenêutica alternativa). Em 3 partes, ilustradas:

Primeira parte, na edição 175. Definição de nudismo; deus quis a nudez; o pecado original não foi erótico: aqui.

Segunda parte, na edição 176. O pecado original foi de desobediência; pecado é recusar a obra divina; Isaías, Miquéias e Saul nus; a nudez em Cristo; opiniões de autoridades cristãs em prol da nudez: aqui.

Terceira parte, na edição 177. Origem histórica, persa e cristã, da gimnofobia e do pudor: aqui.

Envergonhar-se do corpo é obrigatório? Divertido sermão nudista. aqui.

Homens que, nos vestiários de academias, entram no chuveiro de cueca e deles se restiram de cueca. Pudor ridículo (parece convento) de curitibanos e não só: aqui.

Minha carta à ministra dos Direitos Humanos, em prol do nudismo, do monoquini e da revogação do artigo 233 do Código Penal: carta-a-ministra-dos-direitos-humanos.

Os fotógrafos e as fotografias de nus em público. Trecho de epístola ao comandante da PM de SP:aqui.

No Jornal Olho Nu há artigos meus nos números 159, 165, 166,168,169, 175, 170 (duas vezes), 175, 176, 177, 178, 180, 182.

Ética do corpo livre: aqui.

Jornal Olho Nu, 178, de setembro de 2015: análise do livro “O nu ao ar livre” aqui.

 João Ramalho, o primeiro nudista do Brasil, no século 15, no jornal Olho Nu, de fevereiro de 2019: aqui; o mesmo texto, acompanhado das fontes, em PDF: João Ramalho.

A arte, no Brasil, ainda é gimnofóbica. O brasileiro não representa o nu, notadamente masculino, ao passo que na Grécia e em Roma antigas, nos E.U.A. e na Europa atuais, o nu masculino é comuníssimo. Vide aqui coleção abundantíssima de nus masculinos, demonstração do quanto o brasileiro ainda é preconceituoso e caretíssimo. Vide aqui outro sítio de pintura de nus na arte (masculinos e femininos). O art. 233 do Código Penal pune fazer, ter, adquirir desenho, pintura, estampa obsceno. A arte com nu é obscena ? Está na hora de revogarem-se os artigos 233 e 234 do Código Penal.

                 Minha página no Tumblr: mostruário de nudez natural e artística:aqui. (https://arthurvirmonddelacerdaneto.tumblr.com/).

Vide aqui repertório de lindíssimas fotografias de  nus masculinos.

                Nudismo na Alemanha, nos anos 1920, com escola nudista e não só. Relato de R. Salardenne, no seu livro “Um mês entre os nudistas”: Um mês entre os nudistas.

O Cristo, nu, de chocolate: O Cristo nu, de chocolate.O cristo nu, de chocolate.

Filmagem de nu no metrô de Berlim aqui.

Por que, nas piscinas, os nadadores devem usar tanguinhas minúsculas? Nos E.U.A. , antes da caretização religiosa, nadavam nus. Veja aqui.

Fotografias de  nudez natural, em público, na Europa, aqui.

Em décadas transactas, foi preciso os homem baterem-se pela exposição dos seus mamilos: Campanha pelos mamilos à mostra.

Sítio de fotografias de pinturas, desenhos e esculturas de nudez frontal masculina aqui.

Cinema nudista: aqui.

Vídeo. Visita do casal aos amigos nudistas. Para “melhorar o seu inglês”: aqui.

Pudor nos EE. UU. AA. e liberdade de nudez na Europa. Curtíssima metragem: aqui.

Resenha de “Pureza”, de Nelci Pereira de Sousa, livro adamita (nudismo cristão), de conteúdo altamente humanista e ótimo: aqui.

Projeto fotográfico brasileiro, de Hugo Godinho aqui.

Desenhos brasileiros de nus, de Fábio Lopes aqui.

Projeto fotográfico de Hugo Carmesin. Adesões à publicação do livro “Nu Cenário” aqui.

Snaps fanzine, revista de nudez masculina natural: aqui.

Viva Calígula, repertório de fotografias de nudez não erótica: aqui.

Reportagem sobre revistas de nudez natural, brasileiras: aqui.

“Eu escolhi você”, de Clarice Falcão, com imagens de nudez natural (no Vímeo):   https://vimeo.com/196792830.  Minha análise do clipe :eu-escolhi-voce-de-clarice-falcao-pdf

Testemunho de Adriano Facioli, acerca da sua experiência nudista: adriano-facioli-testemunho.

Filme de Antonio da Silva, “Poesia no pênis”: aqui.

“Le banquet d`Auteil”: dramaturgia com nudez. Vide a partir do quadragésimo nono minuto: aqui.

          Quatro desenhos nudistas, de Henrique de Macedo Airoso da Silva, publicados pelo jornal Olho Nu (edição de número 200, de julho de 2017): aqui.

Genealogia da obscenidade (vídeo de Diego Fernandes), no Youtube: aqui.

Anedota nudista, de pseudo-duque de Richelieu e do nudismo na Geórgia, narrada por John dos Passos: Duque de Richelieu nudista

Há fotografias de nudez natural na Europa e EE.UU.AA, inclusivamente das escolas nudistas.

Se gostou da idéia, divulgue-a. A idéia é a de erradicar a vergonha do corpo, a de que há partes inerentemente obscenas (pênis, mamas, nádegas) no corpo, que devem ser ocultadas. A idéia é a de que todas as partes do corpo são dignas e apresentáveis e que não faz sentido o pudor como vergonha do corpo. A idéia é a de que a nudez natural é diferente de nudez sexual e de que a malícia está no pensamento do malicioso.

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Curitibanos-curitibocas.

Neste blogue, abaixo, “O curitibóca” (descrição e julgamento do próprio); “Cura-curitibóca” (terapia em sete lições) e “Bestiário do curitibóca ou exemplos da babaquice”.

Leia descrição do comportamento dos curitibanos-curitibocas: O curitibóca

Leia o Cura-curitibóca em oito lições aqui: Cura-curitiboca. Se você é curitibano, sugiro-lhe que leia, por primeiro, a oitava lição.

Leia o “Bestiário do curitibócaou exemplos da babaquice”: Bestiário do curitiboca ou Exemplos da babaquice

Leia análises de outros autores, de Curitiba e forasteiros, sobre o etos e o patos do curitibano: O curitiboca. Alguns testemunhos.

 

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“O QUE ABRE E O QUE FECHA”.

O QUE ABRE E O QUE FECHA NO CONFINAMENTO é estultice: o que fecha, fecha porque antes abriu. “O que abre e o que fecha” = o que abre, e o que abre e fecha.

O correto é O QUE ABRE E O QUE NÃO ABRE. Fechar é diferente de não abrir; não abrir é não abrir, não é fechar.

As pessoas repetem essa tolice faz décadas, sem atinarem na burrice. Atinar em burrices e evitá-las integra a educação lingüística e a inteligência lingüística. O animal da gravura diverte-se.

Pode ser um desenho animado de animal
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“PRÓ-ATIVO” É O PASSIVO.

“PRÓ-ATIVO” é o decalque mais besta que já se fez do inglês, no Brasil: pegaram “pro-actif” e “traduziram-no” literalmente.

Pró-ativo = favorável ao ativo. Ora, favorável ao ativo é o passivo.

“Nesta empresa queremos funcionários pró-ativos”, “Fulano tem qualidades de chefe, a começar por ser pró-ativo”. Em vez de “pró-ativo” dissessem: diligente, atuante, zeloso, dinâmico, operoso, industrioso.

Pode ser uma imagem de texto que diz "ridículo 1. que provoca riso ou escárnio: caricato 2. irrisónio: de pouco valor; insignificante meudicionario.org"
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CARETICE EM IDIOMA.

Décadas atrás, nos anos 1960, os costumes alteraram-se depressa, libertaram-se de convenções repressoras, como a exigência da virgindade feminina pré-conjugal, o encobrimento do corpo feminino (as mini-saias davam um pouco acima dos joelhos e eram ousadas), a classe média brasileira foi se laicizando, mitigou-se o autoritarismo dos pais em relação a seus filhos, o casamento era costume obrigatório, bem assim gerar pelo menos dois filhos; em Curitiba, quem usasse calções em público era vaiado.

Usavam-se três interessantes qualificativos: “careta” e “quadrado” eram os ainda aferrados à moral antiga, aos costumes proibidores; “práfrentex” eram os avançados, de mentalidade pioneira e libertos das proibições típicas das gerações precedentes.

Hoje também há caretas e caretices, em relação ao idioma: enquanto uns prezam a mesóclise, os pronomes contraídos, a correção gramatical, a forma culta e são “práfrentex”, outros tacham o uso destas plásticas de pedantes, elitistas e outros apodos.

Os que assim os tacham mantêm a mentalidade mediocrizante que se entranhou no Brasil, de desdém pela forma culta do vernáculo; mas os costumes mudam e nota-se, da parte de vários, o amor pelo vernáculo, ao mesmo tempo em que é é retrógrado exaltar o popular e desprezar o culto.

Os desprezadores da mesóclise e das formas cultas são os atuais caretas, os futuros retrógrados, os em breve anacrônicos. Assim como houve (há) homofobia, há gramaticofobia, mas assim como aquela passou, esta passará. Assim como os homossexuais revelaram-se (“saíram do armário”), os amantes da forma culta precisam também de revelar-se, de afirmar-se, de sair do armário. Por ora, ainda os há, enrustidos: inibem-se, não querem se expor, poupam-se da gramaticofobia alheia, possivelmente da censura de amigos e grupos que integram. Provavelmente integram grupos errados e precisam de cultivar amizades outras.

Capitular a forma culta de pedante é caretice, como o era opugnar as mini-saias em 1960 e o casamento homo em 2010. Abaixo com a caretice e acima com a forma culta !

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PEDANTISMO OU PREGUIÇA ? MESÓCLISE E PRONOMES CONTRAÍDOS.

PEDANTISMO OU PREGUIÇA ? MESÓCLISE E PRONOMES CONTRAÍDOS.

Alguns apodam a mesóclise (poder-se-ia) e os pronomes contraídos (to, lha, no-las, vo-los) pedantismo. Eles são recursos legítimos do idioma, usáveis por todos, em todos os momentos e situações. É normalíssimo e naturalíssimo que as pessoas queiram servir-se das formas existentes na língua portuguesa, ainda que menos usadas no Brasil, por seu desconhecimento: a grande massa ignora mesóclise e pronomes contraídos, ao passo que minoria mais instruída usa-os.

Alguns da grande massa tacham-lhes o uso de pedante. Interrogo-me se nesse apodo não vai, na verdade, preguiça de aprender a usá-los ou incapacidade de fazê-lo; afinal, é muito mais fácil deles desdenhar do que aprendê-los (o que, aliás, é fácil). Fácil por fácil, é mais fácil ter preconceitos pueris do que aprender certas coisas e a opção pelo fácil é o timbre da mediocridade.

Seja de esquerda, de direita, de exatas, de humanas, de biológicas, “conservador”, conservador ou “práfrentex”, doutor ou sequer formado, não importa — associar conhecimento e seu uso com pedantismo é pernicioso juízo que exalta a ignorância e inibe quem se deixe por ele induzir. Por isto, diante do apodo de pedante, infligido a qualquer plástica da língua portuguesa (desusada pela massa ignara), não o lamento nem me entristeço: ali vislumbro mediocridade e arrogância fantasiadas de apelo popular.

Quem aprecia a mesóclise, os pronomes contraídos, a correção gramatical, não deve se inibir perante opiniões adversas a eles nem se privar deles porque seja lá quem for capitula-os de pedantes, obsoletos, lusitanos, elitistas. Ao revés: use-os, orgulhosamente, ostente-os, escreva-os, fale-os e ignore o preconceito, a arrogância, a caretice dos que se presumem sábios.

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PRECONCEITO ANTI-MESÓCLISE.

Alguns, muito “modernos” e anti-preconceito mantêm preconceito anti-mesóclise, com a acusação de que ela é pedante, o que é puro preconceito, birra, criancice, arrogância.

A estes, é melhor ignorar: que fiquem com seu preconceito; enquanto isto, os outros, que querem usar as formas que a língua portuguesa nos dispõe, usamos a mesóclise.

Não gosta da mesóclise ? Não a use, e não chateie quem a quer usar e usa. Julga-a pedante ? É problema seu.

A militança anti-mesóclise, anti-gramática, anti-forma culta, tem que ser ignorada. Os cultores do idioma têm que sair de sua timidez, de sua inibição, e proclamar seus valores, seus princípios, seus usos.

Uns prevalecem também porque seus contrários omitem-se.

Sinal das mentalidades é o de que os primeiros que dão “Gosto” em minhas publicações de idioma são portugueses; os brasileiros vêm depois, se vêm.

            Poucos anos atrás, a militança política entrou a vilipendiar a mesóclise porque o vice-presidente Michel Temer usa-a. Até que ponto chega o aproveitamento político das coisas e a estultice humana ! Para os tolos muito tolos, mesóclise = Michel Temer; dado o bordão “Fora Temer” (mal escrito, por carência de vírgula), repudiavam-na porque ele a usava. Mas ele também usa palavras, pontos, vírgulas, verbos, adjetivos. Era bem que os estúpidos-da-política-e-do-idioma expurgassem de seu vocabulário todas as palavras que o vice-presidente falava, e era bem porque assim se calavam e se apenas zurrassem, ninguém os entenderia.

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Matança de índios no Brasil ?

                                  MATANÇA DE ÍNDIOS NO BRASIL ?

                                                                       Arthur Virmond de Lacerda Neto 11.2.2021.

            Jamais foi propósito oficial nem política da coroa portuguesa o de exterminar os autóctones do Brasil, diferentemente da política dos Estados Unidos da América, em que se esforçou por eliminá-los e ocupar-se-lhes as terras à força.

            No Brasil, antes de tudo o português miscigenou-se com negras e índias, em sua plena aceitação do outro. Eis porque no Brasil não houve crispações étnicas, ao contrário do que se observa em vários pontos da Terra.

            Graças à influência jesuítica, a política oficial da coroa portuguesa foi a de assegurar a liberdade dos indígenas e o respeito para com suas vidas e terras. Em 1711, el-rei D. João V dizia que “o verdadeiro dono da terra é o índio”.

            Os índios criaram o tabagismo, que se inveterou nas sociedades brancas como fumo de cigarros e afins. Por contaminação, eles transmitiram bouba, sífilis e oxoriuse aos brancos e que causaram epidemias na Europa, onde infectaram e mataram milhares de brancos.

            Tem grande difusão matéria, na rede, de que os goitacazes foram exterminados por contaminação adredemente praticada pelos portugueses. Sirva de exemplo de que matérias acusadoras e denunciadoras dos brancos, europeus, portugueses, gozam de pronta e calorosa receptividade, porém ninguém lhes liga nenhumas se expõem a atitude protetora da coroa portuguesa, os ódios e guerras das tribos entre si, a amizade de várias tribos para com os portugueses, a miscigenação de portugueses com índios, a participação de mestiços nas bandeiras, o malogro de algumas capitanias devido a ataques indígenas.

            Por que a diferença de receptividade ? Só interessa denunciar, acusar e denegrir ? Não interessa o outro lado, o lado complementar das coisas ?

            Ademais, todo censo da população indígena e de sua mortandade parece-me exagerado e mais do que suspeito: como se pode averiguar a população indígena em 1500? Havia serviços de censo, houve contagem populacional ? Com que fundamento a Funai expõe gráfico segundo o qual de 1500 a 1570 os índios, de 3 milhões, reduziram-se a 250 mil ? Alguém os contou ? A coroa tinha serviço de recenseamento ? Os portugueses eram já tão abundantes, que foram capazes de matar 2 milhões de pessoas, e mais, em 40 anos (de 1531 por diante) ? São estimativas hiperbólicas que convém muito ao espírito de nosso tempo, denunciador, acusador, em que a luta de classes é do ex-colonizado em face do colonizador e a história é o campo da hegemonia da denúncia e da acusação, não o da imparcialidade nem o da pesquisa eqüitativa. A história dos oprimidos, dos fracos, dos índios interessa e há-de contar-se, mas que não seja pretexto para contar-se apenas um lado dos fatos, como já consuetamente faz-se no Brasil.

            Certas narrativas expõem os portugueses como atacantes de tribos indefesas, quando muitas eram violentas e hostis, motivo, aliás, do malogro de algumas capitanias.  Ao mesmo tempo em que tanto se alardeia os tais morticínios, oculta-se (para o grande público) a existência de legislação pró-indigenista, conhecida apenas em livros especializados. Também se omite que os índios foram se miscigenando e integrando às vilas, como se cala (perante o grande público) a persistente ação da coroa portuguesa em baixar legislação asseguradora da liberdade dos índios. Omite-se, por exemplo, o regimento dos índios, de 1562 (se não erro o ano), que atribuía aos indígenas um procurador, assegurava-lhes trabalho remunerado sob contrato, descanso semanal, pagamento igual ao que se contratava com os brancos e recusa de mais trabalhar em caso de inadimplemento do pagamento. Nisto não se fala. Por quê ?

            Também se omite que as tribos eram inimigas umas das outras, entrematavam-se e que as guerras tribais colaboraram para a depopulação indígena.

            É espantoso que, na narrativa denuncista, algumas centenas de portugueses, com a coligação de índios, fossem capazes de perpetrar genocídios em escala nazista. Se os indígenas eram realmente tão abundantes, é possível que houvessem sido exterminados passivamente e inermes ?

            Em senso comum, fala-se em genocídio, matança, extermínio. E as tribos amigas dos portugueses, que com eles coexistiram pacificamente, também foram exterminadas ?

            Tais narrativas, hiperbólicas recordam aliás o estilo de Olavo de Carvalho, em sentido oposto. São histórias muito mal contadas. Em história, é fácil atribuir números de centenas, de miríades, dezenas de miríades, consoante ao gosto do narrador. Não havia contagem populacional de índios; não se enumeraram vivos nem mortos; as contagens são meras estimativas, puro achismo, ainda que doutorais.

            Conte-se a história por inteiro, preferentemente com serenidade.

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PRONOMES CONTRAÍDOS & O CACETE DO CRÍTICO.

PRONOMES CONTRAÍDOS.

            Alguns pronomes pode ser contraídos ou combinados:

me + o = mo.

me + a = ma.

me + os = mos.

me + as = mas.

te + o = to.

te + a = ta.

te + os = tos.

te + as = tas.

lhe + o = lho.

lhe + a = lha.

lhe + os = lhos.

lhe + as = lhas.

nos + o = no-lo.

nos + a = no-la.

nos + os = no-los.

nos + as = no-las.

vos + o = vo-lo.

vos + a = vo-la.

vos + os = vo-los.

vos + as = vo-las.

            Exemplário:
1) me + a= ma. Diga a resposta para mim. Diga-a para mim. Diga-a me. Diga-ma.
2) me + o= mo. Vendeu a livro para mim. Vendeu ele para mim. Vendeu-me ele. Vendeu-mo.
3) te + a= ta. Nós venderemos a casa para ti. Nós venderemos ela para ti. Nós venderemos-te ela. Nós vender-te-emos ela. Nós vender-ta-emos. Vender-ta-emos.

4) te + o. Dei o livro para ti. Dei-o para ti. Dei-o te. Dei-to.

5) te + os = tos. Darei os livros para ti. Darei eles para ti. Darei-os para ti. Darei-os te. Dar-te-ei os. Dar-tos-ei.

lhe +o =lho. Vendi o livro para você. Vendi-o para você. Vendi-o lhe. Vendi-lho.
6) lhe + a= lha. Trouxeram a cesta para ele. Trouxeram ela para ele. Trouxeram-lha.

7) vos + a= vo-la. Disse a senha para vocês. Disse ela para vocês. Disse-vos ela. Disse-vo-la.

8) vos + o= vo-lo. Expliquei o tema para vocês. Expliquei-vos o tema. Expliquei-vos ele. Expliquei-vos o. Expliquei-vo-lo.

9) vos + as = vo-las. Explicarei as coisas para vocês. Explicarei elas para vocês. Explicarei-as para vós. Explicar-vo-las-ei.

10) nos + a = no-la. Dá tu a casa para nós. Dá tu ela para nós. Dá tu a para nós. Dá tu nos a. Dá no-la tu.

11) nos +os = Comprou os livros para nós. Comprou eles para nós. Comprou-os para nós. Comprou-os nos. Comprou-no-los.

12) nos + a = no-la. Darão a casa para nós. Darão elas para nós. Darão-a para nós. Dá-la-ão para nós. Dá-la-ão nos. Dar-no-la-ão.


            Anedota.

            Lecionava eu, em 1998, na UFPR; ouvi um aluno dizer a colega seu: “Vou estar vendendo isto daí para você”. Obtemperei-lhe que, em português, pode-se expressar todo o conteúdo dessa frase com uma única palavra, a cuja demostração passei:

Vou estar vendendo isto daí para você. > Vou estar vendendo é gerundismo, cuja forma reta é: Venderei. Logo:

Venderei isto daí para você. > daí é excrescente e retira-se. Logo:

Venderei isto para você. > Venderei isto reduz-se para venderei-o. Logo:

Venderei-o para você. > para você é substituível por vos. Logo:

Venderei-o vos. > Venderei-o está no futuro, o que exige mesóclise. Logo:

Vendê-lo-ei vos. > lo, vos combinam-se. Logo:

Vender-vo-lo-ei.

            Com uma somente palavra a língua portuguesa permite-nos expressarmo-nos plena e economicamente. É o caso de todas as combinações pronominais, por cujo meio dizemos tudo com menos palavras; elas evitam prolixidade e propiciam-nos comunicação direta, sem circunlóquios. Sabê-las e usá-las é útil recurso de comunicação e de estilo.

            Não se aceita a justaposição de se e o, ao contrário do francês. Assim, não se o sabe, faz-se-o, entregar-se-o-ia são construção erradas.

            É corretíssima a justaposição de se e me, te, lhe, nos, vos:

            Pouco se dá a mim > Pouco se me dá.

            A corda se enroscou no meu pescoço > A corda se me enroscou [ou: enroscou-se-me] no pescoço.

            Em tua mão a fita se enrolou. > A fita enrolou-se-te na mão.

            Atirou-se nos braços dele. > Atirou-se-lhe aos braços. Valéria havia se antecipado a ele . > Valéria havia-se-lhe antecipado ou Valéria antecipara-se-lhe. Luís Garcia não era homem de revelar o que confiavam para ele. > Luís Garcia não era homem de revelar o que se lhe confiava […].[1]

            Era para dar-se a nós uma notícia. > Era para dar-se-nos uma notícia.        Comunicaram o perigo para vocês. > Comunicou-se-vos o perigo.

            A locução dar-se-me equivale a importar-me: pouco se me dá = pouco me importa; isto se me dá; a ti, se te dás; dá-se-nos; dava-se-nos; dar-se-nos-ia; dar-se-vos-á etc.  

            Por exemplos[2]:

            […] disse Frances, soltando-se-lhe dos braços e levantando para ele os olhos […]

            As faces pálidas do vendedor ambulante cobriram-se de um rubor que se lhes via raramente […]

            […] o sangue que animava os seus rostos retirou-se-lhes para o coração […]

            […] ali, transformavam-se em cavaleiros os soldados do regimento de linha e fazia-se-lhes esquecer o exercício do mosquete e da baioneta para se lhes ensinar o manejo do sabre e da carabina.

            Enquanto tratava destes arranjos, apresentou-se-lhe novo assunto embaraçoso.

            […] uma ligeira coloração parecida com o último matiz do sol desenhou-se-lhe no rosto […]

            […] perguntou Harvey, com uma expressão alucinada que às vezes se lhe notava.

            Frances começou a andar rápido, pelo primeiro carreiro que se lhe deparou […]

            Aperta-me o coração quando penso na loucura dos nossos chefes acreditando que podemos travar batalhas e conseguir vitórias com estes palermas que manejam um mosquete como se manejassem um malho; que fecham os olhos de medo quando dão um tiro de espingarda, e que se colocam em ziguezague quando se lhes diz para formarem em linha.

            Autores clássicos não abonam as formas te nos, nos te; diremos, pois: te […] a nós, nós […] a ti, como em “Tua mãe te lembrou a nós” e “Nosso avô recomendou-nos a ti”.

            É correto e castiço esta sorte de emprego do pronome lhe:

            Vendi para ele = Vendi-lhe.

            Telefonei para ele. = Telefonei-lhe.
            Ia a casa dele = Ia-lhe à casa.
            Comprei lápis para ele. = Comprei-lhe lápis.

            Servi banana para ela. = Servi-lhe banana.

            Encontrei o exame dele. = Encontrei-lhe o exame.

            Lavou o carro deles. = Lavou-lhes o carro.

            Aplicaste injeção e repetiste-a. = Aplicaste injeção e repetiste-lhe ela. > Aplicaste injeção e repetiste-lha.

            Morreu um amigo dele. = Morreu-lhe um amigo.

            Pronomes possessivos substituídos por oblíquos.

            João é meu amigo. > João é-me amigo.

            Mataram meu filho. > Mataram-me meu filho.

            Trouxe a tua bolsa. > Trouxe-te a bolsa.

            Levaram nossa chave. > Levaram-nos a chave.

            Venderão vossa morada. > Vender-vos-ão a morada.

            O laudo do exame ficou pronto. > O laudo do exame ficou-lhe pronto.

            Nas primeiras formas, analíticas, verbo e pronome possessivo estão disjungidos; na forma sintética, compõem uma só palavra o verbo e o pronome pessoal oblíquo.

Forma sintética – Forma analítica.

Verbo + meu, meus, minha, minhas >  verbo + me.

Verbo + teu, teus, tua, tuas > verbo + te.

Verbo + seu, seus, sua, suas > verbo + lhe.

Verbo + nosso, nossos, nossa, nossas > verbo + nos.

Verbo + vosso, vossos, vossa, vossas > verbo + vos.

Verbo + seu, seus, sua, suas, dele, deles, dela, delas > verbo + lhes.

            Nada disto é difícil; tudo isto é fácil: em boa escola, com bom professor ou por consulta de gramática suficiente, qualquer um entende as contrações pronominais e capacita-se a valer-se delas.

            Dizem-vos que isto não é preciso ensinar “porque ninguém usa”, mas ninguém usa porque não vo-lo ensinam. Escola que não o ensina é escola que falha em sua missão, professor que os ignora é professor abaixo de sua tarefa, professor que os desaconselha está no lugar errado, é desorientado e desorientador. A missão da escola e do professor é a de transmitir conhecimentos em lugar de ocultá-los, a do professor de português e da escola é a de aperceber o aluno de instrumentos com que possa expressar-se com propriedade, riqueza, beleza e destreza, fito para que as contrações pronominais devem ser ensinadas.

                Isto NÃO é “português de Portugal”: é também o teu, de brasileiro, idioma. Os pronomes contraídos existem na tua, na nossa gramática para que tu também possas usá-los, para que nós usemo-los. Os pronomes contraídos existem na língua portuguesa do Brasil, quero dizer, na língua portuguesa. Eles constam nas gramáticas de qualidade publicadas no Brasil e devem ser ensinadas para todos os brasileiros. Em Portugal, até as crianças sabem-nas; aqui, sequer os adultos sabem-nas.

            Estas contrações são corretas, elegantes, usáveis em qualquer circunstância (profissional, formal, informal, familiar, amistosa, lúdica), por qualquer pessoa (professores, estudantes, intelectuais, gente comum). São econômicas: evitam palavras a mais e exprimem o conteúdo com menos. Não são recursos “acadêmicos” nem “eruditos” nem “preciosismos” nem lusitanismos (se lho disseram, saiba que quem lho disse é ignorante); são recursos que lhe facilitam a comunicação e que você pode usar, orgulhosamente. São perolinos instrumentos do português, ao serviço de tua expressão. Desfruta deles.

            Teu professor deveria ter-tos ensinado; se não tos ensinou, tua escola falhou e teu professor não te elevou aos recursos disponíveis do teu idioma. Se, por causa desses recursos, convenceram-te de que “português é difícil”, mentiram-te e tu acreditaste na mentira.

                Usa-os, orgulhosamente, em tuas fala e escrita, formal, informal, entre amigos, em família, profissional ou academicamente — enfim, em qualquer contexto, pois eles existem para serem usados em qualquer um, por qualquer um. É tolice pensar que somente se aplicam a textos formais ou acadêmicos, que são lusitanismos, que nos devemos libertar deles, o que são visões tacanhas, que somente inibem as pessoas de lançarem mão destas preciosidades, que lhes reduzem os recursos de expressão e criam preconceito contra o que é útil e usável em todas as situações.

            Um sujeito criticou esta lição; segundo ele, as contrações pronominais são (cito-o) “pedantismo do cacete”.

                Pareceu-me boa esta de cacete e caceteei-o com a seguinte resposta:

                Realmente, é pedantismo do seu cacete. Prefiro ensinar as coisas em lugar de vilipendiá-las e ocultá-las das pessoas, para que elas possam falá-las e escrevê-las, se o quiserem, independentemente de sua opinião e do seu cacete: enquanto você fica com sua cacetosa opinião, outros quererão ampliar seus recursos de comunicação, exprimir-se com arte, graça, propriedade, variedade, e entenderão livros brasileiros e portugueses redigidos com estes recursos, cousa de que você infalivelmente será incapaz enquanto for homem de cacete. São também coisas como estas que distinguem as pessoas e permitem-nos discernir quem queremos que nos acompanhe de quem apenas nos circunda. Para alguns, é questão de cacete, para outros, de cultivo pessoal. Para alguns, é questão de pedantismo, para outros, de abertura idiomática. Para uns, saber menos é normal; para outros, não o é. Uns escolhem recusar o conhecimento e o recurso por pedantismo; outros, ao contrário, aprendem-nos e usam-nos: servem-se do quanto o idioma nos fornece. Uns são do cacete, outros temos e queremos coisa melhor do que ele.

            Resumo: os pronomes contraem-se nas formas lho, lhos, lha, lhas, to, ta, tos, tas, vo-lo, vo-los, vo-la, vo-las, no-lo, no-los, no-la, no-las; são justaponíveis se e me, te, lhe, nos, vos. Todas estas formas são econômicas, devem ser ensinadas e são usáveis por todos e universalmente.

            Preceito: use os pronomes contraídos e a justaposição de se e me, te, lhe, nos, vos, em qualquer circunstância.


[1] Estes três exemplos provêm de Iaiá Garcia, de Machado de Assis.

[2] Todos de O espião, de Fenimore Cooper, Otto Pierre Editores.

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“PROCURAR POR” É ANGLICISMO E ESTÁ ERRADO.

“PROCURAR POR” É ANGLICISMO E ESTÁ ERRADO.

Em inglês, a construção é “to search FOR”, “procurar por”.Em português de qualidade, verdadeiro, a construção é “procurar”, estar à “procura de”.

Os caras leem inglês, sabem inglês e usam em português a construção do inglês, porém desconhecem a construção correta em português. Tradutor que traduz do inglês “procurar por” é mau tradutor (no Brasil, a maioria do que se traduz do inglês é mal feita).

PROCURAR POR, CAÇAR POR, BUSCAR POR: são construções do inglês traduzidas porcamente, ao pé da letra. Isto não é português. Nos documentários e filmes traduzidos do inglês, as dobragens mal-feitas, feitas às pressas, descuidadas, desleixadas, usam estas formas erradas.

O cara (o tradutor) ouve ou lê “search for” e não traduz palavra por palavra, o burro.Em português correto, legítimo, dizemos: procurar algo, estar à procura de algo, caçar tal bicho, buscar tal coisa.

CONSTRUÇÃO COM SINTAXE DO INGLÊS: Procuro por soluções. Procuras por mim ? Estou em busca por pessoas. Saiu à caça por aves.

CORRETO, CONSTRUÇÃO COM SINTAXE DO PORTUGUÊS: Procuro soluções. Estou à procura DE soluções. Procura-me ? Estou em busca DE pessoas. Saiu à caça DE aves.

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A bobice de que “dá para entender” português ruim.

É infantilidade defender construções defeituosas com o argumento de que “dá para entender”, de que “não sou professor de português” ou “sou de [ciências] exatas ou biológicas”.

A correção com que se fala é louvável em todos, professores ou não, qualquer que seja sua formação, e exigível de todos. É o mínimo que se pode esperar das pessoas.

No subterfúgio de que “dá para entender”, o autor ou falante conta com a interpretação do ouvinte ou leitor, e interpretação correta; ele imputa a outrem o que deveria ser propriedade sua, ele “terceiriza” a eficácia de sua comunicação. Somos responsáveis pelo que dizemos e por como o dizemos, e dizê-lo bem previne interpretações errôneas. Em lugar do subterfúgio de que “dá para entender”, devemos afirmar o princípio de falar corretamente: falo corretamente, fala tu corretamente, falemos nós corretamente, falai vós corretamente, exijamos que nos falem corretamente, esforcemo-nos por falar corretamente. Falar e escrever.

Enquanto prevalecerem as criancices de que “dá para entender”, de que “não sou professor de português” nem “de [ciências] humanas”, os brasileiros prosseguirão tolerantes com o desleixo, com a incultura idiomática, com os vícios de linguagem, nossos estudantes contentar-se-ão com saber o idioma assim-assim, com aulas de português assim-assim, com professores, locutores, apresentadores, jornalistas, comentadores televisivos de expressão ruim; em suma, podendo ser mais, optarão pelo menos, pelo inferior, pelo medíocre. Podemos ser melhores: orgulhemo-nos da bela, graciosa e exuberante língua portuguesa e de sua forma culta, acatemos a gramática normativa, pratiquemos correção na linguagem oral e na escrita. Erros, vícios, cacoetes, devem ser motivos de vergonha.

A eficácia da comunicação decorre, também, do emprego correto do idioma, da sua forma culta, que é valiosa, importante e bonita. Saber bem o idioma e bem usá-lo faz diferença. Sabê-lo mal e usá-lo erradamente custa equívocos e até construções estapafúrdias, em que se pensa exprimir coisa diferente do que se transmitiu, como as dos exemplos acima.

Em idioma há certo e errado, adequado e inadequado: o correto sempre é adequado, o errado sempre é inadequado, na escrita e na fala.

A forma culta merece ser tida por paradigmática e à luz dela devem ser julgadas as “variantes”, que o são precisamente dela. Mas que ninguém se iluda com a qualidade da forma culta do brasileiro médio, sobretudo jovem: vezes várias é inculta, até em doutores com doutorado.

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POBREZA DE IDIOMA: “DICA”, “A GENTE” e “ACHO”.

POBREZA DE IDIOMA: “DICA”, “A GENTE” e “ACHO”.

“Dica” é redução de indicação; é popular demais, é plebéia, é pobre de cultura, é cafona. É como dizermos “sanduba”, “vestiba”.Que tal repormos a palavra original, indicação ? Também pode-se dizer: sugestão, orientação, recomendação, alvitre.

“A gente” é pobre de cultura, pobre de idioma, pobre de expressão; ela suprime os elegantes pronomes “eu” e “nós”. É viciosa: note que quem a usa, repete-a duas, três, quatro vezes. É chato. Vamos usar os pronomes eu, nós, eles ? É bem melhor, é elegante, é bonito.

“Acho” ? Penso que, parece-me que, julgo que, suspeito de que, presumo que, deduzo que, concluo que, tenho a impressão de que. Há tantos verbos de valor específico e tu só sabes dizer “acho” ?Empregados como expus, constituem dos piores brasileirismos e a coloquialidade dos brasileiros no seu pior.

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