Artigos sobre nudez natural, não erótica.

Os meus artigos, ilustrados com fotografias, em favor da nudez natural e pelo fim do pudor:

Nudez e vergonha do corpo: aqui. (É o campeão de acessos.).

A favor da nudez: aqui.

Nu na rua. Código Penal arcaico: aqui. (Em que demonstro que, no Brasil, NÃO É PROIBIDO ANDAR NU NA RUA.).

As mamas as vento (“topless”) em público NÃO constituem crime de ato obsceno. Onde o homem pode expor o tórax, a mulher pode fazer o mesmo, decidiu o TJ de SP: aqui.

Abricó, praia nudista: aqui.

Mamas ao vento e pênis à mostra: aqui.

A nudez é inocente: aqui.

Chispada: aqui.

Teologia da nudez (em que examino a nudez, o “pecado original”, a nudez de 3 profetas e a atitude de Cristo em relação à nudez,  simpaticamente à nudez). (A minha condição de ateu e de jamais cristão não é contraditória com a minha teologia da nudez, que não pressupõe nem ser cristão nem crente em Jeová. Ela demonstra o quão parcial o cristianismo ortodoxo é, quanto à nudez e ao corpo e que é possível hermenêutica alternativa). Em 3 partes, ilustradas:

Primeira parte, na edição 175. Definição de nudismo; deus quis a nudez; o pecado original não foi erótico: aqui.

Segunda parte, na edição 176. O pecado original foi de desobediência; pecado é recusar a obra divina; Isaías, Miquéias e Saul nus; a nudez em Cristo; opiniões de autoridades cristãs em prol da nudez: aqui.

Terceira parte, na edição 177. Origem histórica, persa e cristã, da gimnofobia e do pudor: aqui.

Envergonhar-se do corpo é obrigatório? Divertido sermão nudista. aqui.

Homens que, nos vestiários de academias, entram no chuveiro de cueca e deles se restiram de cueca. Pudor ridículo (parece convento) de curitibanos e não só: aqui.

Minha carta à ministra dos Direitos Humanos, em prol do nudismo, do monoquini e da revogação do artigo 233 do Código Penal: carta-a-ministra-dos-direitos-humanos.

Os fotógrafos e as fotografias de nus em público. Trecho de epístola ao comandante da PM de SP:aqui.

No Jornal Olho Nu há artigos meus nos números 159, 165, 166,168,169, 175, 170 (duas vezes), 175, 176, 177, 178, 180, 182.

Ética do corpo livre: aqui.

Jornal Olho Nu, 178, de setembro de 2015: análise do livro “O nu ao ar livre” aqui.

A arte, no Brasil, ainda é gimnofóbica. O brasileiro não representa o nu, notadamente masculino, ao passo que na Grécia e em Roma antigas, nos E.U.A. e na Europa atuais, o nu masculino é comuníssimo. Vide aqui coleção abundantíssima de nus masculinos, demonstração do quanto o brasileiro ainda é preconceituoso e caretíssimo. Vide aqui outro sítio de pintura de nus na arte (masculinos e femininos). O art. 233 do Código Penal pune fazer, ter, adquirir desenho, pintura, estampa obsceno. A arte com nu é obscena ? Está na hora de revogarem-se os artigos 233 e 234 do Código Penal.

Vide aqui repertório de lindíssimas fotografias de  nus masculinos.

Filmagem de nu no metrô de Berlim aqui.

Por que, nas piscinas, os nadadores devem usar tanguinhas minúsculas? Nos E.U.A. , antes da caretização religiosa, nadavam nus. Veja aqui.

Fotografias de  nudez natural, em público, na Europa, aqui.

Sítio de fotografias de pinturas, desenhos e esculturas de nudez frontal masculina aqui.

Cinema nudista: aqui.

Vídeo. Visita do casal aos amigos nudistas. Para “melhorar o seu inglês”: aqui.

Pudor nos EE. UU. AA. e liberdade de nudez na Europa. Curtíssima metragem: aqui.

Resenha de “Pureza”, de Nelci Pereira de Sousa, livro adamita (nudismo cristão), de conteúdo altamente humanista e ótimo: aqui.

Projeto fotográfico brasileiro, de Hugo Godinho aqui.

Desenhos brasileiros de nus, de Fábio Lopes aqui.

Projeto fotográfico de Hugo Carmesin. Adesões à publicação do livro “Nu Cenário” aqui.

Snaps fanzine, revista de nudez masculina natural: aqui.

Viva Calígula, repertório de fotografias de nudez não erótica (em que fui modelo fotografado): aqui.

Reportagem sobre revistas de nudez natural, brasileiras: aqui.

“Eu escolhi você”, de Clarice Falcão, com imagens de nudez natural (no Vímeo): aqui.   Minha análise do clipe :eu-escolhi-voce-de-clarice-falcao-pdf

Testemunho de Adriano Facioli, acerca da sua experiência nudista: adriano-facioli-testemunho.

Filme de Antonio da Silva, “Poesia no pênis”: aqui.

“Le banquet d`Auteil”: dramaturgia com nudez. Vide a partir do quadragésimo nono minuto: aqui.

Há fotografias de nudez natural na Europa e EE.UU.AA, inclusivamente das escolas nudistas.

Se gostou da idéia, divulgue-a.

Publicado em Nudez. Naturismo. | Deixe um comentário

Curitibanos-curitibocas.

Neste blogue, abaixo, “O curitibóca” (descrição e julgamento do próprio); “Cura-curitibóca” (terapia em sete lições) e “Bestiário do curitibóca ou exemplos da babaquice”.

Leia “O curitibóca” aqui.

Leia o Cura-curitibóca em oito lições aqui. Se você é curitibano, sugiro-lhe que leia, por primeiro, a oitava lição.

Leia o “Bestiário do curitibóca ou exemplos da babaquice” aqui.

Publicado em Curitibanos. | Deixe um comentário

Calças coloridas.

Poema sobre calças coloridas, e vermelhas; autenticidade humana, vida escolar e outros temas. Divertido e meditativo: calcas-coloridas

Publicado em Calças coloridas., Poesia. | Deixe um comentário

Poesia homoafetiva.

Exponho aqui alguma da minha poesia, de tema homoafetivo. Há mais, do mesmo, e de outros.

Não me consta haver poesia deste gênero, em autores brasileiros coevos. Sou eu o primeiro do gênero ?

Para quem ignora, os gregos antigos representavam os deuses, e os romanos antigos representavam os seus deuses e os imperadores, desnudos. Nem gregos nem romanos sentiam vergonha do corpo, introduzida pelo cristianismo, também mentor da homofobia.

 

Ei-la: poesia-homoafetiva-selecaoprof-turzinho-12

Publicado em Homossexualidade, Poesia. | Deixe um comentário

Relacionamento aberto. Namoradinhas.

 

                                                       Relacionamento aberto

Arthur Virmond de Lacerda Neto.

20.I.2017.

O relacionamento aberto é forma de relacionamento tão legítima e boa quando o fechado, e mesmo melhor do que este, desde que os envolvidos consintam nele, ou seja, se os dois envolvidos aceitam que um deles ou ambos possam manter relações sexuais ou afetivas (ou ambas) com terceiros, exercem a sua liberdade na sua privacidade.

É da conta deles e não da conta alheia o modo como vivem a sua deles privacidade, afetividade e sexualidade. Isto, à luz da liberdade; à luz da felicidade, o relacionamento aberto pode ser vantajoso se o envolvimento passageiro ou permanente, sexual ou afetivo com outrem acrescentar bem estar a quem se envolve e ao casal.   Segundo alguns observadores (W. Reich, em “A revolução sexual”) o casamento “tradicional”, com virgindade pré-conjungal obrigatória (abstinência dos solteiros; masturbação como única expressão do solteiro), com fidelidade obrigatória, é extremamente infelicitador na maioria dos casos. Daí a banalidade dos divórcios nos países protestantes, e a sua banalização nos católicos que o instituíram, o que inclui o Brasil em que as pessoas viviam (até os anos 1980-90) solidões a dois e casamentos hipócritas. Também havia a famigerada moral dupla: o marido podia (na nossa sociedade e na Europa) ter amantes e ser bordeleiro (ir às putas); era esperado que assim fosse, ou seja, mesmo no regime cristão (porque a matriz desta forma era religiosa), admitia-se, por via travessa, o relacionamento aberto, em favor do marido (e não também da mulher), em favor da felicidade dele e da sua melhor convivência com a mulher (que suportava, submissa, maus casamentos ou se divorciava).

Além disto, o relacionamento fechado (cassamento monogâmico) é construção social, de origem religiosa (hoje, está em voga atacarem-se alguns modos de ser por conta da sua origem como construção social.). O casamento monogâmico é, sim, culturalmente dado; não é inerente à natureza humana.

Comparo o relacionamento aberto ao casamento homo: ambos são formas de expressão da liberdade e da natureza humana. Proibir um e outro resultam de condicionamentos culturais, nos dois casos, da mesmíssima origem: a religião. No caso da recusa do relacionamento aberto, a recusa advém, tambeém, de outra fonta: o ciúme, como sentimento de posse, para contrariar o qual alguns indivíduos, ao longo dos séculos, propuseram relacionamentos abertos e coletivos (na idade média; nos E.U.A. nos anos de 1830, nos anos de 1950. Vide “A mulher do próximo”, de Gay Talese).

Em suma: penso que o r. a. é bem-vindo, se os envolvidos aquiescem nele; pode ser vantajoso para os envolvidos; pertence à privacidade dos envolvidos; não é novidade, historicamente considerado; a sua recusa decorre da religião e do ciúme.

                                                                     Namoradinhas.

                                                                   20.I.2017.                                                                                                                                                                      Arthur Virmond de Lacerda Neto.

 

Você deve ter muitas namoradinhas, diz a senhora ao rapaz.

É pergunta dotada de alguns pressupostos e que indica certo etos típico.

No imaginário dela, supõe-se que o rapaz tenha namorada, e muitas. É frase que contém, implicitamente:

1) hetero-normatividade (espera-se que o rapaz sinta atração por mulheres);

2) moral do predador (machista): supõe-se que o rapaz tenha várias namoradas, como se os namoros ocorressem por atacado, quando eles ocorrem entre duas pessoas e não entre uma, de um lado, e várias, do outro. Ela certamente não admite o relacionamento aberto, porém o casamento “tradicional” (monogâmico e cristão). Repare: neste tipo de mentalidade, supõe-se a pluralidade de namoradas, porém não o casamento aberto e sim o casamento monogâmico.
3) a pergunta foi formulada por uma senhora, mulher, de certa idade: ela foi formada na mentalidade de que o homem deve ser hetero-normativo e predador.

É este tipo de imaginário que vai mudando: as pessoas atualizadas dirão:

1) que o rapaz tem namorado ou namorada, ou seja, decai a hetero-normatividade a admite-se a homossexualidade e a bissexualidade;

2) não se referirão a namorados nem a namoradas (no plural), ou seja, decai o etos machista do homem-predador;

3) supõe-se a pluralidade de derriços ou derriças se se admitir o relacionamento aberto, ainda não inveterado nos costumes brasileiros.

A autora da pergunta é típica do etos machista, hetero-normativo, de casamento monogâmico, avesso ao relacionamento aberto.

Na indagação, o verbo “deve” não exprime obrigação, porém expectativa: espera-se, supõe-se, presume-se que o mancebo tenha várias namoradas.

Porém esta própria expectativa é produto cultural e faz sentido na sociedade em que o casamento é esperado, como dever social (mentalidade da família compulsória, de matriz cristã). Ela não faz sentido onde o casamento não corresponde a dever social, em que as pessoas não se casam por costume, para atender à expectativa alheia. Ninguém “deve” (nos dois sensos, de obrigação social e de expectativa alheia) ter nem derriço ou derriça, nem noivo ou noiva, nem marido ou mulher: tê-lo-á ou tê-la-á se quiser.

 

 

Publicado em Caretice., Costumes., Crítica de costumes., Movimento homossexual., Namoradinhas., Puritanismo., Relacionamento aberto., Sexualidade. | Deixe um comentário

FUI BLOQUEADO NO FACEBOOK POR CAUSA DESTA FOTOGRAFIA.

Neste blogue, há artigo meu, “Nu na rua. Código Penal arcaico”, cuja ligação (“link”) postei na minha página do Facebook. Apareceu a fotografia abaixo; minutos depois, fui bloqueado por sete dias (de 23 a 30 de janeiro de 2017).

No código de comportamento do Facebook, são proibidas imagens do mamilo das mulheres, das genitálias e das nalgas, do que depreendo que, no seu entendimento, os mamilos femininos, o pênis, a vagina e as nádegas são inapresentáveis. Outras partes também são censuradas, em respeito pela “bagagem cultural e idade” de certos espectadores.

No entendimento do Facebook, porque certos idosos e certos indivíduos sentem-se mal com a observaçaõ dos mamilos femininos e da genitália, os outros, que não se sentem mal com a visão deles, são proibidos de os expor e, se o fazem, sofrem censura.

Os idosos pouco freqüentam o Facebook; foram criados décadas atrás, em etos e costumes (mentalidade e estilo de vida) findante, que as gerações atuais não mantêm. Ao contrário, há acentuada diversidade entre a geração dos moços de 2017 e a dos seus pais e, sobretudo, avós, ao mesmo tempo em que a maioria dos usuários do Facebook pertence à mocidade, muito menos pudica do que as gerações anosas. Apesar disto, o Facebook censura em nome da mentalidade e do estilo de vida do grupo minoritário dos seus usuários e desdenha da mentalidade e do estilo de vida dos jovens.

Parte da sociedade brasileira, por “bagagem cultural” sente-se incomodada com a observação da nudez. No Facebook, quem se sente incomodado com alguma postagem, pode 1) bloquear o autor delas, 2) deixar de segui-lo, 3) desfazer a amizade.

É preciso chegar ao extremo de denunciar alguém e o Facebook chegar ao extremo de bloquear um porque outro desgosta das suas postagens ? É justificável alguém denunciar a imagem da fotografia e foi justo Facebook bloquear-me por sete dias por causa dela ?

Responda-me o Facebook: qual é o mal na exposição dos mamilos das mulheres? Responda-me o Facebook: porque alguns indivíduos, devido à sua idade e à sua bagagem cultural, desgostam de ver mamilos ou de genitálias, outras pessoas, a quem uns e outros são indiferentes (por bagagem cultural ou por idade) devem ser privados de expor fotografias como esta e devem ter as suas contas bloqueadas por 3, 7 ou 30 dias ? Responda-me o Facebook: por que a idade e a bagagem cultural de uns deve prevalecer sobre e contra a de outros ? Responda-me o Facebook: por que censura da nudez natural, da exposição do corpo com naturalidade e inocência ? Por quê? Responda-me o Facebook: até que ponto vai a sensatez e em que ponto principia a arbitrariedade e a violência ? Responda-me o Facebook: é justificável censurar esta imagem e bloquear a conta de alguém por causa dela ?

A fotografia é obscena ? É erótica ? Propagandeia o meretrício ? O bico da mama da moça é indecente ? O pênis do rapaz é afrontoso ?

Se se encobrir o mamilo com um band-aid, a moral, os bons costumes, o pudor e a decência ficarão protegidas e a imagem poderá ser exposta. O código de comportamento do Facebook é explícito: é proibido expor o mamilo. O problema está no bico do seio, como no pênis (ereto ou flácido).

Algo está errado com os critérios do Facebook e não com esta fotografia nem com o que eu postei. Algo está errado com os critérios de moralidade de muitos brasileiros. Este critério de moralidade é estúpido e irracional, tem origem religiosa e é veementemente mantido pelos evangélicos (de que, aliás, alguns me detestam, à conta das minhas postagens. Eles são intolerantes e autoritários. Vide abaixo, “Fiscais de cu”.).

E se você é mulher: a censura deste tipo de fotografia e, em geral, do bico da mama, significa que, no etos do Facebook, você, mulher, porta uma parte do seu corpo imoral por inerência, o dito bico da mama. Em que o bico da mama é imoral ?

É ou não é absurdo e estúpido pensar que o bico da mama (e a bunda e o falo) é indecoroso ? Sim, é, completamente.

Em tempo: o Tribunal de Justiça de SP considera lícita a exposição das mamas e do bico delas, em público, onde o homem pode expor os seus mamilos. A jurisprudência brasileira é mais sensata do que o Facebook. Vide postagem minha sobre isto, neste blogue.

Privei-me de escrever isto ao Facebook, por temor de represália (perder a minha conta):

“A fotografia era da Pedalada Nua de Londres, não erótica nem sexual, porém de nudez natural.
No código de comportamento do Facebook leio ser proibida a exposição de mamilos femininos. Não entendo porque o bico do seio das mulheres é indecente e não pode ser exposto.
Também não compreendo a lógica segundo a qual, devido “à idade e à bagagem cultural” de certas pessoas, certas imagens não podem ser expostas, especificamente em relação a imagens de nudez. Vocês se referem a pessoas de idade avançada e a portadores de bagagem cultural religiosa, a despeito de a maioria dos usuários do Facebook ser jovem e laica, geralmente livre de pudor como vergonha do corpo
e escândalo pela nudez.
O pudor e a recusa da nudez são valores próprios das gerações mais velhas e dos religiosos. Porém parcela relevante da população brasileira não comunga mais nem de um nem de outro. Vocês adotam a visão dos velhos e dos religiosos, em total desconsideração pela parcela da sociedade que não se escandaliza com a nudez. Vocês censuram imagens que alguns não querem ver, porque a formação deles é pudica, e privam outros, de outra formação, outra geração, outros valores, de as expor e ver.
O Tribunal de Justiça de S. Paulo, em 2015, decidiu que onde o homem pode expor os seus mamilos, a mulher também o pode fazer. A exposição dos mamilos está liberada por decisão judicial no Estado de S. Paulo e constitui jurisprudência que indica mutação nas mentalidades no Brasil. O Poder Judiciário, ao interpretar a aplicação do Código Penal, entendeu em sentido oposto ao do código de comportamento do Facebook.
O Facebook está desatualizado e errado, neste particular.
Não faz sentido o Facebook aferrar-se a padrões de comportamento e de juízo moral em si totalmente sem sentido, pertencentes à parcela da população que pouco freqüenta o Facebook ou à parcela caracterizada pelo seu arcaísmo de mentalidades (crentes), ao mesmo tempo em que vocês ignoram que o público juvenil, notadamente as mulheres (hoje bastante avançadas em termos de liberação e de feminismo) não sente vergonha do corpo e da nudez nem se escandaliza com a exposição de mamilos.
Quem não gosta de algum tipo de postagem, pode não adicionar o postador, desfazer a amizade, deixar de segui-lo ou bloqueá-lo. Ninguém é obrigado a adicionar ninguém. Contudo, com a regra anti-nudez, mesmo anti-nudez natural e inocente, como foi o caso da fotografia que a minha postagem expôs, vocês permitem que os outros exerçam censura e vocês próprios são censores. Se alguém não gosta de ver bicos
de seios, que bloqueie o postador, ao invés de poder denunciar e vocês bloquerem-no.
A política pudica do Facebook é violenta e excessiva, retrógrada e deve ser prontamente abrandada em relação à nudez natural, para adequar-se ao estado atual dos costumes e das mentalidades. Por enquanto, o Facebook alinha-se à mentalidades e a comportamentos cada vez mais ultrapassados.”

Pedalada nua IV

Pedalada pelada de Londres, em que se anda pelado em público e ninguém liga.

Tu, que me denunciaste

e da minha conta me privaste,

ouve bem o que desejo:

aprende a dizer: se não gosto, não vejo.

Adicionas ou aceitas porque quer,

seja homem, seja mulher.

Ninguém te obriga a gostar,

nem a acompanhar

o que postam os demais.

Se te desagrada, menos ou mais,

desfaz a amizade ou deixa de seguir,

porém escusa de a alguém perseguir.

Quem não gosta e denuncia, por maldade,

atua com feia perversidade.

Prejudicaste-me, miserável.

Teu defeito é : não és confiável.

Provaste a tua índole intolerante:

és do tipo de pessoa repugnante.

Que padeças de insônias cruéis, amigo falso,

como tormento pior do que estrebuchar no cadafalso.

Falasse-me pela frente, velhaco,

que golpear pelas costas é coisa de fraco.

Quero também que te arda o cu,

farsante que és tu.

Macho, auguro-lhe que fique impotente

e tenha membro sempre mole, por mais que nele tente.

Se fores homem a sério e verdadeiro,

arrepende-te por primeiro.

A seguir, se tiveres ombridade,

confessa-me a verdade

e dize-me: – Fui eu o maldoso.

Terás sorte se eu te for caridoso.

Se tiveres tal grandeza,

o que duvido em gente com baixeza,

aprende: não faças o que não queres que te façam.

Demais, rancor e raiva se te enlaçam,

farão vingança que te colherá em momento inesperado,

em que tu andarás do mal feito, já olvidado,

porém não quem a tua maldade feriu:

este não se esquece e te manda para a puta que pariu.

 

 

Imagem | Publicado em por | 1 Comentário

Honestidade na vida pública brasileira existiu.

Ao longo dos tempos, na história brasileira, houve homens públicos probos e honestos, de que apresento mostruário.

José Bonifácio, Deodoro, Floriano, Rondon, Teixeira Mendes, Bernardo Pereira de Vasconcelos, Antonio Chalbaud Biscaia, Flávio Suplicy de Lacerda  deram exemplos dignificantes de correção.

De quebra, censuro livros de Eduardo Bueno e o péssimo “1808”, de Laurentio Gomes.

Em pdf:

honestidade-na-vida-publica-brasileira-existiu

Publicado em "1808", Corrupção., História luso-brasileira, Honestidade na vida pública. | Deixe um comentário

“Foda-se.”.

 

MUTAÇÃO SEMÂNTICA DO TABUÍSMO “FODA-SE”.

É correntio, entre a gente de boca-suja, a expressão “foda-se”.
Até poucas semanas atrás, ela equivalia a imprecação. Nos últimos dias, ouvi-a, entre jovens como equivalente a “pouco se me dá a sua opinião”; como equivalente de desdém (sem sobranceria) pelo que outrem pensa ou diz do locutor e que não lhe diz respeito.

Ou seja: alguém diz ou pensa, seja o que for, acerca de um terceiro. O que o alguém diz ou pensa não é da conta dele. O terceiro repele a opinião do alguém com “Foda-se”.

Há câmbio no sentido da locução, que (na medida desta observação) transitou do sentido de insulto, de xingação, para o de afirmação da independência da vida de cada um em relação ao juízo alheio, no que não interessa ao ajuizador. Em suma: foda-se significa cuide da sua vida, que da minha cuido eu.

Sim, cuide cada qual da sua vida.

Corriam, já, as fórmulas “Sou eu que pago as minhas contas e não devo nada a ninguém” e “Cuide da sua vida, que da minha, trato eu”. Ambas repelem o vezo fiscalizador de muitos brasileiros, que se ocupam da vida alheia (são, na locução que criei, fiscais de cu, em que empreguei o substantivo cu por metonímia).

O neologismo de sentido de “Foda-se” revela que as pessoas (os jovens, notadamente ?) estão mais independentes das opiniões dos abelhudos ? Se assim for, tanto melhor. Aliás, sempre deveria ter sido assim: a vida alheia deve constituir não-assunto, exceto se e na medida em que toca na vida de quem dela se ocupa.

Outro perspicaz provérbio (é reflexão de Sêneca, se não erro) é o de que pessoas vulgares falam de pessoas; pessoas cultas, de fatos; ainda mais cultas, de idéias.

Eis porque ocupar-se da vida do vizinho, mexericar, julgar a outrem são sintomas de ignorância. Gente ignorante, vazia de conhecimentos, pobre de cultura intelectual e rasa de valores, cuida da vida alheia. Triste sina, a do povo brasileiro, em que a famosa “fofoca” era usual: não deveria sê-lo.

Falar da vida alheia é vulgaridade, é mediocridade, é escassez de elevação, incultura, até mesquinharia.

Fala da vida alheia ? Vá ler livros, para ter no que pensar e do que falar.

Se a minha hipótese se confirma (a de que os jovens adquiriram mais senso de independência em relação aos enxeridos), considero valiosa a mentalidade em que as pessoas se condicionam menos por opiniões descabidas (descabidas é diferente de erradas. Erradas respeita ao seu mérito; descabidas, à sua oportunidade e cabimento) e se ocupam menos (ou não) do que não deve constituir ocupação.

Oxalá que se viva menos em função “do que os outros vão dizer ou vão pensar” e “para dar uma satisfação para os pais, para a famíia, para os amigos e para a sociedade” (especifica, porém nem de longe, exclusivamente, em relação à exigência moral [de origem religiosa] de casar-se e de os homossexuais sujeitarem-se à heteronormatividade, particular em que [e ainda bem!] os costumes no Brasil vem se alterando para melhor.).

“Cuide da sua vida, que da minha, trato eu.”
“Sou eu que pago as minhas contas e não devo nada para ninguém.”
“Foda-se.”

A terceira fórmula é lacônica, direta e fulminante. Prefiro-a.

Em Portugal, diz-se “estar-se nas tintas” para o que outrem pensa ou diz.

(Escusa de frisar o vezo fiscalizador dos evangélicos, fiscais de cu e censores da homossexualidade alheia e tanto mais quanto mais enrustidos.)

(Antes de que algum deficiente cultural me venha imprecar que eu disse porcaria, que sou boca-suja, fique a saber o meu censor que vejo as palavras como objetos idiomáticos. Elas são-me coisas, dotadas de etimologia, história, semântica. Entendeu ? Se não entendeu, releia. Se ainda assim ficou indignado, então…paciência. ).

 

Publicado em Foda-se., Semântica. | Deixe um comentário

Saramago e os americanismos.

           Saramago e os americanismos

Arthur Virmond de Lacerda Neto.

Decididamente, José Saramago encarnava talento, que se revelou no “Memorial do Convento”, que prosseguiu em “Todos os nomes”, que se reafirmou em  “A caverna”e se manteve no mimoso conto que é “A viagem do elefante”.

A merecida atribuição do Prêmio Nobel em 1997, guindou-o à posição de  máximo representante vivo da literatura do seu país e do idioma português no mundo. Hoje, se se pensa na língua portuguesa, fala-se em Saramago, que a partir da atribuição do prêmio, passou a concentrar a atenção do grande público, da imprensa, de editores, mesmo de cineastas interessados em transpor para a película o entrecho de seus romances. Solicitadíssimo, sua palavra era ouvida com interesse e suas idéias debatidas como as de um verdadeiro pensador.

Em sua excursão de lançamento de “A caverna”, por cidades portuguesas, africanas, brasileiras e não só, esteve em Curitiba, em 2000, perante público de quase duas mil pessoas, para o qual discursou de improviso durante cerca de uma hora.

Em meio ao muito que falou, referiu passar-se o entrecho do livro que lançava, em um centro comercial, “que, disse, vocês aqui [no Brasil] chamam de shopping center”. E acrescentou: ”Observando Curitiba, impressiona a presença do idioma inglês no seu comércio. Tenho a impressão de que em mais vinte anos, vocês estarão a falar inglês e não mais o português”.  Irrompeu então o público  em um aplauso intenso e prolongado, a apoiar o que, à guisa de averigüação de fato, fora também a crítica de um nosso (brasileiro e curitibano) vezo.

Porque é disto de que se trata, em matéria de americanismos em Curitiba e no Brasil em geral: de um vezo, de um mal, de um vício.

Criou-se a mentalidade pela qual o designativo ou o termo em inglês, uma vez empregado, alteraria para melhor a qualidade intrínseca do objeto a que se aplica ou do indivíduo que o utiliza, como se lhe pertencesse alguma propriedade mágica ou sobrenatural. É claro que pensar assim corresponde a ingenuidade que nada de racional justifica e que surpreende encontrar-se no ser humano, ente racional entre todos .

A cada vez em que o brasileiro vale-se de um americanismo com  exclusão do termo equivalente em português, renuncia a um elemento de nossa identidade cultural para adotar um exotismo que  em nada, absolutamente  em nada, refere-se aos nossos antecedentes históricos, à nossa formação étnica, ao que somos como nação, ao que nos falta para realizarmo-nos como coletividade.

Talvez  alguns assim julguem aproximar-se da cultura norte-americana, sem perceberem que, americanizando o nosso idioma, não nos enriquecemos patavina em virtude, em dedicação à coisa pública, em respeito pelo próximo, em cidadania,  todas qualidades que os norte-americanos praticam na pureza do seu próprio idioma. Se algo dos norte-americanos pode merecer-nos  admiração, são certos dos seus valores e o seu alto desenvolvimento, que se realizou no idioma seu próprio. Em nada engrandecermos a nossa cultura, os nossos costumes, os nossos valores, macaqueando qualquer língua que seja, ao invés de compenetrarmo-nos da nossa.

Até hoje o português serviu-nos e nada indica que deixe de servir, mesmo que novos objetos ou realidades inovadoras surjam:  sempre se pode, mesmo deve-se, traduzir ou adotar neologismos vernaculares. Se uma característica notabiliza o brasileiro,é a  sua imaginação para criar  expressões idiomáticas,  tão ligadas à nossa espontaneidade. Por que seríamos  incapazes de conceber expressões vernaculares para o que o estadunidense nomeia em seu idioma? Não nos falta riqueza lingüística nem capacidade; falta-nos vontade de o fazer e sobra-nos, é triste dizê-lo,  servilismo cultural.

Por isto tudo, foi imensa a minha vergonha como curitibano e como brasileiro, ao ouvir José Saramago expressar a sua perplexidade com a abundância de americanismos na cidade que se alardeia como de primeiro mundo, e vaticinar que em certo futuro teremos sucumbido em nossa identidade lingüística.

Se de Curitiba levou tal impressão  o maior representante do nosso idioma no mundo, ainda há tempo para redimirmo-nos  e  sobretudo em muitos brasileiros há indignação contra o abastardamento idiomático. Toca-nos combatê-lo, pelo emprego ubícuo e constante de uma só língua, a em que nascemos e que todo brasileiro entende. Neste sentido atuaram já o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal, mediante a despoluição dos seus  produtos e serviços. Por que Curitiba não toma a iniciativa de substituir a expressão “shopping center” pela que Saramago emprega  no romance que lá lançou e que corresponde à forma genuína do nosso idioma,  vale dizer, “centro comercial” ?

 

 

 

Publicado em Estrangeirismos., Língua portuguesa, Saramago., Vício de linguagem | Deixe um comentário