Artigos sobre nudez natural, não erótica.

Os meus artigos, ilustrados com fotografias, em favor da nudez natural e pelo fim do pudor:

Nudez e vergonha do corpo: aqui. (É o campeão de acessos.).

A favor da nudez: aqui.

Nu na rua. Código Penal arcaico: aqui. (Em que demonstro que, no Brasil, NÃO É PROIBIDO ANDAR NU NA RUA.).

As mamas as vento (“topless”) em público NÃO constituem crime de ato obsceno. Onde o homem pode expor o tórax, a mulher pode fazer o mesmo, decidiu o TJ de SP: aqui.

Abricó, praia nudista: aqui.

Mamas ao vento e pênis à mostra: aqui.

A nudez é inocente: aqui.

Chispada: aqui.

Teologia da nudez (em que examino a nudez, o “pecado original”, a nudez de 3 profetas e a atitude de Cristo em relação à nudez,  simpaticamente à nudez). (A minha condição de ateu e de jamais cristão não é contraditória com a minha teologia da nudez, que não pressupõe nem ser cristão nem crente em Jeová. Ela demonstra o quão parcial o cristianismo ortodoxo é, quanto à nudez e ao corpo e que é possível hermenêutica alternativa). Em 3 partes, ilustradas:

Primeira parte, na edição 175. Definição de nudismo; deus quis a nudez; o pecado original não foi erótico: aqui.

Segunda parte, na edição 176. O pecado original foi de desobediência; pecado é recusar a obra divina; Isaías, Miquéias e Saul nus; a nudez em Cristo; opiniões de autoridades cristãs em prol da nudez: aqui.

Terceira parte, na edição 177. Origem histórica, persa e cristã, da gimnofobia e do pudor: aqui.

Envergonhar-se do corpo é obrigatório? Divertido sermão nudista. aqui.

Homens que, nos vestiários de academias, entram no chuveiro de cueca e deles se restiram de cueca. Pudor ridículo (parece convento) de curitibanos e não só: aqui.

Minha carta à ministra dos Direitos Humanos, em prol do nudismo, do monoquini e da revogação do artigo 233 do Código Penal: carta-a-ministra-dos-direitos-humanos.

Os fotógrafos e as fotografias de nus em público. Trecho de epístola ao comandante da PM de SP:aqui.

No Jornal Olho Nu há artigos meus nos números 159, 165, 166,168,169, 175, 170 (duas vezes), 175, 176, 177, 178, 180, 182.

Ética do corpo livre: aqui.

Jornal Olho Nu, 178, de setembro de 2015: análise do livro “O nu ao ar livre” aqui.

A arte, no Brasil, ainda é gimnofóbica. O brasileiro não representa o nu, notadamente masculino, ao passo que na Grécia e em Roma antigas, nos E.U.A. e na Europa atuais, o nu masculino é comuníssimo. Vide aqui coleção abundantíssima de nus masculinos, demonstração do quanto o brasileiro ainda é preconceituoso e caretíssimo. Vide aqui outro sítio de pintura de nus na arte (masculinos e femininos). O art. 233 do Código Penal pune fazer, ter, adquirir desenho, pintura, estampa obsceno. A arte com nu é obscena ? Está na hora de revogarem-se os artigos 233 e 234 do Código Penal.

Vide aqui repertório de lindíssimas fotografias de  nus masculinos.

Filmagem de nu no metrô de Berlim aqui.

Por que, nas piscinas, os nadadores devem usar tanguinhas minúsculas? Nos E.U.A. , antes da caretização religiosa, nadavam nus. Veja aqui.

Fotografias de  nudez natural, em público, na Europa, aqui.

Sítio de fotografias de pinturas, desenhos e esculturas de nudez frontal masculina aqui.

Cinema nudista: aqui.

Vídeo. Visita do casal aos amigos nudistas. Para “melhorar o seu inglês”: aqui.

Pudor nos EE. UU. AA. e liberdade de nudez na Europa. Curtíssima metragem: aqui.

Resenha de “Pureza”, de Nelci Pereira de Sousa, livro adamita (nudismo cristão), de conteúdo altamente humanista e ótimo: aqui.

Projeto fotográfico brasileiro, de Hugo Godinho aqui.

Desenhos brasileiros de nus, de Fábio Lopes aqui.

Projeto fotográfico de Hugo Carmesin. Adesões à publicação do livro “Nu Cenário” aqui.

Snaps fanzine, revista de nudez masculina natural: aqui.

Viva Calígula, repertório de fotografias de nudez não erótica (em que figuro eu, em ensaio nudista):  aqui.

Reportagem sobre revistas de nudez natural, brasileiras: aqui.

“Eu escolhi você”, de Clarice Falcão, com imagens de nudez natural (no Vímeo): aqui.   Minha análise do clipe :eu-escolhi-voce-de-clarice-falcao-pdf

Testemunho de Adriano Facioli, acerca da sua experiência nudista: adriano-facioli-testemunho.

Filme de Antonio da Silva, “Poesia no pênis”: aqui.

“Le banquet d`Auteil”: dramaturgia com nudez. Vide a partir do quadragésimo nono minuto: aqui.

          Quatro desenhos nudistas, de Henrique de Macedo Airoso da Silva, publicados pelo jornal Olho Nu (edição de número 200, de julho de 2017): aqui.

Genealogia da obscenidade (vídeo de Diego Fernandes), no Youtube: aqui.

Há fotografias de nudez natural na Europa e EE.UU.AA, inclusivamente das escolas nudistas.

Se gostou da idéia, divulgue-a. A idéia é a de erradicar a vergonha do corpo, a de que há partes inerentemente obscenas (pênis, mamas, nádegas) no corpo, que devem ser ocultadas. A idéia é a de que todas as partes do corpo são dignas e apresentáveis e que não faz sentido o pudor como vergonha do corpo. A idéia é a de que a nudez natural é diferente de nudez sexual e de que a malícia está no pensamento do malicioso.

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Curitibanos-curitibocas.

Neste blogue, abaixo, “O curitibóca” (descrição e julgamento do próprio); “Cura-curitibóca” (terapia em sete lições) e “Bestiário do curitibóca ou exemplos da babaquice”.

Leia “O curitibóca” aqui.

Leia o Cura-curitibóca em oito lições aqui. Se você é curitibano, sugiro-lhe que leia, por primeiro, a oitava lição.

Leia o “Bestiário do curitibóca ou exemplos da babaquice” aqui.

Leia análises de outros autores, de Curitiba e forasteiros, sobre o etos e o patos do curitibano: O curitiboca. Alguns testemunhos.

 

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Camisetas.

Mandei estampar as camisetas da fotografias, como militância pela destabuzação (erradicação do tabu) da nudez.

Camisetas.Satiricon.Barbier.

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“Foi mal.”.

 

 

“Foi mal.”.

                                               Arthur Virmond de Lacerda Neto.

9.8.2017.

Na convivência humana, há regras e fórmulas de urbanidade. Constituem regras de urbanidade as sujeições que cumprimos e que exprimem deferência, respeito, consideração, apreço, solidariedade por outrem. Elas exprimem-se por atos (como o de cumprimentar, despedir-se, agradecer, pedir desculpas) e por fórmulas, como “bom dia”, “até mais ver”, “por obséquio”, “não fiz por mal”, “recomendações”, “por favor”, “bem haja” (bem haja é sinônimo de obrigado).

Dentre as regras de urbanidade, uma determina-nos que, a todo ato ou dicção descortês, sigam-se pedidos de desculpas, comunicados por locuções como “queira desculpar-me”, “peço desculpas”, “desculpe-me” (“desculpa”, se o locutor tutear o interlocutor.).

O pedido de desculpas contém, implicitamente, o reconhecimento do erro que se cometeu; provavelmente exprime arrependimento e, certamente, destina-se a corrigir, moralmente, o mal feito. Quem pede desculpas espera que o pedido lhe seja aceitado e a culpa do mal, elidida.

Diferente de pedirem-se desculpas é a locução trivial entre jovens “Foi mal”: por ela, o ofensor limita-se a enunciar estado de coisas e sobre ele ajuizar. Ajuiza que a sua ação, omissão ou dicção foi indesejável, ofensiva, esquerda, e limita-se a tal juizo.

Reconhecer o caráter negativo da própria ação, perante o agravado não implica, explicita nem implicitamente, pedido de desculpas. Quem diz “foi mal”, confessa que procedeu indesejavelmente, porém não chega a desagravar o agravado. Exprimir “foi mal” para o agravado contém auto-crítica e juízo acerca do próprio comportamento, contudo não se destina, também, a remediar o desazo.

Quem pede desculpas, constata fato, exerce auto-crítica, julga o próprio comportamento,  procura remediar o mal feito. Quem diz “foi mal” constata fato, exerce auto-crítica, julga o próprio comportamento e aí se detém: falta-lhe transcender a própria pessoa, sair do seu solipsismo e tentar desfazer a ofensa, perante o próprio ofendido.

Por isto, ao enunciar-se que “foi mal”, deve-se completar a averiguação com o que lhe é imprescindível, se se tratar de pessoa bem formada axiologicamente: deve-se pedir desculpas. Proferir “foi mal” não equivale a pedido de desculpas.

Não se alegue, em prol da locução “foi mal”, que ela contém, tacitamente, pedido de desculpas, que a intenção do seu autor é a de pedir desculpas, que no código lingüístico dos seus usuários ela equivale a desculpas, que o significado transcende o significante, que ela significa mais do que exprime; que, para mais do texto, o idioma se constitui com o contexto. Tudo isto são exegeses bastante criativas, apesar das quais as fórmulas explícitas de desculpas são completas, moral e semanticamente; “foi mal” é incompleto no seu valor moral e semântico e, por isto, inferior.

Mal vão os nossos costumes, se a mera constatação já basta para ofensor e ofendido, se ela coexiste (em uns) com o pedido de desculpas (praticado por outros) ou mesmo se se lhe substitui de todo: vale como sintoma de retrocesso no senso de gentileza e como avanço do egocentrismo, avanço e retrocesso que não se limitam ao aspecto semântico das fórmulas respectivas, porém que servem como medidores do estado das mentalidades. Eles indicam, no mínimo, afrouxamento do valor de convivência expresso pelas fórmulas de desculpas; revelam algum embrutecimento nas relações humanas.

Entre o bom e o menos bom; entre mais gentileza e respeito, e menos; entre o incompleto e o completo, diga, se quiser, “foi mal”: a seguir, peça desculpas, ou somente peça desculpas.

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Segunda pessoa do plural.

VÓS, SEGUNDA PESSOA DO PLURAL, RIQUEZA E BELEZA DO IDIOMA.

 

 

Arthur Virmond de Lacerda Neto.                                                                                                  8.82017.

As pessoas do discurso são eu, tu, ele, nós, vós, eles.

Existe a segunda pessoa do plural, a saber, vós, aplicável quando o sujeito da frase se dirige a mais de uma pessoa: digo-vos, expliquei-vos.

O pronome possessivo correspondente é vosso: isto é vosso (se empregar o pronome oblíquo: isto vos pertence).

Há as conjugações respectivas: sabieis vós ? Direis vós ? Se entenderdes, melhorareis culturalmente.

Décadas atrás, no Brasil, era usual a segunda pessoa do plural; hoje, não mais, o que não significa que ela haja sido revogada. Ela existe; não é usada, porém pode sê-lo, como recurso disponível para todos quantos queiram usá-la.

No país (Brasil) em que, por décadas a fio, descurou-se do ensino do idioma, em que integrava o etos do homem comum a sentença (típica de desleixo e da mediocridade) “deve-se saber escrever corretamente, mas falar, pode falar de qualquer jeito”; em que o comum do povo desdenhava do idioma (e ainda desdenha); em que há animadversão acadêmica pela gramática normativa (vide lingüistas sequazes das doutrinas de Marcos Bagno), o resultado foi o que só poderia ser: o de que, nas últimas décadas, os brasileiros  (sobretudo as gerações moças) aprenderam mal o idioma e desusam muito do quanto aprenderam. Pior: o idioma tornou-se desvalor, ao invés de ser tido e tratado como elemento de identidade cultural e componente da civilização.

Nos últimos cerca de 40 anos, acentuação, pontuação, conjugação, concordâncias, riqueza léxica, mesóclise, preposições, já mal sabidas pelas classes desinstruídas, porém ainda sabidas pelas estudadas, tornaram-se também ausentes destas, em proporção perceptível: ao invés de se manter conhecimento em uns e introduzi-lo em outros, deu-se o oposto, por culpa do sistema público de ensino lamentável e da mentalidade condescendente com o descaso e com o desleixo como práticas lingüísticas. Neste estado de coisas, o brasileiro médio deixou de adquirir recursos e de usá-los, a exemplo da bela mesóclise, das preposições, dos pronomes contraídos, do pronome reflexivo “se” e da requintada segunda pessoa do plural.

A segunda pessoa do plural, usada corretamente, é bonita, bem sonante e econômica: em lugar de dizer-se, por exemplo, “explico para vocês” (3 palavras) ela permite-nos dizermos “explico-vos” (uma palavra); em vez de dizer-se “é de vocês”, ela permite-nos dizermos “é vosso”. Ao invés de enunciar-se, por exemplo “vou dizer isto para vocês”, pode-se dizer “dir-vo-lo-ei”: em lugar de cinco palavras, emprega-se uma, que contém todos os elementos delas. Parece difícil ? É fácil para quem aprendeu (aprendi com onze anos de idade.).

Você, que aprendeu, use o que aprendeu. Aproveite o seu conhecimento; não se prive dele. Propicie o bom exemplo.

Os pronomes, os pronomes contraídos, as pessoas do discurso, a mesóclise, propiciam economia na comunicação e poupam o emissor dos circunlóquios prolixos a que o emissor se sujeita, se prescindir deles.

Saber bem o português e usá-lo corretamente é vantajoso e inteligente. Aliás, os pronomes, os pronomes possessivos, os pronomes contraídos, a mesóclise, os tempos verbais, os advérbios de modo, as pessoas do discurso e outros elementos do idioma, são recursos inteligentes, cujo emprego correto e corriqueiro denota que o seu usuário elevou-se à riqueza do idioma e capacitou-se para exprimir-se com precisão e clareza.

A segunda pessoa constitui riqueza e beleza do português, usável em qualquer situação, formal ou informal, oralmente ou por escrito, em textos formais ou informais, em situações profissionais, familiares, lúdicas; entre amigos, familiares, colegas,  estranhos  – em suma, em qualquer situação, entre todas as pessoas. Para usá-la, basta saber-se e querer-se usá-la.

Ela não contém formalidade, pedantismo nem nenhuma nota pejorativa. Ao contrário, empregá-la revela a capacidade de o indivíduo servir-se deste recurso do idioma, como meio de comunicação ao seu dispor.

Usemo-la ! Estranhar-lhe-ão o uso ? Sim, de começo, porém o ser humano a tudo se adapta, por efeito da habituação: habituemo-nos e habituemo-los (os outros) ao uso correto de todos os recursos do idioma. Demais, ninguém se deve inibir de empregar componente do idioma que se destina precisamente a ser usado.

Usemo-la ! Ela é requintada, elegante, eufônica, bonita e correta.

Assim convencido, convosco partilho o meu pensar, esperançoso de que vos persuada, para que vós também possais enriquecer e embelezar o vosso discurso.

 

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Telemóvel e não celular.

 

     TELEMÓVEL.

2.8.2017.
Celular é a tecnologia do aparelho e não o tipo de telefone. Há telefones fixos de tecnologia celular. São fixos celulares.

Quando se introduziram os telefones portáteis no Brasil, passou-se a chamá-los de celular, por desconhecimento 1) de que celular designa a tecnologia e não o objeto, 2) de que o objeto pode ser chamado de telemóvel, palavra perfeitamente racional, como neologismo.

Em Portugal, diz-se telemóvel; na Espanha, na Argentina, no Chile, no Uruguai, na Bolívia, na Colômbia, no Peru, diz-se “móvil” (pronuncie “móbil”) ou seja, móvel.

Note o contraste entre o que se passa no Brasil e nos demais países que citei: em todos eles, usa-se o termo apropriado, exceto aqui.

Objetar-se-me-á que celular é o termo apropriado, no Brasil, porque é por ele que, aqui, se designa o aparelho em causa.

O termo celular não é o termo apropriado – é o termo corrente. Ser corrente não significa que seja o correto. Correto é telemóvel, ainda que a totalidade das pessoas diga celular.

Objetar-se-me-á que o uso esmagador (quantidade) legitima o vocábulo (qualidade) e que a palavra celular desempenha o papel de propiciar comunicação e entendimento; dir-se-me-á que ela é útil e eficaz. De acordo. Constato o fato. Constatá-lo, pura e simplesmente, de modo “positivista” (repugna-me o emprego espúrio deste termo) em nada mitiga a origem transviada do uso que se faz da palavra celular para indicar o telefone móvel.

Uma coisa é a constatação empírica, “positivista”, do fato. Outra, é a análise da qualidade do fato, a sua crítica, a sua transformação.

Linguagem também é isto: não a sujeição servil e passiva aos usos e aos maus usos; é, também, a análise dos usos, o ajuizar sobre eles, o enaltecer uns e reprovar outros. Diria que isto, na verdade, corresponde ao exercício da inteligência em contraste com a prática da passividade, aplicável não apenas aos usos lingüísticos, como aos valores, aos comportamentos, às mentalidades.

O que “está aí” nem sempre é bom, correto, desejável porque “está aí”, ainda que a maioria pense que o é e o aceite. Houve tempo em que a maioria aceitava a escravidão e professava homofobia, até que se exerceu juízo crítico acerca de ambos. Hoje, a maioria brasileira diz celular.

 

 

 

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Jesus. El galileo armado.

VENDO POR CEM REAIS Jesus. El galileo armado, de José Montesserrat Torrents, Espanha, 2007.

É a história laica de Jesus. Com base nos evangelhos, o autor reconstitui o que terá sido, plausivelmente, a vida de Jesus: era militante para-militar, antagonista aos romanos. Foi condenado, pelos romanos, com base no seu direito penal, por crime de sedição.

A narrativa que Montesserrat compôs é surpreendente, em face da narrativa tradicional e teológica; ela desmistifica o mito de Cristo, em parte.

Contactos por arthurlacerda@onda.com.br.Galileo armado

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Vício do duplo sujeito em textos.

ESCREVA BEM. EVITE O VÍCIO DO DUPLO SUJEITO. É PARA VOCÊ, QUE ESCREVE TEXTOS.

 

VÍCIO DO DUPLO SUJEITO DOS  BRASILEIROS.

Os jornalistas brasileiros, os autores de textos acadêmicos (monografias, dissertações, teses) e muitos de quantos redigem no Brasil, praticam o vício do duplo sujeito. Usam, viciosamente, perífrases. Não sabem escrever sem ele, desaprenderam alternativas de construção de frases sem ele. São incapazes de usar os pronomes em lugar da repetição do sujeito. Por exemplo: ‘Produtores jogam tomate fora após queda do preço da fruta”.
Tomate e fruta são o mesmo sujeito; não há dois sujeitos (tomate; fruta), mas um: a fruta é o tomate.
É como escrever: produtores jogam tomate no lixo após queda do preço do tomate.

Outra: “OAB divulga lista de faculdades recomendadas pela entidade”. Logo, a OAB divulga lista de faculdades recomendadas por alguma entidade, que não se especifica. Mas o autor desta péssima frase quis dizer que a tal entidade é a própria OAB. Muito melhor seria: OAB divulga lista de faculdades que recomenda.

“Suspeita de matar o filho não aceitava homossexualidade do jovem”.

Que jovem ?

Na frase, há “o filho” e “o jovem”. O filho é o jovem; o jovem era o filho, porém não se explicita que o filho fosse jovem: poderia ser criança, velho, maduro.

A redação contém o vício do duplo sujeito, sistematicamente praticado por todos os jornalistas que escrevem mal , no Brasil.

Agora sem o duplo sujeito: “Suspeita de matar o SEU filho não LHE aceitava a homossexualidade”. Isto é frase correta, perfeita, destituída de duplo sujeito.
Em revistas e gazetas, é sempre a mesma construção viciosa. Não sabem escrever: Produtores jogam tomate no lixo após queda do preço dele ou Produtores jogam tomate no lixo após queda do seu preço.
       É vícioso escrever assim; é redundante escrever assim; não é “estilo jornalístico”, é mau estilo pois induz o leitor ao equívoco de entender dois sujeitos onde há um só.
Na Gazeta do Povo, há tempos, o título era mais ou menos: “Cobra achada no Barigui; ofídio não é perigoso; verterbrado foi capturado; serpente foi levada embora”. O leitor tem de saber que cobra é ofídio, que ofídio é verterbrado, que serpente é cobra.
Era muito melhor se o pedante (sim, pedante, porque isto de duplo sujeito é pedantismo) houvesse redatado: Cobra achada no Barigui; não é perigosa, foi capturada e levada embora’.
Outra exemplo: Galileu escreveu livros, sendo importantes os do astrônomo. O leitor tem de adivinhar que o astrônomo é Galileu; não é suposto que o saiba. Perceba a diferença agora: Galileu, astrônomo, escreveu livros importantes. O astrônomo Galileu escreveu livros que são importantes. São importantes os livros do astrônomo Galileu.
Um título dizia: “Oração pelos irmãos mexicanos: furacão atingirá o país hoje”. Que país? Nesta frase, o seu redator está viciado ao ponto em que, no entendimento dele, o primeiro sujeito acha-se presente e, sem que o esteja, ele enunciou o segundo.
Agora compare com este: “México se prepara para maior furacão da sua história”. Excelente, corretíssimo, sem duplo sujeito. Haveria duplo sujeito se dissesse: “México se prepara para maior furacão da história do país”. Que país !!??

Outro exemplo: “Segundo a assessoria de imprensa do Conselho Nacional do Ministério Público, o processo para apurar a conduta do promotor de Justiça foi arquivado. O Conselho teria considerado que os atos praticados pelo membro do MP […]”. O sujeito é “promotor de Justiça”; a seguir, é “membro do MP”.

Melhor é: “Segundo a assessoria de imprensa do Conselho Nacional do Ministério Público, o processo para apurar a conduta do promotor de Justiça foi arquivado. O Conselho teria que considerado que os atos praticados por ele […]”.

Outra: na Casa de Juscelino Kubitschek, lê-se, junto de pia: “Não toque na pia. A peça está frágil”. É como se houvesse pia e peça e a peça fosse diferente da pia. Melhor seria: “Não toque na pia. Ela está frágil”, em que se entenderia, inequivocamente, que a pia está frágil.
Os redatores de gazetas e de revistas incorrem, sistematica, ou seja, viciosamente, no vezo do duplo sujeito; complicam desnecessariamente as frases; escrevem defeituosamente.
É sofismar dizer-se que o jornalismo tem estilo próprio, que escrevem assim para chamar a atenção do leitor, que o sujeito duplo ou plúrimo é próprio da técnica jornalística etc.. Pode-se (e deve-se) escrver com clareza e sem o duplo sujeito, sejam textos jornalísticos, acadêmicos ou quaisquer outros.

Alguns redatores esmeram-se em multiplicar as perífrases. Pensam que fazê-lo é escrever bem. Não; é escrever mal.
E haja pachorra para, todos os dias, ter de ler e reler certos textos e títulos para perceber se há duplo sujeito ou se há dois sujeitos.
É vício, é verbosidade inútil. É pobreza de qualidade do texto, é texto mal escrito, que já grassa entre outros escritores e não apenas entre jornalistas. Universitários desafeitos à leitura, mal enfronhados nos bons escritores do idioma repetem o vício do duplo sujeito em monografias, dissertações, teses, artigos, livros, em que o duplo torna-se triplo, quádruplo, quíntuplo. O autor não percebe o grotesco da sua redação e, certamente, acredita praticar bom estilo. Ilude-se.

 

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Alfabéticos.

                                                         ALFABETO NA BALADA.

                                                           Arthur Virmond de Lacerda Neto.

5.III.2017.

A sou eu;

B namorava Mateus,

C, conhecia-o de privança,

D usava bonete

E usava chapéu,

F andava em cabelo,

G cobria-se com barrete,

H usava pulseiras,

I portava pingente,

J desviou o rosto quando nele reparei,

K sorriu-me e acenou-me ao ver-me,

L abraçou-me com efusão,

M correspondeu-me ao cumprimento com frieza

N supreendeu-se ao se me deparar,

O esgueirava-se por entre a gente,

P empurrava a outrem se sem esgueirar,

Q era álacre com todo o povo,

R tinha cabelos pintados de escarlate,

S usava belas melenas e banda,

T, dele esquivei-me,

U supôs-me catarinense,

V perguntou-me se sou brasileiro,

W surpreendeu-se ao saber-me professor,

X pediu-me cigarro que não tinha eu, por não fumar,

Y enfezou-se comigo quando esbarrei nele, ao me empurrarem,

Z beijou-me, e ainda bem: mais letra não há e se não fora ele, não seria ninguém. 

27 bebeu etílicos,

28 bebeu etílicos demais,

29 bebeu etílicos ainda mais,

30 vomitou,

31 dormiu, alcoolizado,

32 beijou dois em simultâneo,

33 trajava-se excentricamente,

34 bailava,

35 cantava,

36 deitou-me olhares,

37 levava-me olhares,

38 beijou bocalmente 39

39 entregou-se voluptuosamente a 38,

40 era mulher e beijou outra,

41 tinha cabelos nacarados,

42 fingiu desconhecer-me (era curitibano),

43 fitou-me e não me cumprimentou (outro curitibano),

44 ouviu-me frases sedutoras,

45 deixou-se-me seduzir,

46 pediu-me bebida e neguei-lha

47 pediu-me água e dei-lha,

48 pousou a cabeça no meu peito,

49 agregou-me à sua camarilha de amigos, para que me não quedasse só,

50 indagou-me se não bebo etílicos e respondi-lhe que só água,

51 reputou elogiável que senhor da minha idade andasse em balada juvenil,

52 perguntou-me se sou hetero ou homo,

53 indagou-me o mesmo,

54 foi igual ao anterior,

55 inspirou-me o poema “Zeus cristão”,

56 é-me vizinho e simpático,

57 é-me vizinho e antipático,

58 engordou,

59 usava bermudas curtas, em voga,

60 usava barba,

61 também,

62 também,

63 também,

64 declarou-se hetero,

65 esbarrou em mim e pediu-me desculpas,

66 fez o mesmo a outrem,

67 era viraga,

68 era efeminado,

69 abraçou-me (e outros também)

70 encantou-se por mim,

71 reconheceu-me e, por não saber quem eu era, não me veio  falar,

72, com ele palestrara pelo Facebook e lá o conheci presencialmente,

73 por pouco não foi residir comigo,

74 indagou-me a minha idade,

75 foi-me aluno e não me falou,

76, confundi-o com um amigo,

77 reagiu-me com frieza quando o cumprimentei,

78 esquivou-se de mim por duas vezes,

79 pareceu-me entristecido e tive-lhe dó,

80 disse-me que tenho sotaque diferente,

81 inquiriu-me se sou docente,

82 estava duvidoso se era homo ou hetero e esclareci-lhe,

83 a ele, falei-lhe de antepassados e ele nada percebeu,

84 a ela, disse-lhe quem me odeia e porquê,

85 era introvertida por demais e confirmou-me ser curitibana,

86 a ele, falei-lhe e ignorou-me, pelo que concluí ser curitibano,

87 era futilíssimo e do norte do Paraná,

88 com realismo dizia que, de alguns,“se juntar dois,  não dá um”,

89 era de Cascavel e amistoso; sobre curitibanos falamos,

90 era igual ao anterior e desejou-me,

91 era igual aos dois anteriores e desejei-o,
92 era fusco, insinuei-me, ele sorriu-me largamente e foi-me a pérola do dia.

Andava tudo feliz e alegre, com liberdade sem medo.

Assim folgavamos, assim nos entretinhamos e assim gozavamos a vida em folguedo.

(Todas as situações são verdadeiras e ocorreram no bar do Simão, em Curitiba.).

 

              LETRAS ENIGMÁTICAS.

22.VI.2017.
A interessou-se por B, que se interessou por C, que lhe confessou diferentes gostos; D interessou-se por B, que lhe foi recíproco.
A e C são simpáticos; B, nem sempre o é, em funções, contudo, pessoalmente, sabe sê-lo.
B terá (já as tem) boas lembranças de A, C e D (de outras letras, também).
D desconhece A e C; deita elogios a B. Quiçá, um dia, ande tudo junto e tudo amigo (com outras letras, também ?): formariam seqüência: A, B, C, D.
Assim o fora, e teria B pequena alegria, a da convivência com quem a quem estima. É-lhe devaneio – devanear com o que inspira e alegra é saudável excogitar e feliz meditar.
Mais não digo. Não em público.

(Para os curiosos: B, sou eu, Arthur. A, C e D, existem.).

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