Artigos sobre nudez natural, não erótica.

Os meus artigos, ilustrados com fotografias, em favor da nudez natural e pelo fim do pudor:

Nudez e vergonha do corpo: aqui. (É o campeão de acessos.).

A favor da nudez: aqui.

Nu na rua. Código Penal arcaico: aqui. (Em que demonstro que, no Brasil, NÃO É PROIBIDO ANDAR NU NA RUA.).

As mamas as vento (“topless”) em público NÃO constituem crime de ato obsceno. Onde o homem pode expor o tórax, a mulher pode fazer o mesmo, decidiu o TJ de SP: aqui.

Abricó, praia nudista: aqui.

Mamas ao vento e pênis à mostra: aqui.

A nudez é inocente: aqui.

Chispada: aqui.

Teologia da nudez (em que examino a nudez, o “pecado original”, a nudez de 3 profetas e a atitude de Cristo em relação à nudez,  simpaticamente à nudez). (A minha condição de ateu e de jamais cristão não é contraditória com a minha teologia da nudez, que não pressupõe nem ser cristão nem crente em Jeová. Ela demonstra o quão parcial o cristianismo ortodoxo é, quanto à nudez e ao corpo e que é possível hermenêutica alternativa). Em 3 partes, ilustradas:

Primeira parte, na edição 175. Definição de nudismo; deus quis a nudez; o pecado original não foi erótico: aqui.

Segunda parte, na edição 176. O pecado original foi de desobediência; pecado é recusar a obra divina; Isaías, Miquéias e Saul nus; a nudez em Cristo; opiniões de autoridades cristãs em prol da nudez: aqui.

Terceira parte, na edição 177. Origem histórica, persa e cristã, da gimnofobia e do pudor: aqui.

Envergonhar-se do corpo é obrigatório? Divertido sermão nudista. aqui.

Homens que, nos vestiários de academias, entram no chuveiro de cueca e deles se restiram de cueca. Pudor ridículo (parece convento) de curitibanos e não só: aqui.

Minha carta à ministra dos Direitos Humanos, em prol do nudismo, do monoquini e da revogação do artigo 233 do Código Penal: carta-a-ministra-dos-direitos-humanos.

Os fotógrafos e as fotografias de nus em público. Trecho de epístola ao comandante da PM de SP:aqui.

No Jornal Olho Nu há artigos meus nos números 159, 165, 166,168,169, 175, 170 (duas vezes), 175, 176, 177, 178, 180, 182.

Ética do corpo livre: aqui.

Jornal Olho Nu, 178, de setembro de 2015: análise do livro “O nu ao ar livre” aqui.

A arte, no Brasil, ainda é gimnofóbica. O brasileiro não representa o nu, notadamente masculino, ao passo que na Grécia e em Roma antigas, nos E.U.A. e na Europa atuais, o nu masculino é comuníssimo. Vide aqui coleção abundantíssima de nus masculinos, demonstração do quanto o brasileiro ainda é preconceituoso e caretíssimo. Vide aqui outro sítio de pintura de nus na arte (masculinos e femininos). O art. 233 do Código Penal pune fazer, ter, adquirir desenho, pintura, estampa obsceno. A arte com nu é obscena ? Está na hora de revogarem-se os artigos 233 e 234 do Código Penal.

Vide aqui repertório de lindíssimas fotografias de  nus masculinos.

Filmagem de nu no metrô de Berlim aqui.

Por que, nas piscinas, os nadadores devem usar tanguinhas minúsculas? Nos E.U.A. , antes da caretização religiosa, nadavam nus. Veja aqui.

Fotografias de  nudez natural, em público, na Europa, aqui.

Sítio de fotografias de pinturas, desenhos e esculturas de nudez frontal masculina aqui.

Cinema nudista: aqui.

Vídeo. Visita do casal aos amigos nudistas. Para “melhorar o seu inglês”: aqui.

Pudor nos EE. UU. AA. e liberdade de nudez na Europa. Curtíssima metragem: aqui.

Resenha de “Pureza”, de Nelci Pereira de Sousa, livro adamita (nudismo cristão), de conteúdo altamente humanista e ótimo: aqui.

Projeto fotográfico brasileiro, de Hugo Godinho aqui.

Desenhos brasileiros de nus, de Fábio Lopes aqui.

Projeto fotográfico de Hugo Carmesin. Adesões à publicação do livro “Nu Cenário” aqui.

Snaps fanzine, revista de nudez masculina natural: aqui.

Viva Calígula, repertório de fotografias de nudez não erótica:  aqui.

Reportagem sobre revistas de nudez natural, brasileiras: aqui.

“Eu escolhi você”, de Clarice Falcão, com imagens de nudez natural (no Vímeo): aqui.   Minha análise do clipe :eu-escolhi-voce-de-clarice-falcao-pdf

Testemunho de Adriano Facioli, acerca da sua experiência nudista: adriano-facioli-testemunho.

Filme de Antonio da Silva, “Poesia no pênis”: aqui.

“Le banquet d`Auteil”: dramaturgia com nudez. Vide a partir do quadragésimo nono minuto: aqui.

Flamant, loja de camisetas estampadas também com gravuras de nudez masculina: aqui.

Há fotografias de nudez natural na Europa e EE.UU.AA, inclusivamente das escolas nudistas.

Se gostou da idéia, divulgue-a. A idéia é a de erradicar a vergonha do corpo, a de que há partes inerentemente obscenas (pênis, mamas, nádegas) no corpo, que devem ser ocultadas. A idéia é a de que todas as partes do corpo são dignas e apresentáveis e que não faz sentido o pudor como vergonha do corpo. A idéia é a de que a nudez natural é diferente de nudez sexual e de que a malícia está no pensamento do malicioso.

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Curitibanos-curitibocas.

Neste blogue, abaixo, “O curitibóca” (descrição e julgamento do próprio); “Cura-curitibóca” (terapia em sete lições) e “Bestiário do curitibóca ou exemplos da babaquice”.

Leia “O curitibóca” aqui.

Leia o Cura-curitibóca em oito lições aqui. Se você é curitibano, sugiro-lhe que leia, por primeiro, a oitava lição.

Leia o “Bestiário do curitibóca ou exemplos da babaquice” aqui.

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deus com minúscula.

É correto grafar-se deus e jamais Deus: 1- “Deus” não é nome próprio, como o são Artur, Miguel, Portugal, Casas Pernambucanas; é substantivo, como casa, céu, livro. O plural de deus é deuses e não Deuses.

2- Os nomes de alguns deuses são Hermes, Diana, Apolo, Alá, Eloim, Javé. Eloim e Javé são os nomes dos dois deuses do Velho Testamento. Dois: há dois deuses no Velho Testamento, que o cristianismo “louva”, juntamente com o deus Jesus e com o deus Espírito Santo, pelo que o cristianismo não é monoteico e sim tetrateico. Entenda quem puder como diabos é que o Pai, o Filho e o Espírito Santo, sendo três, é um. É o que o cristianismo apelida de “mistério” e que qualifico de estupidez.

3- Os judeus, autores do Velho Testamento, eram politeicos: cultuavam inúmeros deuses. Na narrativa original do Gênesis, o mundo foi criado por “nós” e não por “mim”, ou seja, por vários deuses, malgrado as traduções deliberadamente erradas hajam transformado o plural em singular. Com o transcorrer dos séculos, os deturpadores dos textos vetero-testamentários elidiram as referências ao politeísmo judeu de que, contudo, há vestígios.

O monoteismo judeu (que originou o cristão) foi construído por obra humana (vide “A evolução de deus”, de R. Wright).

Outro vezo é o do pessoal jurídico, que redige Autor, Réu, Requerente, Apelante, Embargado. Nada disto são nomes próprios, pelo que nenhum destes apelativos deve ser escrito com maiúsculas, porém com minúsculas. A maioria dos redatores de textos jurídicos comete este erro, escreve assim por imitação, sem a menor idéia de que erra.

A evolução de deus.Trindade.

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Manifesto dos homossexuais conservadores.

Grupo anônimo de homossexuais conservadores e cristãos emitiu manifesto, que analiso aqui: Manifesto dos homo conservadores. Lado A.

 

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“Príncipes” do Brasil, Orleans e Bragança. Mistificação.

PRINCIPES DO BRASIL, ORLEANS E BRAGANÇA, ALTEZAS REAIS DO BRASIL. MISTIFICAÇÃO.

Não há linha de sucessão no trono. A monarquia brasileira foi deposta, a dinastia foi extinta, assim como, em outros países, as dinastias terminaram. A dinastia de Orleans e Bragança acabou. Não há direito nato ao trono brasileiro, da parte dos “ilustres” “príncipes”, que são iguais a todos os 180 milhões de brasileiros. Não são príncipes, não são herdeiros de nada, não há coroa real, não há pretendentes.

Na França, por exemplo, houve Valois, Orleans, Bourbons, Bonapartes, dinastias que terminaram. Braganças terminaram. Não há ridículo pior do que se falar em linha sucessória do trono brasileiro, não há títulos de suas altezas reais e imperiais. E se os houvesse, quem garante que seriam melhores, capazes, aptos, dedicados, morais ? Ninguém. Ninguém é melhor por ser trineto, tetraneto, pentaneto do ex-imperador.

Eles não foram abençoados por deus nem portam no seu sangue superioridades morais, intelectuais nem políticas que os tornem naturalmente destinados a reger este país;não são seres naturalmente superiores aos demais nem especialmente dotados de qualidades para tal.

A dinastia acabou. Não há direito natural, inato, em favor de nenhum descendente do ex-imperador , de ser novo imperador, caso se restaure a monarquia no Brasil. Família real= privilégio de família, badalação, vaidade, despesismo.

É próprio da monarquia certo endeusamento dos “príncipes” , como se fossem indivíduos especialmente superiores. E quantos reis estúdidos, ineptos, incapazes, negligentes, despreparados houve ao longo da história…

Países como a Noruega, Suécia, Dinamarca (monárquicos), atualmente ricos, foram pobres, de população miserável por séculos, como o foi a França monarquica, a Alemanha monarquica. E que dizer da monarquica Arábia Saudita, do monarquico Iêmen? Qual é a vantagem verdadeira da monarquia? A de criar uma casta de privilegiados, em que o cargo de chefe de Estado é propriedade de família, a de criar badalação fútil à volta de suas altezas reais e imperiais, a de criar camarilha de apaniguados, a de iludir as pessoas com a propaganda da prosperidade de países europeus que prosperaram graças às políticas que adotaram apesar das suas seculares monarquias ? A de ter Orleans e Bragança membros da Opus Dei (suas altezas reais e imperiais dom Luiz e dom Bertrand) ?

E que tolice jurídica , a de considerar constituição revogada, de 1824, como válida. Não há inépcia pior. Se é este o “argumento” dos monarquistas em favor da “linha de sucessão” da “família real” Orleans e Bragança, mais me convenço de que eles são muito, muito despreparados e que, definitivamente, carentes de qualquer justificativa plausível em favor do seu deles “direito” ao “trono”.

E que outra tolice, a de se tratar os descendentes do ex-imperador de “sua alteza real” e “dom”. Coisa frívola de vaidosos e badalação boba de revista social fútil.

Eram príncipes os filhos e netos do imperador: os atuais descendentes do ex-Pedro II são-lhe trinetos, tetranetos, pentanetos. Logo, nenhum deles é “dom”, nem “príncipe”, nem “alteza real”. Chega de palhaçada.

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História breve das codificações jurídicas. Dilema em Braga.

“História breve das codificações jurídicas”: como surgiram os códigos modernos. A polêmica entre Thibaut e Savigny. Teixeira de Freitas e a sua Consolidação.

“Dilema em Braga”: narrativa auto-biográfica de peripécias porque passei em Braga, Portugal. Testemunho de vida.

História das codificações.Dilema em Braga.

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“Theus”, romance homoafetivo.

 

 

                                          “Theus”[1].

Arthur Virmond de Lacerda Neto

Fevereiro de 2017.

Intitula-se “Theus” o romance de Fabrício Viana, ficção relacionada com vivências e experiências  do seu herói, prenominado Prometheus  (o que originou, por aférese, o título do livro e o alcunho do personagem), que passa por inúmeras situações peculiares ao meio homoafetivo brasileiro contemporâneo.

Trata-se de narrativa realista, com descrição de aspectos da vida de incontáveis indivíduos no Brasil, jovens (porém não somente eles), dos quais muitos filhos de famílias evangélicas ou de pais refratários à sua condição homoafetiva.

“Theus” vale como testemunho de parte dos costumes nossos coevos, volátil na medida em que, dada a transmutação incessante do etos e do patos de toda população, os comportamentos cambiam e, com eles varia o tipo de experiências e de vicissitudes porque passam as pessoas e os jovens de que Theus representa exemplar. Malgrado a sua relativa circunscrição ao nosso presente (termos em que “Theus”, em parte, é livro “datado”) é meritório pela sua fidelidade como retrato de época.

O entrecho detém-se em várias particularidades típicas do público homoafetivo, com que Fabrício Viana havém-se com serenidade, até com instinto edificante e, ocasionalmente, à guisa de (bom) conselheiro, por meio dos personagens. Toca em pontos como a intolerância dos pais evangélicos; o pai evangélico que elicia o seu filho de casa, ao sabê-lo homossexual (drama tão freqüente, máxime em anos anteriores, e causa, direta ou indireta, do número avultado de suicídios na juventude homossexual vítima da prepotência paterna); a estigmatização do sexo pelos setores mais extremistas do cristianismo; os casamentos de aparência, os relacionamentos abertos, o poliamor, o consumo de drogas em baladas, o malogro da famigerada “cura-gay”, os centros religiosos de “cura-gay”, a homofobia internada, a transfobia, a hipocrisia de religiosos moralistas; a vida dupla de muitos homossexuais, em condições de homofobia ambiente; o contágio pelo vírus IVH. Vai tudo tratado sem tabu, com verdade e bom senso.

Em cada aspecto, quer a palavra do narrador, quer os diálogos, expõem fatos ou formulam reflexões que descortinam aspectos da vida potencialmente menos conhecidos do público estranho ao meio homoafetivo e com que, em contrapartida, o público homoafetivo tende a se achar familiarizado. Para aqueles, “Theus” provavelmente é revelador; para estes, exprime sentimentos, experiências e avaliações partilhadas (em diferentes medidas) entre leitor e personagens.  Daí as impressões por vezes intensas que ele é suscetível de infundir em quem atravessou situações similares às do herói, conhece-as em terceiros ou acompanha a narrativa com empatia pelo protagonista, nas situações que este vive, similares ou iguais às de muitas pessoas.

Escusa de o leitor integrar o grupo homoafetivo para experimentar empatia ou simpatia: independentemente da condição afetiva do leitor, todas as pessoas somos igualmente humanas e é graças à condição humana do protagonista que o livro transcende o público exclusivamente homo, notadamente nos tempos atuais, em que minguam preconceitos e as pessoas abrem-se para a diversidade, ao menos dentre a gente esclarecida, já preponderante na classe média e nas gerações jovens.

A imaginação do autor atuou engenhosamente na aparente monomania da personagem Gabriel, que criptografava numericamente o seu diário, cujo conteúdo se revela (em parte) nos lances finais da história, tragicamente encerrada com a sua morte. Final feliz ou, ao menos, destituído do seu passamento, permitiria ao leitor findar a leitura com impressão amável ao invés de amarga.

A sobrevivência de Gabriel e, conceptivelmente, a sua união (amorosa e ou conjugal) com o protagonista exprimiria a forma de realização de incontáveis casais que se felicitam na companhia, no amor e na amizade amorosa. Vivesse Gabriel e o autor teria podido acrescentar desenvolvimentos e reflexões, sem que o “final feliz” constituísse vulgaridade literária.

O realismo do livro manifesta-se também por meio da loqüela dos personagens, que  se comunicam em coloquial: os diálogos testemunham o estado da língua tal como é vulgarmente falada no presente: documento lingüístico por um lado e, a contrapelo, texto parcialmente desatualizável a curto ou médio prazo, na medida em que a redação adotada pelo autor nos diálogos e pelo comum das pessoas nas suas dicções, no Brasil, altera-se com alguma rapidez. Em alguns anos ele terá deixado de reproduzir, como o faz agora, os falares de muitos leitores que, possivelmente, identificam-se com ele também graças à coincidência entre o que leram e como falam. Eis porque maior adesão do narrador (não necessariamente dos personagens) ao clássico em vernáculo tenderia a assegurar perenidade ao texto e acrescentar-lhe graça e elegância.

O capítulo quarto narra libidinagens executadas à socapa e descritas com crueza nas expressões dispensavelmente chulas com que dialogam os personagens. Todo o contexto da cena poderia ser outro, expungido de algum excesso chocante em atitudes e verbalidade. Ainda que ela seja verossímil e realista, a verossimilhança e o realismo não constituem necessariamente virtudes nem se alinham, necessariamente, com o bom gosto: é o caso. Reputo-a a única parte do livro merecedora de revisão.

Romances outros centram-se na temática homossexual: incidentalmente, o clássico Satiricon, de Petrônio, do século I (com recomendável tradução brasileira de Marcos Santarrita); diretamente, o brasileiro O Ateneu (brilhantemente executado por Raul Pompéia) e, ainda mais abertamente, O bom crioulo (de Adolfo Caminha). Theus alinha-se com eles quanto ao assunto e inova em relação a eles pela sua atualidade.

É previsível a animadversão com que o recusem os grupos religiosos, máxime os militantes da malfadada “reorientação” sexual e os adeptos intransigentes da “família tradicional”. Ambos constituem a parcela mais arcaica e primária da sociedade brasileira.  É compreensível o interesse com que o lê o pessoal homoafetivo, que nele (em alguma medida) se reencontra; é instrutivo que o leia quem deseje conhecer parte do ambiente que é o do Brasil coevo ou apenas acompanhar a ficção brasileira hodierna, nos seus livros marcantes.

Theus ocupa lugar interessante na ficção voltada ao público principal porém não exclusivamente homoafetivo, sentido em que se me afigura (a) oportuno em tempos em que a homoafetividade afirma-se com liberdade crescente; (b) útil, pelo teor construtivo de várias das suas observações; (c) bem-vindo, porquanto sem tabus reflete acerca de temas que, de perto ou de longe, entendem com a vida e com os costumes de milhares de brasileiros. Na fidedignidade com que o faz reconheço-lhe quarta virtude, que o torna (já agora, quinta qualidade) exitoso romance de costumes.

[1] Editora Bons Livros, São Paulo, 2016, quarta edição,162 páginas.

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Amostra dos homossexuais e da respectiva obra. Família “tradicional”. Cinco anedotas.

AMOSTRA DOS HOMOSSEXUAIS E DA RESPECTIVA OBRA.

Arthur Virmond de Lacerda Neto.

27.2.2017.
A poesia de Olavo Bilac, de Frederico Garcia Lorca, a de Antonio Botto,
a prosa de João do Rio,
o avião de Santos Dumont,
a viagem de Iuri Gagarin,
o computador de Alan Touring,
as navegações de Vasco da Gama e de Fernão de Magalhães,
a literatura de Tolstói, de Walth Withman, de Roger Peyrefitte, de Oscar Wilde,
a filosofia de Sócrates e a de Miguel Foucault,
as esculturas de Miguel Angelo e as de Benvindo Cellini,
a obra de Leonardo da Vinci,
os livros de Erasmo de Roterdão,
a música de Cazuza, de Rick Martin, de Renato Russo, de Fred Mercury, Adriana Calcanhoto, Daniela Mercury, Elton John, Tchaikowsky, Ney Matogrosso,
as pinturas de Salvador Dali, de Donatello, de Botticelli,
o esporte de Martina Navratilova,
os exemplos bíblicos de Jônatas e de Davi, e o de Rute e de Noemi,
os filmes de Rock Hudson,
as políticas de Abraão Lincon e do imperador Adriano,
os feitos de Ricardo Coração de Leão,
a poesia de Shakespeare,
a doutrina de santo Agostinho,
o bailado de Rodolfo Nureiev,

os filme de Anthony Perkins e de Tab Hunter,
a doutrina de Jesus Cristo, segundo se dizia com relativa abertura na Idade Média (surpreendeu-se ?).

(Adriano, imperador, apaixonou-se por um rapaz grego, Antínoo, que morreu em 121. Adriano pranteou-lhe copiosamente a morte, diante da corte embasbacada. A seguir, o senado romano emitiu senado-consulto de divinização: Antínoo foi proclamado deus, com templos e ritos).

E mais
Alexandre, o Grande,
o infante dom Henrique, o Navegador,
Maria Antonieta,
Eduardo VII,
Catarina da Rússia,
João Maynard Keynes,
Aquiles e Pátroclo,
Harmódio e Aristogitão,
Hércules e Iolaus (fictícios),

Zeus, o deus máximo, que seduziu o jovem Ganimedes,

Apolo e Zéfiro, deuses, apaixonados por Jacinto,
Júlio César,

Pedro I do Brasil (bissexual),
o infante d. Miguel (filho de d. João VI),
D. João V,
Afonso de Albuquerque,
D. Sebastião,
Luis XIII,
Maximiano do México,
o dobrador (“dublador”) de filmes brasileiro André Pereira dos Santos Filho,

e mais um ex-ministro de Estado (só um ?), um ex-governador do PR, um prefeito de capital do sul do Brasil, um papa emérito.

Em tempo: também Alexandre Frota e o pastor-deputado Marco Feliciano (por declaração do primeiro, a que assisti) e, segundo se boqueja, outro pastor homofóbico-furioso muito conhecido como cabeça de milhões de pessoas que convence de homofobia e da “família tradicional”.

Vinte por cento dos homens do mundo são homossexuais; quarenta, são bissexuais, em diversos graus, inclusivamente muita gente que postura de hetero. Quanto mais postura de hetero, mais enrustido: o sujeito ostenta a sua “macheza”, diz piadas homofóbicas, deprecia os “viados”, como forma de aparentar a sua pseudo-condição de hetero, para os outros não desconfiarem dele (a mim não me enganam), atitude típica da geração supra-40 (o que inclui a minha e as mais velhas do que a minha).

Felizmente, os tempos são outros. Tempos de liberdade e crescente aceitação da naturalidade humana. A geração sub-30 de classe média esclarecida é indiferente à sexualidade alheia e receptiva à homo e à bissexualidade: cada um cuida da sua vida e ninguém é desdenhado por conta disto.

São retardatários os de certa geração e a maioria dos evangélicos (maioria não são todos).

Quanto mais homofóbico, mais imbecil. Ou acaso deveria qualificar o homofóbico de lúcido, esclarecido, respeitoso ? Cuide ele do seu cu, ao invés de fiscalizar o alheio. Aliás, sou “a favor da vida”: cuido da minha e não me imiscuo na alheia.

É-me indiferente a condição sexual de seja quem for. As pessoas esclarecidas, secularizadas ou, ainda que religiosas, destituídas do preconceito homofóbico não julgam positiva nem negativamente a outrem pela sua preferência sexual, porém pelos seus caráter, comportamento, proficiência profissional, retidão pessoal,  valores e princípios porque se rege.

Contudo, porção numericamente significativa da população brasileira deprecia os homossexuais, os bissexuais e os trans-sexuais: para a maioria dos evangélicos, qualquer sexualidade diversa da heteronormatividade é pecaminosa e censurável e por mais que o evangélico se sinta justificado em acatar a vontade do seu deus, a sujeição à suposta volição divina é manifestação de crendice, de superstição, de ignorância e de tolice, em graus variados.

Sim, o evangélico é livre de ajuizar a “prática homossexual” e sou livre de ajuizar a “prática religiosa” do evangélico.

Obviamente, há evangélicos homossexuais e homossexuais evangélicos, dos quais a maioria atormentada pelo conflito entre a sua natureza e a sua fé; vários (ou muitos ? A maioria ?) oculta a sua condição, vive com infelicidade, posa de heterossexual e acaba por internar a homofobia e odiar em outros homossexuais o que a sua religião ensina-lhe a odiar em todos, inclusivamente em si próprio.

Alguns evangélicos desvencilham-se ou do seu preconceito ou da sua fé, porventura à custa de discriminação dos seus antigos correligionários. Nos dois casos, se homossexuais, passam a usufruir de conforto psicológico que a religião lhes negava e estabelecem relações humanas mais felizes.

As informações acima voltam-se a este tipo de gente, portadora deste etos e destina-se a mostrar-lhes, com breve mostruário, que inúmeros homossexuais e lésbicas contribuiram utilmente para as respectivas sociedades e até para a humanidade, que a sua contribuição é inegável e que as pessoas não podem ser depreciadas exclusivamente em razão da sua condição (condição; não opção) sexual.

Sirva a nominália como achega para contrariar-se o preconceito e para evidenciar-se o papel valioso de inúmeros homossexuais no melhoramento da condição de vida de todos, inclusivamente dos que os vilipendiam por palavras e sentimentos.

Escusa adir que, segundo penso, julgar alguém pela sua condição sexual é tosco e primário. Tal tipo de gente não constitui o público para que escrevo, senão o que também (virtualmente) lê o que escrevo: redigi estas notas na expectativa de que pessoas que tais leiam-nas. Esperança-me que de posse destas informações e ponderações, reconsiderem a forma como avaliam certas pessoas, o que inclui, possivelmente, os próprios leitores. Para parafrasear lugar-comum, almejo com isto deixar não somente o mundo melhor para as pessoas, como também pessoas melhores para o mundo.

FAMÍLIA “TRADICIONAL”.

Os adeptos exclusivos da família tradicional  são intolerantes, porque a reputam a única aceitável, quando para muitas pessoas ela não é o modo que as torna feliz nem realizadas. Ela é (?) satisfatória para muitas pessoas e desastrosa para outras. Os adeptos dela, exclusivamente, são intolerantes porque recusam que os homo possam ser realizados e felizes ao modo deles e não no modo que os a ela adesos querem que seja o único para todos.

Nenhuma criança será influenciada para, sendo macho, virar fêmea ou vice-versa. Isto não existe. Se o convenceram de que existe, enganaram-no e você deixou-se enganar. O que existe, é a condição homo e a condição hetero, com que se nasce. Ninguém “vira” gay porque vê dois homens ou duas mulheres em beijos ou o desenho animado ou quadrinhos com personagens homo. A criança já é gay. E se for hetero, pode assistir à vontade, que não “virará” gay. As crianças são influenciáveis, sim, pela ignorância que não têm naturalmente; pelo ódio pelos outros, que não têm naturalmente;  pela religião que não têm naturalmente. Sem a influência dos adultos preconceituosos, odientos, intolerantes, ignorantes, as crianças não seriam iguais a estes adultos que lhes dão maus exemplos. Se as crianças fossem criadas com indiferença pela condição homo ou hetero, ou seja, sem discriminar os homo e sem enaltecer a condição hetero como a única válida, haveria bem mais saúde psicológica em milhares de pessoas frustradas, infelizes, tristes, raivosas, por culpa de adultos que lhes ensinaram que ser homo é errado.

 

 

                                              Cinco anedotas.

(Verídicas).

Arthur Virmond de Lacerda Neto.

25.III.2017.

Enrustido.

Um rapaz cessou relações comigo, bloqueou-me, recusou-me desculpas por comentário inoportuno que lhe disse porém sempre, invariavelmente, fita-me com atenção, com muita atenção.
Recusa-me, porém me quer, presumo. Talvez me recuse porque me quer: o que recusa, é aceitar que quer.

Declarou-se-me hetero e reagiu-me como descrevi: tem, presumo, sexualidade insegura. Tivesse-a segura e realmente hetero, e não recusaria em mim o que (presumivelmente) rejeita em si.

Ele pertence à classe média-média, é ateu e estudante da UFPr. Em 2017, posturar de hetero sem o ser, privar-se de ser o que se é, já é desnecessário, no estado do etos da classe média brasileira, e inútil: ele priva-se da sua verdade e vive mentira. (Ocorreu em 2016, em Curitiba).

Hipócrita.

Ia eu de camiseta regata (vale dizer, com o corpo em parte à mostra). Varão apropinquava-se em sentido contrário. Semi-abraçava uma mulher: se não lhe era filha nem irmã, era-lhe namorada, noiva ou mulher, três possibilidades em cinco de que lhe formava par. Deitou-me olhar, e que olhar ! A mim, não me enganou. Talvez engane a ela. (Ocorreu em 25.III.2017, em Curitiba).

Pelo aspecto, pertencia à classe média-baixa ou baixa, em que (com exceções) ainda há, arcaicamente, heteronormatividade e hipocrisia por conta dela. Em 2017, as classes média-baixa e baixa brasileiras ainda mantêm a heteronormatividade e combatem a homossexualidade. Daí a hipocrisia, notadamente dos evangélicos (com exceções), a sua obrigação de fingirem ser o que não são, a sua privação de serem o que são. Vivendo em 2017, relevante parcela do público pobre, desinstruído e religioso é arcaica e mantém etos de décadas atrás ou de dois milênios atrás.

Feliz.

Caminhava; passei por um rapaz, que em mim reparou, e vice-versa. Calcorreei mais trecho da calçada; voltei-me, mirei o rapaz: este em mim reparava. Aguardava que o sinaleiro me permitisse transpor a rua. Momentos depois, voltei-me novamente e reparei no rapaz, que em mim atentava. Ainda alguns instantes após, outra vez volvi para atentar no rapaz: este em mim reparava. Não hesitei: com mímica, despedi-lhe beijinhos; alçei o braço e acenei-lhe. Rapaz viu-me; sorriu-me e acenou-me em reciprocidade. Prossegui o meu caminho feliz, enquanto (suponho) deixei contente o outro.

Cenas análogas a esta, protagonizei-as várias, nos últimos anos.

Pelo aspecto, pertencia o rapaz à classe média-média ou média-alta brasileira, em que não há mais, em geral, heternormatividade e em que há, em geral, liberdade de costumes. Pertenço à classe média-média, professo a liberdade de costumes. Vivendo em 2017, ambos vivemos com mentalidade contemporânea: com liberdade sem medo nem homofobia. (Ocorreu em 25.III.2017, em Curitiba).

Resposta.

Em março de 2017, a Disney produziu desenho animado em que se viam dois rapazes a beijarem-se bocalmente.

Alguém disse-me que se deve  “preservar” as crianças de coisas como o desenho da Disney.

Obtemperei-lhe:
-As crianças nascem puras e despreconceituosas. Se eu tivesse filhos, preservá-los-ia de adultos preconceituosos, que lhes incutem preconceitos.

Calou-se.

Na balada.
No bar do Simão, em 2017, estavamos quatro pessoas, dentre a multidão: o loiro, o de óculos, o outro e eu.
Postei-me defronte do loiro e fitava-o sem nele atentar. O de óculos percebeu-o e postou-se diante de mim, estático; encarava-me.
Não me intimido. Imobilizei-me e encarei-o. Antes de que sobreviesse confronto, o outro interpôs-se entre nós e o gajo afastou-se.
Por cautela, distanciei-me; duas vezes, ao relancear o olhar, notei que o loiro fitava-me.
Antes, eu fitara o loiro. Em que pensava eu? Em versos, em rimas, em palavras, em gregos e romanos.
Agora, ele me fitava a mim. Em que pensava ? Certamente, em mim.
O de óculos, se sentiu ciúmes, tivesse-os do loiro, que se interessou por mim. Eu interessava-me por poesia (embora ele fosse bonitinho).

MORALIDADE: o pior cego é o que não quer ver.

 

 

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Calças coloridas.

Poema sobre calças coloridas, e vermelhas; autenticidade humana, vida escolar e outros temas. Divertido e meditativo: calcas-coloridas

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