“Mentes perigosas”.

Minha análise do livro “Mentes perigosas”, de Ana Beatriz Barbosa Silva: Mentes perigosas.

Anúncios
Publicado em Livros., Não categorizado | Deixe um comentário

Como vejo Olavo de Carvalho.

Como vejo Olavo de Carvalho.

Se o título fosse “Olavo, chefe-de-fila dos neo-imbecis” ou “Olavo, profeta do bolsonarismo”, teria, talvez, muitos leitores. Posto que usei título sereno, quase ninguém liga ao artigo.

Em PDF: Olavo de Carvalho

 

Publicado em Olavette. Olavinho., Olavo de Carvalho. | 1 Comentário

Escola sem Homofobia (“kit-gay”).

Aceda ao texto do projeto Escola sem Homofobia e aos 4 filmes que o integram. É o que se tornou pejorativamente apelidado de kit-gay.

É relevante conhecer-se, diretamente na fonte, o conteúdo da Escola sem Homofobia, tanto em razão do seu próprio conteúdo (utilmente esclarecedor), quanto para se desfazer a confusão (intencionalmente ?) introduzida, com pânico moral, por grupos conservadores e retrógrados, evangélicos e homofóbicos.

Aceda ao texto e aos filmes:  Escola sem Homofobia.

Publicado em "Kit-gay"., Homossexualidade

Genealogias.

Alocução que proferi no lançamento de Árvore genealógica da família Tesserolli, em 20.X.2018, em Curitiba.        

Em história, há gêneros literários:

há anais: narração dos fatos, ano após ano, em que o critério da sua distribuição é a seqüência dos anos em que ocorreram, como por exemplo, anais do Brasil no século 16, em que se narra o que ocorreu em 1500, 1501, 1502 e assim sucessivamente;

há crônicas, narração dos fatos uns após os outros, em que o critério da sua distribuição é o assunto e a sucessão em que ocorreram. Fala-se, assim, na crônica do Brasil no século 16, em que se contam os acontecimentos nele ocorridos de 1500 a 1600;

há macro-história, que compreende a narração dos fatos relativos às coletividades, como guerras, a vida política, artística, diplomática, econômica. Falamos, neste sentido, em história grega, história romana, feudalismo, grandes navegações;

há micro-história, que compreende o estudo de temas, por assim dizer, minúsculos, específicos, como a história de uma aldeia ou de uma escola.

As genealogias ocupam-se da história das famílias, nas suas origens, nome e pessoas. Amiúde, limitam-se à seriação de gerações, em que se identificam pais, avós, bisavós; filhos, netos, bisnetos. Em outros casos, narram fatos e biografam pessoas, sentido em que compreendem micro-história, circunscrita à seqüência de gerações, porém já história de pessoas.

Freqüentemente, a memória dos avoengos perde-se após duas ou três gerações: os netos pouco sabem dos seus avós; em geral, as pessoas nada sabem dos seus bisavós – sequer os nomes lhes conhecem.

As árvores genealógicas permitem contrariar a tendência ao esquecimento e conservar a memória dos antepassados. Elas contêm tradição no sentido próprio desta palavra: tradição é o que se transmite: elas transmitem informações relativas às origens das pessoas e permitem que os diversos descendentes dos mesmos avós reconheçam-se como primos entre si.

Neste sentido, elas evocam a família tradicional romana: em Roma, enquanto perdurasse a memória de que dadas pessoas descendiam do mesmo ancestral, eram família, por mais que lhes passasse o tempo e se sucedessem as gerações, o que poderia abarcar dezenas e centenas de pessoas.

A família tradicional romana era muito mais família do que a família tradicional atual, pois nela se perpetuava a memória dos avós, o que nem sempre ocorre nas famílias atuais, e incluía parentes propínquos e longínquos, próximos e distantes, ou seja, formava clãs, ao passo que a família tradicional atual não os forma: limita-se ao pai, à mãe, aos filhos, e a pouco mais.

Cada pessoa tem 2 pais, 4 avós, 8 bisavós, 16 trisavós e assim sucessivamente. A cada geração, dobra o número de antepassados. Na vigésima nona geração, cada pessoa tem 512 milhões de antepassados. A contar de 2018, a vigésima nona geração situa-se aproximadamente em 1300.

De certo ponto para trás, a quantidade de antepassados excede a população dos diversos pontos da Terra e a própria população da Terra. Na trigésima geração, de aproximadamente 1275, cada pessoa tem um bilhão de antepassados. É óbvio que não havia um bilhão de pessoas, neste planeta, em 1275. Com isto, toda pessoa descende dezenas, centenas de vezes dos mesmos ancestrais.

Algumas pessoas ufanam-se da sua genealogia, se nela há antepassados ilustres, como condes, marqueses, pintores, generais, políticos; outros são-lhes indiferentes, se os seus avós foram obscuros: alguém descende de avó sapateiro e de bisavô comerciante, e não liga à sua genealogia.

São sentimentos compreensíveis. Porém, ninguém é melhor nem pior por provir de homens ilustres; ninguém é melhor nem pior por descender de gente obscura. Cada um é melhor ou pior pelos seus valores e comportamentos. Nisto, eram sábios os chineses: entre eles, não é o antepassado que nobilita o descendente; é o descendente que honra o seu ancestral, pelas suas qualidades pessoais: afinal, um é produto do outro.

Publicado em Discurso., Genealogias. | Deixe um comentário

Gesto de gentileza.

                                                             Gesto de gentileza.

Durante a aula de História do Direito de hoje [5.X.2018], na turma da noite, batem-me à porta. Abro-a: deparam-se-me três alunas que me ofereceram, gentilmente, flor, por desagravo às torpezas que, no Facebook, pessoa externa à Uninter (onde leciono) me dirigiu, por dissidência política.

Meus agradecimentos às três gentis alunas que me mimosearam, em sinal de solidariedade.

Muito grato, pela solidariedade na minha condição de cidadão e de eleitor.

Como cidadão, valorizo a cordialidade na convivência; vejo os adversários políticos como cidadãos que, no exercício da mesma liberdade de que desfruto eu, postulam pelos seus ideais, no que julgam ser o melhor para o nosso país; não vejo nos adversários pessoas a quem vise ou a quem se deva visar com ânimo de os prejudicar, em razão das suas preferências.

Procuro colaborar com os meus compatriotas com alguma da cultura que adquiro (mais cônscio do quanto ignoro do que ufanoso do quanto sei), na forma de informações colhidas em leituras assíduas e de ponderações prudentes, que divulgo nas minhas postagens e no meu blogue, ciente do valor secundário da minha produção.

Como cidadão, estou e estarei alinhado com a liberdade e com as liberdades; com o espírito público e com o sentido republicano; com o respeito para com as pessoas; com a bondade em suas diversas expressões e com a noção de Humanidade, coletividade que construímos e que nos constrói.

Pratico a moderação de tom e de linguajar, com que afirmo as minhas convicções, idéias e ideais, certo da minha falibilidade e aberto ao diálogo.

Como eleitor, recuso candidato que julgo encarnar a negação dos meus valores humanistas de concórdia, de respeito, de solidariedade, de paz social, de laicidade, de liberdade. Ainda que as suas intenções administrativas porventura sejam aceitáveis, em algum aspecto, preocupam-me, essencialmente, os seus valores e a sua cosmovisão, bem como a sua relação com o seu semelhante, com certos dos seus semelhantes, com os meus semelhantes. Julgo que redundará em prejuízo para a qualidade do etos de parte da população brasileira a consagração do candidato em causa: pelo seu discurso e pelo seu exemplo, pela sua política e pelos seus aliados, minguarão valores graças aos quais as sociedades ocidentais, o que inclui a nossa, elevaram-se, pela educação paulatina das suas populações, à civilidade. Temo por algum grau de involução nas mentalidades, nos costumes, nas instituições.

Não me permitiria desfechar ataques pessoais reles, até sórdidos, em calão, e injustos, como os de que fui objeto.

Como pessoa, como cidadão, como escritor, como docente, anima-me a inspiração de dar bons exemplos e de fazer o certo, o que, no caso, compreende dizer das minhas preferências e das respectivas razões e manter, no meu âmbito de convivência, esta mesma liberdade em relação aos demais, independentemente de coincidência ou discrepância de vistas, em qualquer domínio do entendimento humano. Norteiam-me a moderação de linguagem e a serenidade.

Nem todos comungam do que julgo ser o mínimo ético de pessoa civilizada, e o praticam.

Bato-me por que na vida social, nas contendas políticas, nas relações humanas, em geral, não haja pessoas como a que me destratou. O lugar dela não é no meu âmbito humano e não desejo a presença de pessoas assim no âmbito da vida de ninguém. Ao contrário: a minha opção de voto, neste momento, resulta em ponderável medida, exatamente disto.

Bem haja ao gesto, que me comoveu, das três alunas: acarinharam o professor, confortaram o cidadão, animaram o eleitor; revelaram, elas, um pouco de si: do seu sentido humano e da sua beleza interior.

Bem haja, também, aos colegas, conhecidos, amigos do Facebook, alunos, que se solidarizaram comigo, após a postagem que mantenho.

Publicado em Bolsonaro., Vida de professor. | Deixe um comentário

A “defesa” da família.

A “DEFESA” DA FAMÍLIA.
Sempre me deu o que pensar a insistência, multi-secular, da igreja cristã, na família, não somente no discurso (atual) da sua “defesa”, como na sua organização ao modo teológico (entenda-se: cristão, vale dizer, bíblico. Atenção que a Bíblia contém várias modalidades de casamento, de que a dogmática elegeu um dentre vários. Por exemplo: casamento poligâmico; outro: o do estuprador com a sua vítima.).

No século 16, ao Lutero proclamar o protestantismo, introduziu o divórcio, que inda hoje a igreja católica rejeita (por extensão, recusa a comunhão aos divorciados.).

Em 1977, ao se aprovar o divórcio no Brasil, houve alarido dos “conservadores”, entenda-se, dos católicos, cujo pânico moral consistia no perigo de fim da sociedade brasileira, incentivo à leviandade, desordem social. Nada disto se passou: as pessoas continuam a casar-se e, algumas, a divorciar-se.

Presentemente, há pânico moral fomentada pelos religiosos, à volta do casamento homossexual e, recentemente, do que eles apelidaram de ideologia de gênero. Sincera ou hipocritamente, aspiram a manter o modelo “tradicional” de família (cis-hetero-normativa-monogâmica-procriadora), como se o casamento homossexual representasse-lhe perigo. Não representa: tal é a experiência deste e de outros países, apesar da qual os religiosos insistem na exaltação do modelo tradicional-cristão de casamento.

A família importa, como lugar de aconchego, proteção, empatia, simpatia, colaboração, educação. Nenhum divorcista, nenhum pró-casamento homossexual, nenhum adepto da teoria “esquisita” colima desmanchar as famílias nem aboli-las, na legislação ou nos costumes. Bem entendido que há famílias e famílias: há-as autoritárias e libertárias, harmoniosas e conflituosas, coesas e as que não o são; patriarcais e feministas. Em suma: há matizes na forma de os seus integrantes relacionarem-se, desde as que constituem motivos de felicidade até as em que a felicidade encontra-se em livrar-se delas.

Provavelmente, minoria dos cabeças religiosos realmente crê na sua pregação; a maioria dela usa o discurso do pânico para as igrejas terem algum discurso, para poderem sustentar uma causa, que diz emocionalmente ao seu público, mormente composto pela gente sub-instruída, até ignara e, de conseqüência, sugestionável.

Por que as igrejas promovem a família tradicional e combatem o casamento homossexual ? Porque lhes interessa incutir medo nas suas hostes e posturarem de defensores dos seus fiéis diante de ameça: cria-se o perigo, de que se oferece a defesa. Observassem a realidade dos países ocidentais, em que o casamento homo existe há anos e tranqüilizar-se-iam; porém é exatamente isto que lhes desinteressa e que evitam: observar as realidades.

Recentemente, o motivo de pânico moral passou a incidir na teoria “esquisita” (vulgo teoria “queer”), consoante a qual o papel de gênero é constructo social. É-o, pelo menos em proporção perceptível: é a lição da história e da sociologia. Tomai tento, novamente: é a lição da observação humana que assim nos esclarece. Ora, desinteressa às igrejas a observação sociológica, ao menos às mais toscas: interessa-lhes proclamar as verdades bíblicas e promover o medo de que as meninas tornem-se em meninos e vice-versa.

Divórcio nos anos de 1970; casamento homossexual até recentemente (e inda agora); “ideologia” de gênero, presentemente: são discursos com que a maioria das igrejas proclama perigos e ameaças, incute o medo, anunciam-se como as defensoras da família “tradicional”, da moral e dos bons costumes.

Parte da pregação é, creio, sincera; parte maior, creio mais, é estratagema de mobilização do seu público: é forma de ter o que lhe dizer, de ter discursos relevantes que lhe comunicar, de lhe oferecer proteção perante as “ameaças” da modernidade. Eis também porque o discurso religioso do Brasil contemporâneo, nestes capítulos, é alarmista, artificial e tolo, para mais de arcaizante. A mim, não me engana.

Pregassem as igrejas altruísmo, empatia, solidariedade; invocassem o sermão da montanha, em vez de se arrogarem a condição de juízes da liberdade e da intimidade alheia, dos costumes alheios. Incutam os valores da harmonia familiar, para a compreensão entre esposos, para a paternidade responsável; colaborem para a erradicação dos desvalores do machismo, da homofobia, do sexismo: tais pregações merecem-me aplauso, malgrado a sua matriz bíblica e teológica que recuso e sempre recusei. No entanto, malgrado a fundamentação sobrenatural deste tipo de pregação, ele contém utilidade humana e é por isto (por isto apenas) que o reputo meritório.

As igrejas podem influenciar para o bem e para o mal, como formadoras de etos, que sempre foram. Ninguém nem povo nenhum necessita de igrejas arcaizantes e exploradoras, financeiramente, da credulidade da massa desinstruída, como é o caso da maioria das que vicejam no Brasil e que compõem a retrógrada bancada evangélica.

(São ponderações sujeitas a incremento com dados de pormenor, que reservo para ocasião posterior.).

 

Publicado em Família "tradicional", Família fundamentalista., Igrejas evangélicas., Pânico moral., Teoria "queer". | Deixe um comentário

Ascenção do poder religioso no Brasil.

ASCENÇÃO DO PODER RELIGIOSO NO BRASIL.
Muitos votarão em Bolsonaro por anti-petismo. Não basta ser “anti”; juntamente com Bolsonaro, virá a sua mentalidade típica e os seus apoiantes religiosos. Estes, particularmente, estarão ainda mais dentro do Poder do que até ao presente: no legislativo, já são relevantes; acederão ao Executivo, a ministérios.

Serve de amostra a administração obscurantista do pastor-prefeito do Rio de Janeiro, Crivella.

Auguro que, a médio prazo, o grande mal por combater, tão mal quanto o petismo o é para quem o combate, tão mal quanto o “fascismo” para quem o combate, venha a ser a influência religiosa na legislação, nos costumes, nas instituições: o seu obscurantismo, o seu arcaísmo, a sua intolerância. Ela sempre esteve conotada com regimes chamados conservadores, enaltecedores das “tradições”, da “moral e dos bons costumes” e, atualmente, da “família tradicional”.

Outros países, anteriormente laicos e de liberdade, retrogradaram para sociedades e Estados altamente confessionais, como alguns países muçulmanos. Nos últimos 700 anos, o ocidente se vem laicizando: a pouco e pouco, a religião deixou o espaço público e deixou de ser determinante. A Europa é, já, ex-cristã ou pós-cristã. O Brasil vai sendo proto-evangélico; a prosseguir neste andar, logo será “jesuscrático”, no neologismo da propaganda teológica.

Motes como “deus no comando” ou “deus acima de tudo” servem para justificar tudo quanto se queira. Vide as fogueiras da Idade Média.

Os evangélicos na política e no Estado serão piores do que tudo.

Bolsonaro, apoiado pelas igrejas evangélicas implicará, provavelmente, na Escola sem Partido, em (mais) ensino religioso, no Estatuto da Família; possivelmente, na censura às artes, em legislação punidora de comportamentos heterodoxos em relação aos padrões religiosos e sabe-se lá no que mais: mais retrocesso de costumes.

Oxalá que eu esteja errado.

Publicado em Laicidade., Religião. | Deixe um comentário