Bolsonaro e os valores humanistas.

AS MANIFESTAÇÕES “ELE NÃO”. POSITIVISTAS.

Em 29.9.2018, em 62 cidades brasileiras e em várias do exterior, milhares de mulheres e de homens, manifestarem-se, nas ruas, em oposição à candidatura de Jair Bolsonaro, à presidência da república. A elas associei-me, em Curitiba; foi-lhes mote “Ele não”.

Foi importante as mulheres e os homens – em suma, as pessoas, manifestarem-se e afirmarem o que pretendem e o que não pretendem, e quem não pretendem, como seu governante.

Foi expressão do grau de consciência política das pessoas; mais em relação a valores e comportamentos do que em relação à política: o etos de parte dos brasileiros afirmou-se em oposição à faceta desumana do candidato repudiado e, por extensão, do etos de que muitos comungam na sociedade brasileira.Criou-se consciência coletiva ou ela já existia, sem se comunciar coletivamente, o que ontem se verificou. Vejo na parcela manifestante a adesão a valores que reputo positivos; vejo no discurso “com deus acima de tudo e pela família”, a manutenção de mentalidade teológica e do patriarcado, com os seus pressupostos e corolários: a) a identificação entre moralidade, valores, princípios de comportamento à teologia cristã, ao transcendente; b) a aceitação do sobrenatural como fonte de prescrições, proibições e de valorações; c) a desigualdade entre homem e mulher, com a subalternização desta; d) de conseqüência, o machismo típico de certo enfoque cristão; e) o fortalecimento das igrejas evangélicas; f) a hostilidade à homossexualidade e, portanto, homofobia.

Na homenagem de Bolsonaro ao coronel Ustra e na sua declaração de que o erro do regime militar foi apenas haver torturado, em vez de matar, enxergo: g) a valorização da violência do Estado na forma de tortura; h) o apoio ao assassínio em nome dos valores do homicida; i) a negação mais bárbara da convivência democrática de antagonistas políticos.

Opor-se à corrupção que se entranhou nos últimos vários anos, na vida política, é correto e bem-vindo, porém não justifica, de forma nenhuma, os males de que o discurso de B. é vetor.

Há que haver educação cívica, formação de valores: a) honestidade; b) espírito público; c) respeito para com mulheres e homossexuais e não só; d) recusa do sexismo, do machismo, da homofobia, da misoginia; e) secularização do etos e do patos (mentalidades e comportamentos). Tudo isto é-me óbvio; preocupa-me que não o seja para parcela significativa dos brasileiros ou, ao menos, não ao ponto de lhes determinar o sentido de voto. Conforta-me que, para outra parcela, é importante ao ponto de ela haver afirmado, de público, o seu pensamento e o seu sentido de voto.

Quanto à honestidade em geral e na vida pública, e ao espírito público, houve-os em prolongados períodos da vida nacional, notadamente no segundo império e nas primeiras décadas da república.

Os positivistas, discípulos de Comte, de presença marcante nos fins do império e nas primeiras décadas da república, sobremaneira encareciam-nas, como também as liberdades políticas e civis, de pensamento, de expressão, de manifestação, de participação cívica. Muitos deles eram militares, do exército e da marinha (a exemplo de Benjamin Constant, Tasso Fragoso, Peri Bevilacqua, Henrique de Melo Batista, Américo de Viveiros, Luis Hildebrando Horta Barbosa, Rondon, Alfredo de Morais Filho, Henrique Batista da Silva Oliveira, Ruyter Demaria Boiteux), porém militares não-militaristas (ao contrário: pacifistas) e libertários. Creio que jamais sufragariam o militar Bolsonaro, assim como eu, positivista, lhe repudio os valores e os repudio por ser positivista.

Bolsonaro se acha nos antípodas dos valores humanistas que é importante afirmar e propagar; até é urgente fazê-lo, no meio brasileiro, em que a sua pregação nega-os e, com a sua negação, deseduca incontáveis dos seus compatriotas.

Precisamos de mais Voltaire, contra a mentalidade teológica;
de mais Augusto Comte, Bertrando Russell e Frederico Nietzsche, pelo espírito positivo;
de João Stuart Mill, pela liberdade;
de Voltaire e de João Locke, pela tolerância;
de Simone de Beauvoir, pelas mulheres;
de história greco-romana, de sociologia, de biologia, pelos homossexuais.

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“Brasileiro não tem memória” & Bolsonaro.

“Brasileiro não tem memória”, repetia-se, com freqüência, 20 ou 30 anos atrás: as pessoas esqueciam-se dos fatos da política e repetiam maus votos, em prol de maus candidatos.
Muitos brasileiros de 2018 não viveram o período do regime militar, que teve boas realizações, no domínio da infra-estrutura, no da economia (em parte), no da segurança pública.

Por outro lado, houve violência institucionalizada, conquanto em reação à violência para-militar de grupelhos terroristas de esquerda. Também houve cassações políticas, exílios, decretos autoritários, censura de livros, revistas, romances, peças teatrais, em nome dos famigerados “moral e bons costumes”. Se Bolsonaro for alçado à presidência, receio pela reposição da censura, por iniciativa da bancada evangélica, em nome “da família, da moral e dos bons costumes”; a Escola sem Partido em vigor; o Brasil como “jesuscracia”; o incremento do machismo e da homofobia.

 

Muitos brasileiros (os jovens) não viveram aquela época e desconhecem, por experiência própria, o que é viver debaixo de tirania; outros brasileiros, já ex-jovens, viveram aquela época, porém esquece-lhes o que é viver debaixo de tirania. A maioria dos coevos ao regime militar envelheceu ou já pereceu: em considerável medida (crescente) a memória converteu-se em História.
Temo que, com Bolsonaro, cedo ou tarde, isto resulte em mais um regime autoritário, agravado com a coligação de religiosos, representada pela bancada evangélica.

Repugnam-me bancada evangélica e tirania de qualquer tipo, seja de direita, seja de esquerda: quero liberdade e liberdades; respeito para com as pessoas, como princípio da política e da convivência humana; serenidade e laicidade.
Parece-me que Bolsonaro está nos antípodas disto tudo.

Honestidade, combate à corrupção, repressão da criminalidade, são coisas desejáveis, porém vem acompanhadas do lado retrógrado e obscurantista de Bolsonaro, que não se privará de transformá-lo em legislação e em políticas públicas.

Auguro que muitos dos seus entusiastas arrependam-se dele, se ele for eleito: por primeiro, haverá contentamento e entusiasmo, com medidas que se coadunam com as expectativas do seu eleitorado; a seguir, manifestar-se-á o gosto pelo poder e suceder-se-ão desmandos e abusos, que os bolsonaristas justificarão com racionalizações e pretextos. Só com o andar do tempo é que principiarão a questionar, a si próprios se, havendo votado nele, fizeram bem: concluirão negativamente e serão os neo-arrependidos. Será assim ?

Cada povo tem o governo que merece, vale dizer, que elege.

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Entrefala com Olho Vivo.

Concedi entrefala ao Olho Vivo, que a publicou em 9.9.2018: aqui.

Prêmio Olho Vivo

Conflitos Sociais

Dhiogo José Caetano

dhiogocaetano@hotmail.com

Opinando e Transformando

Arthur de Lacerda é o 55° entrevistado na série sobre cultura

Objetivo é formar um mosaico com o que cada um pensa desse universo multifacetado

Pelo Brasil  –  09/09/2018 19:2

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(Foto: Divulgação/Bruno Ribeiro)

“O espaço digital deve concorrer com a vivência, não a pode substituir”

 

Arthur Virmond de Lacerda Neto é o 55° convidado na série de entrevistas “Opinando e Transformando”. Uma oportunidade para os internautas conhecerem um pouco mais sobre os profissionais que, de alguma forma, vivem para a arte/cultura. Confira:

> Nome: Arthur Virmond de Lacerda Neto.
> Breve currículo: Nasceu em Curitiba (é curitibano, porém não curitiboca) em 1966; graduou-se em Direito; tirou mestrado em História do Direito, em Lisboa; leciona Direito há 25 anos. Publicou 15 livros, dentre eles: “Provocações”, “A república positivista. Teoria e ação no pensamento político de Augusto Comte”; w “Estudos de Direito Romano”.

> Em sua opinião, o que é cultura?

Cultura, em sentido assaz alargado, compreende tudo quanto a humanidade sabe e faz: todo o conhecimento e toda a produção (intelectual, artística, material) acumulados ao longo dos tempos pelas sucessivas gerações. Religião, arte, tecnologia, literatura, valores, objetos, os produtos humanos são-lhe produtos culturais, frutos do engenho e da capacidade de inteligir, construir, transformar, da humanidade.

Em sentido específico, cultura compreende o conhecimento elevado, o discernimento acurado, o comportamento judicioso: o homem cultivado, que se eleva por sobre o nível médio do homem comum (de “cultura” prosaica), que sabe mais, que lê e até relê autores fundamentais, que se interessa por arte, música, história, filosofia, ciência, literatura, idioma; que exerce esforço sobre si próprio no sentido do seu melhoramento; que procura conduzir-se com critério e maturidade; cuja escala de valores difere da do vulgo, em direção ao aprimorado e sofisticado, este é culto, diferentemente dos demais, incultos (que, aqui, não equivalem, não inerentemente, a ignaros).

> Você se considera difusor cultural? Qual é o seu papel neste vasto campo da transformação mental, intelectual e filosófica?

Julgo-me difusor cultural, de importância minúscula, na medida em que os meus livros obtiveram uma só edição, em tiragem reduzida, salvo “A república positivista”, que já conta com três edições. Mantenho três blogues, de que um concentra artigos da minha autoria, alguns maiores e outros exíguos, relativos a diversas matérias, escassamente lidos, embora, nos anos de 2014 a 2016, os meus textos concernentes à nudez natural tenham tido vinte miríades de leitores.

Creio que exerci algum papel na transformação do etos dos brasileiros, em prol da erradicação do pudor, como vergonha do corpo, causa em que tenho sido insistente. Os milhares de acessos que obtiveram os meus artigos a respeito (sobretudo “Nudez e vergonha do corpo”) terão contribuído para suscitar a reflexão de muitas pessoas e para substituir o desvalor do pudor pelo valor da naturalidade da nudez.

Também sou insistente na valorização do vernáculo e da sua forma culta; bem assim, empenho-me em repor a verdade acerca da colonização do Brasil. Trata-se de dois âmbitos do conhecimento em que prevalecem a ignorância, a impregnação ideológica e o preconceito. A forma culta do idioma é valiosa e merece adesão; a colonização portuguesa no Brasil foi superior às homólogas inglesa (nos E.U.A.) e holandesa (no nordeste ocupado pelos holandeses) e apresentou virtudes.

Bato-me, também, pela divulgação da obra de Augusto Comte, o Positivismo, a cujos valores e doutrina aderi na minha juventude e que professo desde então. O Positivismo acha-se presente em alguns dos meus livros e no blogue que lhe dedico especialmente. Penso que o Positivismo, como conteúdo intelectual, como orientação existencial, como filosofia da história, como influência no Brasil, é rico de sugestões e merece mais atenção e difusão.

Para além destes domínios, manifesto-me, com informações e ponderações, sobre outros, como homossexualidade, crítica literária, costumes, humanismo, no Facebook e no meu blogue, em que dispus material que se vai avolumando, com influência duvidosa: trato quer de matérias de interesse geral, quer de temas menores; digo nada sobre política. No ambiente politizado que é a ideosfera do brasileiro, atualmente, a política atrai as atenções muito mais do que temas a ela alheios. Politicamente, a minha influência é nula, nem pretendo exercer alguma; prefiro dispor às pessoas reflexões de interesse menos candente e mais duradouro do que os da política.

Não escrevo para disputar nem para agradar: escrevo o que penso e o que sinto, com independência na eleição dos temas e na forma como os analiso. Considero elementares, da parte de quem emite opiniões, as exigências da sinceridade, da boa-fé e da humildade: exprimir-se o que se pensa ou sente e nada diferente disto; falar-se com conhecimento de causa, não transmitir como certo o que seja duvidoso ou falso; estar-se disposto a retificar percepções e juízos (se considerar justificável), perante o alargamento das informações de que disponha ou em razão de argumentos, observações, ponderações alheias, se for o caso.

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A dificuldade ou facilidade de se transmitir mensagens ao público não radica no veículo da transmissão, porém no interesse do destinatário em apreender a informação ou (“a contrario”) no seu desinteresse, que o leva à indiferença por ela.

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> Como você descreve o processo de aculturação, ao longo da formação da sociedade brasileira?

O Brasil formou-se, essencialmente, com base na cultura portuguesa, a que se misturaram componentes, de valor secundário, de matriz autóctone, africana, ucraina, polaca, alemã, italiana e japonesa. A nossa matriz cultural é portuguesa, abrasileirada, ou seja, enriquecida com as experiências por que passaram os brasileiros e com as influências a que se acham expostos: nativismo lusófobo ao tempo da independência, seriedade dos homens públicos durante o período imperial e durante considerável parte da fase republicana, receptividade ao próximo (exceto em Curitiba), algum complexo de inferioridade para com o estrangeiro, padrão cultural raso da maioria dos brasileiros, presença de formas primitivas de religiosidade popular; conservadorismo de costumes, fraco espírito de amor pelas liberdades; atualmente, paixões políticas como fator de rudeza e até de segregação entre antagonistas.

> Que problemática você destaca na prática da difusão cultural?

Na prática da difusão cultural, é problemático atingir o público: obter a coincidência entre o que se escreve e o que outrem deseja ler. A transmissão de informações, artigos, opiniões, imagens, facilitou-se enormemente com os meios eletrônicos (redes sociais, blogues); correlatamente, facilitou-se enormemente o acesso à informação.

A dificuldade ou facilidade de se transmitir mensagens ao público não radica no veículo da transmissão, porém no interesse do destinatário em apreender a informação ou (“a contrario”) no seu desinteresse, que o leva à indiferença por ela.

As pessoas interessam-se, em diferentes graus, por diferentes temas, em diferentes tempos. No presente, por exemplo, a política e as atualidades atraem acentuadamente; atrai menos o que não entende com o presente político, social, econômico, e sim com temas aptos a transcenderem o efêmero e que exijam abertura de espírito para a alta cultura. Digo nada sobre política; raramente digo acerca de atualidades; digo predominantemente a propósito de temas de interesse (em tese) duradouro e que exigem abertura de espírito para a cultura que transcende o efêmero e o superficial. Possivelmente por isto, o meu público leitor é diminuto: não escrevo para a massa, embora me alegrasse que também ela se interessasse pela minha produção, em livros e nos blogues que mantenho.

> Comente o espaço digital; destaque-lhe a importância no cenário cultural.

O espaço digital, contemporaneamente, é o lugar por excelência do compartilhamento da informação; é como se a rede (de computadores) fosse onisciente. Ao menos, graças a ela, acede-se à informação com prontidão inédita em toda a história da humanidade. Há mais informação disponível, o que não equivale, não necessariamente, à melhor informação nem à relevante. Ao contrário: há notícias falsas e, dentre a abundância do que se escreve e se lança ao público, é imperioso selecionar e saber distinguir o veraz do mendaz, o importante do trivial, do raso, do desimportante.

Nada, contudo, substitui nem dispensa a contemplação presencial de belas obras de arte, a frequentação de museus, a leitura concentrada de poesia, de ficção, de bons livros que propiciem enriquecimento cultural ao leitor. Pode-se ler em tabletes os mesmos textos que se lê impressos, e observar, na tela dos monitores, as produções pictóricas, porém constituem experiências mais ricas e significativas a de observarem-se telas presencialmente e a de dispor-se do livro, como objeto dotado da materialidade ausente do texto que se lê nos tabletes. Em suma: o espaço digital deve concorrer com a vivência, não a pode substituir.

> Qual mensagem você deixa para todos os fazedores culturais?

Deixo-lhes a mensagem de que atuem com responsabilidade intelectual e simpatia humana. Responsabilidade intelectual corresponde a saber do que se fala e somente falar-se do que se sabe, em resultado de aturado estudo. Ela também implica o apreço pela verdade e o desapreço pelas paixões, que levem a julgamentos tendenciosos. Espírito desarmado, serenidade, estudo.

Simpatia humana, no sentido positivista, significa ver as pessoas, a cultura, os problemas, as soluções, com empatia e disposição mais de contribuir para melhorar do que para acusar e censurar (conquanto a censura possa ser valiosa). Espírito construtivo, ânimo de somar.

Também lhes deixo a mensagem de que, independentemente das suas preferências políticas e da sua eventual militância política, saibam separar a atividade cultural da militância política; em sentido amplo, a segunda contém-se na primeira, contudo, lhe deve ser ancilar: a cultura, como produção do conhecimento, do verdadeiro, do bom, do belo, não precisa nem deve ser dependente de causas políticas. A cultura não precisa de ser dependência da política; ao invés: deve existir por si só, como obra de melhoramento da sapiência humana e não (apenas) como atuação em prol de projetos partidários.

O saber humano transcende a política; sem negar importância à segunda, o primeiro vale mais: quem for capaz de acrescentar discernimento, conhecimento, beleza, ao patrimônio humano, que o faça com liberdade, destemor e autonomia relativamente às premências das disputas políticas. Nada disto inibe que o intelectual participe da política: que o faça na condição de militante, não na de intelectual, o que também não inibe que empregue a sua inteligência para aperfeiçoar a sua militância; ao contrário: é desejável que a política seja esclarecida, lúcida e bem intencionada. A disputa política é circunstancial, efêmera, volúvel; o conhecimento tende a ser universal, duradouro, cumulativo: quem produz cultura acha-se na segunda situação; quem produz política, acha-se na primeira e um se distingue do outro na medida em que um aspira ao poder, ao passo que o outro aspira ao saber, o que lhes faz toda a diferença e faz diferença para os respectivos receptores.

 

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Livros que recomendo.

Livros que recomendo.

            500 anos. Uma nova dialética, de Raimundo Lisboa, retifica lugares-comuns relacionados com a suposta desvantagem da colonização portuguesa no Brasil.

            O mundo que o português criou, de Gilberto Freyre, retifica lugares-comuns no que respeita aos supostos males da colonização portuguesa no Brasil.

            Nordeste, de Antonio da Silva Melo, retifica lugares-comuns quanto à suposta inferioridade racial do mulato e do mameluco, no nordeste brasileiro.

            Fórmulas políticas do Brasil holandês, de Mário Neme, retifica os lugares-comuns relativos à suposta excelência da ocupação holandesa no Brasil.

            Estados Unidos. A formação da nação, de Leandro Karnal, retifica (nos seus capítulos iniciais) lugares-comuns relativos à suposta excelência da colonização inglesa nos E. U. A.

            Sete mitos da conquista espanhola, de Matthew Restall, retifica alguns lugares-comuns concernentes à conquista espanhola da América Central.

Bosteja-se sobejamente no Brasil, acerca das nossas origens: há que ler os livros que indiquei.

 

Alguns bons livros para cultura mínima.

*sobre o Brasil colonial, recomendo “A idade de ouro do Brasil”, obra-prima de C. R. Boxer;

*sobre os méritos da colonização portuguesa e a sua superioridade face à inglesa nos atuais E. U. A., recomendo “500 anos do descobrimento- uma nova   dialética”, de Carlos de Mendonça;

* desmentidos à superioridade holandesa no Brasil, “Os holandeses no Brasil: mitos e verdades”, de J.F. da Rocha Pombo; “Fórmulas políticas do Brasil holandês”, de Mário Neme.

*”O mundo que o português criou”, “Novo mundo nos trópicos”, “Um brasileiro em terras portuguesas”, de Gilberto Freyre.

*em matéria de sabedoria de vida, são muito construtivas as “Meditações” do imperador Marco Aurélio; o “Manual” de Epiteto ensina a enfrentar a vida nas suas adversidades (aparece com outros títulos, porém o autor é sempre Epiteto);  “Os dez mandamentos da ética”, do brasileiro Gabriel Chalita;

* “Reflexões sobre a vaidade dos homens”, de Matias Aires, é do século 18, brilhante na concepção e na redação;  *”A arte da prudência” de Baltasar Gracian , mostra como defender-se da maldade humana e mesmo como praticá-la (!) ;

*são boas ficções “Gil Blás de Santillana”, de Le Sage, na tradução do português Bocage, é uma divertida história de aventuras na Espanha; “O Memorial do Convento”, de Saramago, é  obra-prima; “A luneta mágica”,de Joaquim Manoel de Macedo é brilhante na sua concepção e na sua execução, mostra a não ser ver a maldade onde há bondade, e a vê-la onde ela existe; de Eça de Queiroz são divertidos “A capital”, “Os Maias” e “A cidade e as serras”; “O bobo”, de Alexandre Herculano; “O Ateneu”, de Raul Pompéia; Machado de Assis, em geral.
*em matéria de autobiografias, são notáveis as de João Stuart Mill e as “Memórias de 1848”, do Conde de Tocqueville; as Memórias de B. Cellini; a Autobiografia de Benjamin Franklin,

*como repositório de experiências construtivas, para o pessoal jurídico, recomendo “Eles, os juízes”, de P. Calamandrei;

*como análise do nosso tempo e da mentalidade nossa coeva, é importante “A rebelião das massas”, de Ortega y Gasset, autor recomendável, em geral.

*como análise da revolução francesa e da mentalidade que a fez, é ótimo “O antigo regime e a revolução”, do conde de Tocqueville, escrito em um francês brilhante e de que há traduções;

*em matéria de história antiga, a “Hístória da república romana”, de Oliveira Martins é empolgante;

*sobre a amizade, “Lélio, ou a amizade”, de Cícero e “Tratado da amizade”, da marquesa de Lambert;  “A amizade”, de F. Alberoni; “Educar para a amizade”, de Gerardo Castillo.

*sobre a amizade, o casamento, a família, “Sentimentos e costumes”, de André Maurois,  é obra-prima de observação;  *para aprender-se a pensar, a celebérrima “Etica a Nicômaco” ou Grande Etica, de Aristóteles, recomendado por A.Comte;  * “Opúsculos de filosofia social”, de Augusto Comte,

*”Descartes” e “A Idade Média”, de Ivan Lins; * “Os homens e Deus”, de Voltaire; *”A moral positiva”, de P. Laffitte (tradução brasileira de truz),

* sobre homossexualidade, “A questão homossexual”, de Marc Oraison; “Homossexualidade. Uma história”, de Colin Spencer,

* “Discurso sobre o espírito positivo”, de Augusto Comte.

*Ensaio sobre a liberdade, de J. Stuart Mill.

*sobre a teologia, origem da idéia de deus, crítica da moral teológica e outros temas correlatos, “A filosofia teológica”, do positivista Luis Pereira Barreto; “Por que não sou cristão” e “A perspectiva científica”, de Bertrand Russell; “Escolas filosóficas”, de Ivan Lins; “O anticristo”, de Frederico Nietschze.

*sobre a influência positivista na república brasileira, “A república positivista”, terceira edição, de Arthur Virmond de Lacerda Neto; “A desinformação anti-Positivista no Brasil” , do mesmo autor.

  *  Da vida sóbria, de Cornaro;

*  Córidon, de André Gide ;

*Memórias do escrivão Isaías Caminha, de Lima Barreto;

* O enigma da religião, de Rubem Alves;

* História trágico-marítima, de Bernardo Gomes de Brito;  

 *D. Quixote, de Cervantes;

 *A pátria portuguesa ; * Os sertões, de Euclides da Cunha;

 *Minha vida e minha obra, de Henrique (Henry) Ford;

* A invasão vertical dos bárbaros, de Mário Ferreira dos Santos.

São recomendáveis as obras, completas, de Machado de Assis, Aloísio de Azevedo, Ortega y Gasset, de Gilberto Freyre, de Norberto Bobbio. De Gilberto, especificamente O mundo que o português criou, Novo mundo nos trópicos, Aventura e rotina.

São ruins as traduções brasileiras de cerca de 1980 a esta parte; são recomendáveis todas as traduções portuguesas.

Os dois livros mais maravilhosamente escritos da língua portuguesa (dos que li) são o Memorial do Convento, de Saramago, e Visão do Paraíso, de Sérgio Buarque de Holanda. Malgrado os seus títulos, nenhum deles trata de matéria religiosa.

Satiricon, de Petrônio, é divertido quadro de costumes de Roma, do séc. I, com as aventuras de 3 rapazes bissexuais. Tradução excelente, brasileira, de Marcos Santarrita.

 

 

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Tumblr (minha página).

Mantenho página no Tumblr, em que exponho abundantes imagens de nudez natural (masculina), muitas delas captadas em fotografias de bom gosto, e que se destinam a afirmar a  naturalidade da nudez e de todas as partes do corpo.

Não apenas a nudez, em si, é inocente e não deve ser objeto de pejo nem de censura moral, como, nos tempos de encaretamento de costumes que se vive no Brasil (com a afirmação de cosmovisões conservadoras e retrógradas), todo esforço que o vise a contrariar é bem-vindo e oportuno. Uma das manifestações do conservadorismo de costumes consiste em manter a gimnofobia (recusa da nudez natural), o pudor (como vergonha da nudez, de ver e ser visto nu) e a estigmatização da genitália e das mamas (em nome da moral e dos “bons costumes” conservadores, mormente de matriz cristã).

Quase todas as fotografias (de nudez e as demais), obtenho-as no próprio Tumblr; raras provêm da minha coleção (de que, futuramente, se dispuser de vagares, postarei algumas).

Sugiro-lhe a leitura de Ética do nudismo, da minha autoria: Ética do nudismo.

https://arthurvirmonddelacerdaneto.tumblr.com/

Skate

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Direito romano.

Meu sítio de Direito Romano: direitoromanolacerda.wordpress.com

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Naturalidade da nudez.

Anualmente, os estudantes da Universidade de Berkeley promovem a corrida nudista, no interior das suas instalações, em prol da erradição do pudor (entendido como vergonha do corpo, de ver e ser visto nu) e pela naturalização da nudez natural.

Outras universidades americanas também a promovem. Em Meredite (Meredith; Austrália), todos os anos ocorre festival com divertimentos e jogos, de que um consiste em corrida nudista; em Rosquilde (Roskilde; Dinamarca), anualmente a rádio Roskilde promove corrida nudista em derredor das suas instalações. Nas Filipinas, a confraria estudantil Alfa Pi Ômega promove passeio nudista, nas universidades em que há adeptos seus, e pelas ruas das cidades, em público, na presença de estudantes e do povo circunstante.

Na França, 42% das pessoas é nudista doméstica: em casa, andam nus (pai, mãe e filhos); ela e a Croácia recebem, anualmente, um milhão e meio de turistas nudistas, nas suas praias, freqüentadas por gente de todas as idades, inclusivamente crianças.

Na Alemanha, há cerca de 100 anos há escolas nudistas em que, no verão, estão todos despidos. Elas receberam aprovação oficial e foram largamente divulgadas por películas e por exibições ginásticas (nudistas) em Berlim e não só.

O pudor é artificial; provém da herança cristã, que estigmatizou o corpo e a sexualidade. Não há nenhuma parte inerentemente indecorosa no corpo masculino nem feminino: todas as suas partes são igualmente dignas. Envergonhar-se do corpo é tolice e não faz sentido. O brasileiro tem de se libertar da caretice que é reputar as mamas e o pênis vergonhosos: que todas as praias sejam de nudez opcional.

Quem pensa em sexo, só em sexo, e associa nudez com sexo, é o brasileiro, que só encontra a nudez no momento da atividade sexual. Porém ela não é necessariamente sexual: é natural; aliás, associar nudez com sexo e ambos com impudor é típico do brasileiro, que foi ensinado, desde sempre, a envergonhar-se da nudez e a velar o seu corpo, notadamente as mamas, a vagina, o pinto e a bunda.

Vamos descaretizar as mentalidades, em favor da cultura do corpo livre: livre de tabus, de preconceitos, de repressões, de caretices, de pudor (como vergonha de certas das suas partes). O que é natural não deve envergonhar, diziam os antigos (naturalia non turpia). Na Europa e em parte dos E.U.A. , é assim há gerações e décadas.

Se gostou da idéia, difunda-a: faça a sua parte em prol da nudez como naturalidade e inocência, e para erradicar-se o desvalor do pudor como vergonha de certas partes do corpo.

A fotografia foi captada na Universidade de Berkeley, em 2011.

Corrida nua. Berkeley

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