Anáforas. Homossexualidade; Positivismo.

Chamam-se de anáforas os versos cujos dizeres iniciais repetem-se: nomeiam tipo de versos e não dada poesia. Aqui, no entanto, o nome daquele serve como título da poesia.

Dentro de alguns anos, estas anáforas, hoje ainda dotadas de combatividade, serão apenas históricas, na parte relativa ao respeito para com os homossexuais, assim como, hoje, são apenas históricos os textos abolicionistas, porém como em tempos, houve escravidão, houve (ainda há) homofobia. As gerações vindouras espantar-se-ão com que houvesse homofobia, assim como as atuais abismam-se com que haja havido escravidão. Parte do diálogo contém elogio do Positivismo: é-lhe a parte perene.

Em PDF: Anáforas.

Aqui, o video a que me refiro em um verso:

 

 

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Famílias tradicional e fundamentalista.

Fala-se, com sinceridade ou com oportunismo, de família tradicional. Entenda o que ela é, aqui: Família tradicional. Família fundamentalista.

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O processo de Oscar Wilde.

Afamado literato irlandês, Oscar Wilde foi condenado por homossexualidade, em 1895. Conheça-lhe o processo aqui (Revista Boniuris de junho/julho de 2019: Oscar Wilde. Artigo. Bonijuris.

Oscar e Douglas.

 

 

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Bentham e a homossexualidade.

Jeremias Bentham (1), jurista e filósofo inglês do século XVIII, advogou a despenalização da homossexualidade, cujo caráter inofensivo afirmou, em dissertações precursoras do entendimento atualmente predominante a respeito.

Aqui, dou a tradução que fiz do posfácio de Cristiano Laval (2), à edição francesa dos textos de Bentham (Défense de la liberté sexuelle, Éditions Mille et Nuit, 2004), bom texto introdutório ao conhecimento do que ele pensava a respeito.

1 e 2: traduzo os prenomes: Jeremias por Jeremy, Cristiano por Christian. Os prenomes são traduzíveis, podem ser traduzidos; era corrente,no Brasil fazê-lo, até há 30 anos, em ficção e não ficção. Traduzimos os nomes da antigüidade (Mário, César, Cícero, Alexandre), dos papas, dos personagens bíblicos (a começar pelo nome Jesus), de Napoleão. Acho bem que se diga Luis Beethoven, Carlos Marx, João Sebastião Bach, rainha Isabel, Miguel Ângelo (e nunca Michelangelo). É o que tais nomes significam, nos seus idiomas originais. Pretender-se deverem ser redigidos consoante os idiomas dos nomeados (Carl Marx, rainha Elizabeth) é artificial, até pedante. Jeremias Bentham, pois.

Leia Jeremias Bentham e a homos..docx

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Polícia léxica.

POLÍCIA LÉXICA.
Censuraram a palavra mulato, por, alegadamente, derivar de mula, e os pardos não quererem ser tratados por mulas, embora jamais “mulato” tivesse conotação depreciativa.

Agora, censuraram o agradecimento “obrigado”, porque expressava, antanho, obrigação de reciprocidade, de quem agradecia, perante quem recebia o agradecimento (“Estou obrigado, sinto-me obrigado a retribuir-lhe”). Querem que se diga “Grato”. Até me constou que, em curso de Direito, docente riscou a palavra “obrigado”, em texto do seu instruendo.

Disse instruendo, pois aluno fica proibido: aluno significa sem luz. Bem, em Curitiba, em que não faz sol, “aluno”, pode.

Aliás, Curitiba também não se pode usar: que pouca vergonha, um tabuísmo na primeira sílaba ! Que é que se vai dizer para uma criança, que pergunte o que é “cu” ?! Que seja, pois, Ritiba, porém não pronuncie “rritiba” nem “rritchiba”.

Proponho que se proíba a palavra “trabalho”: deriva de “tripalium”, nome de estaca em que se castigavam os escravos medievos. Chamar a alguém de trabalhador equivale a apodá-lo de “escravo castigado”. Logo, fica censurada tal indignidade.

Também proponho que se proíba a palavra “cristãos”: em primeiro, porque não há Cristo grande nem maior do que o original; em segundo, porque ele foi condenado e executado e é indigno nomearem-se os adeptos de uma religião com o nome de um condenado à morte. Arranjem-se lá como puderem, com outro nome.

Também fica anatematizado o verbo “branquear”: não se poderá dizer que, lavada, a roupa foi branqueada, pois tal verbo é racista

Melhor será dizer que a roupa está imaculada.

Porém imaculada também é palavra reprovável, devido à Imaculada Conceição: dado que a religião dela se apropriou, para exprimir “concebeu sem cópula”, devemos reservar tal adjetivo para as mulheres que engravidem sem haverem recebido sêmen.

Quanto ao indumento que se lavou e ficou branco, é melhor não o lavar. Enodoado, encardido, sujo, evitam-se problemas de polícia etimológica.

Mourejar é verbo duvidoso: vários mourejam, com gosto; outros, com pena. É duvidoso se é termo enaltecedor ou deprimente dos mouros. Esfalfar-se é melhor.

Não se dirá enegrecer, a menos que seja louvaminheiro: “Estás bonito, hein ?! Depois de uma semana a tomar sol, estás enegrecido e sensual !”. Neste caso, aceita-se, porém repugnará dizer que “O céu enegreceu antes da tempestade.”.

O próximo passo da polícia vocabular será o de examinar-se a etimologia dos nomes próprios e ostracizar os inconvenientes. Creio que Letícia, permanecerá: alegria; Artur, também: urso forte. Que dizer de Teófilo (amigo de deus) ? E de Luciano, escravo de Lúcio ?

Certo é que o correto é Miguel Ângelo e não Michelangelo e que os prenomes podem ser traduzidos e a sua tradução era tradicional, até no Brasil: Carlos Marx, Frederico Engels, Alexandre Pope, Luis Beethoven.

Já Maycon, Djheynny, Kéroulaynne, Daiana e quejandos, acho bem se erradiquem, em nome dos direitos humanos. Aliás, estas extravagâncias não seriam usadas se os respectivos pais tivessem um mínimo de sensatez, de gosto e não alimentassem complexo de inferioridade perante dos E U A.

As palavras têm acepções próprias, genuínas e corretas, que devem ser mantidas, a bem da correta expressão de quem as usa. Muitas cambiam de sentido, com o andar dos tempos; quanto mais raso o conhecimento do seu significado (ou: quanto mais ignorante o povo) tanto mais há variações de acepção. Outra coisa é policiarem-se as palavras, devido à sua etimologia ou ao seu uso primevo: porque tal palavra foi usada em tal sentido, séculos atrás, então, hoje, fica proibida; ou: porque tal palavra tem tal raiz, então, fica hoje censurada.

A primeira atitude (de se manter inalterada a acepção das vozes) é recomendável; a segunda (de se estigmatizar dados termos em razão da sua etimologia ou do seu emprego de que já ninguém se recorda) é estúpida.

 

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O homem vulgar bosteja nas redes sociais.

 

O HOMEM VULGAR BOSTEJA NAS REDES SOCIAIS.

É cediço que a maioria das pessoas pensa por senso comum, sabe por senso comum, discute por senso comum. Também é cediço que o bom senso é rareia; outra verdade (que Umberto Eco denunciou ao dizer que nas redes sociais exprimem-se “sete bilhões de imbecis”) é a de que a maioria dos intervenientes nas redes diz do que ignora, do que sabe pouco, do que sabe mal; a maioria fala sem conhecimento de causa, sem reflexão, sem bom senso, sem perspicácia, sem argúcia. Já Augusto Comte alarmava-se com que abundante gente “decide em sociologia sem saber matemática”, mal que despontou com a liberdade de consciência irresponsável, inovação do protestantismo e mal nacional dos franceses, no século 16.

As tolices compreendem todas as matérias, desde a função dos léxicos até educação de filhos (alguns pensam, por exemplo, que os dicionários abonam as palavras.).

O mal não está apenas em o ignorante pronunciar-se ignorantemente: também está em haver ignorantes e em eles não saberem calar-se. Daí a profusão de asneiras que se lê, nas redes, sobre todos os temas, triste revelação da estreiteza mental de muitos. É o que Ortega y Gasset apontava no seu clássico “A rebelião das massas”, como defeito do homem-massa.

Augusto Comte, Umberto Eco e Ortega y Gasset eram homens cultíssimos (talvez não tanto o segundo); era superioridades, pela sua erudição, pela sua perspicácia, pela sua percepção da diferença entre o vulgo e o culto. Não suportariam as redes sociais.

Sintoma da profusão de superficialidade com que as pessoas ajuizam, no Brasil, é o uso do verbo “achar”: as pessoas “acham”. Ninguém tem de achar nada; tem-se de saber. Saber equivale a ler pelo menos dois livros sobre o tema em questão ou, pelo menos, material confiável e que propicie um mínimo de 1) conhecimento e de 2) entendimento.

Eis também porque me repugna disputar: pego mais um livro e vou lê-lo, o que me protege de asneirar e de julgar que tudo sei, ao passo que o ignorante ignora a própria ignorância e pretende ter opiniões e formular juízos, sem estar preparado para fazê-lo, com propriedade.

Também importa avaliar as coisas com imparcialidade, com isenção, com reflexão; saber cambiar de juízo. É valiosa a perspicácia espontânea, atributo inato, de que alguns são mais dotados do que outros.

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Olavo não é mentor de Bolsonaro.

OLAVO NÃO É MENTOR DE BOLSONARO.
Há duas declarações de Olavo em que nega explicitamente tal condição e nega-a malgrado haja proposto dois ministros. Ele sugeriu Ricardo Rodriguez e o ministro das Relações Exteriores, como muitos políticos sugerem, indicam, negoceiam nomeações para ministérios e nem por isto são “gurus”.

Olavo foi categórico em rejeitar a sua alegada condição de mentor ou de “guru” (palavra de mau gosto). Indicar dois ministros não faz de ninguém guru de ninguém.

Ser mentor ou “guru” é outra coisa: é exercer influência intelectual, plasmar a mentalidade e o recheio cultural do influenciado. Bolsonaro não é olavinho, não foi aluno de Olavo, não lhe é leitor. É caricato pretenderem que Olavo seja o mentor de Bolsonaro: é não saber o que seja “mentor”, “influenciado”, “discípulo” nem influência intelectual, o que me parece sintoma de pauperismo intelectual do meio brasileiro, de muitos jornalistas brasileiros, para além de, em muitos, inclinação hostil a um e ao outro.

Também não basta para alguém ser mentor de outrem, que este haja presenteado um dos seus filhos com livro do suposto mentor (Bolsonaro fez presente de um livro de Olavo para um dos seus filhos). As pessoas presenteiam parentes e amigos com livros e nem por isto os respectivos autores são mentores dos presenteadores.

Pouco se me dá se Olavo é ou não é mentor de Bolsonaro ou seja lá de quem for. O que me incomoda é a superficialidade, até a leviandade com que muitos lhe imputam tal condição. O que me incomoda não é que imputem tal condição a Olavo nem que a imputem em relação a Bolsonaro e sim a leviandade com que atribuem ascendência intelectual de uma pessoa em outra.

Onde abunda a gente destituída de cultivo intelectual, abundam os que desconhecem o que seja influência de um pensador nos seus adeptos ou nos que se convencem das suas proposições. Irrita-me a leviandade com que os pregoeiros do mito do “Olavo guru” maltratam a vida intelectual e ajuízam do que seja influência intelectual. Trata-se de balela para consumo das massas e dos ingênuos, da maioria alheia à vida contemplativa e aos crédulos.

Mentor é Augusto Comte, dos Positivistas; Carlos Marx, dos marxistas; os papas, dos cristãos; Paulo Freire, de muitos pedagogos. Olavo está muito longe de preponderar intelectualmente, em Bolsonaro, a ponto de ser-lhe mentor.

Suponho que ninguém seja mentor de Bolsonaro. Suponho que ele seja intelectualmente aquém de ter algum.

Há, no Youtube as declarações de Olavo, em que recusa o papel que os outros lhe atribuem, de mentor do presidente.

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