Para aprender a bem escrever.

PARA APRENDER A BEM ESCREVER.

Para aprender a bem redigir, com espontaneidade e fluência, leia constantemente; principie com Machado de Assis, Aloísio de Azevedo e Bobbio; este, nos seus livros de direito e não só. Bobbio é modelar na perfeição lógica com que expunha e na concatenação e desenvolvimento das idéias; Machado e Aloísio são modelares no uso do idioma, com escorreição.
Em Machado, nenhuma palavra escasseia nem sobeja; todas cumprem papel no texto, o que é especialmente valioso como contraponto à prolixidade verbosa de muitos juristas: não há pior do que imitar o estilo jurídico, dos juristas brasileiros das últimas décadas, verboso, prolixo, rebuscado. (Quando me reparam que o meu estilo oral ou escrito é rebuscado, convenço-me de que o objetor desconhece o que seja rebuscado.).

Acrescente vocabulário; consulte o dicionário. Evite traduções brasileiras dos últimos 40 anos; opte pelas portuguesas (não se me cuida de complexo de inferioridade nem de “lusismo”, porém de reconhecer o fato, inegável, de que as versões patrícias das últimas décadas negligenciam recursos do idioma, pontuam mal, empregam coloquialismos, omitem preposições, a mesóclise, os pronomes contraídos – nivelam por baixo, com exceções.).

A mesóclise é recurso belo e usável na escrita e também na fala. Nada de preconceitos contra ela: eles verbalizam a mediocridade e o achatamento do idioma.

Os pronomes contraídos são utilíssimos e poupam palavras; permitem dizer mais, com menos. Por exemplo: vender-lho-ei; dou-to; empreste-ma. Isto existe e se a escola não o ensina, falha; professor segundo quem “isto já não se usa; isto é só em Portugal” é professor desorientado e desorientador, que fomenta a ignorância.

Evite sempre e pratique nunca o vício da duplicação: é vezo de escrevinhadores prolixos, que confundem o leitor (vide arthurlacerda.wordpress.com).

Português não é difícil: é fácil e permite-nos que nos expressemos com acurácia e exatidão, mais do que o pobre idioma inglês que, ele sim, é fácil, à custa de ser carente dos recursos do português.

Frases curtas e muito curtas constituem mau estilo: obrigam a leitura a repetidas interrupções e dificultam o encadeamento do pensamento. Alguns as recomendam, sem fundamento na utilidade nem na clareza; o de praticá-las é conselho inepto.

Há que saber concatenar o raciocínio, efeito para o qual é mais importante bem pontuar do que minorar as frases: a vírgula e o ponto e vírgula permitem separar os elementos da oração; os dois pontos permitem introduzir nova idéia, com continuidade em relação ao conteúdo anterior da frase.

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