Os positivistas e a vacinação obrigatória

                                                            Os positivistas e a vacinação obrigatória

                                                                                    13.IV.2007

 

          Em 2004 transcorreu o centenário da revolta da vacina, insurreição popular na cidade do Rio contra a vacinação obrigatória: o governo, para sanear a cidade, impunha, a força, a vacinação, o que provocou a oposição dos positivistas.

           A turminha do anti-positivismo, do tipo "calunie, que alguma coisa sempre fica", como recomendava Carlos Marx) propalam, para desmoraliizar o Positivismo, que os positivistas eram contra a vacina.

        As inverdades contra o Positivismo andam propaladas em livros, em aulas, em cursos, em conferências. É fundamental combatê-las, mediante a sua denúncia sistemática, mediante a pesquisa bem documentada e segura, mediante demonstrações rigorosas e honestas.

          Não é preciso frisar que, nos últimos 30, quase só se escreveram asneiras sobre o Positivismo.

          Ontem, andei lendo o opúsculo do dr. J. Bagueira Leal, e o Ivan Lins, em que se averigüa:

         1- Os positivistas opuseram-se à obrigatoriedade da vaciinação, ou seja, a que o governo municipal do RJ obrigasse as pessoas à vacina. Ora, alegava T. Mendes, o governo não pode impor a vaciina; ele pode oferecê-la e quem quiser, que a tome. A esta obrigatoriedade, ele chamou de despotismo sanitário. É de ressaltar que, embora, hoje, todos reconheçamos a eficácia da vacina, ao tempo, havia, da parte de médicos europeus e brasileiros, as mais graves dúvidas quanto à sua eficácia. É o mesmo que a prefeitura do RJ obrigar-nos, todos, à vacina anti-sida, cujo valor é duvidoso, neste momento.

    2-  É falso dizer-se que os postivistas opuseram-se à vacina. O que é verdadeiro é que Teixeira Mendes, em observância de certas passagens de A. Comte, concluiu que a vacina era ineficaz, com a ressalva de que tal conclusão era o que lhe parecia, ou seja, falou sem tom peremptório; disse que entre a opinião de Comte e a do dr. Nilo Cairo, não havia, infelizmente, naquele assunto,critério de escolha, pelo que não considerou a palavra de Comte como definitiva e absoluta; disse que repeliir a eficácia da vacina não era ponto de ortodoxia; que cada positivista era livre para vacinar-se ou não; que o P. é mutável  e que as opiniões de Comte podem ser modificadas e corrigidas, segundo ele próprio o disse.

       3-A interpretação de T. Mendes, de reprovação da eficácia da vacina, decorreu de uma sua interpretação de Comte, visivelmente errada: Comte dizia que as doenças curam-se por excitação ou abrandamento dos fenômenos fisiológicos, salvo quando há a intromissão de corpos estranhos. Ora, o vírus é um corpo estranho,  qualidade que o dr. Bagueira Leal e T. Mendes, sei lá porque, não lhe atribuíram. Disto, só, decorreu a atitude anti-vacínica de T. Mendes e de B. Leal, atitude, note-se, individual e não oficial.

         Por isto, é falso  apregoar-se que os positivistas eram contra a vacina. O que é verdadeiro é que: 1- Não havia uma doutrina oficial quanto à vacina,  2- Houve uma atitude pessoal de 2 positivistas, ou mais, contra ela,   3- T. Mendes deixou o vacinar-se ou não, ao criitério de cada um,  4- A vacina, ao tempo, era contestada por vários médicos estrangeiros e nacionais,   5- A atitude oficial do Positivismo, era contra a imposição obrigatória da vacina.

 

 

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