Machado de Assis, os clássicos e as vulgaridades na escrita.

Escreveu Machado de Assis: “Em geral, porém, não se lê [os clássicos], o que é um mal.” Acresce Tito Lívio Ferreira: “É um mal porque não há aprendiz sem mestre.” (Tito Lívio Ferreira. Portugal no Brasil e no mundo, p. 135).  Repito o que já expus no meu blogue: não há pior do que o pessoal da academia, desde graduandos até doutores com doutorado, escreverem por obrigação de ofício sem jamais haverem freqüentado [uso, orgulhosamente, o trema] o próprio Machado de Assis, Aluísio de Azevedo, Adolfo Caminha, Eça, Camilo e Saramago. Disto resultam teses, dissertações, artigos e tcc pessimamente redatados.

Prossegue Machado: “Cada tempo tem o seu estilo. Mas estudar-lhes [dos autores pretéritos] as formas mais apuradas de linguagem, desentranhar deles mil riquezas, que, à fora de velhas se fazem novas, não me parece que se deva ignorar. Nem tudo tinham os antigos, nem tudo têm os modernos; com os haveres de uns e de outros é que se enriquece o pecúlio.”

Sobre o coloquial e a escrita, pondera Machado: “A influência popular tem um limite; o escritor não está obrigado a receber e dar curso a tudo que o abuso, o capricho e a moda inventam e fazem correr. Pelo contrário, ele exerce também uma grande influência a este respeito, depurando a linguagem do povo e aperfeiçoando-lhe a razão.”

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