Um péssimo livro: “1808”.

 

                                             Um péssimo livro: “1808”, de Laurentino Gomes

 

                                                                                       11.I.2009

                                                                                             

                                                                                                             Arthur Virmond de Lacerda Neto arthurlacerda@onda.com.br

           

                                                                      

            Da autoria de Laurentino Gomes, “1808” (editora Planeta, 2008) é mau livro, pela sua inclinação, pelo seu apelo comercial e pelo amadorismo com que foi concebido.

            A sua inclinação é negativista, detratora de Portugal e fomentadora da muito famigerada lusofobia, desprezo e ódio de muitos brasileiros pelo nosso passado colonial e pela nossa origem portuguesa.

            Todo historiador é livre nos seus juízos, com que avalia personagens, considera-lhes a atuação, julga-lhes o papel, descreve conjunturas, enfatiza aspectos. Diante da massa de informações de que dispôs, na farta bibliografia relativa ao Brasil colonial, a D. João VI e o seu tempo, o autor selecionou aspectos que enfatizam negatividades, em uma maledicência que se observa, por exemplo, na descrição de Salvador colonial (cidade suja, decadente, tipicamente portuguesa na sua falta de planejamento, com casas repugnantemente sujas, em que o vice-rei dançava na igreja de modo indigno, em que os senhores faziam de cafetões das suas escravas. Páginas114 a116);  ao descrever o Rio de Janeiro de então (em cujas casas havia sujeira e preguiça; cuja limpeza cabia aos urubus e era infestada de ratos. Página  157); ao apodar a corte de ociosa, corrupta,  perdulária, voraz e cara (páginas 150 e 189), que veio acompanhada por aventureiros sem princípios (página 188) e cujos integrantes ambicionavam enriquecer à custa do Estado mais do que servir ao bem comum (página 189); ao caracterizar D. João VI, como despreparado para reinar, tímido, supersticioso, feio, temeroso de caranguejos e trovoadas (página 32).

            Assinala-se, neste livro, um empenho pela difamação ou, quando menos, uma animadversão anti-lusitana que se intensificam nos capítulos 11, “Uma carta”, e 21, “Os viajantes”.

            O capítulo vigésimo primeiro contém uma série de excertos de relatos de viajantes estrangeiros que percorreram o Brasil colonial ou já elevado a Reino Unido. Dentre as dezenas de narrativas, Laurentino Gomes ateve-se às de Maria Graham, de Koster, Mawe, Henderson, Burchell e Saint-Hilaire, de que excertou observações tais como: pena o Brasil não haver sido colonizado por uma nação ativa e inteligente (página 263), os nordestinos são desonestos (página 267), a colônia é preguiçosa e descuidada, sem vocação para o trabalho, de povo analfabeto, inculto e desinstruído (página 268);em São Pauloabundava a sujeira e a prostituição (página 270).

            A história deve-se escrever com verdades, custe o que custar observá-las e admití-las (no caso de informes porventura desconfortáveis à sensibilidade do leitor, ao patriotismo ou a outros valores quaisquer), ao mesmo tempo em que os depoimentos de época devem submeter-se à análise crítica, de que resulte a determinação do seu valor como expressão da realidade. Abonadores ou depreciativos, valem como informações localizadas, porventura parciais,  a que se pode e deve associar outras, de outras fontes, e sobretudo as que resultem de investigações profundas: foi o de que se absteve Laurentino Gomes, que  admitiu a palavra dos viajantes sem mais critério do que o seu conteúdo desabonador.

             Do acervo pletórico de informes transmitidos pelos viajantes, ele preferiu, sistematicamente, as notas pejorativas, as passagens caracterizadoras de uma realidade sempre lamentável, de um estado de coisas vergonhoso.

            Constitui o undécimo capítulo  verdadeira excrescência: nele se reproduz, por inteiro, a carta de Luiz Marrocos ao seu pai, de 12 de abril de 1811, em que reporta ele, acerca da fragata que levou, de Lisboa ao Rio de Janeiro, uma parte da biblioteca real: a água potável achava-se corrupta e infestada de bichos, a carne salgada e a cordoalha apodreceram, as velas avariaram-se, a medicação é insuficiente, a tripulação não presta.

            Das 186 cartas conhecidas de Luiz Marrocos (página 80), o autor reproduziu precisamente a que apresenta um quadro deplorável de uma fragata portuguesa, especialmente importante por haver trazido parte da livraria da coroa.

            É estranhável instituir-se um capítulo cujo único teor corresponde à reprodução de uma carta em livro que não se ocupa da biografia do missivista, que não lhe estuda o epistolário, que não transcreve nenhuma outra carta. Tal capítulo representa uma anomalia, em face do conjunto do livro. Ele existe, contudo, porque atende ao  mesmo fito que animou Laurentino Gomes na seleção das passagens a que me referi: ele serve para difamar Portugal e quanto se lhe refira.

            Ao manusearem-se livros ilustrados, o leitor dirige-se, quase instintivamente, às gravuras, movido pela curiosidade: as respectivas legendas é o que, tendencialmente, também se lê, em uma vistoria superficial de livro que não se leu.

            O que o leitor encontra nas legendas de 1808 são informações, também elas, depreciativas: a prataria e 60.000 livros esquecidos no cais, na correria da partida da corte; a corte fugiu; D. João teria vencido os franceses, “se tivesse coragem” para tal; ele era “tímido, feio, inseguro”, “de aparência grotesca”; Carlota Joaquina era “feia, maquiavélica e infeliz”; a corte era “corrupta e perdulária”.

            Há, em “1808”, uma atitude psicológica: a de achincalhar e  amesquinhar,  o que o transformou, de livro de informação histórica, que deveria ser, em veículo de um dos piores males da psicologia do brasileiro, a lusofobia,  desprezo por Portugal, pela colonização do Brasil, pelas nossas origens históricas.

  As passagens excertadas contêm a expressão da lusofobia, padrão de entendimento e de sentimento que se instalou no sistema psicológico de muitos brasileiros, que os leva a desmerecer a cultura portuguesa e a acusar a colonização que Portugal desenvolveu no Brasil. Como todo preconceito, ele equivale a uma falsificação da realidade, em desprezo, injusto, do objeto a que se refere.

  Este preconceito surgiu ao tempo da independência do Brasil, como reação da população colonial, no seu anseio pela emancipação política, e mantém-se como  renegação da origem histórica do brasileiro.

  Com inverdade e injustiça, propalam-se, mesmo nas escolas, informações vexatórias, que mantêm a lusofobia, como as de que o Brasil teria sido colonizado por degredados e por prostitutas, que a então colônia era depósito de criminosos, que a colonização holandesa teria sido preferível à portuguesa. Nem fomos colonizados pela escória de Portugal, nem o Brasil foi valhacouto de delinqüentes, como, sobretudo, a presença holandesa no nordeste foi, a todos os títulos, detestável.

  Resultados da lusofobia são a debilitação do sentido de identidade cultural dos brasileiros; o desprezo de muitos deles pelo passado nacional; a vergonha das nossas origens; o complexo de inferioridade do brasileiro face ao estrangeiro e a admiração, muitas vezes ingênua, por este; o desprezo do idioma português; o vezo de ridicularizar o país e o povo de que provimos; a debilitação do patriotismo como  amor ao país e esforço pelo melhoramento da vida coletiva.

  A lusofobia, infelizmente, existe e mantém-se: “1808” mantém-na e a veicula.

  Da leitura do quadro de misérias, cuidadosamente constituído por Laurentino Gomes, não haverá brasileiro que não se sinta entristecido, quiçá revoltado e, certamente, envergonhado das nossas origens e de parte do nosso passado.

Felizmente há, no Brasil, livros recomendáveis de autores respeitáveis: Oliveira Lima, Pedro Calmon, o Visconde de Porto Seguro, Rocha Pombo, David Carneiro, Mário Neme, Afonso de Taunay, Capistrano de Abreu e tantos outros.

  “1808” é um livro de leitura fácil, na sua redação intencionalmente singela, vocacionada ao acesso do grande público. É altamente louvável que se redatem livros deste tipo, como forma de se difundir conhecimento e de favorecer o gosto pela leitura, aspecto em que merece todo o louvor. Fácil ou difícil, nada compensa, todavia, o seu maniqueísmo maledicente, a sua parcialidade  no  critério de seleção das informações e  a perniciosidade dos efeitos psicológicos que provocará em muitos leitores.

É um livro também ruim pelo seu apelo comercial, visível no seu sub-título, estampado na capa: “Como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a História de Portugal e do Brasil”.

Na adjetivação patenteia-se, indisfarçavelmente, a lusofobia do autor; o tom bombástico destina-se a suscitar a curiosidade por meio do seu apelo sensacionalista, semelhantemente a uma cartaz comercial ou a um anúncio de telenovela do tipo “Amor e morte; intriga e paixão na novela das 20:00 h.”. Um livro a sério não necessita de semelhantes mesquinharias; aliás, um livro a sério repele-as.          

Amador na área dos estudos históricos, o seu autor qualifica-o, estranhamente, de “investigação jornalística” e jacta-se de haver lido mais de 150 livros que lhe serviram de fontes: com bem menos, outros autores produziram obras que enriqueceram honrosamente o acervo bibliográfico brasileiro.

  Recebeu o prêmio Jabuti de 2008, para desprimor do prêmio e para ilusão do público que se deixe impressionar por ele[1]. Contudo, assim como me repugnou o livro, repugnou a outros leitores, que o analisaram com senso crítico. Foi o caso, em Portugal, de  Isabel A. Ferreira, Mendo Castro Henriques e João Gomes.

Dada a publicação de “1808”, Isabel Ferreira reagiu, no mesmo ano (2008) com o seu livreto “Contestação”, voltada a refutá-lo e cuja publicação no Brasil corresponde a uma verdadeira premência de saúde pública cultural. Prefaciado por Mendo Castro Henriques e por João Gomes, asserem eles: “O livro de Laurentino Gomes é interessantíssimo do ponto de vista hermenêutico porque acumula quase todos os erros possíveis ao interpretar figuras históricas: falta de contextualização, acumulação de informação não tratada, confusão nos critérios de relevância, teoria explicativa deficiente etc.,etc.”

Quem desejar informar-se, a sério, sobre o reinado de D. João VI, a transferência da corte para o Brasil e sua estada cá, lerá, de Patrick Wilckens, “Império à deriva”, e “D. João VI”, de Jorge Pedreira e Fernando Dores Costa, ambos publicados no Brasil.


[1] O prêmio Jabuti é conferido pelas editoras. Imagine o leitor se, porventura, não haverá,  nas atribuições, algum interesse de alguma delas, em promover os livros que publicam…Ninguém será ingênuo ao ponto de julgar que não. Não foi, demais, a primeira vez que aquele galardão distinguiu uma nulidade: foi o caso de “Sociologia Comteana”, de Lelita Benoit, que trilhou o mesmo caminho do preconceito e  da distorção, com  idêntico intuito, o de enxovalhar o tema de que se ocupou, o Positivismo de Augusto Comte. Também foi premiado “JK. O artista do impossível”, de Cláudio Bojunga, apreciável biografia do ex-presidente Juscelino de Oliveira,  que, todavia, se assinala por um defeito grave, o das abundantes vulgaridades idiomáticas com que pretendeu tornar o seu texto legível pelo vulgo e que o envileceram. Juscelino merecia texto melhor; o Brasil não merece “1808”.

     Redigi prefácio à segunda edição de “Contestação”, ainda inédita no Brasil. Ei-lo:

               Se há livros recomendáveis, que acrescentam informação, lucidez, reflexão e merecem leitura (e, freqüentemente, releitura) há, em contrapartida, maus livros, que disseminam inverdades, interpretações tendenciosas, fortalecem preconceitos e que merecem descrédito e esquecimento.

            No primeiro caso acham-se as obras de historiadores como Rocha Pombo, Oliveira Lima, Afonso Taunay, Carlos Mendonça Lisboa, Jaime Cortesão, Jorge Couto e não só. No segundo, o livro 1808, de Laurentino Gomes.

            Publicou-se 1808 no ano de 2008, por ocasião do bicentenário do deslocamento da corte portuguesa para o Rio de Janeiro, acontecimento que se recordou, no Brasil, nos meios de comunicação de massa e que, em alguma proporção, despertou a atenção do grande público para tal livro, que, rapidamente, obteve assinalável êxito de vendagem.

            Não terá sido, no entanto, a coincidência (certamente intencional) da efeméride com o tema e o título do livro a razão decisiva da sua propagação no Brasil: para tal efeito terão concorrido a condição de Laurentino Gomes de antigo diretor da revista Veja e as facilidades, disto decorrentes, de divulgação, como, sobretudo, o seu enfoque tendencioso, o seu vezo lusófobo, a sua adjetivação fanfarrã, combinação de defeitos que o assemelham a certas telenovelas, que cativam a fidelidade do espectador graças ao insólito, ao emocional, ao artificial (caso contrário, desgraciosas, pouco atrairiam): lê-se 1808 como quem assiste a alguma telenovela escassa em arte e sôfrega de audiência.

            Assim é 1808: esteticamente mediano, destituído de graças que o distingam, ao mesmo tempo em que, pelo seu teor, constitui obra de lusofobia.

            Chama-se de lusofobia a animadversão, quando menos, a má vontade, presente em abundantes brasileiros, coevos e pretéritos, relativa a Portugal, à colonização do Brasil e à herança cultural portuguesa.

            Originária das paixões políticas que, ao tempo da independência do Brasil, opuseram brasileiros a portugueses; reavivada ao tempo do governo do marechal Floriano Peixoto, como elemento emocional que se mesclou a outras paixões políticas; reiterada pelo ensino de história do Brasil, dela resultou, no senso comum brasileiro, a espontaneidade com que se inculpa a colonização pelos males do Brasil, com que se desmerece a sua origem portuguesa, com que se lamenta não haver o Brasil sido colonizado por ingleses ou holandeses (inculpação, demérito e lamento injustos e que o escrutínio do passado brasileiro, empreendido por autores como Gilberto Freyre, Carlos Mendonça, Rocha Pombo, Mário Neme, permite desmentir).

            Neste contexto mental de verdadeiro preconceito é que se instalou 1808 e graças também a ele é que grassou como epidemia.

            Não se trata de mais um livro de história, dentre outros. Ele não ilumina com interpretações pioneiras, não esclarece com informações inéditas, não enriquece com percepções lúcidas, sequer informa com dados imparciais. Ele não é melhor do que outros.

            Ao contrário, ele constitui o pior da historiografia brasileira contemporânea: esforça-se por reiterar, esmiuçar, documentar o que, no Brasil, corre como lugar-comum antipático a D. João VI, a Dona Carlota Joaquina, ao deslocamento da corte, aos modos dos cortesãos no Rio de Janeiro, às mazelas da corte, ao sistema colonial, à herança portuguesa no Brasil.

            É perceptível a predileção de 1808 por dados selecionados para combinarem-se com o senso-comum lusófobo: é livro que diz o que as pessoas acham-se acostumadas a ouvir, sentido no qual, longe de esclarecer o grande público, de elevar o nível cultural do povo brasileiro, ele prestou-lhe o desserviço de corroborar-lhe um preconceito.

            Livros combatem-se com livros; os maus livros combatem-se com refutações, da parte dos autores e com leituras outras, da parte dos ledores. Era urgente que alguém denunciasse a parcialidade de 1808: a tal correspondeu a iniciativa oportuna de Isabel de Araújo Ferreira, que lhe identificou os vícios mais flagrantes e contrapôs-lhes ponderações acertadas.

            A loucura de Dona Maria I, os méritos da sua governação; a argúcia de D. João VI ao haver-se com Napoleão; o feitio de D. João VI; a insistência em certa adjetivação; o mito de que a colonização do Brasil foi pior do que a de outros países colonizadores; o cotejo entre o Brasil e os Estados Unidos da América; a presença da escravidão; a sujidade do Rio de Janeiro; a governação de Portugal durante a estada de D. João VI no Rio de Janeiro; as circunstâncias em que se deram os fatos, constituem alguns dos pontos sobre os quais Isabel Ferreira exerce o contraponto.

            Anti-1808, Dom João VI transcende a condição de mera refutação: ele demonstra que os livros de ampla divulgação nem sempre o são por mérito intelectual e que há medalhões que não o merecem ser; que D. João VI e a obra de Portugal no Brasil andam a ser objeto de juízos injustos, que corrige; patenteia a necessidade de compreensão das circunstâncias históricas como condição de compreensão dos respectivos atores; ensina o quão empobrecedor é o maniqueísmo na narrativa histórica.

            Para se produzir obra minimamente credível, cumpre haver informações corretas e isenção: eis o que nos propicia Dom João VI, como ensinamento. Como conteúdo, transmite-nos ponderações e dados que é urgente popularizar no Brasil, em favor do esclarecimento do senso-comum, funestamente viciado por 1808.

     Arthur Virmond de Lacerda Neto. 9 de agosto de 2014.

   Vide o “D.João VI”, de Isabel A. Ferreira, CONTESTAÇÃO ao livro “1808” de Laurentino Gomes:

http://arcodealmedina.blogs.sapo.pt/dom-joao-vi-como-um-principe-valente-485068

 Vide, da minha autoria: “Colonização portuguesa superior à inglesa”, neste blogue. Aceda-lhe por

 https://arthurlacerda.wordpress.com/2013/02/12/colonizacao-portuguesa-superior-a-inglesa/

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42 respostas para Um péssimo livro: “1808”.

  1. Arthur de Lacerda, este seu texto vem ao encontro da mensagem que pretendi passar na minha “Contestação” ao livro «1808», uma vergonha para o Brasil e um insulto a Portugal. A 2ª versão do meu livro (corrigida e aumentada, com notas e bibliografia) está pronta para ser publicada. Assim o queira alguma editora brasileira.
    Obrigada pela sua referência aqui no seu blog.

  2. Sergio Caldeira disse:

    Não estou certo que o livro constitua um insulto para Portugal, pelo menos pelo que ele é hoje. Quanto muito será um insulto á sua história, e acerca dela só podemos fazer um acto de contrição e assumir o nosso passado. Embora isso não desculpe nenhum povo, a verdade é que não há povos com passado imaculado. foi o que foi, e não pode ser reescrito à luz dos valores e do contexto contemporâneo. Fico sempre curioso acerca da relação crítica mais ou menos prevalecente e veemente a Portugal vinda desse lado do mar oceano. Mas creio que essa crítica pouco ou nada dirá acerca daquilo que Portugal hoje é. No entanto, dirá alguma coisa acerca do que o Brasil (ou parte dele) é hoje. Clichés habituais: Vocês portugueses roubaram o nosso ouro. Talvez que os portugueses tenham roubado algo sim, mas aos índios, senhores por direito daquela terra. Roubo sim, da liberdade dos africanos arrancados da sua terra para trabalharem como escravos de engenho (outra histórica contada só por metade). Os nossos antepassados foram racistas? talvez, mas não o suficiente para repudiar a negra ou a índia, e desse passado infeliz resta uma beleza própria e única no mundo, o povo Brasileiro! Ao contrário do vosso espelho predilecto, os E.U.A. onde o racismo foi institucionalizado por força de lei e até bem tarde, o racismo Português foi bem menos institucionalizado. Acerca de 2 meses assisti a uma palestra de um cientista social Brasileiro na Universidade Nova de Lisboa, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, onde frequento actualmente o mestrado de Antropologia. Rômulo Barbosa, professor na Universidade Estadual de Montes Claros (Minas Gerais) apresentou uma palestra sobre os custos sociais da produção dos agrocombustíveis no Brasil. Para meu grande espanto, vejo o catedrático afirmar que,”a prática da monocultura de cana-de-açucar está a levar a alterações na produção agrícola brasileira, e vinte e oito por cento dessa mão-de-obra é feita em regime de escravatura formal, fruto do nosso passado colonial!” Bom, vindo do “povão” pobre e inculto, tal afirmação não me chocaria: mas vindo de um catedrático?!! Pode ser que este discurso sirva a alguma elite cultural brasileira, mas senhores, ao fim de duzentos anos ainda acham que o discurso pega? Penso que o Brasil tem tudo para dar certo, basta que haja vontade, o que às vezes é o mais difícil. Mas Brasileiros contemporâneos a defender um tal discurso não ajuda. Custa-me a acreditar que por causa de ter havido escravatura (há tanto tempo abolida), isso sirva de desculpa para a tal “escravatura formal” dos dias de hoje. Aliás, nem tive coragem para perguntar ao senhor o que é que a palavra “formal” fazia na frase. Ou se é escravo ou se é livre, o “formal” apenas parece existir na frase para “dourar a pílula”. Usar o passado histórico como justificativa para aquilo que os Brasileiros de hoje fazem uns aos outros afigura-se-me desculpa fácil. Qualquer pessoa ou sociedade contemporânea tem as ferramentas para poder viver em paz, harmonia e fraternidade. Se não o praticamos, é porque a nossa natureza ou a nossa cultura nos impede, mas não será pela história de cada povo. Sei também, para meu contentamento que há outra elite cultural brasileira que conhecem bem o Portugal contemporâneo. Esses estão fora do discurso habitual que vitupereia o meu país. Tal discurso pode ter uma função dupla: por um lado, serve de “cimento” aglutinador de uma sociedade tão vasta como é a Brasileira, até porque se trata de uma nação em construção: mas isso trás um lado perverso: encerra essa mesma sociedade num discurso e num imaginário que nada resolve, e que impede uma visão mais clara e objectiva dos nossos países. como Português seria muito fácil atribuir ao passado as culpas pelo que está errado no meu país. Se exceptuarmos os Fenícios, os Gregos e os Cartagineses, que vieram à ibéria apenas para comerciar, todos os outros nos violentaram e roubaram: Vândalos, Suevos, Visigodos, Romanos, Árabes… Mas não parece haver hoje muitos Portugueses a usarem o seu passado como justificativa. Afinal, todos nós vivemos no presente, ainda que com a memória histórica que nos cabe. Do ponto de vista do antropologo, a etnogenealogia pode ser um labirinto onde é fácil cair, mas de onde é difícil escapar. Saudações cordiais.
    http://revistan.org/ciencia/?p=396

    Sérgio Caldeira

    • arthurlacerda disse:

      É por afirmações que tais (como a do catedrático brasileiro) que se comprova o baixo nível do pessoal acadêmico no Brasil, a falta de rigor e de autocrítica de muitos deles; para mais disto, há, no Brasil, o vezo da lógica da inculpação: isto e aquilo no presente é mal por culpa de algo ou alguém, no passado. Lança-se a culpa na colonização e no regime militar (1964-1982) por tudo quanto os brasileiros , por conta própria, fizeram ou fazem mal feito. Tem razão o Sérgio: tal discurso serve a alguém, aos que o usam como recusa das responsabilidades dos próprios brasileiros. Ele em nada contribui para corrigir os males que se aponta e sempre serve como um alívio psicológico. No fundo, constitui uma defesa do ego, no sentido de Freud.

    • Felipe Muci disse:

      Sérgio Caldeira, achei muito interessante o seu ponto de vista, mas discordo de grande parte dele. A escravidão no Brasil acabou há pouco menos de 125 anos, deixando de um lado uma multidão de miseráveis analfabetos que mal falavam nossa língua e não tinham onde caírem mortos e, de outro, uma elite branca e indisposta a tratar essa gente como seus iguais. Depois de tantas gerações lutando contra tais adversidades, os negros ainda hoje ganham menos e têm nível de escolaridade inferior quando comparados aos brancos. E brancos e negros ainda trazem na forma como veem o mundo traços inegáveis do escravismo: a visão do senhor subjugando uma multidão de seres subumanos e merecedores da miséria a que são submetidos é uma coisa muito viva na nossa cultura. Aqui o pobre (maioria) é tido frequentemente por vagabundo e propositadamente ignorante por ser preguiçoso pela minoria privilegiada. A palavra “povo”, quando não é empregada por um político, é sempre pejorativa. Usa-se também “tupiniquim” para designar a inferioridade de qualquer coisa nacional, muitas vezes equivocadamente, depreciando algum ponto forte da nossa indústria, política ou cultura. O brasileiro de classe média tem a ilusão de ser melhor do que seus compatriotas em geral e acredita que os outros é que atrasam o país. Este é o maior problema que enfrentamos por aqui, na minha opinião.
      Trata-se de um passado muito mais recente do que as invasões de visigodos, romanos, vândalos, e suevos em Portugal, motivo pelo qual as marcas são notáveis na forma como entendemos a sociedade por aqui. Não se trata de usar tal passado como desculpa para todos os problemas, mas é indispensável reconhecer que ainda temos uma mentalidade escravista para que possamos combatê-la. Não estamos pagando pela pobreza que nos foi deixada há séculos, mas por algo contemporâneo que infelizmente não conseguimos superar e que é menos tangível do que os recursos materiais de que dispomos ou que alguns especulam que perdemos: o pensamento.

      • Felipe Muci disse:

        Aliás, apenas para complementar, este livro é obra da direita brasileira (ex jornalista da revista Veja), que reforça o ponto de vista de que tudo o que é brasileiro é pior ou desprezível – incluindo nossa História e tudo o que nela está envolvido. Não se trata de lusofobia, mas de depreciar o Brasil e todo o seu passado, simplesmente.

      • Concordo com o Felipe Muci.
        O «1808» além de demonstrar preconceito para com o ex-colonizador, nele está implícito um enorme complexo de inferioridade e uma relação mal resolvida com o passado.
        Mas a culpa será do sistema de ensino da História do Brasil, que contém erros profundíssimos de interpretação. Pelo menos assim era, no tempo em que por terras brasileiras estudei.

    • Vitor Sousa disse:

      Muito bom o comentário, de fato há no Brasil ressentimentos imaturos e sem lógica perpetrados principalmente por pessoas que não tem conhecimento ou por pessoa que buscam desculpas para a situação atual do país, não há desculpas para um país que a quase duzentos anos está independente, e mesmo que nossa história seja intimamente ligada a Portugal, já não temos como culpá-los por situações que somente a nós dizem respeito, principalmente àquelas ligadas às mazelas do país, o Brasil nunca amadurecerá se continuar tratando seu antigo colonizador como o responsável por tudo de ruim do país, e o pior é que desde as séries iniciais da escola vemos os professores ensinaram que o Brasil é o que é por causa de Portugal que escravizou pessoas, matou nativos e roubou riquezas do país (ora! e naquela época eles não estavam em seu legítimo direito?) claro que nada justifica a escravidão, mas era a ordem econômica vigente naquela época tal qual o capitalismo é para hoje. O Portugal é um país desenvolvido e cosmopolita, que preza pelos direitos dos homens, nada se estuda do país atualmente, por isso o estereótipo de país atrasado e colonial continua na mente de muitos brasileiros.

    • De uma coisa eu sei, se o livro é verdadeiro ou não, descreve bem a picaretagem do brasileiro.

  3. O autor de «1808» além de um mau plágio, escreveu um livro marcado pelo preconceito e pela fobia, sim. De História não tem nada. Não sabe nada.

  4. Bruno Marinho disse:

    O que eu vi no livro, foi que ele utilizou da ferramenta Wikipedia como uma de suas fontes de pesquisa. Sem falar que a proposta do livro não esta atendendo aspectos de pesquisa, mas de uma propaganda para a venda do livro. Ele utilizou de muitos acontecimentos históricos como: A revolução francesa, iluminismo, falou também sobre Carlos Magno, mas deixou muito a desejar. Por que ele iniciou a comentar sobre determinado assunto que por parte “fugia do contexto Brasil”, mas já que citou esses acontecimentos seria melhor que explicasse um pouco mais sobre eles!

  5. eneias disse:

    Em resumo: O que vemos hoje no Brasil? seria mesmo reflexo de um passado, de uma colonização podre? Bom, é pra se analisar à luz da história claro, mas desde minha infãncia que escuto, vejo, leio sobre corrupção, roubo, desvio de verbas, políticos ladrões no Brasil. Leis que não se aplicam, leis desconstrutoras, hum, acho que tem algo de errado comigo. Seria mesmo o Brasil de outrora 1808? ou uma versão moderna, o fato é que não podemos colocar a culpa no Portugal de hoje, mas sim nos ladrões que assumiram o nosso país, e que não vão sair nem tão cedo.

    • Depois de os portugueses deixarem o Brasil nas mãos de duas ou três gerações de brasileiros, nascidos e criados no Brasil, e essencialmente livres, Portugal não tem nada mais a ver com o que esses brasileiros quiseram para o país que se libertou.

      Daí em diante tudo é responsabilidade de quem tomou as rédeas da governação.

  6. Anna Bispo disse:

    Acabei de ganhar o livro,portando com nada de propriedade para escrever; mas tenho certeza que não vou concordar 100% por no texto descrito acima,pois acho muito pior ter sido enganada na minha infância e adolescência que muitos personagens ” portugueses” no caso, fosse heróis.Como já citamos por outro, toda colonização teve ser lado pobre,no nosso caso…acredito um pouco pior.

  7. Marcelo disse:

    Sinto quando converso com algum latino-americano, particularmente os do hemisfério sul, uma quase que automática, imediata e impensável responsabilização dos EUA, por boa parte das injustiças sociais presentes atualmente em seus países, curioso que enfoquem os EUA devido sua influência forte em todo o continente, e nem tanto a Espanha. Já no que diz respeito ao Brasil as desculpas são semelhantes, mas focadas em Portugal. Aqui é o típico lugar onde, qualquer meio serve para se justificar qualquer fim desde que sirva ao interesse da elite política dominante, e o mesmo se dá em relação a América-latina de uma forma geral. A quanto tempo não ouço um único político de primeiro escalão no Brasil usar a expressão – Eu errei me desculpem – ao contrario, mesmo diante de provas cabais (que a legislação insiste em considerar ilegais), negam descaradamente qualquer responsabilidade, e diante da evidente realidade das pífias notas obtidas por alunos de escolas públicas e privadas em avaliações internacionais, de uma das piores distribuições de renda do mundo, altíssimos índices de criminalidade, baixo índice de IDH, etc… as desculpas continuem sendo as mesmas, ou seja, o governo anterior, o regime militar, a escravidão, e por que não a colonização exploratória por parte de Portugal.
    Isso certamente há de repercutir não somente em literatura popular, mas também artes em geral, o caso é que, verdades anunciadas fora do contexto constituem-se meias verdades ou mais especificamente – mentiras – tão bem contadas e tantas vezes repetidas que se tornam inquestionáveis. O veneno é sutil e o efeito a longo prazo, mas parece funcionar muito bem e não somente no Brasil. Assim se aplaca a consciência dos verdadeiros responsáveis enquanto estes mesmos aliciam o povo com pão e circo afim de que vejam mas nunca enxerguem e continuem pensando que a culpa é dos portugueses.

  8. Adão Menezes disse:

    Concordo com você Marcelo. Ao olharmos para os paises da América do Sul é impossivel deixar de ver, ainda hoje, a herança da colonização que teve foco na espoliação e isso resultou em herança cultural que não se apaga de um dia para o outro. Por certo que não podemos, de forma incompetente e irresponsável, atribuir ao passado a culpa pelas nossas mazelas atuais, mas é certo que ja poderiamos ter evoluído bem mais, mesmo contando com governantes que se comportam de forma exatamente igual a da nobreza de outrora, muito luxo, muito privilégio, muita corrupção, muitos favorecimentos.

  9. Márcio Aurélio Farias disse:

    O que tirei do livro, muita positividade, afinal de contas “é com os erros que se aprende”.
    Vamos já construir um pais melhor!

  10. Rosiléia Nantes disse:

    É inegavel que Portugal explorou o Brasil. E o que somos hoje infelizmente é reflexo ainda desse tempo. Não por culpa de Portugal, mas nossa mesmo. Temos baixa auto-estima, gostamos de nos vitimizar. As terras foram exploradas, houve preconceito e escravidão, mas nos libertamos e pronto. Vamos lamentar até quando? Em contrapartida sentimos culpados pela escridão, achando que devemos algo a alguém, então criam-se cotas e bolsas-auxílios. O povo brasileiro tem pouco senso crítico e nenhum orgulho por si mesmo. Como bem disse o Felipe Muci termos como “tupiniquim” é visto como pejorativo, qual é o problema em ser tupiniquim? A história aconteceu e é história, chega de medo, fobia, vergonha,complexo de inferioridade.

    • Nuno Gomes disse:

      não concordo em nada com isso do “roubar ou explorar o Brasil”.
      O Brasil era colónia… penso que roubar, seria no caso se não fosse colónia ou fosse pertença de outrém.
      Se eu tenho uma fazenda e retiro dela o que ela produz, vc se rouba a sim mesmo? penso que não!

  11. Isla, não é da democracia mandar calar a boca a quem expressa a sua opinião, ainda mais quando essa opinião diz da verdade acerca do livro 1808, de Laurentino Gomes, que se socorreu de muitas fontes inválidas, e o pior de tudo, PLAGIOU o livro do australiano Patrick Wilcken «Império à Deriva – A corte Portuguesa no Rio de Janeiro 1808-1821». com a agravante de lhe ter acrescentado muita poeira de preconceito.

  12. Rodrigo Monteiro disse:

    Excelente sua argumentação Arthur Virmond. Estou lendo o livro “1808” e verificando a bibliografia que o Laurentino utilizou. Como já imaginava, o livro tratou de forma simplista e parcial a nossa história. E tem razão o amigo que comentou “termos como “tupiniquim” é visto como pejorativo, qual é o problema em ser tupiniquim?”. Sou geógrafo por formação e historiador por vocação, e me intriga a forma com que a informação histórica chega à grande massa, manipulada e mal-intencionada. Aliás, intriga-me também o fato de se querer “facilitar a leitura” e torná-la “mais acessível para leitores que se interessam pelos acontecimentos do passado, mas não estão habituados nem dispostos a decifrar a rebuscada linguagem acadêmica que permeia toda a bibliografia sobre 1808 e seus desdobramentos”, como o próprio Laurentino coloca no livro. Esse sentimento de “incapacidade” tem sido disseminado desde sempre, e sobremaneira incentivado. Lamentável.

    • Rodrigo Monteiro, a argumentação de Arthur Virmond é excelente, sim, e a sua observação é muito oportuna. É lamentável que alguém como Laurentino Gomes, que desprestigia o Brasil e Portugal com os seus livros pretensamente “históricos”, possa ganhar o Prémio Jabuti.

  13. Marcos disse:

    Personalmente, no tenía conocimiento detallado de la fascinante historia de la independencia del Brasil, por lo que el libro me sirvió mucho para tener un conocimiento general de los principales sucesos históricos desde la huída de la Corte de Lisboa hasta la República.

    En todo momento asumí que muchos de los hechos relatados, como la personalidad de D. Pedro y D. Joao, así como la suciedad de las ciudad o el estilo de vida “primitivo” sean exageraciones del autor o de sus fuentes.

    Como uruguayo, me decepcionó mucho como el autor simplificó la historia del Uruguay, a quien siempre llama “Cisplatina”. Como todo el mundo sabe, la provincia cisplatina fue un territorio que hoy es Uruguay y Río Grande del Sur, que fue formalmente parte de Brasil solamente 7 años a raíz de una conquista militar muy breve. Siempre fue, cultural y políticamente, una provincia de raíces españolas, más emparentada en todo punto de vista con lo que hoy en día es la Argentina.

    Gomes, en los libros 1808 y 1822, sistemáticamente da por hecho que la Cisplatina siempre fue portuguesa, e incluso la incluye en un mapa ilustrado de comienzos del siglo 19 (gran error); además de olvidarse en todo momento que la Provinvia Oriental (actual Uruguay), incluía lo que hoy en día es Río Grande del Sur, territorio que recién pasó a ser formalmente parte de Brasil con la firma de los tratados de 1851.

    En suma, fueron libros de lectura entretenida y muy ilustrativos de la historia de Brasil para un extrangero que desconoce tan rica e interesante historia, pero exagerado y equivocado en otros aspectos que considero un historiador debería ser más cuidadoso al publicar.

    Saludos.

    Marcos

  14. João Dâmaso disse:

    Li também o livro,largamente referido aqui nestes comentários, e de facto só tenho de lamentar o modo como, quase despercebidamente, se insulta, não só Portugal, mas também o Brasil. Lamentável. Como alguém diz, ” não há povos que tenham o seu passado absolutamente imaculado”. Como PORTUGUÊS tenho um orgulho enorme por, quanto de bom, todos os meus antepassados fizeram e deixaram por esse Mundo fora.

  15. bano rock disse:

    livro bom quem conta o lado verdadeiro da historia de um povo que muito nao admira seu passsdo que acha que o pais esta mau porque os governantes atuais deixaram assim , muitas verdades foram ditas nele que nao agradou os que acreditam no ERA UMA VEZ um pais chamado BRAZIL,todos que por aqui passaram souberam bem explorar o lado nada honesto do trabalho, portugal um pais com tantas colonias pelo mundo nao soube enriquecer pois sempre teve pessoas que nao pessava que isto um dia poderia acabar

  16. José Verdasca disse:

    “1808” e “1822” são fruto da ignorância ou da má fé: se o “autor” ignora a verdadeira história do Brasil, não poderia conspurcar o tema; se não ignora e escreveu falsidades, vomitou preconceitos e espalhou ofensas, deve ter agido por interesse, vaidade, complexo de inferioridade ou qualquer outro sentimento menor e lamentável. Entretanto, caluniou, mentiu e, sobretudo, prestou um péssimo desserviço à sua pátria. Por tanto deve ser punido. j.verdasca@uol.com.br

    • Não poderia estar mais de acordo com José Verdasca.
      E não entendo como este preconceituoso cidadão brasileiro, metido a historiador, conseguiu ganhar o prémio Jabuti que, no meu entender, ficou altamente desprestigiado.
      Quanto á punição, que o autor de “1808” merece… quem terá a coragem de a aplicar?

    • Jeane Carvalho disse:

      Então publique aqui o que acha que são mentiras. Não consegui identificar.

  17. Antonio Carlos Carvalho disse:

    Aliás, repete em 1822. Infelizmente tem espaço na mídia. Por isso sempre digo que a mídia de hoje é a matraca de ontem.

  18. Jeane Carvalho disse:

    Eu, particularmente, gostei do que li. Muito fácil de ler e entender, um livro baseado em documentos e pesquisas. Parabéns ao autor.

  19. Rui tavares disse:

    Para além de insultar Portugal, esse livro é também um insulto ao povo Brasileiro. Será que este senhor não faz parte do movimento separatista do Sul? Se não gostas de viver num país de lingua Portuguesa, então faça o favor de emigrar para o país da sua escolha. O que Portugal consegiu concretizar no Brasil, nem a Alemanha, nem a França, nem a Itália (3 dos 4 grandes da Europa) nunca conseguiram reproduzir. Fora os territórios colónizados pelos Inglêses (parte do plano anglosaxónico para a dominação global, planos que Portugal nunca teve), o Brasil é o único que tem condições para ser uma potência mundial em todos os aspectos.

  20. Santero disse:

    Não concordo com o seu ponto de vista, pois o livro vem de encontro, por exemplo, com o livro “Brasil, um país do futuro”, onde o escritor diz que o que foi encontrado aqui, há 515 anos, atrás foi uma cambada de primitivos canibais que a muito custo alguns foram educados a trabalharem. E a nossa colonização se deu pelo envio de bandidos exilados por Portugal. O nossa território seria um país melhor se tivesse vingado a colonização holandesa.

    • Stefan Sweig, no seu livro “Brasil, país do futuro”, limitou-se a repetir o que a bibliografia de então veiculava, bibliografia, aliás, já completametne superada em relação à alegada colonização do Brasil por bandidos exilados. Vieram alguns degredados,minoria ínfima e que jamais seria capaz de influenciar negativamente o etos das populações que se foram desenvolvendo. Há, hoje, muito mais bandidos à solta, do que vieram degredados há 500 anos; demais, inúmeros crimes punidos com degredo para cá são,hoje, comportamentos inocentes, como sacar de espada em procissão, derrubar árvore frutífera, mulher simular parto. Os holandeses foram os mais violentos e opressores dos colonizadores; vieram para o Brasil não como povo e estado, mas como empresa mercantil, para explorar a riqueza que os portugueses haviam criado aqui. No seu “Fórmulas políticas do Brasil holandês”, Mário Neme desfaz, cabalmente, o mito da colonização holandesa superior à portuguesa. É livro de leitura indispensável./// A sua objeção corrobora o que eu disse no meu artigo: que o livro 1808 mantém os preconceitos em circulação, sem nada de inovador nem de esclarecedor; diz o que o povo está acostumado a reputar como verdadeiro, tanto é verdade que você invoca o livro de Estefano (sim, Estefano, e não Stefan.Faço questão de traduzir os prenomes) Sweig, mais um dos que ingressaram no senso comum que 1080 explora ardilosamente. Também Rocha Pombo, na sua História do Brasil, tem capítulos indispensáveis acerca dos holandeses.

    • Nuno Gomes disse:

      muito bom! “bandidos exilados por Portugal” kkkkkk era melhor que em vez de andar a ver filmes de hollywood, lê-se um pouquinho mais !!!!!
      colonização holandesa?! kkkkk o suriname foi colonia holandesa e como todos sabemos é hoje exemplo de progresso e riqueza no mundo…

      • Se o Brasil actual não é a maior potência do mundo, não é, com toda a certeza, por culpa dos colonizadores portugueses, que, de entre todos os outros povos colonizadores (Ingleses, Franceses, Holandeses, Espanhóis) foram os MENOS BRUTOS.

        Se o Brasil actual NÃO É a maior potência do mundo, pois tinha TUDO para o ser, ficou com todos os “instrumentos” culturais e materiais para o ser, é por culpa de todos os que depois da independência, em 1822, NÃO TIVERAM CAPACIDADE INTELECTUAL para conduzir à GLÓRIA os destino do Brasil.

        Portugal é fruto da mescla de inúmeros povos que invadiram a Península Ibérica.
        Já foi um País grande que deu a conhecer ao mundo, novos mundos.
        Temos a HONRA de nos termos libertado de todos os jugos.

        Os Brasileiros (os menos cultos, obviamente) não podem dizer o mesmo. Além de não terem AINDA se libertado do passado, não conseguem ultrapassar o COMPLEXO DE INFERIORIDADE que os impede de CRESCER como um povo autónomo.

  21. Flavia Peixoto disse:

    Quanto ao autor do blog, ok, tem a opinião dele a respeito do livro, vê preconceito onde eu confesso não ter visto, mas tudo bem. Mas o que essa senhora portuguesa Isabel fez aqui é uma defesa apaixonada, praticamente sem critérios, apenas porque a corte Portuguesa foi descrita de uma maneira que ela não concorda. Já estive várias vezes em Portugal, e em uma delas, com uma pessoa do órgão de turismo de lá, conversamos sobre o “jeitinho” que não é brasileiro, e sim português, e que os brasileiros herdaram, sim, porque embora essa senhora diga que ao ser livre o Brasil poderia fazer o que quisesse e que Portugal não influenciava em nada, os portugueses deixaram legados sociais, comportamentais, culturais, sejam eles bons ou ruins, e que ainda se vê no Brasil de hoje. A senhora defende Portugal como quem defende um time de futebol e ela, que está ainda muito ofendida com o livro, ainda ataca os brasileiros. Sabe quando eu vou ler o livro dela? Nunca.

    • Isabel A. Ferreira disse:

      Pois deixe-me que lhe diga, que não preciso de leitoras iliteratas. O meu livro não é para ser lido por qualquer um.
      Se não entendeu o que escrevi, o que posso fazer? Sugerir que vá ler revistinhas do Rato Mickey, talvez seja mais proveitoso para si.
      Não vou perder tempo com quem não sabe discernir.

    • É típico de certos brasileiros a lógica do bode expiatório: o brasileiro culpa algo ou alguém, mas exime-se de responsabilidades pelas mazelas do seu país. São bodes expiatórios usuais no Brasil o capitalismo, a ditadura militar e… a herança colonial. Atribuir a esta o jeitinho brasileiro é mais do mesmo, é a repetição do etos do certos brasileiros: o jeitinho é defeito brasileiro mas a culpa, por ele, é dos portugueses, o que está longe de estar demonstrado. Ao contrário, é ffalacioso: você observou o jeitinho em Portugal na atualidade e culpou a herança colonial, coisa antiga de duzentos anos: atribuiu aos portugueses do passado o que observou nos do presente. Deveria ter observado o jeitinho de 1500 a 1822 para poder imputá-lo à herança colonial. No mínimo, avaliasse a credibilidade e o valor da fonte (a pessoa do orgão de turismo de lá) ao invés de se deixar convencer por um único testemunho. Um único testemunho serviu-lhe de base para uma dedução histórica e sociológica que envolve generalização de grande envergadura, que compromete 500 anos de história e a psicologia de dois povos – testemunho assombroso e esmagador ! Com um único testemunho, julgou dois povos e 500 anos de história! Estou pasmo !

      Isabel A. Ferreira tem razão: após 1822, o que os brasileiros fizeram de bom e de mal, deve-se a eles, brasileiros, e se houve influência comportamental portuguesa entre eles, cabia-lhes a eles corrigirem-na, se foi negativa. Se não o fizeram, a culpa pela manutenção da incorreção é deles, brasileiros.

      Não vejo ataque nenhum em dizê-lo, porém noto em você, Flávia, algum brio patriótico melindrado. Será que os brasileiros são arrogantezinhos e são incapazes de perceber as suas deficiências? Sim, muitos são – daí o cacoete mental de culpar a terceiros pelo que eles são incapazes de remediar em si próprios. Enquanto esta lógica perdurar (lógica do avestruz) serão os brasileiros os culpados pelos erros do presente, que não conseguem remediar. Imitassem o exemplo dos portugueses: entre eles, quando alguém erra ou falha, assume a sua responsabilidade, o que se observa na política com assiduidade.
      O livro de Isabel merece ser lido e meditado. Enquanto não o ler nunca, será como a avestruz que enfia a cabeça na areia: não sabe nem quer saber, mas sabe opinar sobre o que conhece pela metade, se é que conhece sequer pela metade, e o que sabe, é o lixo de “1808”.

      • Isabel A. Ferreira disse:

        É isso mesmo, caro amigo Arthur.
        Já estou farta deste tipo de argumentação flaviana: fala-se por falar, sem conhecimento de causa. Não se aprofunda nada. E claro, caem sempre no “futebol”. E depois não gostam do que escrevo…

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