Perna fálica.

A gravura destinava-se a promover, comercialmente, certa bota.

Obviamente, as pessoas têm duas pernas e, destarte, usam par de botas (exceto os pernetas). Surpreendente e estranhamente, a personagem da gravura usa três botas e têm três pernas. Duas bastariam: duas pernas é o que todo homem têm. A terceira perna seria teratológica, se real. Não o é: cuida-se de artifício, cujo conteúdo subliminar consiste em associar o produto (a bota) à condição masculina, por sua vez caracterizada (anatomicamente) pelo pênis.

A “terceira perna” situa-se entre as pernas naturais, no exato lugar do falo, que representa. Subliminarmente, exalta-se o pênis longüilíneo e extenso (e flácido), visível a ponto de equivaler a uma perna e de comportar uma bota.

Ora, pênis nestas condições é monstruoso e, se existente, seria incômodo fisicamente, impossibilitaria a cópula, dificultaria a masturbação e motivaria, de certo, constrangimento no seu portador, senões que a propaganda elide.

O sobredimensionamento fálico, ainda que metafórico, não vexa o homem da propaganda nem ele o oculta; ao contrário, exibe-o e serve de meio de divulgação de produto.

A perna fálica, nesta imagem, desperta a atenção do observador para o insólito da terceira, cuja posição perceptivelmente pubiana torna inevitável associá-la ao pênis.

Nos Estados Unidos, talvez a imagem haja passado apenas por excêntrica. No Brasil atual, teria, possivelmente, suscitado a indignação de certo setor mental da sociedade, pela acusação (puritana e mormente de fundo neopentecostal) de afronta aos famigerados moral e bons costumes. Ou, ao contrário, teria confortado parte ao menos do público masculino machista, aderente ao adágio (que me parece tolo e tosco) expresso pela frase feita de que “tamanho é documento”.

Seja como for, fica o registro do etos presente em 1977, em que, ao menos neste caso, o falo serviu como instrumento de promoção comercial.

Perna fálica.

 

 

Anedota fálica e o chafariz-pênis de Curitiba (decepado por influência da igreja católica; artigo deste blogue): aqui.

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