Natalício de Augusto Comte. Positivismo e Sociologia.

 

Natalício de Augusto Comte. Positivismo e Sociologia.

Janeiro de 2009

 

Aos 19 de janeiro de 1798 nasceu em Mompilher, França, Augusto Comte, o célebre criador da Sociologia e do Positivismo. Foi professor de matemática, viveu em Paris; morreu em 1857 e o seu féretro foi acompanhado pela brasileira Nísia Floresta Augusta Brasileira.

Na sua obra Sistema de Filosofia Positiva, em seis alentados volumes, analisou o estado das ciências (matemática, astronomia, física, química) no intuito de averiguar o que elas continham de positivo.

O estado de positividade do entendimento humano e das ciências inclusivamente, consiste em adotar-se como princípio de conhecimento, a observação dos fatos, ao invés da imaginação. Corresponde a um conhecimento positivo o que resulta da averigüação das realidades, princípio que o Positivismo adota e que opõe-no à teologia  e à metafísica.

Teologia é a forma do pensamento que se desenvolve adotando como premissa a idéia de deus, a crença na existência em um ser sobrenatural, de que se originam princípios morais, religiões e sistemas políticos. Foram teológicos, por exemplo, os antigos gregos e romanos, com os seus deuses Júpiter, Apolo, Baco, Netuno, etc. Metafísica é a forma do pensamento que explica os fenômenos com base em abstrações personificadas, em entidades que existiriam independentemente dos corpos, como o éter, a alma, a natureza, a vontade da sociedade etc.

O Positivismo recusa todo sobrenatural (e portanto, toda divindade) e toda metafísica. Ele explica os fenômenos pela averiguação da existência de regularidades na forma como eles se processam, vale dizer, com base nas leis naturais.

O Sistema de Filosofia Positiva averiguou até onde, ao tempo, haviam as ciências adquirido positividade, que A.Comte instituiu em relação aos fenômenos da sociedade. Criou, assim, a sociologia.

No seu livro seguinte, o Sistema de Política Positiva, prosseguiu o desenvolvimento da sociologia, com a introdução de duas áreas do estudo da sociedade: uma, em que considera a estrutura de todas as sociedades, a estática, ou teoria da Ordem; outra, em que considera a evolução histórica das sociedades, a dinâmica, ou teoria do Progresso.

Instituiu, também, uma nova religião. Religião significa conjunto de princípios de moral, de conhecimento intelectual e comportamento que se filiam a certos pressupostos. Há  séculos, as religiões vem sendo teológicas; ele criou um religião positiva: atéia e humanista, baseada no conhecimento da realidade e no reconhecimento da existência da Humanidade, conjunto dos homens e mulheres que, ao longo dos tempos, vem contribuindo, cada qual na medida das suas possibilidades, para o melhoramento da condição humana. Intitulou, a sua, de religião da Humanidade.

Do conjunto da sua doutrina, resultam algumas conseqüências, dentre outras: em ética, a fraternidade universal e o senso dos deveres;  em política, o republicanismo, todas as liberdades civis, a sua subordinação à moralidade;   nas relações internacionais, o pacificismo;  em economia, a destinação social da riqueza e a elevação social das classes baixas;  em ciência, a sua destinação em prol do ser humano;  em religião, a substituição das formas arcaicas (teológicas) pela forma humanista.

E ainda, como espírito positivista, a busca do melhor do ser humano nas realizações de todos os tempos; o conservar melhorando; o substituir para melhor; a cultura geral como aperfeiçoamento individual.

O Positivismo influenciou grandemente o Brasil, na proclamação da República, cuja bandeira contém o seu lema, “Ordem e Progresso”, e incontáveis brasileiros, nas primeiras décadas do século XX: foram-lhe adeptos Teixeira Mendes, Miguel Lemos, Benjamin Constant, Silva Jardim, o general Rondon, Aloísio de Azevedo, Euclides da Cunha, Manoel Rebello, David Carneiro, Ivan Lins, Tasso Fragoso, Júlio de Castilhos, Lindolfo Collor, Vicente Licínio Cardoso, além de incontáveis outros pelo mundo afora, notadamente na França, como ainda em Portugal, Espanha, Itália, Inglaterra, E.U.A., Argentina, México, Turquia.

A obra de Comte é gigantesca, na sua profundidade, na análise do trajeto histórico da Humanidade, nas reflexões que suscita, na originalidade da criação do estudo científico da sociedade. Ela é competentemente estudada na Europa e criticada com má-fé e ignorância no Brasil, em que a igreja católica, sobretudo no passado, e o marxismo, sobretudo no presente, atacam-no, aquela como doutrina que substitui deus pela Humanidade; este, pela consideração (grotesca) de que o Positivismo exprimiria uma ideologia a serviço da burguesia capitalista.
   Recomendo “A república positivista”, da minha autoria; “A sociologia de Augusto Comte”, de J. Lacroix e “A desinformação anti-positivista no Brasil”, da minha autoria, também;adquiríveis por www.estantevirtual.com.br .

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