Purismo.

Os idiomas recebem influências semânticas estrangeiras, na forma de palavras que acabam por se lhes incorporar. São os estrangeirismos, de que muitos são dispensáveis e desnecessários, sempre que houver palavra vernacular equivalente. Por exemplo (no caso do português):

– se temos tapa-luz e guarda-luz, não carecemos de “abajur”, do francês “abat jour”.
– se temos insulado, não carecemos de isolado, do francês “isolé”.
-se temos maciço, abandonemos o massivo, do inglês “massive”,
– se temos pormenor e minúcia, usemo-los em lugar de detalhe, do francês “detail”.
– se temos com base em, a contar de, de [tal dia] por diante (e outras formulações equipolentes), abandonemos o “a partir de”, do francês “a partir de”.
-se temos até, preteramos (do verbo preterir) o mesmo, do francês “même” (em construções como: “Mesmo ele gostou”).
-se temos boieiro, vaqueiro, pegureiro, repudiemos caubói, do ingês (cowboy [moço-vaca]). Vi “caubói” em título de livro recente: achei péssimo.

Não leva a nada alegar que as importações são naturais; elas são evitáveis e devem ser evitadas sempre que subalternizem e até eliminem as palavras do idioma. Ora, os estrangeirismos quase sempre resultam na eliminação das palavras do próprio idioma e no prevalecimento do estrangeirismo, o que acaba por “poluir” o idioma.

É grande engano pensar, como muitos ingênuos pensam, que os idiomas devem ser enriquecidos com importações, como se toda importação fosse necessária ou fizesse falta. Somente fazem falta se faltar o termo vernacular, se inexistir palavra em português. Quando alguém se mostra receptivo aos estrangeirismos, suspeito de que o sujeito tem vocabulário pobre: conhece poucas palavras do português, conhece as do inglês, do francês (etc.) e logo conclui que “os estrangeirismos são necessários”, “são tantos, que sem eles não dava para a gente falar”, “eles aumentam os recursos da gente”. É a voz da ignorância.

Leia Machado de Assis, Aluísio de Azevedo, José Saramago; consulte, assiduamente, bons dicionários.

Ser purista significa preferir o léxico vernacular (as palavras genuínas do português) em lugar dos estrangeirismos, das importações, das imitações, das traduções imitantes. Seja purista, orgulhosamente: sê-lo é motivo de orgulho.

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