Ciúmes e amizades.

CIÚMES E AMIZADES.

Arthur Virmond de Lacerda Neto.

12.VIII.2016.

Há maridos, mulheres e namorados ciumentos, que induzem os seus respectivos parceiros à frieza no trato com pessoas a quem usualmente tratam com algum calor, na ausência deles, ou fora do namoro ou da relação conjugal.

Por exemplo: dado advogado era amigo de uma colega sua, advogada, com quem se encontrava, fortuita porém repetidamente, no fórum. Ela o tratava com amabilidade e à vontade. Casou-se; quando encontrava o advogado, na presença do marido, tratava-o com frieza, quase como se o desconhecesse ou como se lhe desagradasse a presença.

Outro: Fuão tinha um amigo. Não eram amigos próximos, porém simpáticos e quando se encontravam o amigo o abraçava e conversavam com à vontade. Certo dia, Fuão cruza-se com o amigo, este acompanhado do seu namorado, que apresenta como tal a Fuão. Ao vê-los juntos, Fuão suspeitou tratar-se, o outro, do namorado do amigo, pela forma contida como o amigo o saudou e os apresentou: sem rudeza, com frieza, sem à vontade, com inibição. Fuão limitou-se a cumprimentar o namorado e despediu-se de ambos, com recíproca frieza. Mais: ali terminou a amizade que travara com o amigo.

É obviamente compreensível que os cônjuges e os namorados priorizem os seus respectivos cônjuges e namorados a terceiros. Os amigos ou semi-amigos são terceiros. Mas… tratar com frieza súbita quem até então se tratava com calor ou com simpatia ou com à vontade, sem que o amigo ou semi-amigo haja causado o retraimento, equivale a passar a sub-tratá-lo, a passar de tratamento melhor para pior.

Agora, ponha-se no lugar do amigo ou do semi-amigo: ele era tratado de dado modo e passa a ser sub-tratado. Ele até pode compreender a atitude  de quem o trata assim, porém… será que quem o trata assim põe-se no lugar dele e percebe que ele pode sentir-se mal-tratado ou destratado ? Percebe que as pessoas são sencientes (dotadas de sentimentos) e sujeitas a ressentirem-se por serem tratadas com menos afabilidade, menos calor, menos atenção, menos cortesia com que até então  eram tratadas ? Percebe que, na mudança de mais para menos, a pessoa prioriza a sua relação afetiva, evita os ciúmes do outro ou da outra mas… às custas, virtualmente, de magoar um terceiro inocente, como se o terceiro inocente, por princípio, cobiçasse platonica ou luxuriosamente o amigo ou semi-amigo, como se representasse perigo para os pombinhos?  Será que um dos pombinhos é possessivo ou é inseguro na relação com o outro pombinho, ou ambos ?

Quanto a mim, não tenho pachorra para certos comportamentos. Não sou (ninguém é) obrigado a aceitar tudo nem a compreender tudo dos outros. Quando o pombinho, meu amigo ou semi-amigo, passa a tratar-me do modo-sub, para mim, termina a amizade. Tem ele os seus motivos para tratar-me assim; tenho eu os meus para reagir-lhe assim, cada qual com a sua liberdade, ele com a de tratar-me diversamente e eu com a de reagir-lhe mal ao novo tratamento.

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Uma resposta para Ciúmes e amizades.

  1. Flaviana Inacio Vieira disse:

    Excelente!!!Adorei o artigo Professor.

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