Aceder a; ligação; dispor; sítio. Estrangeirismos e certos lingüistas.

   Amigos:

    Faço uma sugestão a todos: que se adote  terminologia em bom português, nas nossas  comunicações eletrônicas, orais, acadêmicas e pessoais:

 
    aceder ao curso, aceder à sala, ao invés de acessar, que existe…em inglês.
 
   Aceder a, aceder ao= ter acesso a, ter acesso ao.
 
   Ligação= “link”, em inglês. Ligação do plano de ensino, ligação do Orkut.
 
    Dispor: por à disposição de. Dispus a matéria no AVA; as notas estão dispostas na rede; e não disponibilizar que existe…em inglês.
 
    Dispor e não disponibilizar.
 
    Sítio e não site. O sítio da Facinter; artigo que dispus no meu sítio.
 
   
       Se temos, na Língua Portuguesa, o verbo aceder a (antigo de mais de setecentos anos!!!)  e temos a palavra ligação, a que correspondem “to access” e “link”, por que não usarmos o nosso idioma ao invés de imitarmos o inglês?? 
     Se temos, na lingua portuguesa, o verbo dispor e o substantivo sítio, a que correspondem “to access” e “site”, por que nao usarmos o nosso idioma ao invés de imitarmos o inglês ??
 
   O idioma é um valor cultural, um patrimônio de civilização e há, sim, diferenças de qualidade entre um bom português e um mau português; entre falar Português verdadeiro e imitações de outros idiomas.
 
    Aceda, pela ligação abaixo , a “Aula de inglês”, que dispus no meu sítio:
 
     
   Já nem falo de cretinices como colorizar (colorir), visualizar (ver), inicializar (iniciar), contratatualizar (contratar), formas de babaquizar (esta inventei eu) o idioma.
 
   Há diferença de valor entre o português castiço e o americanizado; entre as palavras legítimas da língua e as que criam por imitação, ignorância, pedantismo ou afetação. Há o bom português e o mau português; há palavras melhores e piores: são melhores as castiças, são piores acessar, link, inicializar, site e assemelhadas.
 
  Nada significa acharem-se elas nos dicionários. Registre-as o Aurélio ou o Houaiss, eles não abonam as palavras; a sua presença neles não as recomenda, não as autoriza, não as torna recomendáveis. Os dicionários limitam-se a registrar as palavras; eles constituem meros catálogos delas, que mencionam tudo quanto se usa, de bom e de mau, assim como os livros de medicina catalogam as enfermidades: não é porque tais livros catalogam-nas, definem-nas, descrevem-nas, que elas são recomendáveis ou equivalem à saúde.
 Raciocina  ingenuamente quem julga que, por acharem-se dicionarizados os americanismos, eles podem ser usados normalmente e adquiriram legitimidade. Não: eles não adquiriram legitimidade e não devem ser usados.
 
   
        É tão melhor, mais fácil, mais natural, falar em bom Português; como é cafona e pobre americanizar a língua !!
        Movimento Nacional em Defesa da Língua Portuguesa:
       

              Disponibilizar entrou em circulação no âmbito dos vários anglicismos que acompanharm a difusão da rede.

              Dizer que disponibilizar é castiço porque provém de disponere, latim, é sofismar. O que provém de disponere é dispor.

            Quem importa a tecnologia, importa a terminologia, alegam alguns, resignadamente, em relação à tecnologia informática, de origem norte-americana. De que se importe a primeira,não é obrigatório,não é necessário, não é indispensável que se adote a segunda.

            Ao contrário, onde houver educação lingüística, haverá a tecnologia alheia com terminologia própria. Para isto há traduções, há dicionários, há a rica imaginação do brasileiro, há neologismos. Em Portugal, na Espanha, na Argentina, no Uruguai, importa-se muita tecnologia informática dos E. U. A. e praticamente tudo se traduz para o português e para o espanhol. Importa-se tecnologia, porém não a terminologia.

            No Brasil, faz falta ter-se o idioma como valor e não como desvalor. Tê-lo como valor leva a procurar sabê-lo bem e a usá-lo bem, o que, por sua vez, inclui preferir a terminologia própria, ao invés da alheia, ou seja, a traduzir, a adaptar e não a usar, passivamente, os termos do inglês, sem racionalidade nem necessidade.

            É uma questão de educação, de formação, de mentalidade. A nossa atitude em face das coisas, da vida, das pessoas, decorre do nosso entendimento acerca delas; a nossa atitude em face dos estrangeirismos decorre do nosso entendimento acerca deles: no Brasil, há décadas, entende-se que os estrangeirismos são bem-vindos, em parte devido ao nosso complexo de inferioridade, à nossa mania de imitação do estrangeiro, à nossa falta de identidade cultural. Em outros países, dá-se o contrário disto: argentinos, chilenos, espanhóis, franceses, italianos, portugueses (para citá-los alfabeticamente) prezam os respectivos idiomas, zelam por eles, aprendem-nos, usam o que aprenderam. Usam-nos: e não estrangeirismos. Não que nos demais países não haja anglicismos e estrangeirismos; há-os, contudo menos, muito menos do que entre nós. Os demais povos procuram traduzir ou adaptar, ao passo que nós os adotamos servil e passivamente, vale dizer, sem critério nem discernimento.

            Alguns aceitam os estrangeirismos como se eles representassem uma fatalidade, como se não se devesse reagir a eles; são pessoas que aceitam os fatos consumados.

            Acessar, site, disponibilizar, link e os demais americanismos, são porcarias; são poluição lingüística. Por que usar em inglês em não em Português? Por que não traduzir se é possível fazê-lo ?

            Há muito blá-blá-blá pelo qual se visa a justificar os americanismos, sempre  com a mesma mentalidade do idioma como desvalor: o complexo de inferioridade perante os. E.U.A., o desejo de “modernizar-se”, pedantismo, cabotinismo, ignorância, ostentação.

            Se há equivalente vernacular, o estrangeirismo  não se justifica.

            Circula futebol e não pedibola? Que pena. Que pena que, ao tempo da introdução de  “futebol”, a mentalidade já era a do desvalor. “Futebol”, de “Foot” e “ball”: pés e bola. Jogamos “pésbola”. “Futebol” é um americanismo ridículo e dispensável: dispomos de jogo de bola e de pelada.

            “O que seria de nós sem “abajour”, “lingerie” etc.?”, soem objetar-me:  usaríamos os equivalentes vernaculares: tapa-luz (ou quebra-luz ou pandalha ou bandeira) e roupa interior. E rato para “mouse”. Ou por acaso “mouse” não é rato, em inglês? Como o americano chama o rato? De “mouse”. Chama-o de rato, no idioma dele. Por que não deveríamos chamá-lo de rato, em Português ?

            Rato não se difundiu, no Brasil. É pena. Porém difundiu-se em Portugal, na Espanha, na Argentina: tal é a diferença entre nós e outros povos: eles valorizam o seu idioma. Em Portugal, na Espanha, na Argentina e em outros países, fala-se o idioma nacional e faz-se questão dele; cá, toda importação é recebida com indiferença, mesmo com júbilo, como se representasse um avanço.

            Aqui, inglês e português, tudo é igual. É uma questão de educação lingüística, de formação do povo. Nós, nisto, ao menos, somos povo sub: sub desenvolvido, sub letrado, sub culto, sub formado.

             Os estrangeirismos são, sim, cafonas e de mau gosto. É  juízo subjetivo que posso ter, que todos podem ter. As pessoas podem, mesmo devem, exercer juízo crítico sobre as coisas, e diferenciar o belo do feio, o bom do mau, o pior do melhor, em literatura, em arte, em cinematografia, em decoração, em língua.

   Há, sim, palavras melhores e outras, piores. Considero melhores as do meu idioma; considero piores as estrangeiras, no meu idioma. Elas não o enriquecem; poluem-no, desfiguram-no. Não as aceito passivamente, como fatalidades, que não o são, nem como necessárias, nem como indispensáveis. 

             Os outros podem considerar maravilhoso dizer “marketing”, “off”, “inicializar”, “stand by”, caubói (vaqueiro), trâmuei (ônibus). Quem gosta destes vocábulos, use-os; eu não gosto deles, não os uso e os combato. Combato os estrangeirismos no meu idioma; defendo o uso do meu idioma. Ou deveria ser ao contrário  ??

            Para se possuir capacidade crítica, discernimento, senso de gosto, identidade cultural, amor ao idioma, não são necessários altos estudos nem títulos acadêmicos (especializações, mestrados, doutorados e PhDs). Eles propiciam mais conhecimento e, não necessariamente, melhor critério; acrescentam informação, porém, não necessariamente, formação; somam quantidade do que se sabe, porém, não necessariamente, discernimento nem bom senso em relação a tal saber.

            Não leva a nada alegar a condição de especialista, mestre, doutor, Phd em áreas como lingüística  e ostentar qualificação acadêmica, para impressionar o interlocutor, na justificativa dos estrangeirismos, se a argumentação de quem é assim titulado for  tacanha e pobre. Títulos não são argumentos; podem, ao contrário, constituir demonstração de vaidade e chegar a representar prepotência intelectual. Não me impressionam.

       (São os formados e titulados em Lingüística os únicos que me objetam, quando combato os estrangeirismos, sempre com a mesma atitude e idêntica orientação: a orientação de que os estrangeirismos não devem ser combatidos e devem ser admitidos com toda a naturalidade; a atitude de encarnarem eles, titulados em Lingüística, os detentores exclusivos da sabedoria relativa ao tema. Eles sabem, nós outros, ignoramos; eles podem opinar a respeito, nós outros, devemos nos calar; as opiniões deles são as únicas válidas, as dos outros, desprezíveis. Até hoje, nenhum lingüista, por mais titulado que seja, dissuadiu-me nem me convenceu, nem me demonstrou superioridade de discernimento e bom senso, embora ostentasse os seus títulos de Professor Doutor em Lingüística pela Universidade Tal ou de Mestre ou de Doutor, sem o de Professor. Ser assim revela que os doutores e os quase doutores encontram razões a favor dos estrangeirismos e não as encontram a favor da pureza do idioma. Alguns são fatalistas: o que é, devia ser; logo, que seja. Ignoram a capacidade humana de intervir na sua realidade e modificá-la; abstém-se de critérios axiológicos em relação à pureza do idioma e à presença, nele, dos estrangeirismos; privam-se e pretendem privar os outros de discernimento em relação ao que é vernacular e ao que é importado.  Conclusão: quanto mais sabedor de Lingüística, menor o senso do idioma como valor e maior o servilismo em face dos estrangeirismos. É para isto que serve ser titulado em Lingüística, em relação a certas pessoas: para submeter-se à desfiguração do idioma, para ostentar títulos, para tratar os demais com soberba, ou seja, para prestar desserviço à cultura e à identidade nacionais, para satisfazer à sua vaidade, para se tornar arrogante. Nem todos os lingüistas são assim, presumo; os que o são, demonstram que os altos estudos podem contribuir para estragar o patrimônio cultural brasileiro e para piorar os que os realizaram.). 

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4 respostas para Aceder a; ligação; dispor; sítio. Estrangeirismos e certos lingüistas.

  1. Antonio Vinancio disse:

    Concordo! Os americanismos, a meu ver, são resultados do desleixo e da negligência do brasileiro para com seu idioma. Verdade: os dicionários somente registram, sem fazer nenhum julgamento de valor. Se há a concepção de que os ciganos são trapaceiros, o Houaiss apenas deve registrar tal ocorrência, não sendo dele a responsabilidade de analisar socialmente o caráter dessa acepção.

  2. Antonio Vinâncio disse:

    Engraçado; quer dizer, lamentável. Estrangeirismos sempre me pareceram pedantes, esnobes. Mas houve, a meu ver, uma inversão de valores. Agora mesmo, ao enviar um mensagem para uma colega, que é doutoranda em Linguística, achei meio estranho trocar link por ligação. Acabei optando pela primeira forma. Acho que me senti influenciado por ela, que usou o mesmo termo. Enfim: quem usa uma palavra do português, às vezes, corre o risco de se passar por “ET”, tamanha é a nossa alienação. É de lamentar mesmo!

  3. arthurlacerda disse:

    Bulimento, bulir e bulidor; não “bulliyng”.
    Há, na língua portuguesa, palavras que substituem perfeitamente “bulliyng”.
    http://www.estadao.com.br/noticias/geral,bullying-e-bulir-com-a-lingua-portuguesa,726993,0.htm

  4. ronsoar disse:

    A língua transporta consigo a cultura e a afirmação das civilizações que a utilizam. A aceitação pura e simples de expressões de outras línguas – sobretudo, inglesas -, sem que sejam amoldadas à língua portuguesa, é um demérito cultural, um rebaixamento, uma mostra de servilidade linguística e cultural que não deveria haver em uma língua que nada deve em relação a outras grandes línguas. Tão ruim quanto isso, ou talvez pior, é a falta de conscientização do povo brasileiro em relação à sua cultura e à importância de sua língua. Não devemos ter vergonha da língua portuguesa. Em outros países, mesmo em Portugal, o idioma é visto como valor, enquanto no Brasil, quando é visto, veem-no como desvalor e comparam-no com lá forá, sempre visto como melhor.

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