Acessar, disponibilizar: porcarias.

ACESSAR, DISPONIBILIZAR: PORCARIAS.
ACEDER A, DISPOR: VERBOS CORRETOS.

A ignorância do idioma no Brasil é fato típico da maioria dos brasileiros, nos últimos cerca de quarenta anos. Ensina-se mal, sabe-se mal, usa-se mal o idioma. Entre nós, não é desprestigiante falar-se mal, com solecismos: ao contrário, alguns teóricos, com as suas falsas e perniciosas doutrinas de que a) inexiste certo e errado, porém b) variantes lingüísticas, acabam por legitimar todo erro e todo primarismo.

O brasileiro médio fala muito mal o seu idioma. Há, aqui, professores e até doutores com doutorado cuja habilidade de comunicação é inferior ao das crianças portuguesas: a diferença está em que, em Portugal, valoriza-se o idioma, que lá se ensina a sério. O português médio, o homem comum português, sabe mais os recursos do nosso idioma e usa-os, diferentemente do que se passa no Brasil, em que não se aprende e se negligencia o que se aprende, o que reputo duplamente vergonhoso. Aqui, também se aprovam automaticamente as crianças até a quarta ou a sétima série: criam-se burros.

Um consectário da ignorância idiomática radica na circulação de estrangeirismos: o indivíduo ignora os termos do seu idioma, porém estuda inglês; algum ignorante, que sabe inglês e não sabe português, por imitação, inventa uma palavra; usa-a; os demais, igualmente desconhecedores do que deveriam saber, adotam a novidade. É o caso dos estúpidos verbos “acessar” e “disponibilizar”.

Há séculos existe o verbo (transitivo indireto) ACEDER A: significa “ter acesso a” e “aceitar”. Por exemplo: acedo ao recinto; acedi ao Facebook; aceda à página do banco.

O Brasil é o único país da Terra em que se usa esta porcaria: em Portugal, na Espanha, na Argentina, na França, na Itália, no Uruguai, no Chile, no México e nos mais países de línguas novilatinas, usa-se “aceder a”.

Alguém leu “to access” e fabricou “acessar”. Soubesse o seu idioma e conheceria “aceder a”.

É o mesmo caso do estrambótico “disponibilizar”. Em português, é DISPOR: dispus o material para os alunos; o governo disporá vacinas; as mercadorias estão dispostas para os fregueses.

Agora, que tu conheces o certo, podes (e deves) usá-lo. É correto elegante.
“-Mas se eu usar, ninguém vai entender”. Ninguém ? Quando introduziram as porcarias destes estrangeirismos, as pessoas não as entenderam ? Entenderam. E não entenderão os vocábulos vernaculares ? Entenderão.

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