As crianças, a “pedofilia” e os interesses eleitorais.

A EXIBIÇÃO DO ARTISTA NU E AS CRIANÇAS.

 Notinhas esparsas…

75% da população brasileira, pelo que consta, é analfabeta funcional.
Rara gente, no Brasil, lê livros. (Quantos livros você leu neste ano ?).
Rara gente, no Brasil, assiste a exposições de arte.
Abundante gente, no Brasil, é evangélica.
Abudante gente, no Brasil, é mal informada.
Abundante gente, no Brasil, tem “opiniões” de senso comum.
Abundante gente, no Brasil, é manipulável e influenciável.
Abundante gente, no Brasil, é odienta.
Abundante gente, no Brasil, é incapaz de entender o que se passa e o que se passou, em política, economia, relações internacionais. Porém aludo aos costumes e aos mais recentes sucessos.

 

OS VEADOS E AS CRIANÇAS (veado não me é palavrão).

O alvo dos retrógrados (em geral, religiosos) e de certos manipuladores de massas era, até muito recentemente, a homossexualidade, que já lhos deixou de ser, quase de todo. Perceberam, certamente, a tendência crescente do público esclarecido e do público, em geral, de aceitação e de incorporação do casamento homo, nos costumes.
Agora, o alvo é a “proteção das crianças”, bem mais aliciante.
O alvo antigo suscitava-lhes repugnância; o atual, suscita-lhes benevolência de que, tendencialmente, toda a gente compartilha.
Repare: salvo a ação judicial pró-“reorientação sexual”, cessou a grita anti-homossexual, em cujo lugar instaurou-se a histeria pedofília e puerfílica.
Certamente homofobia é diferente de puerfilia; o primeiro constitui preconceito odiento; o segundo, sincera preocupação com as crianças, que certos grupos e pessoas vem usando como álibi político, estratégia de captação de simpatias e de cooptação eleitoral.
Em ambos casos, o elemento comum radica na suposta “defesa da família” em face de alegadas ameaças. Já presente o casamento homo, as famílias “tradicionais” prosseguem, incólumes: ele não as prejudicou em nada; ao mesmo tempo, a pedofilia existe nas próprias famílias “tradicionais”, com gente vestida.
Nos anos de 1970, malgrado a oposição dos conservadores e da igreja católica, aprovou-se o divórcio, com a gritaria de que ele era inaceitável, contrário aos costumes do povo brasileiro, atentatório dos valores da família brasileira.
Divórcio, casamento homo, homoafetividade, infância: mais do mesmo, quero dizer, o “valor da família” como valor político de resultado, ao fim e ao cabo eleitoral.
Pergunto-me por que o brasileiro é tão sensível à família; por que ele teme (se é que teme) tanto (se é que é tanto) a suposta destruição da família tradicional (notadamente os evangélicos, mais suscetíveis a tal tipo de alarme e de enorme importância eleitoral. Escandalizá-los é valioso para os mentores eleitorais; eles constituem volume de votantes assaz significativo, como massa de manobra.                            Dispenso-me de avaliar o nível dos parlamentares da bancada teocrática: reles. Obviamente os seus eleitores antagonizam-me, neste capítulo.).
NÃO USURAM (AINDA O POLIAMOR): USARAM AS CRIANÇAS.

Postei isto há um ano [em 6 de outubro de 2017; sobre poliamor, abaixo].                   Prognostiquei que o discurso religioso-catastrofista atacaria o POLIAMOR.

Neste comenos, não se confirmou, porém explorou-se a QueerExposição e a exibição do MAM, em relação à (suposta e falsa) incitação à pedofilia, com resultados excelentes, para os interessados: João Dória obteve 82% de aprovação; Kim Kataguiri lança-se como candidato a deputado federal. Ambos repudiaram a exposição e a exibição.

Moralidade 1: usar a suposta defesa das crianças é politicamente muito eficaz.

Moralidade 2: a turba, desinformada e emocional, é manipulável. Ela compôs-se, nestas duas ocorrências, de homens de direita, com 40% de evangélicos.

Moralidade 3: aos manipuladores, pouco se lhes dão arte e crianças. Interessa-lhes posturarem de guardiões da moral e dos bons costumes, e serem eleitos.

Moralidade 4: a deturpação de fatos, a parcialidade, o exagero, o sensacionalismo, o alarme injustificado, a histeria coletiva são instrumentos valiosos no uso político de valores morais (“defesa das crianças e da família brasileira” e culturais.

O que postei em 6 de outubro de 2016:

PALPITE. POLIAMOR, NOVA AMEAÇA À “FAMÍLIA TRADICIONAL”.

            1) É crescente a liberdade de costumes em relação à homo e à bissexualidade.
            2) É visível a liberdade de costumes em relação à homossexualidade.
            3) É irrefreável, na parcela esclarecida e jovem da população, a receptividade à condição homossexual (menos homofobia, mais indiferença).
            4) É importante, para muitas igrejas, o discurso catastrofista: do anúncio do apocalipse, a infusão do medo, da infusão do medo, a cobrança mais eficaz do dízimo.
            5) As igrejas prosseguirão insistindo no seu já cediço lema da “defesa da família tradicional”.
            6) Porém mudarão de objeto: ele será menos o casamento homo e passará a ser o poliamor.

            O poliamor será brandido como a nova ameaça à família tradicional.
            Fica o palpite. Correto ou errôneo, como previsão, o futuro dirá.
            De que lado estou, escusa de dizer mais do mesmo: do lado da liberdade.
            Cuide da sua vida que, da alheia, cuidam eles. Cuide do seu casamento, que do alheio cuidam eles.

            Em tempo: os mórmons, que são cristãos, são poliamoristas há cerca de 160 anos, com base na Bíblia, em nome do senhor Jesus.

 

A associação entre nudez e sexo (nudez = sexo) é artificial, decorre da religião (cristianismo) e é desmentida pela nudez de muitas famílias e pelo nudismo praticado no Brasil e, máxime, na Europa, há gerações e décadas. Conotar nudez com sexualidade é atitude típica de brasileiros, formados no etos cristão-pudico e gimnofóbico (que recusa a nudez, como escandalosa).

Na Alemanha, 7 milhões de pessoas são nudistas; a pequena Croácia recebe, por ano, milhão e meio de turistas nudistas, em que há também crianças; os gregos antigos praticavam a nudez e ninguém se horrorizava com isto nem tachava a nudez de libertina nem de depravada, adjetivos que os escandalizados do momento vociferaram contra o artista e a exibição do MAM, o que me revela a sua deles ignorância da cultura do corpo livre, tal como ela existe na Europa e também (conquanto menos) no Brasil, e a sua deles alta erotização da nudez, e, presumo, o seu deles (de alguns ? de vários ? de muitos ?) desejo pedófilo: julgaram a exibição por si próprios ao invés de a julgarem pelo intuito dela e pelo que realmente nela se exibiu.

DECLARAÇÃO DA ASSOCIAÇÃO MÉDICA BRASILEIRA:
“Com relação à La Bête, recentemente encenada no Museu de Arte Moderna de São Paulo, a Associação Médica Brasileira (AMB) vem a público fazer um alerta:

– Não consideramos a performance adequada, pois expõe nudez de um adulto frente a crianças, cuja intimidade com o corpo humano adulto, de um estranho, pode não ser suficiente para absorver de forma positiva ou neutra essa experiência.

– Evidências científicas comprovam que situações de nudez, contato físico e intimidade com o corpo são próprias do desenvolvimento humano, mas positivas , desde que ocorram entre pessoas com perfis equivalentes, quanto à idade, maturidade e cultura. Ou entre adultos e crianças cujo vínculo e convivência cotidiana definem esta experiência, de forma natural e sem caráter exploratório previamente determinado.

– Do ponto de vista do adulto (que se apresenta nu e disponível para contatos físicos com crianças) não se consegue alcançar o mérito dessa proposta e/ou sentido artístico, educativo desse roteiro teatral.

Recomendamos que pais e educadores se disponham a trabalhar a sexualidade de seus filhos e alunos, para lhes oferecer a melhor educação sexual, e os prevenir de situações inadequadas, as quais podem ter repercussões imprevisíveis, dependendo da vulnerabilidade emocional de cada criança ou púbere, mais até do que da intensidade da experiência.
Associação Médica Brasileira.”.

Considero que tal declaração exprime, também ela, o etos típico do brasileiro, nos seus segundo e penúltimo parágrafos, em que ela não o transcende ou, por outra, os seus autores, conquanto médicos, acham-se submetidos ao etos típico dos brasileiros, especialmente no penúltimo (desentendimento do que é ou pode ser arte).
A declaração contém as virtudes da moderação de linguagem e do tom sereno. Considero úteis e valiosas as observações e a recomendação final da declaração.
A segunda frase do terceiro parágrafo da declaração admite, expressamente, o caráter positivo da nudez entre adultos e crianças, “cujo vínculo e convivência cotidiana definem esta experiência de forma natural”, ou seja, a Associação Médica Brasileira atesta que “evidências científicas” afirmam o caráter inocente e até positivo do nudismo familiar, presente no etos dos europeus há décadas.
Há “evidências científicas” no sentido de que a nudez dessexualizada entre adultos e crianças é inócua (tentarei encontrar as matérias respectivas para postar-lhes as ligações). Na Europa, é tradicional a cultura do corpo livre (F.K.K.), em que se pratica o nudismo social, que inclui crianças (entre adultos), há décadas e gerações, na Alemanha, Austria, Inglaterra, E.U.A., França, Espanha, Dinamarca, Croácia etc.

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