Americanismos no idioma.

Quinze anos atrás, os estrangeirismos (especificamente, os anglicismos) eram prega idiomática no Brasil: quem podia, empregava-os, a torto e a direito; muitas vezes a torto, ou seja, com impropriedade, sem saber o que dizia. Porém, o importante era meter na sua redação ou na sua fala alguma palavra em inglês. Era assim em reuniões profissionais, no jornalismo, no cotidiano, em nomes comerciais (por exemplo: em Cu ritiba, quase todas as lojas tinham nomes em inglês. A marca Rejane passou a chamar-se “Mix & spices”, dentre outras).

Aos poucos, as pessoas perceberam o vazio, a ausência de sentido, o artificialismo e o pedantismo que praticavam.

Quinze anos atrás, havia defensores acérrimos da liberdade idiomática, que pugnavam pelo uso de americanismos (era já o pessoal hoje da direita pró-EUA e os discípulos da socio-lingüística). Já então eu os combatia acérrimamente e defrontava-me com a irracionalidade, com a teimosia, com a tolice, com o pedantismo e a vaidade. Tachavam-me de quixotesco e proclamavam que os estrangeirismos eram inevitáveis, que a língua muda e outros chavões.

Hoje, a mentalidade mudou: recusar os americanismos não é quixotesco, eles são evitáveis, a língua pode mudar sem eles.
Parece-me que começa a haver apreço pelo idioma, em meio a gerações de estudantes sub-preparados, avessos ao hábito da leitura, viciados nas doutrinas de Marcos Bagno (“bá gno”).

Americanismos.
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