Curitibano entra de cueca no chuveiro.

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Observe a descontração das pessoas nas fotografias acima, com exceção do que se banha de cueca: ele não está em Curitiba, porém envergonha-se do seu pênis, enquanto não se envergonham os demais rapazes da mesma e das outras fotografias. Faz sentido envergonhar-se do próprio pênis? A chamada nudez frontal é escandalosa? Ou é a sua mentalidade que é complicada demais ?

CURITIBANOS QUE ENTRAM DE CUECA NO CHUVEIRO E DELE SE RETIRAM DE CUECA. Há certos comportamentos, em Curitiba, que me deixam perplexo. Já não menciono a incapacidade do curitibano de interagir com as pessoas, o seu silêncio, a sua introversão e, sobretudo, a sua regra de ouro “não falo com estranhos”. Também me deixa estarrecido que pretendam nominar certos bairros da cidade de Cabral Soho, Batel Soho, em autêntica manifestação de complexo de inferioridade ou como expressão da gabolice de que Curitiba é “européia”.

Outra peculiaridade que merece reflexão, acerca do modelo mental do curitibano é a de que em ginásios de musculação de Curitiba, os homens despem-se nos vestiários, porém naõ de todo: exceto a cueca, com que ingressam na cabine do chuveiro. Os chuveiros constituem compartimentos em que cada indivíduo acha-se isolado dos demais. Ninguém vê ninguém no banho. Os homens retiram-se da cabine do chuveiro de cueca: não querem expor a sua genitália.

Será, talvez, porque se masturbam durante o banho (banhos de quinze minutos, às ocultas) e desejam ocultar a tumescência do seu pênis, efeito para o qual a cueca é providencial; ou porque o falo do curitibano é pequeno, ele envergonha-se disto e deseja poupar-se de comparações. (Falo, do latim phalus, é sinônimo de pênis, do latim penis, sinônimos do vulgar pinto).

Provavelmente, contudo, eles entram na cabine de cueca e dela se retiram, também de cueca, porque prevalece, em Curitiba, a pudibundaria, a vergonha da genitália, a genitália como parte indecente.

Eu, que vivi na Europa (Europa, curitibanos!), considero este comportamento ridículo, arcaico, sem sentido. Parece convento. Curitibanos metidos a “europeus” com mentalidade e usos de terceiro mundo e de antanho. Nos E.U.A. e alhures, os chuveiros são abertos, destituídos de paredes entre os seus usuários que, assim vêem a nudez do seu vizinho, com naturalidade, sem a introdução, mesmo inconsciente, do modelo mental segundo o qual certas partes do corpo devem ser ocultadas. Aqui, todavia, os chuveiros no vestiário masculino são compartimentos isolados por paredes e por portas de vidro opacas: ninguém vê ninguém.

Curitibano pudibundo, envergonhado do seu corpo, careta. Parece convento, seminário, colégio de padres.

Devido à lenda de Adão e Eva, segundo a qual ela comeu o raio da maçã, ambos foram expulsos do tal do Paraíso e fixaram uma folha de figueira no púbis, a igreja católica inculcou, nas populações em que prevaleceu, a necessidade de se ocultar a genitália. No século 16, um  papa determinou que se instalassem aplicações de metal ou esculturais nas estátuas, por forma a ocultar-se o clitóris e o pênis; nas estátuas gregas e romanas, quebrou-se o pênis. Nas pinturas, encobriu o púbis com folhas, galhos, mantos, panos. Cristo (se existiu) havendo sido crucificado nu, passaram a representá-lo com uma tanguinha ridícula. (Os romanos crucificavam nu em pelo e não pregavam ninguém pelas palmas das mãos: amarravam os braços do condenado por trás da trave horizontal. A representação de Cristo pregado nas mãos está errada. Errada).

Com isto, ao longo de séculos, as populações católicas aprenderam que os seios e a genitália devem ser encobertos. Eis a mentalidade que prevalece nos vestiários masculinos, em Curitiba, cujos freqüentadores procedem assim desconhecendo que estão repetindo uma norma de pudibundaria da igreja, totalmente sem sentido e que decorre da interpretação da lenda de Adão e Eva, que jamais existiram.

Os curitibanos acedem ao chuveiro de cueca por causa do pecado de Adão e Eva. É ri-dí-cu-lo. Ri-dí-cu-lo. Muitos brasileiros andam de sungas estreitíssimas nas praias, por causa da lenda de Adão e Eva. É ridículo.  Se o problema é ocultar o pênis, ocultassem-no com uma meia: pênis dentro da meia e o mais, expusessem. É ridículo ? Não, é coerente: tapar o vergonhoso e expor o decente. Não estou a zombar; falo a sério: há fotografias de homens de meia ao pênis.

Meias ao falo, brasileiros ! E mamas ao vento, brasileiras !

Curitibanos de cuecas nos vestiários são rapazes de cerca de vinte anos, homo ou hetero, de classe média, educados, bonitos, com roupas de marcas caras, dotados de telemóveis de último tipo, de fones de ouvido, de barba, materialmente em 2014 e mentalmente no tempo do concílio de Trento (século 16).

É caricata a cena: pendente da porta do compartimento do chuveiro, vêem-se a toalha e duas cuecas: com uma, o curitibano entrou; com a outra, sairá.

Menos mentalidade bíblica e mais naturalidade.  Não é à toa que em Paris, Londres, Espanha e mais Europa, há a pedalada nua: os ciclistas andam nus, pelados, nas ruas e ninguém se escandaliza com isto. Entre o europeu da gema e o europeu-de-Curitiba há muita diferença, que não se acha apenas na palhaçada do “Cabral Soho”, do “Batel Soho”; acha-se no arcaísmo de certas mentalidades.

O brasileiro ainda é pudico demais acerca do seu corpo: nas praias, a genitália e as mamas devem ser encobertas; a nudez é-lhe motivo de vergonha.

Não há partes vergonhosas e partes decentes. Todo o corpo é natural. Não faz sentido inculcar-se a vergonha de qualquer porção do corpo, notadamente por motivos teológicos, porque a Bíblia diz isto e aquilo, porque o deus cristão manda ocultar. Bíblia? Deus? Manda? Caretice de religiosos. A mentalidade do brasileiro médio é arcaica, não evoluiu; ele ainda julga a nudez conforme a forma mental que lhe provém de conceitos bíblicos (censura, nudez=sexo=pecado).

Tenhamos mente aberta, critérios laicos, humanos de entender a vida: nudez=naturalidade; observar a nudez e expor o corpo= naturalidade, ausência de pejo. Na Europa, nas pedaladas nuas, os ciclistas passeiam pelas cidades inteiramente nus. Nus e nuas. Pelados. E ninguém se escandaliza com que o façam: liberdade e naturalidade (sem os evangélicos…).

Na Europa (Alemanha, Austria, Suécia, Finlândia, Portugal, Espanha, França, Holanda, Bélgica, Noruega, Grécia, Croácia, Inglaterra), existe a cultura do corpo livre (FKK) há mais de cento e dez anos: pratica-se a nudez em família e nas centenas de campos e praias de nudismo, em família, entre estranhos. Homens, mulheres; feios, bonitos; gordos, magros; velhos, moços; crianças, adultos, todos nus em presença recíproca: pintos à mostra, mamas ao vento.

Enquanto isso, no Brasil, mulher que expõe as mamas nas praias é censurada: que mal há em expor os seios? Nenhum. Homem que se desnuda é detido pela polícia: que mal há na nudez? Nenhum. Além disto, é uma questão de liberdade: por que somos obrigados a nos vestir? Há, sim, o direito à nudez. Quer andar nu, em público? Não pode, porque os outros não querem: é interferência direta na soberania individual, por conta de um preconceito estúpido, de uma mentalidade reprimida e repressora.

Vamos mudar de conceitos, de valores, de comportamentos. Erradiquemos mais este preconceito em favor da naturalidade da nudez. Menos caretice e mais mente aberta. Evolução ao invés de retardamento. Liberdade em lugar de repressão. Sigamos os bons exemplos dos europeus. Livremo-nos do ranço jesuítico. Sejamos de 2014 e não do século 16.

“Para o homem racional, é insuportável o que é destituído de razão”, dizia Epitéto há mil e novecentos anos. Já está na hora de muita gente aprender esta lição…

(Para mais de entrarem de cueca no chuveiro e dele se retirarem assim, nos vestiários os curitibanos não falam, absolutamente. São completamente mudos: haja duas, três, quatro, cinco pessoas, ninguém puxa conversa com ninguém. Quando alguém o faz, o interlocutor, em geral, responde com uma frase ou duas e silencia. Quem adentra o vestiário não cumprimenta ninguém; no máximo, quem se retira diz “Tchau”, embora, em regra, sequer isto diga. Todos ignoram todos. Isto é a sociabilidade do curitibóca: gente introvertida, fria, reservada, indiferente.  Os caras parece que fazem questão de tratar os demais como objetos: ninguém fala com objetos. Leia, neste blogue, “Cura-curitibóca”. Para mim, é ridícula a sua cuequinha no chuveiro e anormal a sua introversão. Para Curitiba ser cidade modelo, capital européia, Brasil de primeiro mundo, falta-lhe muito.).

27.III.2014

Livro que recomendo: Corpos nus, de Paulo Pereira.

Leia abaixo, neste blogue, mais artigos sobre nudismo, especialmente “Nu na rua. Código Penal arcaico” e “A favor da nudez”.

Nu na rua. Código Penal arcaico:

https://arthurlacerda.wordpress.com/2015/01/26/nu-na-rua-codigo-penal-arcaico-2/

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2 respostas para Curitibano entra de cueca no chuveiro.

  1. arthurlacerda disse:

    Referi-me, explicitamente, a ginásios de musculação. Um,freqüentei-o, dez anos atrás; outro, freqüento-o. Em ambos, o comportamento dos homens é o mesmo. Informaram-me que no Clube Thalia e no Clube Santa Mônica os chuveiros são abertos e que na sauna deste as pessoas andam nuas. Menos mal.

  2. Pudor? Falso moralismo é veadagem enrustida.
    Trato feito, eu procuro um psicólogo e você uma sauna gay.
    E todos seremos felizes…
    (É prá aguentar? O cara escreve um artigo e não aceita contraditórios…)

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