Brasil e Portugal: repondo a verdade histórica.

Assim avalia Eduardo Metzer Leone a influência de Portugal e a dos anti-lusitanos no Brasil; o espírito despreconceituoso dos portugueses, em relação à cor, a condição de portugueses dos nascidos no Brasil até 1822.

“[…] foram os portugueses o único povo que fez uma política demográfica ultramarina sem praticar o processo de genocídio nas populações autóctones.” (O Brasil e o colonialismo português, pág.24).

“E basta que os brasileiros pensem em quem são, como formação étnica, para logo entenderem que mais nenhum povo europeu realizou no Ultramar obra semelhante à dos portugueses. E que, se por Colonialismo se estigmatiza no nosso tempo a ação expoliadora de todos os europeus no Ultramar, é manifestamente impossível ajustar tal designação à conduta portuguesa ultramarina — no que, evidentemente, não cabe a exclusão de atividades lucrativas exercidas pelos portugueses no Ultramar, mas onde, tão evidentemente como antes, não pode deixar de considerar-se como fundamental o acréscimo de conteúdo humano que só os portugueses deram a essas atividades […] Foi o português o único povo criador de povos, o único que deu o seu sangue e a sua alma às populações ultramarinas. [É] o único povo europeu autenticamente sem preconceito racial […].” (ibidem, pág. 25).

Política britânica e norte-americana de extermínio dos indígenas: “[…] nos Estados Unidos, que sendo um território muito mais povoado do que era o do Brasil, à data da chegada ali do homem anglo-saxão, se transformou depois numa grande “nação branca”, pela política de sistemático extermínio exercida pelo ocupante bárbaro — tal como aconteceu na Austrália […] ” (ibidem, pág. 26).

Sobre os métodos portugueses: “[…] os portugueses sempre exerceram uma ação missionária, pacificadora, catequizante junto das populações nativas, procurando chamá-las ao seu convívio pacífico e à participação de uma vida em comum, ação que não tem paralelo com a exercida por qualquer outro povo europeu no Ultramar: basta comparar as figuras de Martim Afonso ou Mem de Sá com as de Pizarro ou Cortez […].” (ibidem, pág. 27).

Denuncia a lusofobia do historiador José Honório Rodrigues: “[…] se há povo que necessite de encontrar-se e esclarecer-se com a verdade histórica, esse é exatamente o brasileiro, vítima inerme destes “intelectuais” metidos a “patriotas”, e de cuja ação de renegados resultam as mais graves limitações brasileiras.” (ibidem, pág. 35).

Denuncia a lusofobia do historiador João Ribeiro: “Mas o que João Ribeiro “ensinou” aos brasileiros não foi nacionalismo, foi nativismo, foi recalque, foi limitação, foi drama psicológico de um povo pretender afimar-se do nada, pretender ser “o maior” provindo “do pior”, o que é absurdo que transcende toda a verossimilhança.” (ibidem, pág. 61).

João Ribeiro reputava o regime de segregação (vulgo “apartheid) como “a mais consciente e desesperada aventura de retrocesso”, ao que Metzer Leone obtempera: […] o autor nem reparou que estava condenando um processo colonial pelo que apresenta de oposto ao da colonização portuguesa em todo o mundo, e no Brasil mais que em qualquer outro lugar […]”. (ibidem, pág. 62).

A atitude anti-lusitana, Metzer Leone apoda de jacobinismo, que julga: “O jacobinismo brasileiro é tão dramático, tão inferiorizante do homem brasileiro, tão profundamente antinacional, tão evidentemente deturpador da autenticidade brasileira […] o jacobino não é um homem nu — é antes um ser que quer despir-se da única civilização que herdou. E o resultado é sempre este: não há cultura, não há talento literário, não há brilho pessoal que resistam a esse dramático tirar da sua roupa, a esse odiento gesto de repulsa pela sua única indumentária civilizacional. A portuguesa.” (ibidem, pág. 64).

“[…] o jacobino sente-se na “obrigação patriótica” de desprezar o português, de avolumar, deformar, procurar ou inventar facetas para amesquinhá-lo […]” (ibidem, pág. 70).

“O jacobinismo é desnacionalizante.” (ibidem, pág. 77).

“[…] o jacobino é o maior inimigo do Brasil: com o absurdo das suas teorias, é ele mesmo quem trabalha para que o Brasil não possa ser tomado a sério.” (ibidem, pág. 78).

Daí, aliás, observa Metzer Leone (ibidem, págs. 70 e 71) a recusa dos sobrenomes portugueses, em que certas notabilidades deram-se a conhecer por sobrenomes estrangeiros, a exemplo de Assis Chateaubriand, de nome completo Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Mello; de Juscelino Kubitscheck de Oliveira; de Oscar Ribeiro de Almeida Niemeyer Soares. Todos três optaram pelo sobrenome estrangeiro e de difícil grafia; evitaram os apelidos portugueses. Também é o caso do prefeito de Curitiba, Rafael Greca de Macedo, em que Grega é italiano.

Eduardo Metzer Leone em “Um português no Brasil”: “[…] o maior equívoco cultural do brasileiro médio, o qual sinceramente pensa que Portugal descobriu o Brasil na América do Sul e que os portugueses encontraram aqui… os brasileiros. Assim e por isso mesmo, o português é ainda hoje considerado como um elemento alienígena, um europeu exótico que conquistou e dominou este País sul-americano… […] Nós [portugueses] não descobrimos o Brasil na América porque não havia aqui nenhum Brasil, nenhum brasileiro […]”. (ibidem, pág. 14).

Esclarece, a seguir: “[…] construímos o Brasil e fizemos nascer o seu povo.

Portanto, nós criamos a Nação e o povo nas terras que tínhamos descoberto — mas não fomos os descobridores do Brasil, tal como não fomos os conquistadores e dominadores do Brasil, e muito menos os invasores do Brasil. Só poderíamos ter sido qualquer destas coisas, se realmente aqui tivessmos encontrado o Brasil e os brasileiros.” (ibidem, pág. 15).

“[…] Portugal não descobriu nem o Brasil nem os brasileiros, mas os criou a ambos.” (ibidem, pág. 16).

Esclarece a condição de portugueses de ultramar de todos os nascidos no que hoje é o Brasil, até a sua independência: “Bem ao contrário, a idéia que se pretende tornar corrente neste País é a de que o português foi o conquistador do Brasil, o espoliador dos brasileiros, e aqui impôs discricionariamente o seu jugo, humilhando a Nação e os nacionais…” (ibidem, pág. 16). E esclarece: “[…] este povo nunca viveu sob domínio estrangeiro, sob um jugo europeu, a não ser episodicamente, e parcialmente, quando aqui tentaram fixar-se holandeses e franceses. E isto porque os brasileiros foram, até 1822, tão portugueses quanto nós ainda hoje o somos.” (ibidem, pág. 17).

“Penso que só difundindo estas verdades, que vivem permanentemente escondidas dos estudantes brasileiros — a quem se “ensina” a “vergonha” do “período colonial”…. — se poderão formar gerações que veja e sintam o destino brasileiro em toda a sua grandeza, retirando assim a este povo os recalques de que sofre por humilhações imaginárias — todas elas decorrentes da totalmente inventada pré-existência brasileira em relação à viagem de Cabral.” (ibidem, pág. 18).

Sobre a colonização britânica dos EUA: “[…] o colonialismo anglo-saxão na América do Norte foi racista e caracterizadamente praticou o genocídio entre as populações nativas, que desapareceram ou foram encurraladas em ‘reservas'”(ibidem, pág. 40).

Compara a aceitação, por parte dos portugueses, de pretos e mulatos, com a atitude dos demais europeus: o português, “quebrando tabus e preconceitos, começou mesclando os valores rácicos que viviam isoladamente; quem tornou conhecidos entre si os povos longínquos que se ignoravam, e quem logo depois os fundiu pelo sangue, numa antevisão multi-secular do que viria a ser o futuro da humanidade.” (ibidem, pág. 158). A tal contrapõe “o eventual desprezo que ingleses, belgas e alemães, ou holandeses, poderiam sentir pelos povos de cor das suas ex-colônias, com os quais nunca se miscigenaram […]” (ibidem, pág. 159). Qualifica o português de “o único povo europeu sem preconceito de raça.” (ibidem, pág. 161).

Nascidos no Brasil eram portugueses: “A grande maioria dos autores brasileiros faz uma deliberada confusão entre naturalidade e nacionalidade. Até o dia 7 de Setembro de 1822, ser brasileiro era como ainda hoje é ser angolano, moçambicano, minhoto ou alentejano. Ser brasileiro era apenas a naturalidade de uns certos portugueses: daqueles que tinham nascido na América portuguesa, que se chamava Brasil. Ser brasileiro só passa a ser nacionalidade, em diferenciação a ser português, depois que o Brasil adquiriu a sua categoria de Nação independente e soberana: depois de 7 de Setembro de 1822.” (ibidem, pág. 187). Patenteia-o ata do Conselho Ultramarino (órgão administrativo das províncias portuguesas de ultramar) de 1606: “A India, e mais terras ultramarinas de cujo Governo se trata neste Conselho, não são distintas nem separadas deste Reino […], mas são membros do mesmo Reino como o é o do Algarve e qualquer das Províncias do Alentejo e de Entre-Douro-e-Minho, porque se governam com as mesmas Leis e Magistrados, e gozam dos mesmos privilégios que os do mesmo Reino, e assim tão português é o que vive em Goa ou no Brasil ou em Angola, como o que vive e nasce em Lisboa.” (ibidem, pág. 229-230).

A propósito de casos insulados de racismo institucional, antes de 1822: “O que é verdade incontroversa […] é que esses casos isolados de racismo sempre foram condenados pelas autoridades portuguesas, e não raro punidos os seus culpados.” (ibidem, pág. 230). E documenta-se com a missiva do rei para o governador-geral do Estado do Brasil, de 1635, em que responde ao pedido de mulatos de Salvador, que desejavam ser matriculados no colégio da Companhia de Jesus, cujo diretor recusara-lhes a matrícula. Exprime a carta: “[…] nas Escolas de Évora e Coimbra eram admitidos [os mulatos] sem que a cor de pardos lhes servisse de impedimento […]”. A seguir, el-rei determina que, se os jesuítas fossem obrigados a ensinar nos seus colégios, então, “os obrigareis [aos jesuítas] a que não excluam estes moços, geralmente só pela qualidade de pardos, porque as Escolas de Ciência devem igualmente ser comuns a todo o gênero de pessoas, sem exceção alguma.” (ibidem, pág. 231).

Em 1689, repetiu-se situação desta ordem, com idêntica solução, proposta pelo Conselho Ultramarino a el-rei, em parecer, que culmina com este lugar: “Ao Conselho parece […] se deve Vossa Majestade servir de ordenar aos Religiosos da Companhia de Jesus admitam aos seus Estudos os moços pardos.” El-rei assentiu. (Tito Lívio Ferreira, História da Educação luso-brasileira, pág. 105). Setenta anos mais tarde, o poderoso Marquês de Pombal exarou: “Sua Majestade não distingue os seus vassalos pela cor; distingue-os pela lealdade.” (ibidem, pág. 106).

 

Assim o inglês Roberto (Robert) Southey avalia a ação portuguesa:

 

Roberto Southey: Sobre a capacidade empreendedora de Portugal, disse o historiador inglês Roberto Southey, na sua História do Brasil (publicada em 1810): “Nunca jamais houve nação que em proporção dos seus meios tanto fizesse como a portuguesa.” (vol. VI, p. 233).

A respeito do século XVIII no Brasil: “Apesar de muitas causas que o tenham contrariado, mui grande era o progresso geral feito no século antecedente.” (ibidem).

Ainda: “Apesar das fatais restrições e complicadas desvantagens que durante dois séculos pearam a literatura em Portugal, produziu este país, proporcionalmente à sua população, mais homens de letras do que a Grã-Bretanha.” (idem, apud Tito Lívio Ferreira, Portugal no Brasil e no mundo, p. IV).

Continua: “Mui poucos eram os que se nomeavam para os cargos civis e judiciários que não tivessem recebido a mais esmerada educação que a mãe pátria podia dar, sendo para admirar quantos dentre estes homens conservaram no meio da vida pública o seu amor pelo estudo.”  (idem, apud Tito Lívio Ferreira, Portugal no Brasil e no mundo, p. IV).

Sobre os 20 colégios jesuítas, patrocinados pela coroa: “Nenhum estudante saía desses Reais Colégios sem o conhecimento perfeito do nosso idioma.” (Tito Lívio Ferreira, Portugal no Brasil e no mundo, p. V).

Tito Lívio Ferreira pondera:

Sobre os holandeses que ocuparam o Brasil: “Corsários e piratas de alto-mar constituíram a organização comercial da W.I.C. (Companhia das índias Ocidentais). Na Holanda ela não gozava de boa tradição. Via-se nela, segundo a definiu Sombart, “Des Bourgeois”: “Nada mais do que uma associação semibélica para fim de conquista, com direitos soberanos e amplíssimos meios defensivos, que exercitava a pirataria em grande escala e a essa atividade principal devia verdadeiramente os seus lucros. Daí suas tentativas de colonização fracassarem. Comerciante, mercantilizada, seus objetivos se voltavam para o lucro obtido com a maior rapidez possível.” (Tito Lívio Ferreira, Portugal no Brasil e no mundo, p. 20).

Enquanto Portugal povoou o Brasil com a sua gente e a sua organização política e administrativa, “o governo da Holanda nada tinha com a Companhia das Indias Ocidentais, uma sociedade mercantil de judeus, com carta de pirata para poder assaltar e roubar, no mar e em terra. Do produto do roubo, o governo holandês cobrava uma percentagem.” (Tito Lívio Ferreira, Portugal no Brasil e no mundo, p. 32). O exército da Companhia das Indias Ocidentais compunha-se de mercenários franceses e polacos, chefiados por franceses e polacos. Completa: “E esse exército de ocupação não merecia confiança, por isso era sempre renovado.” (Tito Lívio Ferreira, Portugal no Brasil e no mundo, p. 32).

Opinou Gilberto Freyre, quanto à miscigenação do português com o autóctone índio e com o preto: “Depois de Cristo, ninguém tinha contribuído mais do que o português para a fraternidade entre os homens” (O mundo que o português criou, p. 54).

Em 1815, D. João cria o Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, que serviu de “modelo para o Parlamento inglês fundar o Reino Unido da Grã-Bretanha e Canadá, em 1862”, inda existente. (Tito Lívio Ferreira, Portugal no Brasil e no mundo, p. 26).

 

 

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