Vícios de linguagem.

VÍCIO DO DUPLO SUJEITO DOS BRASILEIROS.

Os jornalistas brasileiros, os autores de textos acadêmicos (monografias, dissertações, teses) e muitos de quantos redigem no Brasil, praticam o vício do duplo sujeito. Usam, viciosamente, perífrases. Não sabem escrever sem ele, desaprenderam alternativas de construção de frases sem ele. São incapazes de usar os pronomes em lugar da repetição do sujeito. Por exemplo: ‘Produtores jogam tomate fora após queda do preço da fruta”.
Tomate e fruta são o mesmo sujeito; não há dois sujeitos (tomate; fruta), mas um: a fruta é o tomate.
É como escrever: produtores jogam tomate no lixo após queda do preço do tomate.

Outra: “OAB divulga lista de faculdades recomendadas pela entidade”. Logo, a OAB divulga lista de faculdades recomendadas por alguma entidade, que não se especifica. Mas o autor desta péssima frase quis dizer que a tal entidade é a própria OAB. Muito melhor seria: OAB divulga lista de faculdades que recomenda.

“Suspeita de matar o filho não aceitava homossexualidade do jovem”.

Que jovem ?

Na frase, há “o filho” e “o jovem”. O filho é o jovem; o jovem era o filho, porém não se explicita que o filho fosse jovem: poderia ser criança, velho, maduro.

A redação contém o vício do duplo sujeito, sistematicamente praticado por todos os jornalistas que escrevem mal , no Brasil.

Agora sem o duplo sujeito: “Suspeita de matar o SEU filho não LHE aceitava a homossexualidade”. Isto é frase correta, perfeita, destituída de duplo sujeito.
Em revistas e gazetas, é sempre a mesma construção viciosa. Não sabem escrever: Produtores jogam tomate no lixo após queda do preço dele ou Produtores jogam tomate no lixo após queda do seu preço.
       É vícioso escrever assim; é redundante escrever assim; não é “estilo jornalístico”, é mau estilo pois induz o leitor ao equívoco de entender dois sujeitos onde há um só.
Na Gazeta do Povo, há tempos, o título era mais ou menos: “Cobra achada no Barigui; ofídio não é perigoso; verterbrado foi capturado; serpente foi levada embora”. O leitor tem de saber que cobra é ofídio, que ofídio é verterbrado, que serpente é cobra.
Era muito melhor se o pedante (sim, pedante, porque isto de duplo sujeito é pedantismo) houvesse redatado: Cobra achada no Barigui; não é perigosa, foi capturada e levada embora’.
Outra exemplo: Galileu escreveu livros, sendo importantes os do astrônomo. O leitor tem de adivinhar que o astrônomo é Galileu; não é suposto que o saiba. Perceba a diferença agora: Galileu, astrônomo, escreveu livros importantes. O astrônomo Galileu escreveu livros que são importantes. São importantes os livros do astrônomo Galileu.
Um título dizia: “Oração pelos irmãos mexicanos: furacão atingirá o país hoje”. Que país? Nesta frase, o seu redator está viciado ao ponto em que, no entendimento dele, o primeiro sujeito acha-se presente e, sem que o esteja, ele enunciou o segundo.
Agora compare com este: “México se prepara para maior furacão da sua história”. Excelente, corretíssimo, sem duplo sujeito. Haveria duplo sujeito se dissesse: “México se prepara para maior furacão da história do país”. Que país !!??

Outro exemplo: “Segundo a assessoria de imprensa do Conselho Nacional do Ministério Público, o processo para apurar a conduta do promotor de Justiça foi arquivado. O Conselho teria considerado que os atos praticados pelo membro do MP […]”. O sujeito é “promotor de Justiça”; a seguir, é “membro do MP”.

Melhor é: “Segundo a assessoria de imprensa do Conselho Nacional do Ministério Público, o processo para apurar a conduta do promotor de Justiça foi arquivado. O Conselho teria que considerado que os atos praticados por ele […]”.

Outra: na Casa de Juscelino Kubitschek, lê-se, junto de pia: “Não toque na pia. A peça está frágil”. É como se houvesse pia e peça e a peça fosse diferente da pia. Melhor seria: “Não toque na pia. Ela está frágil”, em que se entenderia, inequivocamente, que a pia está frágil.
Os redatores de gazetas e de revistas incorrem, sistematica, ou seja, viciosamente, no vezo do duplo sujeito; complicam desnecessariamente as frases; escrevem defeituosamente.
É sofismar dizer-se que o jornalismo tem estilo próprio, que escrevem assim para chamar a atenção do leitor, que o sujeito duplo ou plúrimo é próprio da técnica jornalística etc.. Pode-se (e deve-se) escrver com clareza e sem o duplo sujeito, sejam textos jornalísticos, acadêmicos ou quaisquer outros.

Alguns redatores esmeram-se em multiplicar as perífrases. Pensam que fazê-lo é escrever bem. Não; é escrever mal.
E haja pachorra para, todos os dias, ter de ler e reler certos textos e títulos para perceber se há duplo sujeito ou se há dois sujeitos.
É vício, é verbosidade inútil. É pobreza de qualidade do texto, é texto mal escrito, que já grassa entre outros escritores e não apenas entre jornalistas. Universitários desafeitos à leitura, mal enfronhados nos bons escritores do idioma repetem o vício do duplo sujeito em monografias, dissertações, teses, artigos, livros, em que o duplo torna-se triplo, quádruplo, quíntuplo. O autor não percebe o grotesco da sua redação e, certamente, acredita praticar bom estilo. Ilude-se.

 

    VÍCIO DE “ALGO”. A chuva é algo bom. Ler mais é algo desejável. Há corrupção e isso é algo negativo. Agora compare: a chuva é boa, ler mais é desejável; há corrupção, o que é negativo. 
O “algo” sobeja, é desnecessário e prolixo. Isto é prolixidade: acrescentar palavras inúteis, que avolumam o texto sem lhe adicionar conteúdo. Neste caso, é a sintaxe do inglês e é o vício da moda.

USO ERRADO DE “AQUELES”, “DAQUELES”. É galicismo (sintaxe do idioma francês) dizer-se, por exemplo, “aqueles que gostam de ler, sabem mais”, “todas aquelas que estudam aqui”. Não se trata de indicar aqueles, por diferença a estes ou a esses; não está em causa distinguir grupos de pessoas ou pessoas individualmente, em função da sua distância do locutor (estes=próximos; esses=menos próximos, aqueles=distantes). O francês fala assim. O francês.

Em bom português, dizemos “os que gostam de ler”, “todas as que estudam aqui”. Perceba a diferença: “todos aqueles que são pobres, gostariam de receber daqueles que são ricos”, “todos os que são pobres, gostariam de receber dos que são ricos”. A primeira sintaxe é do francês; a segunda, do bom português.

     O francês também usa “esse”, “esses”, “essa”, “essas”, em lugar dos pronomes, do português, o, os, a, as: “Maquiavel, esse autor de O Príncipe”, por “Maquiavel, o autor de O Príncipe”.

“SE…” FRASES INCOMPLETAS. Muitas pessoas, em Curitiba, pronunciam frases no condicional, sem a respectiva conclusão. Quando alguém diz “Se você vier”, deve completar a frase com o resultado da hipótese que formula: “se você vier, então conversaremos.”. “Se quiser guardar, pode fazê-lo”; “se puder me dizer, então me diga.”Mas algumas pessoas proferem o primeiro hemistíquio e omitem o segundo; por exemplo: “Se quiser dizer…”, “Se puder telefonar…”. Não completam a frase, cujo complemento fica implícito ou não; caso negativo, o interlocutor deve adivinhá-lo, ao passo que a forma completa é “Se quiser dizer, então diga”, “Se puder telefonar, então aguardo a sua chamada”. A pouco e pouco, a fórmula “Se…” acabou por equivaler a autorização, licença: “Se…”=”você pode”. Por exemplo: “Se você quiser telefonar…” = “você pode telefonar”.
O idioma muda blá-blá-blá. Mas não basta asserir-se que o idioma muda, que o povo faz a língua, blá-blá-blá. Se muda para pior, se se perdem elementos de comunicação, se se empobrece a comunicação, se se nivela por baixo, se se deixam conteúdos implícitos, se se diz uma coisa para dizer outra, inteiramente diversa, então mudou para pior. Mudou para pior, no caso, porque as pessoas cessaram de exprimir completamente o que deveriam explicitar; atribuíram à adivinhação ou ao contexto parte da sua comunicação; alteraram o modo condicional para equivalente a autorização. Condicional é uma coisa, autorização é outra.

 

SER, POR HAVER. “Em novembro, foram dez dias de chuva”; “No Brasil, foram dez mil mortes por enfarte”. Não foram – houve. Houve dez dias de chuva, houve dez mil mortes. Demais, se se empregam as conjugações “foi”, “foram”, surge ambigüidade: foram aonde ? O verbo, além de errado (trocou-se ser por haver), permite a interpretação de que se trate do verbo ir. São verbos diferentes, com significados diversos. “Mas o idioma muda blá-blá-blá”. E quando muda para pior, quando a alteração éproduto do desconhecimento, da fraca instrução, da ausência de leitura, da burrice, então, a alteração deve ser corrigida.

 

 

FILÃO E NÃO FÍLON. BOSÃO E NÃO BÓSON. ELETRÃO E NÃO ELÉTRON. PLATÃO E NÃO PLATON. Os prenomes podem traduzir-se , como Charles = Carlos, Elizabeth = Isabel, Charlotte = Carlota. A desinência “on”, no francês e no inglês, corresponde a “ão” no idioma português. Leon = Leão. Bóson = bosão. Elétron = eletrão. Fílon é pronúncia do inglês. Em francês, escreve-se Filon; em inglês, pronuncia-se “fílon”. Escrever “Fílon” é homólogo a escrever “Máiquel”, “Djon”, “Tcharles”.

Islam se traduz por Islão, Afeganistam se traduz por Afeganistão.
Em Português, que é um só idioma, no Brasil e em Portugal, traduz-se por Filão, que não me parece que fique feio nem que seja pior. Os brasileiros é que não aprenderam,em geral, a traduzir os nomes e imitam, passivamente, as formas do inglês e do francês, tal como os encontram nos livros e nos meios de comunicação, ao passo que, em Portugal, faz-se questão do idioma e as pessoas aprendem os equivalentes vernaculares dos nomes estrangeiros e os usam. Assim, Filão não é português de Portugal; é a grafia usada em Portugal, não porque lá o idioma apresente forma própria, mas porque lá se usa o vernáculo com mais qualidade do que no Brasil.

Se para alguém Filão “fica feio”, fica feio para ele, por não estar acostumado; não o fica para mim nem para outrem, nem a estética pode ser critério superior ao correto uso do idioma.Ninguém reputa feio Platão e lhe prefere Platon, Cípion a Cipião, Éstrabon a Estrabão, Cáton a Catão. Platão, Cipião, Estrabão, Catão, Filão, Dião, Fedão, Solimão, Salomão correspondem às formas vernaculares, corretas, castiças, destes nomes.

É só o caso de estar acostumado ou não com uma grafia e não com a outra. Então, aprenda que os prenomes podem ser traduzidos e a tradução da desinência “on”, do francês e do inglês, corresponde a “ão” do Português.

 

ROUPA BÁSICA E CASUAL. “Basic”, do inglês= lisa. Roupa lisa (sem estampas). “Casual” (“quêizual”) =  informal. Roupa informal.
Básico ou básica e casual são anglicismos, palavras traduzidas literalmente do inglês por desconhecedores do Português. “O idioma muda, você não pode querer que ele pare no tempo” , blá-blá-blá. E por isto é justificável que se introduzam estrangeirismos onde já existem vernacularismos perfeitamente compreensíveis e úteis? É justificável apagar os termos próprios do Português e usar más traduções exóticas? “Show” – já nem sabem o que isto significa. Significa espetáculo, exibição. Sim, há tradução de “show” !!! Oh!, maravilha !

 

TRADUÇÃO CORRETA DE MOHAMMED. Mafoma ou Mafamede são as traduções corretas de Mohammede. Em francês, Mahomet, que se traduziu, mal, para Maomé. Em português, é Mafoma ou Mafamede, assim como Charles é Carlos, Elizabeth é Isabel, Carl é Carlos. Mafoma, Mafamede, Mafamede, Mafoma, Mafoma, Mafoma, Mafamede, Mafamede, Mafoma. Agora que já se familiarizou com os nomes, passe a usá-los sem estranheza !

“Soutien-gorge”, que o brasileiro chama de sutiã ou “soutien” tem tradução. Em português chama-se de estrófio. Estrófio. Estrófio. Estrófio. Estrófio. Certa feita, uma professora-doutora em Lingüística, pela USP, disse-me que sem as palavras “soutien” e “abat-jour” não teríamos forma vernacular de exprimir os objetos respectivos. Ela é doutora em Lingüística pela USP, arrota o seu título e é ignorante em Português. “Soutien”= estrófio. “Abat-jour”= tapa-luz, quebra-luz, bandeira, pantalha (mas pantalha é indesejável, por ser espanholismo, de “pantalla”). Antes de pensar que não há tradução, procure informar-se. Geralmente há; se não houver, pode-se criar (os neologismos servem para tal).

PISO NÃO É ANDAR. Em alguns centros comerciais e prédios, vejo letreiros em que constam as expressões “Piso térreo”, “Primeiro piso”, “Segundo piso”. Piso é o chão,o pavimento, o que pisamos. Em todos os andares há piso; todos os andares contém piso. Por outro lado, os diferentes níveis de uma construção chamam-se de andar: primeiro andar, segundo andar. Chama-se de térreo o andar que se situa ao nível da rua, cujas portas dão para o exterior. O térreo contém piso; o primeiro andar contém piso; o segundo andar contém piso. Se usarmos o critério dos pisos para designarmos os níveis da construção, então, o térreo é o primeiro piso, o primeiro andar é o segundo piso, o segundo andar é o terceiro piso. Contudo, leio, nas placas: “Piso térreo”. Isto não existe. Isto está errado. Isto é ignorância. O térreo é térreo; não é piso térreo. O primeiro andar é primeiro andar; não é primeiro piso, porque o primeiro piso subjaz-lhe, ou seja, o primeiro piso é o do térreo. Assim, o mal chamado “primeiro piso” é, na verdade, o segundo piso. Perceba a lógica das coisas: a lógica (pois há lógica) na nomenclatura térreo, primeiro andar, segundo andar etc. Perceba a ilógica da nomenclatura piso térreo, primeiro piso, segundo piso. /// “Mas o povo faz a língua, ela muda blá-blá-blá”. Então instrua o povo, informe-o, esclareça-o, mostre-lhe o porquê dos recursos do idioma, ensine-lhe que há, sim, certo e errado em idioma.

 

QUE ISSO ? No Brasil (pátria educadora) o idioma se depaupera continuamente. Décadas atrás, o brasileiro médio, o homem comum, sabia mais o seu idioma e falava-o melhor do que hoje. Atualmente, o brasileiro, em geral, já desaprendeu os plurais (é dois; as pessoa veio; acabou as férias; comprei um lote de azulejo português). Também desprendeu as preposições e alguns advérbios (como cujo, cuja, cujos, cujas, de que, para que, em que). Também o pronome reflexo, como em suicidar-se, aposentar-se, esquecer-se, assustar-se. Agora, é o verbo que se perdeu, na expressão “Que isso?”. É óbvio que falta o verbo: que é isso?. Com a retórica de que o povo faz a língua, de que ela é dinâmica, de que a gramática tem de ouvir o empírico e mais blá-blá-blá só não se fala em ensinar mais, em acrescentar conhecimento e estudo, em valorizar o idioma, em elevar o padrão de conhecimento e uso. Quanto mais coloquial, mais o falante estranhará o escrito (se bem escrito) e tanto mais preferirá livros reles, fáceis (à exemplo do escabroso “1808”) e evitará os realmente bem escritos. É o caminho da ignorância, vulgo “burrice” que se calcorreia na pátria educadora, com a benção dos lingüistas (eu uso trema!) da USP.

 

O QUE ABRE E O QUE FECHA NO FERIADO. LOJA QUE “FECHA” NO SÁBADO, NÃO FECHA NO SÁBADO.

Errado. O que abre e o que não abre.

Perceba a ilógica da frase “Esta loja fecha no sábado”. Com ela, quer-se dizer uma coisa e diz-se outra. Quer-se dizer que ela NÃO ABRE no sábado, o que é diferente de dizer que ela FECHA no sábado: se ela fecha no sábado, é porque ela ABRE no sábado, mas se se quer dizer que ela NÃO ABRE no sábado, deve dizer-se que ela NÃO ABRE ao invés de que ela FECHA no sábado.

Se “fecha”, é porque abre. No feriado ele não abre; abriu na véspera e fechou na véspera. No feriado, não abre, mesmo porque, o que “abre” no feriado, “fecha” no final do dia feriado. Então, qual a lógica em distinguir-se entre o que “abre” e o que “fecha” no feriado ? O que “abre” no feriado, “fecha” no feriado.

É tão óbvio que uma coisa é diferente da outra, mas raros percebem a obviedade de que dizem uma coisa para exprimir o seu contrário.
Não é “pegadinha de português”. Não há “pegadinha” nenhuma; há o uso errado do verbo e o vício de expressão. E não me venham com a balela de que é metáfora (quem mo diz, sequer sabe o que é metáfora).
Esta do “fecha no sábado” acontece com brasileiros em Portugal e não só; o brasileiro pergunta se “fecha no sábado”, o lojista responde-lhe o que ele lhe perguntou: que não, não fecha. Para o brasileiro, é “óbvio” que o português é burro, mas é incapaz de perceber que a burrice está na sua, de brasileiro, pergunta. O brasileiro não percebe que pergunta uma coisa e exprime outra; não percebe que o interlocutor não é obrigado a adivinhar que ele pergunta uma coisa para dizer outra; o interlocutor responde dentro do que ouviu. A pergunta do brasileiro contém um pressuposto, implícito, oculto, oposto ao que formulou explicitamente. Que é o errado na história?

 

“PEGUE A SUA SENHA”. Isto não existe; isto está errado: a senha só pertence a alguém depois de que ele a pega (senha, aqui, significa um papelote ou cartão numerado). Antes de alguém pegá-la, ela não pertence a ninguém; logo, não faz sentido dizer-se “pegue a SUA senha” porque ela ainda não pertence a ninguém e não é “sua” nem “minha”. O anúncio correto deve dizer “Pegue UMA senha”; quando alguém pegá-la é que ela será sua, dele, minha.

 

VÉU ISLÂMICO. Já disse: véu islâmico. Ou bioco. Bioco, do idioma português.

LEI ISLÂMICA. “Sharia”? Não. Lei islâmica. O que é  “sharia”? É lei islâmica.

LIVROS EM “BOX”. CAIXA. CAIXA ! OH, CAIXA ! Considero esquisito e muito brega “box” em vez de caixa. É caixa; caixa, mesmo, retangular, de guardar os livros dentro. Caixa é caixa, não é “box”. Cada uma que o pessoal inventa…eis, em ação, o célebre complexo brasileiro de vira-lata: na mente de alguns, é sofisticado, requintado, superior, dizer “box”. Para mim, é ridículo. Não considero que seja lá o que for torna-se melhor por ser chamado em inglês ou em idioma estrangeiro, se há vocábulo em português; se não houver, traduza-se, adapte-se, aportuguese-se.
Há necessidade de se inventarem neologismos de mau gosto, se há vernacularismos ? Faz sentido encher o Português de extravagâncias terminológicas, para posturar de norte-americano, de sofisticado, de primeiro mundo, e desdenhar do rico, belo, preciso e precioso Português ? Sei que este comentário suscitará as objeções de costume: “já está dicionarizado” (o dicionário não abona as palavras, mas apenas as arquiva), “todo mundo entende em inglês” (e não entenderão em português?), “o uso já consagrou esta palavra” (e por que o uso não pode consagrar outra, em português?).

Artigo sobre neologismos e idioma:

http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0104-14281998000100004&script=sci_arttext

AFRO-DESCENDENTE OU BRASILEIRO ? Esta coisa de afro-descendente é pura tolice. O cara é brasileiro. Brasileiro. Nasceu no Brasil. É descendente de pretos africanos e de brancos portugueses; é mulato. Mas o movimento negro inventou a condição de afro-descendente, em que ele é qualificado pela sua origem africana, o que nega ou subalterniza a sua condição de brasileiro.

GOL ANUNCIA TRABALHO “HOME BASED”. -Trabalho o quê? — -“Home based”. -Não dá para traduzir? – Trabalho em casa.  Mais um lixo lingüístico à solta.

Por que “frames”? Por que não traduzir? Não estamos no Brasil? Não temos idioma próprio? “Frames” ou “freimes” (!) = molduras. Era costumeiro traduzir-se por quadros. Quadros ou molduras, é melhor do que “frames”. Outros podem achar bonito, sofisticado, elegante, culto empregar americanismos. Eu acho cafona, pobre culturalmente, bitolado idiomaticamente, de mau gosto, dispensável e desnecessário. Todo o meu apoio para quem traduz.

EMPOBRECIMENTO DO IDIOMA. No Brasil (pátria educadora) o idioma se depaupera continuamente. Décadas atrás, o brasileiro médio, o homem comum, sabia mais o seu idioma e falava-o melhor do que hoje. Atualmente, o brasileiro, em geral, já desaprendeu os plurais (é dois; as pessoa veio; acabou as férias; comprei um lote de azulejo português). Também desprendeu as preposições e alguns advérbios (como cujo, cuja, cujos, cujas, de que, para que, em que). Também o pronome reflexo, como em suicidar-se, aposentar-se, esquecer-se, assustar-se. Agora, é o verbo que se perdeu, na expressão “Que isso?”. É óbvio que falta o verbo: que é isso?. Com a retórica de que o povo faz a língua, de que ela é dinâmica, de que a gramática tem de ouvir o empírico e mais blá-blá-blá só não se fala em ensinar mais, em acrescentar conhecimento e estudo, em valorizar o idioma, em elevar o padrão de conhecimento e uso. Quanto mais coloquial, mais o falante estranhará o escrito (se bem escrito) e tanto mais preferirá livros reles, fáceis e evitará os realmente bem escritos. É o caminho da ignorância, vulgo “burrice”.

 

-Tomei um vôo de Curitiba para Lisboa.
Existe isto? Alguém toma um vôo ou um avião?
-Perdi o vôo.
Existe isto? Perde-se o vôo ou o avião?

Emprega-se “vôo” por metáfora, desnecessária, por se poder empregar avião, sem sentido próprio.

APÓS DOIS PONTOS, não principia frase nova, pelo que, após dois pontos, a palavra seguinte vai em minúsculas. Por exemplo: o que acabei de escrever.
DENTRO DE PARÊNTESES a primeira palavra a seguir ao parênteses que se abre não constitui frase nova e, por isto, vai em minúscula, a menos que o parêntese seja precedido por ponto, caso em que se trata de frase nova que, por isto, principia por maiúscula. Achou difícil ? Por exemplo: (esta palavra começa por minúscula). (Mas esta, com maiúscula).
CONCORDÂNCIA. É proibido postagens – errado. São proibidas postagens. Veio pessoas – errado. Vieram pessoas. É dois – errado. São dois (esta do “é dois” é o cúmulo da ignorância). A maioria das pessoas são boas – errado. A maioria das pessoas é boa (a maioria é e não a maioria são.). O pessoal foram embora – errado. O pessoal foi embora. A caixa de sapatos estavam vazias – errado. A caixa de sapatos estava vazia. O uso de calças e sapatos é permitido e não o uso de calças e sapatos são permitidos. A maioria das pessoas é gentil e não a maioria das pessoas são gentis. Acabaram as férias e não acabou as férias. Comecem os ensaios e não comece os ensaios. Vieram pessoas e não veio pessoas.
USO ERRADO DE MAIÚSCULAS. Usam-se as maiúsculas em nomes próprios (Curitiba, Miguel, Casas Bahia). Não se usam maiúsculas em nomes comuns, substantivos que não constituem nomes de pessoas, cidades, instituições. É errado o uso das maiúsculas, por exemplo,em: “As Eleições serão realizadas no Prédio central da Faculdade, em que, a qualquer hora do Dia, os Eleitores, de Título em mãos, poderão exercer o seu Direito de Sufrágio, a menos que esteja dispensado pela Lei Eleitoral”. Exceto a primeira palavra (As) todas as demais vão em minúsculas.  Ou: “O Autor pretende que o Réu cumpra o Despacho da folha 33”. Exceto as primeiras palavras (As; O) todas as demais vão em minúsculas. Autor, réu, sentença, juiz, apelação, petição etc., tudo vai em minúsculas. Somente se usa maiúscula em início de frase (preciso explicar o que é isto?) e em nomes próprios (Curitiba, Miguel). Este vício é típico do pessoal jurídico (bacharéis, advogados, promotores, juízes, professores, estudantes); eles cometem-no em textos jurídicos e não jurídicos. Quando se me depara texto escrito assim, não falha: o seu autor formou-se em direito e deformou-se em escrever direito.
VÍCIO DA PREPOSIÇÃO “de” EM MAIÚSCULA. Arthur de Lacerda e não De Lacerda; dos Santos e não Dos Santos; rua da Faísca e não Da Faísca. Todas as preposições onomásticas vão com a letra “d” em minúscula: dos Santos, de Almeida, do Amaral e nunca Dos Santos, De Almeida, Do Amaral. O sistema informático dos computadores, produzido para funcionar nos EE. UU. AA. altera, automaticamente, a letra em questão, de minúscula para maiúscula, sempre que a preposição se encontra entre palavras que principiam com maiúsculas, como é o caso dos nomes próprios. As pessoas lêem a maiúscula porque o “corretor” automático perpetrou erro e passaram a grafar com maiúscula. Os programas informáticos produzidos para corrigir nos EE. UU. AA. introduziram ERRO no Brasil; os desavisados, supondo que a “correção” é correta, imitam-na ou adotam-na. Assim, os computadores, ajustados nos EE. UU. AA. e desajustados para corrigirem lapsos de grafia do Português, adulteram os nomes próprios dos brasileiros e não só, e muitos brasileiros incorporaram a grafia errada como se fosse a correta.

DEUS É COM MINÚSCULA. A palavra deus não é nome próprio,não nomina ninguém. É nome comum; escreve-se com minúscula: deus e não Deus. Mas Baco, Apolo, Hermes, com maiúscula, por serem os nomes de deuses. O deus cristão tem nome: Jeová, Iavé, Javé e não “Deus”.

 

“SENIOR” E “JUNIOR”.
“Senior”, do latim, significa o mais velho, o anoso em comparação com o “junior”, do latim, que significa o moço, o jovem. Do “junior” latino, originou-se o perinome Júnior, aplicado ao filho homônimo do pai. De “senior” originou-se senhor.

Quando há pai e filho homônimos, é ERRADA a nomenclatura “Fulano de Tal Senior” ou “Fulano de Tal Sênior”: 1- se usar em latim, é “senior”, entre aspas ou itálicos; 2- se usar em português, é sênior; 3- nos dois casos, não se pode grafar com “s” maiúscula porque não é sobrenome; 4- por não ser sobrenome, não pode seguir ao nome pura e simplesmente, tem de ser separada por vírgula ou ir entre parênteses.

O correto é: Fulano de Tal (sênior); Fulano de Tal, sênior; Fulano de Tal (júnior), Fulano de Tal, júnior. É melhor entre parênteses, pois isola o aposto do nome. Em bom português, em português de lei, de qualidade, de gente que sabe, empregam-se, tradicionalmente (e os curitibanos adoooooram “tradições”, mesmo as que surgiram ontem; mas esta é antiga) as locuções “o velho” e o “o moço”. Por exemplo: Fulano de Tal, o velho; Fulano de Tal, o moço.
Mas você nunca ouviu dizer disto? Todo o mundo conhece sênior, no mundo empresarial? É indesejável “o velho”, porque ser velho é “ofensivo”? Então, se o seu nível de percepção, de entendimento e a sua prática são estes, lamento. Você usa o errado e dá o mau exemplo.

 

TRINETO E TETRANETO. Filho, neto, bisneto, trineto, tetraneto, pentaneto, hexaneto, heptaneto, octoneto, nonaneto, decaneto. “Trisneto” e “tataraneto” não existem. Mas todo o mundo fala assim ? O povo faz a língua ? Então, tudo mundo ignora o certo e pratica o errado. Escolha.

ASCENDÊNCIA E DESCENDÊNCIA.  Ascendentes são os pais, avós, bisavós. Descendência são os netos, bisnetos, trinetos. Quando alguém diz “Tenho descendência alemã porque os meus avós vieram da Alemanha” está errado. Ele tem ascendência alemã; se tiver filhos e netos, nados no Brasil, tem descendência brasileira.

 

 

NÃO TEM COMO.NÃO HÁ COMO. Muitas pessoas usam o bordão “não tem como” para indicar impossibilidade. É expressão correta, de uso legítimo, cujo uso, todavia, tornou-se vicioso, em jeito de cacoete, ou seja, certas pessoas avezaram-se a usá-la em inúmeras ocasiões em que outros dizeres seriam mais ricos de informação e mais elegantes de estilo. É vício que mesmo o pessoal “letrado” emprega, com a diferença de, enquanto o homem comum diz “não tem como”, o “letrado”, para diferenciar-se, substitui o verbo e, em lugar de “ter”, usa “haver”. 
Certamente haver é melhor do que ter (há muitas pessoas; tem muitas pessoas), porém, neste caso, o bordão é igual e é bordão pernóstico de quem, sendo “culto” na verdade não o é: fora-o e exprimir-se-ia sem o vício disfarçado. Vício disfarçado é vício. Por exemplo: o meretíssimo senhor doutor juiz de direito que sentencia “não há como deferir o pedido”. Vá ler Machado de Assis, excelência. 

 

PESSOA ENTRE 30 E 40 ANOS.
Pessoa entre 30 e 40 anos. Existe isso? Alguém é pessoa entre tal idade e tal idade? Fulano é entre tais idades? Não. É pessoa de idade entre 30 e 40 anos. Alunos de idade entre 12 e 15 anos. 
Escola para alunos entre 14 e 16 anos. Alguém é aluno entre duas idades? Não. É aluno de idade entre 14 e 16 anos.

 

MEIO-DIA E MEIO. Meio dia são doze horas. Meio dia e meio é meio dia mais meio dia: 12 + 12=24. Meio dia e meio é meia noite.
Meio dia e trinta minutos é meio dia e meia hora. Meia hora. Logo, meio dia e meiA. Meio e dia e meio é meia noite. Meio dia e trinta minutos é meio dia e meia.

 

25.7.2017.”A GENTE”.
“A gente” ou “a gênhtchi” é expressão coloquial, tempos atrás empregada pela gente desinstruída, de escolaridade primária ou por jovens descuidadosos do vernáculo (jovens, por exemplo, ignaros das palavras ignaro e vernáculo).

Quem tinha estudos sabia distinguir as pessoas do discurso e empregar os pronomes, segundo as circunstâncias: eu, tu, ele, nós, vós, eles.

“A gente” é locução equívoca, pois exige a compreensão da frase ou do contexto para perceber-se se ela equivale a eu, a tu, a nós, a vós, a eles, ao passo que os pronomes retos (eu, tu, ele, nós, vós, eles) são inequívocos: identificam imediatamente a quem se refere o discurso (a mim, a tu, a eles, a nós, a vós, a eles.).

A gente ora indica eu, ora indica tu, ora indica nós, ora indica eles, ora indica a instituição a que se pertence. Ela empobrece o idioma porque apaga a identificação exata e precisa do sujeito do discurso e dificulta que se entenda, desde logo, a quem a frase se refere. Eu vim, ele veio, nós viemos, eles vieram; tudo isto se empobrece com “a gente veio”: a gente quem ?

Atenção agora:
A expressão a gente **sempre** enseja a pergunta e a dúvida: a gente, quem ?
Os pronomes retos **nunca** ensejam a dúvida e a pergunta sobre quem é o sujeito da frase.
A gente é expressão equívoca e pobre; os pronomes retos são precisos e, por isto, linguisticamente superiores à “a gente”. Percebeu a desvantagem de “a gente” ?

A gente significa as pessoas; gente significa as pessoas, os demais, os outros. A expressão a gente refere-se, indeterminadamente, às pessoas. Difundiu-se a expressão “a gente”, que até recentemente era usada pelo povo desinstruído, ao passo que as pessoas de melhor instrução sabiam distinguir as pessoas do discurso e diziam eu sou, nós somos, eles são. Agora, mesmo as classes A,B, e C empregam a gente ao invés de eu, de nós, de eles. Dada a expressão a gente, muitas vezes não se entende a quem o falante se refere; a gente quem? É você? São os outros? Qual gente? É expressão que empobrece o discurso, retira-lhe exatidão e mal acostuma as pesssoas a não usarem as conjugações dos verbos: quem se vicia em a gente desaprende a dizer eu vou, nós vamos, eu seria, nós seremos, eles venderão, eles estariam.

É mais fácil usar a gente, em lugar dos pronomes retos ? Sim – e também medíocre.

“A gente” propagou-se em todos os níveis da escala de instrução. Mesmo as classes estudadas empregam-na, como o fazia a povo desinstruído. Que o iletrado fale assim, é próprio de quem não teve escola, de quem é carente de leitura, de quem não zela pelo rigor da comunicação, mas que pessoas estudadas falem assim, considero evidente rebaixamento da qualidade do idioma, que se nivela por baixo.

Evoluímos ou involuímos? Nivelamos por baixo ou por cima ? O povão aprendeu ou as classes “estudadas” desaprenderam? O culto propagou-se ou propagou-se o coloquial ?

Não leva a nada alegar que com esta locução “todo o mundo” se entende, que o importante é “se comunicá” (sic), que o idioma evolui. Todos entender-se-ão melhor, comunicar-se-ão com mais eficácia, se a evolução mantiver-lhe a precisão e a qualidade, virtudes ausentes da expressão em causa.

 

MÁ PRONÚNCIA.

A antiga pronúncia dos curitibanos, em que se ouviam, distintamente, todas as sílabas, que originou o “leite quente” (que não é “leitê quentê”, ao contrário do que muitos pensam, nem “leiti quenti”) substituiu-se por abreviações na fala de muitas palavras, como “cabô” por acabou;

“cavó” por com a avó;

“tôca” por estou com a;

“tá” por está; “dé” por dez (“déreal” por dez reais, pronúncia que considero especialmente primária); “brigado” por obrigado, “nada” por denada;

Monsenhor Celso esquina “caquinze” por com a Quinze, aliás, com a rua Quinze.

Evidentemente, houve retrocesso: há retrocesso quando ao invés de se pronunciarem as letras todas, pronunciam-se algumas e contraem-se as palavras. Não leva a nada alegar-se que tal fenômeno existe em todos os idiomas. Existir não é justificar.

No comércio, em Curitiba, os balconistas e demais funcionários mantêm vícios de linguagem e proferem a impropriedade de usar o verbo no tempo futuro, para indicar o presente: “Não vai ter” ao invés de “Não tem” (aliás, melhor seria “Não há”).

Não vai ter é diferente de não há; se o balconista diz “não vai ter”, depreende-se que, então, “tem”, quando ele pretendeu dizer exatamente o oposto disto, ou seja, que não há. Uma lojista chegou ao absurdo de dizer-me “não vai ter neste momento”: não vai ter – é futuro; neste momento – é presente. Falou mal e erradamente.

Não leva a nada alegar que o povo faz a língua. Instrua-o para elevá-lo ao invés de convencê-lo que a ignorância é aceitável.

Constituem vícios terminar as frases com “daí” ou com “tá?”. Por exemplo: “Custa dez, daí”; “Amanhã não abre, daí”; “Só tem pequeno, tá?”, “Obrigado, tá?”, “O freguês já veio, tá?”.

 

“Força-tarefa” é expressão traduzida literalmente do inglês. Ela não existe em Português. O que é uma força-tarefa?? Força e tarefa? Por que força? Por que tarefa? Vocês, jornalistas, eu disse vocês, jornalistas, são responsáveis pela dissiminação de esquisitices como esta. Existe a expressão grupo de trabalho. É grupo de trabalho. Força-tarefa é nos E.U.A.; aqui, no Brasil, em Português, é grupo de trabalho. Força-tarefa é esquisito e brega. Brega.

 

ERRO DE CONCORDÂNCIA. Vício de que se propagou e que as pessoas cometem sem perceberem o erro.

ERRADO:
A caixa de sapatos estão vazias.
O livro de folhas brancas foram perdidos.
O álbum de fotografias são caros.
O tempo deles passaram.

CORRETO:
A caixa de sapatos está vazia.
O livro de folhas brancas foi perdido.
O álbum de fotografias é caro.
O tempo deles passou.

 

PRONOMES.
“Procuro interessados em administrar o grupo, respeitando a Linha Editorial.
Interessados deixar o nome em comentário.

“1) Que linha editorial ?
2) Que nome, nome de quem ?

Compare com esta redação:
Procuro interessados em admininistrar o grupo, respeitando-lhe a Linha Editorial.
Interessados, deixem o seu nome em comentário.

Os pronomes existem, são úteis e fazem diferença.

 

PARA E NÃO PRA. De tempos a esta parte, vulgarizou-se a grafia pra e pro, ao invés de para o e para a. Muitas pessoas pronunciam pro e pra, mas a pronúncia correta, clara, a boa prosódia, evidentemente, é p a r a a e p a r a o , para o, para a e não pro, pra, que correspondem a más pronúncias. Agora, é moda (moda, imitação, mimese, macaquice) escrever pro e pra.
Tenham algum zelo pelo idioma; tenham algum critério na pronúncia e na grafia; tenham senso de qualidade. Senso de qualidade: porque redigir pro e pra é não a ter e achar muito bonito introduzir , na escrita o que se deve corrigir na pronúncia. Tenham sensatez e não me venham com a lengalenga de que “a língua é dinâmica” etc..A língua é dinâmica, o que não justifica toda e qualquer modificação sua, notadamente se é para pior. Dizer que “todo mundo usa” assim é outro argumento ignóbil: não é porque “todo mundo” envilece e opta pelo pior que o pior se legitima. Tenha senso de valores.Parte superior do formulário

 

DIÁLOGO.

– Gostaria de ver roupas amarelas.
– Só vai ter no branco.
– Vai ter ou já tem ?
– Já tem. Só no branco.
– No branco…No Rio de Janeiro, na Espanha, no branco…branco não é lugar, é cor.
– ???
– Só vai ter branca, roupa de cor branca?
-Sim, só branca. No tamanho grande.
-No tamanho grande…No Rio de Janeiro, na Espanha; tamanho grande não é lugar; é tamanho.
– ???
– Só de tamanho grande ?
– Sim, só de tamanho grande e básica.
-Básica, do inglês “basic”; em inglês, é “basic”. Nós dizemos lisa. Roupa lisa.
-????
-Roupa lisa.
– E casual.
– Em inglês, eles dizem “casual” , para informal, esportivo. Roupa informal, esportiva, ao passo que , no Português, casual é inopinado, fortuito, não planejado.
– ???
– Roupa informal, lisa, de cor branca e tamanho pequeno.

 

PACK. Em um posto de gasolina, vi propaganda de cerveja: “R$…por unidade no pack.” No “pack” ??!! No pacote.

 

NOMES DE EDIFÍCIOS. The tower; Batel Trade Center; Gardens Free; Best Residence. Muitos acham tudo isto maravilhoso, sofisticado e requintado. Eu considero pobre de espírito, pobre de imaginação, pobre de alta cultura, pobre de identidade cultural, pobre de tudo, exceto de ridículo.

 

COMO SE DIZ EM INGLÊS.
Na colônia lingüística que são os E.U.A., correm algumas palavras inusitadas. Lá, dizem mistura ou mescla para “mix”; dizem caixa para “box”; dizem roupa lisa para roupa “básica” (estrangeirização de “basic”=liso, quanto à roupa); dizem espetáculo, atuação, apresentação para “show”. Dizem -novidade!!!- pau de auto-retrato ou cabo de auto-retrato para pau de “selfie”. Também dizem “home schooling” para ensino doméstico e prospecto para “folder”.
Muitos desconhecedores do inglês julgam ser maravilhoso estrangeirar o idioma rico e exuberante que é o deles; outros, possuidores de dicionários e de critério no uso do idioma, usam-nos a ambos.
“mix”= mistura, mescla.
“Box”= caixa.
Roupa básica= roupa lisa.
“Folder”= prospecto.
Pau de selfie= neste caso, a palavra pau não é erótica, não significa pênis, porém cabo. O que está mau é o raio do “selfie”. Cabo de auto-retrato.
Aliás, é um pouco infantil o narcisismo dos auto-retratos para postar no Facebook. Pouca gente está interessada na sua carinha de sorriso artificial, emque você finge que na sua vida tudo vai bem.

 

“KIT” TEM EQUIVALENTE VERNACULAR.

“kit” de livros = jogo de livros.
“kit” de primeiros-socorros = conjunto de primeiros-socorros; objetos de primeiros-socorros.

Nas lojas, vendem-se “jogos de cama e mesa”. Jogos e não “kits”.

 

GALICISMOS.   Há estrangeirismos, dentre os quais, há galicismos, palavras de origem francesa que se imiscuiram no português, como vocábulos bastardos e para que há equivalentes vernaculares. Por outra: ao invés de se usar palavras de origem alienígena, por que não usar as castiças, próprias do português ?

– Mas tudo mundo usa, já está incorporado etc.

Por que, então, não usar também o que é castiço, o que é legitimamente português ?

Gravata, do francês “gravate” diz-se GONILHA.
“Soutien”, “sutiã”, diz-se ESTRÓFIO.
Matinê, do francês “matinée”, espetáculo de dia, diz-se MATINADA ou VESPERAL.
Massacre, do francê “massacre”, diz-se CARNIFICINA , TRUCIDAÇÃO.
Todo o mundo, do francês “tout le monde”, em que “monde” significa gente, pessoas, diz-se TODA A GENTE.
Imãn diz-se magnéto ou ferro magnético.
Garantir, do francês “garantir” diz-se AFIANÇAR.
Isolado, do francês “isolé”, diz-se INSULADO.

Oóóóóóhhhh !!!!

Os nomes com desinência em “on”, em francês e inglês dizem-se com desinência “ão”: Catão, Estrabão, Dião, Platão e não Cáton, Éstrabon, Díon, Pláton. Da mesma forma, Filão, eletrão, protão, bozão, neutrão, pião, ao invés de Fílon, elétron, próton, bósão, píon.

Use o idioma com qualidade.

Oóóóóóhhhhh !!!! , novamente.

 

VÍCIO DA PREPOSIÇÃO “COM”.  Agora, o brasileiro substitui certas preposições por com. Em várias construções, certas pessoas usam com, por ignorarem as outras preposições e por imitarem a ignorância alheia.

Por exemplo: a balconista que diz “Pague comigo”; o consumidor que diz “Vou reclamar com o seu chefe”, o livreiro que diz “Obrigado por comprar conosco”.
Não é comigo, não é com o seu chefe, não é conosco. Pague para mim; paga-se para alguém e não com alguém. Reclame para o chefe; reclama-se para alguém. Não é comprar conosco; é comprar de mim ou de nós; compra-se de alguém e não com alguém.
Pense um pouco, pense por 5 segundos na lógica dos verbos e compreenderá que a preposição não se usa em certas situações, porém se usa em outras, como: eu vim com ele; café com mistura; arroz com feijão.

O sujeito convida outro: “Vamos comigo a tal parte? “. Vamos comigo significa vamos você e eu, comigo – vamos você e eu, comigo, não faz sentido. Faz sentido “venha comigo”.

“Obrigado por comprar conosco” não faz sentido. É equivalente a “obrigado por comprar com o vendedor”. Ora, o vendedor não compra com o freguês: ele vende para o freguês. Logo, “obrigado por comprar de nós” e não “obrigado por comprar conosco”.

Não me venham com o blá-blá-blá de que o idioma falado não é necessariamente lógico nem rigoroso e de que o povo faz a língua.

Instrua-o, ensine-lhe, explique-lho, mostre-lhe as incoerências, exponha-lhe a lógica do funcionamento do idioma. Eleve-lhe o nível, ao invés de convencê-lo de que a ignorância é o estado normal e aceitável do uso do idioma e da inteligência humana.

 

CRESCER. CRESCER ?

“Cresce o número de nascimentos”, “Cresceu a quantidade de compradores” e frases semelhantes, são comuns em textos jornalísticos.
É evidente a metáfora, e tola. O número de nascimentos cresce ou aumenta ? Aumenta.
A quantidade de compradores cresce ou aumenta ? Aumenta.
Crescer é verbo dotado de sentido próprio, denotativo. As metáforas justificam-se, na ausência de verbos apropriados ou para obter-se efeito estético. No jornalismo, que transmite informações, descabem metáforas.
É mau o uso de crescer, como os jornalistas costumam fazer. É metáfora desnecessária e impertinente. Se a empregam, devem aspar o verbo: “Cresce” o número de nascimentos”, “Cresceu” a quantidade de compradores.

 

“ESTOU AQUI”.

Em conversas por telemóvel (telemóvel, que celular é a tecnologia dos aparelhos. Há telefones celulares fixos): “Estou aqui, em tal lugar”.

Sempre se está em algum lugar; sempre se está “aqui”; ninguém está aqui, lá. Logo, “Estou em tal lugar”.

 

“NÃO VAI TER”.
No comércio, os atendentes respondem ao freguês “Não vai ter”, para dizerem que não há.

Não há (não tem, no falar coloquial) indica fato no presente. Preste bem atenção: “não há” é no presente. “Não vai ter”, é no futuro.

Se o freguês pede no presente (“Tem tal coisa?”) e o atendente responde-lhe no futuro (“Não vai ter”), depreende-se que, no presente, há, ou seja: “Não vai ter” é implicitamente igual a “Tem”, ao passo que o atendente quer dizer exatamente o oposto disso: na cabeça dele, “Não vai ter” é igual a “Não tem”, o futuro é igual ao presente, porém o presente indica fato atual e o futuro indica fato vindouro (é óbvio, não ?).

Demais, se ele usa o futuro para indicar o presente, como exprimirá o futuro?

Os tempos verbais (presente, pretérito, futuro) servem para precisar-se o momento da ação e para clareza do discurso. É totalmente irracional e errado dizer-se “Não vai ter” como sinônimo de “Não tem” ou “Vai querer ?” como sinônimo de “Quer ?”.

Uma atendente chegou ao absurdo de dizer-me “Não vai ter neste momento”. Não vai ter: futuro. Neste momento: presente.
Vai querer, vai fazer, vai falar, vai comprar: ação no futuro.
Quero, faço, falo, compro: ação no presente.

 

JURO – JUROS. Vulgarizou-se o erro de dizer-se “juros”, como se não houvesse singular e plural desta palavra. No singular, juro; no plural, juros.

Não é como lápis, pênis, tênis. É o juro; são os juros. Paguei juros altos; não há juros; juro é a remuneração do capital; juro baixo e juro alto.

“O juros de dez por cento” está errado; diga “o juro de dez por cento” ou “os juros de dez por cento”.

 

PREÇO E NÃO VALOR. Nas lojas, muitos dizem: “O valor deste artigo é tanto”. Valor é o quanto vale; a quantia monetária a que o artigo equivale. Possivelmente, ele é vendido pelo seu valor; possivelmente, é vendido por mais ou por menos. A quantia que se cobra, na venda, não se chama de valor, chama-se de preço. Vende-se por preço e não por valor. Logo, “o preço deste artigo é tanto”.

 

“VAMOS COMIGO?”.

O sujeito convida outro: “Vamos comigo a tal parte? “.

Vamos comigo significa vamos você e eu.

Vamos comigo = vamos você e eu; vamos [você e] eu, comigo, não faz sentido. Não vou “eu”, comigo. Vai alguém, comigo.

O correto é “Venha comigo” ou “Vamos ?”.

 

“OBRIGADO, TÁ?”.

No comércio e não só, algumas pessoas agradecem ou despedem-se destas formas: “Obrigado, tá? [está]”, “Tchau, tá? [está]”.

Está o quê? Quem agradece, diz obrigado e mais nada. Quem se despede, enuncia a fórmula de despedida e mais nada. Não faz sentido o “tá?”.

É vício.

 

USO ERRADO DA PALAVRA ABSURDO. Está se propagando o uso errado da palavra absurdo, como sinônimo de grande, enorme, desproporcional, imenso.

Absurdo é o que é destituído de sentido, de racionalidade. É absurdo lotear a Lua, contratar serviço de apagar o Sol, rezar para ressuscitar Napoleão, pretender privar as mulheres do direito de votar.

Algumas pessoas vem usando absurdo em contextos como “tal coisa é absurdamente cara”, “a população brasileira é absurda”.

Não: a coisa é muito cara, enormemente cara, desproporcionalmente cara; a população brasileira é enorme, é populosa, é numerosa, é numerosíssima.

-Mas a língua muda, blá-blá-blá.

As palavras têm sentido próprio, que convém preservar, para exatidão da comunicação e para evitarem-se ambigüidades. Se se cria polissemia, torna-se o sentido da palavra dependente do contexto. Pior: no caso do uso errado de absurdo, ela exclui as palavras apropriadas.

Absurdo não é sinônimo de muito, bastante, demasiado, exagerado, desproporcional e outros.

Ainda que o uso errado seja metafórico, ele habitua as pessoas ao sentido figurado, cria polissemia desnecessária e sujeita a confusões quem, conhecendo-lhe o sentido metafórico e não o próprio, ouça-a ou leia-a em sentido próprio.

Esta metáfora condiciona a percepção do sentido (próprio ou figurado) ao contexto, ao passo que o uso em sentido (exclusivamente) próprio permite-lhe a compreensão imediata e inequívoca, o que considero vantajoso em relação ao seu emprego (também) metafórico: é vantajoso para a compreensão da comunicação empregarem-se as palavras em sentido próprio e não também figurado. No caso do uso em sentido próprio, a acepção da palavra é a mesma, em qualquer contexto; no caso da metáfora, reconhecer-se-lhe o sentido denotativo ou conotativo depende do contexto. Demais, na escrita, as metáforas aspam-se, porém raras pessoas lembrar-se-iam de escrever, por exemplo: tal coisa custa preço “absurdo”, o que indicaria sentido (ilusoriamente) conotativo.

Não há vantagem para a comunicação na introdução de metáforas desnecessárias, pois elas sujeitam-lhe a compreensão ao contexto, o que não ocorre com o sentido próprio, como porque, ao usá-las, deixa-se de usar a palavra cabível, em sentido denotativo. Não há vantagem na substituição do sentido próprio por figura de linguagem. Não há vantagem no uso metafórico da palavra absurdo; trata-se de metáfora indesejável.

 

ACESSAR. ACEDER A.

Há séculos -séculos ! – existe, em português, o verbo “aceder a”, que significa:

1) aceitar. Acedo a convite: aceito o convite.

2) ter acesso a. Acedo ao lugar, acedo à versão eletrônica da gazeta; acedi ao Facebook; acedo-lhe, aceda-lha, acedi-lhe, aceder-lhe-ei, aceder-lhe-emos.

Por desconhecimento léxico, propagou-se “acessar”, como tradução direta do inglês “to access”. Porém há, na língua portuguesa, verbo que indica a mesma ação.

Quem usa o verbo aceder a, usa português castiço, do bom, do ótimo, com qualidade.

Quem usa acessar usa português ruim, usa anglicismo, coisa improvisada, coisa que resultou do desconhecimento do idioma.

Muitos conhecem o verbo “acessar” e usam-no. Agora, que já conhece “aceder a” e lhe conhece a qualidade, também pode usá-lo.

 

“SOU UM ESTUDANTE”, “SOU UMA ATÉIA”.
“O que ler para ser um conservador”; “Fulano era um político”.
Nestas quatro frases, o artigo indefinido um descabe, está de mais.
É-se estudante, atéia, conservador, político e não um estudante, uma atéia, um conservador, um político.
O artigo indefinido (um, uma, uns, umas) é de rigor, nestas situações (anteposto ao substantivo ou ao adjetivo) em francês e em inglês, porém não faz sentido em português.
Trata-se de artigo e não de numeral. Ele, aí, não indica quantidade, não está a informar que se trata de uma pessoa e não de duas, três, quatro.
       Ainda que se cuidasse de numeral, quem diz “sou um político”, refere-se a si próprio, ou seja, a uma pessoa; obviamente cuida-se de uma pessoa e não de duas ou mais. Se se tratasse de duas ou mais, dir-se-ia: “somos dois políticos”, “O que ler para serem conservadores”. Se se trata uma pessoa, escusa de se enunciar o numeral um ou uma para se exprimir a obviedade de que se trata de uma pessoa e não de mais de uma.

 

“Deixa eu ver”.

Pode melhorar um pouco, não ?

Deixe-me ver.

 

“O Fulano, ele é meu amigo”.

Ele = o fulano.

O Fulano, ele é meu amigo = O Fulano, o Fulano é meu amigo.

O Fulano é meu amigo. O Fulano é-me amigo.

 

Tolice (sim, tolice) das editoras, de fornecerem “box” de livros. “Box”, do inglês = caixa. Caixa de livros. Simples assim.

 

 

ADVÉRBIO DE MODO. RÁPIDO; RAPIDAMENTE.

O adjetivo qualifica o objeto, a coisa de que se fala. O advérbio de modo qualifica a ação que se produziu.

Os advérbios estão para o verbo, qualificam-no.

Os advérbios de modo indicam o modo como se produziu a ação. Por exemplo: “alguém entendeu de modo rápido” ou seja, ele entendeu rapidamente.

“Entendeu rapidamente” é diferente de “entendeu rápido”, pois rapidamente refere-se à ação de entender, a como ele entendeu; rápido é adjetivo, é qualidade de coisa – no caso, não há coisa. Rápido, aqui, é adjetivo, é qualidade do objeto, de algo, e não a maneira como ocorreu a ação.

Para se especificar como ocorreu a ação, usa-se o sufixo “mente”, cuja função consiste em qualificar a ação e não o objeto.

 

Rápido é adjetivo, como em avião rápido, trem rápido; o adjetivo não é advérbio de modo, ele não exprime a maneira como a ação aconteceu. Exprime a maneira como a ação aconteceu o advérbio rapidamente.

Outro: “Venha urgente”. Melhor diremos: “Venha urgentemente”. Urgente é a qualidade de algo, cuja realização urge, que exige prontidão, que se deve realizar já, em curtíssimo prazo. Urgente é qualidade da situação em que alguém deve vir.

Urgentemente é o modo como alguém deve ir: deve ir com urgência e não com lentidão, com preguiça, com tardança.

Rápido e rapidamente, urgente e urgentemente semelham ortograficamente, porém diferem quanto à respectiva função na oração. Rápido e rapidamente, urgente e urgentemente têm valores diferentes, não se equivalem. Não é a mesma coisa usar rápido em lugar de rapidamente, ainda que se entenda o sentido da frase – má frase, mal construída.

Na língua portuguesa, adjetivo e advérbio de modo são figuras inteligentes, bem pensadas, que fazem sentido. O sufixo “mente” não é aleatório nem inútil, ao contrário.

Contentar-se com a substituição do advérbio pelo adjetivo porque “se entende” a oração, corresponde à mentalidade mediocrizadora. Empregar-se o advérbio de modo, cônscio da sua função, corresponde à mentalidade cultivadora do idioma. Entre a mediocridade e o cultivo, cada um escolhe.

Fulano bateu forte > Fulano bateu fortemente.

Decida, independente disto > Decida, independentemente disto.

O pagamento cai automático > O pagamento cai automaticamente.

Educação para a valorização do idioma.

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