“Brasileiro não tem memória” & Bolsonaro.

“Brasileiro não tem memória”, repetia-se, com freqüência, 20 ou 30 anos atrás: as pessoas esqueciam-se dos fatos da política e repetiam maus votos, em prol de maus candidatos.
Muitos brasileiros de 2018 não viveram o período do regime militar, que teve boas realizações, no domínio da infra-estrutura, no da economia (em parte), no da segurança pública.

Por outro lado, houve violência institucionalizada, conquanto em reação à violência para-militar de grupelhos terroristas de esquerda. Também houve cassações políticas, exílios, decretos autoritários, censura de livros, revistas, romances, peças teatrais, em nome dos famigerados “moral e bons costumes”. Se Bolsonaro for alçado à presidência, receio pela reposição da censura, por iniciativa da bancada evangélica, em nome “da família, da moral e dos bons costumes”; a Escola sem Partido em vigor; o Brasil como “jesuscracia”; o incremento do machismo e da homofobia.

 

Muitos brasileiros (os jovens) não viveram aquela época e desconhecem, por experiência própria, o que é viver debaixo de tirania; outros brasileiros, já ex-jovens, viveram aquela época, porém esquece-lhes o que é viver debaixo de tirania. A maioria dos coevos ao regime militar envelheceu ou já pereceu: em considerável medida (crescente) a memória converteu-se em História.
Temo que, com Bolsonaro, cedo ou tarde, isto resulte em mais um regime autoritário, agravado com a coligação de religiosos, representada pela bancada evangélica.

Repugnam-me bancada evangélica e tirania de qualquer tipo, seja de direita, seja de esquerda: quero liberdade e liberdades; respeito para com as pessoas, como princípio da política e da convivência humana; serenidade e laicidade.
Parece-me que Bolsonaro está nos antípodas disto tudo.

Honestidade, combate à corrupção, repressão da criminalidade, são coisas desejáveis, porém vem acompanhadas do lado retrógrado e obscurantista de Bolsonaro, que não se privará de transformá-lo em legislação e em políticas públicas.

Auguro que muitos dos seus entusiastas arrependam-se dele, se ele for eleito: por primeiro, haverá contentamento e entusiasmo, com medidas que se coadunam com as expectativas do seu eleitorado; a seguir, manifestar-se-á o gosto pelo poder e suceder-se-ão desmandos e abusos, que os bolsonaristas justificarão com racionalizações e pretextos. Só com o andar do tempo é que principiarão a questionar, a si próprios se, havendo votado nele, fizeram bem: concluirão negativamente e serão os neo-arrependidos. Será assim ?

Cada povo tem o governo que merece, vale dizer, que elege.

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