Trindade cristã; Jesus da história.

 

TRINDADE CRISTÃ. JESUS DA HISTÓRIA.
A trindade cristã, seja com sujeição da segunda pessoa ou não, à primeira, é imitação de trindades anteriores, presentes na teologia egípcia e em outras. Era voga religiosa, na antiguidade, adorarem-se 3 deuses: na India, no Egito, em Roma, na Grécia, havia trios divinos, idéia que o cristianismo imitou. Como, no entanto, ele negava os deuses greco-romanos e advogava o monoteísmo, inventou a sua trindade, em que um deus é o pai; quem é pai, tem filho: inventaram-lhe um filho (o que não era novidade nenhuma, pois os deuses tinham filhos e deixavam descendência.

Neste sentido, o cristianismo é empobrecedor, pois Jeová só conseguiu fecundar uma vez, e à maneira pagã, por meio de zoofilia (coisa que Júpiter praticou várias vezes); depois, faltava um e inventaram o tal do espírito santo, que era a idéia de vento, de sopro, de origem grega. Os cristãos imitaram muito, das religiões suas coevas.

Se a segunda pessoa é consubstancial ou não à primeira, se lhe é inferior ou equiparada, tanto faz: em qualquer dos casos, não passa de efabulação com que os cristãos imitaram, também nisto, outras crenças.

Três era número bem visto no ambiente grego (ele se repete, por exemplo, na história da bruxa Medéia e em várias passagens das Metamorfoses, de Ovídio; antes da prisão de Jesus, o galo [animal de Mercúrio e de Minerva] cantou 3 vezes). Dois deuses era mau; quatro, era excessivo; três ficava bem, pois correspondia a número predileto da antigüidade.

Baco, deus do vinho, propiciou colação aos seus amigos, em que lhes distribuiu pão por memória do seu corpo e vinho por memória do seu sangue. O pãozinho era marcado com este sinal: +. Baco era conhecidíssimo no recinto do império romano e do episódio da colação o cristianismo apropriou-se, na forma de “ceia” de J. com os seus asseclas.

Jamais, em ambiente judaico, aceitar-se-ia antropofagia, ainda que simbólica, que, todavia, se aceitava em ambiente grego. Os evangelhos foram redigidos por judeus da diáspora, após o ano 70, fora de Israel, para serem lidos por gente ambientada não na cultura judaica, porém na greco-romana.

Atente aos nomes dos apóstolos: Felipe, Lucas, Marcos – gregos. Pedro ou Simão Barjona, significa Simão, o meliante, o bandido, delinqüente. Judas Iscariotes, de iscaris, punhal: Judas, o apunhalador, o homicida. Eles integravam bando armado, dotado de treinamento para-militar, em hoste de que participava J. C., cuja pregação contém vários elementos de incitação à violência. Ele não foi o pregoeiro da paz e do amor somente; foi-o entre judeus e para judeus, como nacionalista judaico anti-romano que era. Eis o Jesus da história.

Em suma: o cristianismo é o politeismo requentado e enriquecido com a intolerância típica dos cristãos, à diferença da tolerância romana: enquanto os romanos regiam-se pela “concordia”, integrante da sua moral, segundo o qual admitiam-se todos os cultos e deuses, os cristãos praticavam a intolerância: recusavam todos os deuses e cultos, exceto os seus próprios como, ademais, odiavam tudo na cultura romana (deuses, cultos, leis, costumes, literatura, valores) exceto o próprio cristianismo.

Como, então, se lhe explica a propagação? Na fase de decadência de Roma, em que havia desabastecimento e carestia, as igrejas cristãs atuaram como centros de assistência social: praticavam a solidariedade entre si, grupal, sectária, ao mesmo tempo em que a sua pregação era esperançosa, pois oferecia o reino de deus em lugar do regime político e social romano, em que supostamente, o primeiro seria melhor do que o segundo. Eis por que a pregação cristã atraiu as classes mais baixas de Roma, a escória social, os muito pobres e os miseráveis. Repugnava-lhe o homem culto, instruído e esclarecido; explicitamente, preferia o ignaro: o ignaro é crédulo e sugestionável.

Jesus “fundou a primazia do amor”, em termos. Fundou a primazia do amor sectário, de judeu que era, para judeus, entre judeus, com exclusão dos profanos. Ele jamais pregou amor universal (a igreja, sim). Ao contrário, a sua pregação foi essencialmente destruidora da família tradicional romana e anti-social: quem o quisesse seguir, deveria abandonar pai, mãe, amigos, casa. Era literal: ele exigia a renúncia aos laços afetivos e familiares, para o assecla devotar-se-lhe. Por ser forte demais, a igreja suavizou este ditame com exegese metafórica, porém, ao tempo, ela foi compreendida no que realmente significava, motivo por que o escol romano repudiou o cristianismo.

J.C. veio trazer a espada e não a paz. É outra passagem de sentido denotativo e, por que incômoda, a igreja interpretou metaforicamente. A espada em questão era arma branca, instrumento militar e não alguma espada espiritual.

J. C. era zelota, militante de grupo armado, para-militar, hostil à presença romana em Jerusalém. Participou de golpe armado, que lhe correu mal: terminou executado por crime de “maiestas maiorum”, crime contra a segurança do povo romano, bem como os outros 2 que se crucificaram com ele e que não eram ladrões, porém partícipes do malogrado golpe.

A cena em que Pilatos exime-se da sua responsabilidade é estapafúrdia e falsa: ele exerceu o seu papel de governador e aplicou o direito penal romano. A opção dos sacerdotes judeus, por Barrabás, em detrimento de J. C., é inteiramente falsa; foi falsificada pelo evangelista, autor do chamado evangelho de Mateus.

Pedro era dotado de treinamento militar e, no momento da prisão de J., sacou da espada e golpeou um soldado para matá-lo (espada, bainha e cinturão pesavam 5 quilos e o seu manuseio exigia treinamento); Judas Iscariotes significa Judas, o Apunhalador: era homicida.

Eis o que a leitura atenta dos evangelhos canônicos permite reconhecer-se, com verossimilhança à luz da história.

Vide “Jesus. Galileo armado”, de José Monteserrat Torrents, e “Zelota”, de Reza Aslan.

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