“Oil man” de Curitiba. Fiscal da vida alheia. Pudor.

“OIL MAN” DE CURITIBA. FISCAL DA VIDA ALHEIA. PUDOR.

Em Curitiba, há um personagem popular, o Homem de Oleo, ou Oil Man, que pedala vestido, apenas, de sunga.

Um sujeito, ao vê-lo, disse:
-É atentado ao pudor.

Eu, que falo com estranhos e que sou muito impaciente com certas coisas dos brasileiros, estaquei e intervim:
-Não é. Na praia as pessoas não vestem só sunga? Vestem. Lá pode; então, aqui pode.

O sujeito objetou-me:
– Fica passando na frente dos outros e os outros têm de ver.
Eu:
-É a liberdade dele. Não gosta, não use, mas não pode impedir os outros de usarem porque você não gosta.

Objetou-me que se uma mulher andar de peitos de fora, “vai ver o que acontece”.
Redargüi-lhe que o Tribunal de Justiça de SP,em 2015, decidiu que onde o macho pode expor os seus mamilos, AS MULHERES PODEM EXPOR AS SUAS MAMAS, sem crime de ato obsceno.

O sujeito disse-me:
-É por isto que o Brasil está deste jeito.

No etos dele, pudor, encobrimento do corpo, vergonha do corpo, são valores fundamentais. Tolerância, alteridade, liberdade, não o são. Nunca um ateu, um agnóstico, um libertário,concluiria como ele. Porém, um evangélico, sim.

Felizmente, há juízes lúcidos neste país. Eis porque o projeto teocrático dos evangélicos é o de conquistar a presidência da república para, a seguir, o Teocrata-mor indicar ministros do STF declaradamente cristãos.

É sempre a mesma mentalidade mesquinha de certos brasileiros, de fiscalizar a vida alheia, a liberdade alheia, o cu alheio, o pinto alheio, a bunda alheia, o marido alheio, a mulher alheia, a privacidade alheia, e pretender que os outros devem se comportar consoante os padrões do fiscal.

Prossegui:
-Cada um tem que cuidar da sua vida e não cuidar da vida alheia. É problema dele.

É óbvio que esta mentalidade fiscalizadora, repressora, condenadora, dotada de regras para os outros, tem uma só origem: A RELIGIÃO E O LIVRO MAIS FUNESTO DA HUMANIDADE, A BÍBLIA. É com base nos seus dizeres que os porta-vozes de deus e os seus adictos pretendem controlar e fiscalizar a vida alheia.

O QUE OS EVANGÉLICOS, EM GERAL, APRENDEM: a obediência e a fiscalizar a vida alheia. Obedecer aos mandamentos e ao pastor é-lhes valioso.

O QUE OS EVANGÉLICOS NUNCA APRENDEM: o valor da liberdade e a respeitar as diferenças de modos de ser, viver, estar. “Viva e deixe viver; cuide da sua vida e não se meta com a alheia” são axiomas que eles não aprendem.

Pudor (vergonha do corpo), fiscalização da vida alheia, obrigação de velar o corpo, são-me IGNORÂNCIAS.

Eu até aceito os ignorantes; não aceito o ignorantismo.

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